Enem 2016: só 47% confiam na correção das redações


O Exame Nacional do Ensino Médio 2016 (Enem 2016) será o oitavo após a reformulação da prova, ocorrida em 2009. E ao que parece ainda permanecem, em boa parte dos candidatos, dúvidas sobre a eficácia da atribuição das notas da redação. Foi o que constatou a pesquisa “Como o estudante se prepara para o Enem 2016”, feita pelo Centro Universitário Carioca (UniCarioca), a pedido da FOLHA DIRIGIDA.
 
No levantamento, feito pelo Laboratório de Pesquisa da UniCarioca, menos da metade dos entrevistados (47%) afirmaram que confiam no método de correção e atribuição de notas da Redação. No estudo, foram ouvidos 1.224 estudantes que farão o Enem, em sua maioria de 16 a 19 anos. Pela metodologia empregada, a margem de erro é de 5% para mais ou para menos, e o resultado pode ser considerado como tendência para os demais participantes da prova nacional.

Veja também
Enem 2016: 40% só estudam em cima da hora
 
Para a doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio) Andrea Ramal, o resultado reflete problemas no processo de correção em edições recentes da redação do Enem. Há alguns anos, por exemplo, uma redação com uma receita de miojo e outra com um trecho do hino do Palmeiras receberam pontuações acima da média. A especialista ressalta, no entanto, que o processo de correção melhorou muito.
 
“Uma avaliação de texto sempre terá alguns elementos de subjetividade, mas o esforço dos organizadores, inclusive com  capacitação prévia dos avaliadores, tem sido na linha de reduzir essas falhas. Hoje a correção é muito mais confiável do que há alguns anos”, disse Andrea Ramal, que lançou, este ano, uma edição ampliada e de seu livro “Redação Excelente - Para Enem e Vestibulares”, em que analisa temas e de exemplos de redações bem e mal sucedidas até a edição do ano passado.
 
Enem 2016: candidatos também não confiam na correção da parte objetiva
 
Os candidatos também parecem não acreditar no sistema de atribuição de nota da parte objetiva da prova: só 47% dizem que confiam. A correção das questões de múltipla escolha é feita por meio eletrônico e tem como base a Teoria da Resposta ao Item (TRI). Por esse método, entre outros fatos que geralmente causam dúvidas, é comum dois candidatos que acertem a mesma quantidade de questões terem notas diferentes.
 
Pela TRI, o que define a nota do participante não é o número total de acertos, mas as quantidades de questões de dificuldade baixa, média ou alta resolvidas corretamente. E como não se sabe quais itens da prova são classificados dessa forma, o inscrito não tem como calcular sua pontuação. Ele só sabe quantos pontos fez com a divulgação das notas.
 
A pesquisa da UniCarioca também procurou saber qual dos cinco critérios pelos quais a redação é avaliada o candidato considera a mais difícil. A mais votada foi a competência 3 (selecionar e organizar informações e argumentos), seguida da competência 2 (compreender a proposta de redação). Para Andrea Ramal, o resultado reflete a falta de hábito de ler dos estudantes brasileiros.
 
Segundo a educadora, na competência 2, não basta entender o tema, mas fazer o recorte necessário. Ela citou o exemplo do ano passado, quando os participantes precisavam não só falar analisar a violência contra a mulher, de um modo geral, mas abordar a problematizar a impunidade relacionada à aplicação da Lei Maria da Penha e a própria efetividade das políticas públicas.
 
“Da mesma forma, na competência 3, o candidato precisa mostrar que é capaz de selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações e argumentos, em defesa de um ponto de vista. Para fazer isso adequadamente, é preciso escrever com coerência no encadeamento das ideias. As informações de cada parágrafo devem ter relação com o que foi dito antes, sem repetições nem saltos de um assunto a outro, e com o apoio de conectivos adequado. Essas competências se desenvolvem lendo muito, sabendo interpretar e treinando a escrita”, destacou Andrea Ramal. 

Por: Diego Da - icarodiego09@hotmail.com
Assine e tenha acesso completo ao conteúdo do Folha Dirigida
OU

Comentários

NEWSLETTER
Cadastre-se para receber notícias e Informações