Em artigo, Mirian Paura fala sobre ensinar a pensar


Ensinar a pensar é possível?

Mírian Paura S. Zippin Grinspun *

Gostaria de propor uma tarefa nas escolas que pode e deve ser amparada/trabalhada pela Orientação Educacional: ensinar a pensar. Por que e como isto poderia ser feito, nas escolas?

Estamos vivendo um período que daqui há pouco será colocado em prática que são as Bases Nacionais do Novo Currículo. Discutir quais são essas bases e quais disciplinas ele comportará não é uma tarefa muito difícil se levarmos em consideração o momento que vivemos, quais as reivindicações para o melhor ensino e o que poderemos fazer para atingirmos uma escolaridade mais eficiente e eficaz. Mas ensinar a pensar, geralmente não faz parte desse contexto, até porque muitas vezes achamos que não se ensina a pensar e que isto ocorre normalmente com os alunos.

Ocorre que a questão do pensar envolve a sua formação, a sua escolaridade e a própria visão que o aluno vai tendo do contexto onde ele se desenvolve. O que gostaríamos de apontar, entretanto é que o pensamento não se forma por si só se não tivermos a amplitude dos conhecimentos, da realidade onde vivemos e convivemos no dia a dia. Ao termos acesso, hoje, ao mundo das novas tecnologias, a informação em todos os meios de comunicação e a própria vivência do indivíduo vamos tendo conhecimento de uma realidade que precisa ser questionada, explicada, argumentada.

O pensamento por si só ocorre com todos nós, mas devemos proporcionar aos nossos alunos meios para verificarem esse contexto de forma mais ampla e diversificada. O ensinar a pensar não é dar regras e pontos que vão construindo o seu pensamento, mas sim dar as ferramentas para que este pensamento seja claro e enriquecedor, apesar da complexidade do mundo que temos, hoje. Ao ensinarmos, por exemplo, História do Brasil, História Geral, aprendemos os fatos/dados que ocorreram em diferentes momentos, mas cabe também discutirmos porque eles ocorreram e de que forma isto se deu.

Neste momento, estaremos adiante dos fatos em si, da aprendizagem frente os dados para discutirmos, avaliarmos, “pensarmos” no porquê da sua existência. Um série de fatores estão implícitos na formação do pensamento: a criação/educação que o aluno recebe em casa, na cultura em que vive, nas relações que ele tem. Implícitos nessas questões estão os valores em que ele passa a pensar nos mesmos - bom, belo, certo, necessário, etc, a partir de suas vivências diária.

É preciso, pois, que a escola tenha um espaço para que possamos refletir sobre esse contexto, levando o nosso aluno a pensar, refletir, avaliar o contexto não só pelos fatos casuais, mas a sua existência no meio em que vivemos. Não há “matérias” que vão formar esse pensamento, mas há meios, reflexões, avaliações que vão ajudar o aluno na sua formação mais específica. O ensinar a pensar busca ajudar o aluno a ir além dos conhecimentos e procurar compreender o porquê desta realidade.

Todos os fatos podem e devem ser trazidos à Escola para permitir que o aluno vá criando, recriando seu pensamento com fatores mais específicos do seu cotidiano. Queremos oferecer aos nossos alunos meios para ir alem dos diferentes saberes apreendidos na escola, para criar no seu pensamento meios que os façam compreender e avaliar o contexto numa dimensão que vá além do saber/aprender, para situar-se no vivenciar e pensar de forma mais explícita e mais precisa. O diálogo torna-se indispensável nesta caminhada. Ensinar a pensar, por certo, vai ajudar esse aluno a ter uma formação mais precisa e, por certo estaremos no caminho mais seguro e enriquecedor de uma educação de qualidade.

* Professora da Faculdade de Educação Uerj

Por: Larica Santos - [email protected]
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