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Em uma conferência no último dia 29, em evento do Sindicato dos Professores do Município do Rio e Região (Sinpro-Rio), a coordenadora geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), Madalena Guasco, expôs várias críticas da entidade ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). A principal delas é de que o conjunto de medidas de curto e longo prazo do MEC para melhorar a qualidade do ensino no país não estariam articuladas com um projeto de nação soberana que tenha a educação pública como eixo principal.
Um projeto de educação tem de estar articulado
a um projeto político e econômico, a uma
concepção de desenvolvimento do país,
disse Madalena.
Segundo a sindicalista, falta também articulação
entre as metas do PDE. Ela vê na proposta do MEC
uma série de medidas em áreas diferentes
mas que, juntas, não representam a unidade de
que necessita um plano educacional. Hoje, falta articulação
ao ensino brasileiro.
O nível fundamental está com um sistema,
o médio está com os estados e a educação
superior é responsabilidade do governo federal.
Sem uma organização sistêmica, não
haverá efetivamente um plano, comentou a representante
dos trabalhadores.
A professora chamou a atenção para o fato
de que, em 2008, a proposta do Plano Nacional de Educação
(PNE) completará dez anos, sem que várias
de suas metas tenham sido atingidas. Objetivos que,
para ela, em vários casos são mais audaciosos
que os do próprio PDE. Um dos exemplos que a
sindicalista citou foi a meta de investimento em Educação
vetada pelo então presidente Fernando Henrique
Cardoso, que era de 7% do PIB. A meta do PDE é
manter, até 2022, investimento de 5% do PIB.
Como pontos positivos do atual plano do MEC, Madalena
Guasco citou as metas para expansão do ensino
superior público, da educação profissional
e a criação da Universidade Aberta. Estas,
sim, são questões efetivas de um plano
de educação, pois podem estar articuladas
à formação de jovens capazes de
responder às demandas para o desenvolvimento
do país. Um dos pontos negativos destacados foi
o fato de o ProUni permitir a oferta de bolsas por instituições
com desempenhos ruins em avaliações nacionais.
O ProUni coloca alunos em instituições
que não têm condições de
formar profissionais. Além disso, o MEC não
deveria permitir a oferta de bolsas por universidades
e faculdades que têm dívidas tributárias
ou mesmo que não respeitem direitos trabalhistas
de professores e funcionários.
A representante dos trabalhadores da área educacional federal também criticou uma das medidas do plano, o piso nacional para professores da educação básica, de R$850. Na Câmara dos Deputados, onde está em tramitação, o valor já foi alterado para R$950. Segundo Madalena, além de propor uma valor maior para o piso, seria necessário prever mais ações de melhoria das condições de trabalho do magistério.
O PDE deveria propor jornada integral em um estabelecimento
de ensino, para fixar os professores nas escolas. Seria
importante também destinar 50% desta carga horária
para que o profissional participe da gestão escolar,
da elaboração do projeto pedagógico,
das reuniões de colegiado, entre outras atividades,
concluiu Madalena Guasco.
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