Estudantes da Gama Filho protestam nesta quinta, dia 5


Alunos da Universidade Gama Filho (UGF) farão uma manifestação nesta quinta, dia 5 de janeiro, no campus da Candelária, onde vai ocorrer o vestibular 2012 da instituição. De acordo com os estudantes, a mobilização será realizada em dois horários, o primeiro das 7 às 9 horas e o segundo às 17 horas. A concentração será na Avenida Presidente Vargas, 62, onde fica localizado o campus.

O objetivo é protestar contra os reajustes nas mensalidades desse ano, que teriam chegado a 35%, em alguns casos, e contra a demissão de professores, estimada em 300 profissionais. Os jovens pretendem fazer panfletagem e contarão com a colaboração de um carro de som.

Todos estarão vestidos de preto e com a boca e punhos lacrados com fita adesiva, como forma de representar a falta de voz diante do ocorrido, já que eles afirmam que a universidade se recusa a discutir sobre o assunto. A União Nacional dos Estudante também estará presente para dar apoio aos manifestantes.

Para o universitário Diogo Fuser, aluno do 10º período de Medicina, a situação é decepcionante. O jovem que saiu de São Paulo e que conta com a ajuda do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para arcar com o custo da mensalidade que, para ele já era alto antes do reajuste, diz estar temeroso quanto ao seu futuro na universidade.

“Só vim para cá pois sabia que a Gama Filho tinha tradição e era referência na área. Apostei na boa credibilidade da universidade e na qualidade do seu corpo docente. Agora, não só tenho medo do nível do curso cair como também de ter que arcar com o valor integral da mensalidade, caso não seja possível o refinanciamento do benefício”, desabafou.
 


Um outro grupo de professores que trabalhavam em hospitais por meio de um convênio com a Gama Filho foram dispensados como parte da reestruturação promovida pela Galileu Educacional, uma gestora voltada para o mercado da educação superior, que comprou a UGF no ano passado. A Galileo também adquiriu a Centro Universitário da Cidade (UniverCidade).

Para Crisóstomo Peixoto,  professor da UGF há 38 anos e presidente da Associação de Docentes da UGF, a demissão feita por telegrama demonstra o quadro atual gestão da universidade. Ele, que trabalha no magistério há mais de 40 anos possui dois mestrados e doutorado, segundo ele, perfil da maioria dos professores que foram demitidos, agora espera apenas pelo cumprimento de seus direitos.

“Fiz muito pela universidade. Como presidente da associação, muitas vezes intermediei acordos entre a universidade e os professores. Muitas vezes dispensei outros trabalhos pois acreditava na filosofia da universidade e por ser um local bom de trabalho e com bom salário. Estou decepcionado em ver o custo prevalecendo sob a qualidade da educação. Não é porque uma universidade deixa de ser filantrópica que ela tem o direito de fazer demissões nestas proporções. Espero que os professores recebam seus direitos, caso contrário, vai competir a sociedade, ao Ministério Público e ao MEC dar fim a isso”, declarou.

De acordo com o vice-presidente do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio), Antonio Rodrigues, cerca de 300 professores da UniverCidade também foram demitidos. Segundo ele, o sindicato ainda aguarda a Galileo Educacional marcar a homologação das demissões.

“A empresa tem até 10 dias para marcar a homologação junto ao sindicato. Essa demissão representa mais de 1/3 do quadro funcional e vai de encontro com a política capitalista de que a educação é mercadoria. São mestres e doutores demitidos em nome da economia. Eles terão que pagar 30 dias de aviso prévio, salário de dezembro, férias e 13º salário. Será um absurdo se os professores precisarem lutar por isto na justiça. Espero que eles possam indenizar a todos”, afirmou.

Na próxima terça, dia 10, às 11 horas, o Sinpro-Rio vai realizar em sua sede uma reunião com os professores da Gama Filho. Na ocasião a categoria fará um balanço da situação e quais serão as providências a serem tomadas pela entidade.

Nota oficial da Gama Filho

A equipe de reportagem da FOLHA DIRIGIDA procurou a direção da Universidade Gama Filho para que pudesse se posicionar diante das críticas feitas por representantes dos professores e dos alunos. A instituição, por meio de sua assessoria de imprensa, divulgou uma nota oficial, que é reproduzida abaixo:

COMUNICADO

A Galileo Educacional vem, por meio deste comunicado, elucidar algumas questões a respeito da operação de sua mantida, a Universidade Gama Filho.

Saúde
A decisão de não renovar contratos dos professores da área de Saúde vinculados à Santa Casa de Misericórdia se deve ao fato de a universidade contar agora com um hospital próprio – o Hospital Universitário Gama Filho, na Barra da Tijuca –, onde acontecerá a prática de ensino antes realizada na Santa Casa.

Várias das áreas clínicas em que os alunos de Medicina e de outros cursos de Saúde faziam aprendizagem e internato na Santa Casa serão transferidas para o novo Hospital Universitário Gama Filho, único hospital privado universitário do Rio de Janeiro.

Ele tem início de operação previsto ainda para esse mês (janeiro), e o atendimento, público, se dará por meio do SUS. Outra unidade de saúde da Gama Filho, o Centro Integrado de Saúde, que funciona na Piedade, foi totalmente reestruturado e também atenderá ao público de forma gratuita, em regime ambulatorial.

Reajustes
A mudança de natureza jurídica da mantenedora, antes uma associação filantrópica, causou um impacto de 25% nos custos da instituição relativos à tributação. Esse fato foi exposto ao MEC, bem como será comunicado a todos os órgãos públicos diretamente envolvidos no processo.

A Universidade Gama Filho está implementando uma reestruturação administrativa e acadêmica, com o objetivo de oferecer a seus estudantes uma infraestrutura adequada ao ensino de qualidade.

Para o cumprimento do cronograma de obras e melhorias, foram feitos investimentos em larga escala. O reajuste na mensalidade é um reflexo deste novo processo de melhorias, que poderão ser percebidas, de imediato, pelos estudantes.

O compromisso da instituição é o de preservar o ensino de qualidade e garantir uma infraestrutura privilegiada ao aprendizado de seus alunos.

Por: Juliana - rodrigues.landim@hotmail.com
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