Especialistas analisam as demandas da Uerj


Ano novo, vida nova. A expressão é repetida inúmeras vezes, sempre ao fim de cada temporada. Trata-se de um bordão conhecido, utilizado para explicitar e identificar as metas não cumpridas no ano anterior. O jargão pode traduzir o momento atual da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que acaba de empossar o reitor Ricardo Vieiralves pela segunda vez seguida.

A comunidade acadêmica votou pela permanência do gestor por mais quatro anos. No primeiro mandato, constatou-se evolução da instituição, principalmente em termos de estrutura. O Plano de Cargos e Salários dos professores, uma das principais reivindicações, finalmente saiu do papel.

Contudo, há ações fundamentais para a instituição que não foram concretizadas, como o projeto de dedicação exclusiva para os docentes, a expansão dos restaurantes universitários para outros campi e a concessão de um número maior de bolsas de estudos para alunos.

O governador Sérgio Cabral e o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso, reiteram a posição de que sentarão com seus pares para analisar os custos e traçar os planos para a dedicação exclusiva ser o regime de trabalho de parte dos docentes.

Para o presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Comte Bittencourt, o governo deveria ter encaminhado essa matéria ao parlamento estadual até dezembro de 2011, para tratar de sua regulamentação. Assim que iniciar o ano legislativo, o deputado assegurou que vai cobrar das lideranças o projeto.

Já o presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), professor Paulo Alcântara Gomes, reiterou a importância de a Uerj adotar a dedicação exclusiva. “É determinante para qualquer universidade que se tenha um corpo docente com dedicação exclusiva, pois só assim é possível ter uma atividade de pesquisa. Não há como um professor ter que se deslocar de uma instituição para outra e, ao mesmo tempo, realizar projetos de pesquisa. Qualquer instituição de boa qualidade deve ter uma boa parte dos docentes em dedicação exclusiva”, defende o educador.

No entanto, os desafios da universidade não se resumem a esta medida. Segundo Comte Bittencourt, o Rio de Janeiro deve ter, urgentemente, um outro olhar para as universidades públicas. A afirmação versa, principalmente, pela falta de política estratégica do gestores do estado.

“A Uerj vem sendo tratada há vários governos como uma secretaria de estado e não como uma universidade, que necessita gozar de sua autonomia plena, não só acadêmica e pedagógica, mas também financeira. É uma questão que precisa ser discutida de forma serena, responsável, para que o Rio de Janeiro possa ter um parque universitário público que possa continuar construindo a inteligência do estado com competência e qualidade”, declara.

O parlamentar comenta que a Uerj possui um grande problema orçamentário, que a cada ano sofre cortes até chegar à casa legislativa. “A universidade é cortada nas suas despesas mínimas. É só ver o que é previsto para o custeio. Ela vem fechando no vermelho nos últimos anos. Se não dá para custeio, imagina para investimento no parque científico, em laboratórios e equipamentos que precisam ser renovados? Aqui é o centro da formação da inteligência e da inovação do Rio de Janeiro. O estado que não tiver a capacidade de compreender o papel de suas universidades, será cada vez mais pobre no que diz respeito ao desenvolvimento de sua intelectualidade.”

Promessa de campanha de diversos reitores, o restaurante universitário foi inaugurado no fim de 2011. A Alerj foi fundamental por garantir à instituição os recursos para a construção e implementação do bandejão, que também foi instalado na Uenf. O deputado, no entanto, afirma que o preço cobrado por cada refeição deve ser discutido internamente, nas reuniões do Conselho Universitário.

“A questão do custeio é um debate interno. Entendo que deve ter um custo mínimo para manter o restaurante e espero que essa seja a mentalidade da gestão da universidade. O bandejão não é atividade finalística da Uerj, é atividade meio, para garantir ao estudante, principalmente aqueles que ficam em horário integral - que é quase o conjunto da instituição -, o acesso à alimentação que dê condição de enfrentar o dia a dia dos seus estudos. Se a Alerj for chamada, vamos ajudar. Mas entendo que o que tínhamos de fazer, já fizemos”, opina.

Comte Bittencourt destaca, ainda, que as próximas campanhas serão pela instalação de restaurantes universitários em outros campi, caso essa demanda seja levada à Comissão de Educação pelos representantes estudantis.

“Se essa proposta chegar as nossas mãos, apresentaremos emendas nos próximos orçamentos executados pelo Poder Executivo, para que os novos campi também tenham sua área de alimentação”, conclui. 

Por: Marcella Dos - [email protected]
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