| |
 |
 |
Dados da pesquisa
nacional Qualidade da Educação: a escola
pública na opinião dos pais, realizada
em 2005 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram
que 90% dos responsáveis pelos estudantes comparecem
às reuniões de pais e professores. Esses
encontros, segundo o trabalho, são os que mais
mobilizam os adultos e os aproximam das escolas.
Estes encontros, porém, são insuficientes
para garantir uma formação plena dos jovens,
na opinião de educadores. É preciso que
os pais estejam mais presentes na vida escolar das crianças.
E a falta de tempo não pode ser uma desculpa
para o afastamento da vida escolar. O apoio e a participação
da família são fundamentais para o desenvolvimento
do aprendizado. Vice-presidente do Conselho Estadual
de Educação do Rio de Janeiro (CEE-RJ),
José Antônio Teixeira critica o modelo
brasileiro de escola, que, na sua visão, reduz
o ambiente escolar ao espaço físico. “É
preciso compreender que a escola é um lugar de
encontro de saberes e, por isso, é um lugar de
interseção entre professores, famílias
e estudantes. O que acontece dentro do espaço
escolar diz respeito a todos”, afirma Teixeira,
que lamenta o fato do crescimento das crianças
vir acompanhado de um distanciamento cada vez maior
dos pais em relação à vida escolar
dos filhos. “Isso é facilmente perceptível.
Nas séries iniciais, vemos que há uma
preocupação grande da escola em estimular
a participação dos pais. São realizadas
festas e eventos com este objetivo. À medida
em que a criança ingressa no segundo segmento
do ensino fundamental e no ensino médio, esses
eventos diminuem e os pais ficam cada vez mais distantes
da realidade escolar dos filhos.”
Na opinião do vice-presidente do CEE-RJ, as intervenções
deveriam não apenas continuar, e sim aumentar.
Para ele, a participação dos pais é
fundamental para o aprendizado infantil. “É
preciso que os pais participem do dia-a-dia dos filhos,
que, só assim, poderão amadurecer com
segurança”, diz Teixeira, que acredita
que os professores não são preparados
para lidar com o aluno. “O professor recebe uma
formação voltada para o conhecimento acadêmico
e não aprende a lidar com a realidade da sala
de aula e com a rotina da escola. O estudante de licenciatura
é formado pensando em sua preparação
para o mestrado e o doutorado. Não há
uma preocupação com o processo didático
e pedagógico. Isso dificulta na hora em que ele
tem que dialogar com os pais”, avalia Teixeira,
para quem o mito de que os adolescentes não querem
os pais na escola é falso. “Essa história
de que os jovens se sentem inibidos com a presença
dos pais é falsa. No ano passado, o Ibope realizou
uma pesquisa em que constatou que, para os jovens, o
mais importante é a família. Então,
não acredito que eles queiram manter-se distantes
dela.” Para alguns especialistas, o distanciamento
dos pais em relação à escola pode
trazer prejuízos à formação
dos estudantes. “O principal deles, a meu ver,
é a duplicidade de orientação.
Não há consenso entre pais e professores,
ficando a orientação dividida entre as
informações da escola e as colocações
da família. Isso traz desorganização
mental a quem aprende. Ele não sabe qual orientação
seguir”, diz a diretora do Colégio São
Vicente de Paulo, de Niterói, Irmã Maria
da Conceição Milagres. Na opinião
da diretora, o afastamento do pais acontece porque eles
delegaram à escola tudo o que diz respeito à
educação de seus filhos. “Eles não
querem se preocupar nem se cansar com educação.
E acreditam que, se escolheram tal escola, é
porque acham ser ela capaz de resolver tudo sozinha.”
Diretor do Colégio Martins, unidade Méier,
José Tavares Frias Júnior lembra que as
reformas educacionais anteciparam a entrada da criança
na escola. “Hoje, muitas terminam o ensino médio
aos 16 anos e têm que escolher o futuro profissional.
Elas não têm maturidade para isso. Por
isso, a participação das famílias
é importante, pois contribui para o amadurecimento
da criança”, avalia.
A antecipação do ingresso na escola não
é o único motivo pelo qual a participação
dos pais é necessária, na opinião
do professor Tavares. “Os alunos fazem parte de
uma geração diferente. O aluno é
mais novo e menos experiente, pois, em função
do excesso de cuidados que existe devido à violência,
ele se relaciona pouco com o mundo externo, o que gera
dificuldades na sala de aula”, diz o professor.
Muitas vezes, sem ter consciência, os pais podem
prejudicar a educação dos filhos, principalmente
em uma época em que a imposição
de limites parece ser um dos grandes desafios para educadores.
“Acontece, por exemplo, do aluno estar em aula
e o pai ligar. Isso não é correto e só
pode ser aceitável em casos de emergência.
Mas, em uma situação dessas, a quem vamos
repreender? Ao estudante, por ter atendido, ou ao pai
que ligou?”, questiona o diretor, que acredita
que se os pais tivessem maior participação
junto às escolas isso não aconteceria.
“Muitas vezes, eles não têm consciência
de que este procedimento atrapalha e que não
é o ideal. Por isso, ligam.”
Na opinião do professor Tavares, a educação
fundamental e média deve ser fincada no tripé
escola-família-aluno. “Alguns pais só
aparecem no final do ano quando recebem a notícia
do que o filho não foi bem. Isso é prejudicial
ao desenvolvimento da criança. Quando os pais
estão presentes, os filhos sentem-se mais seguros
e têm melhor aprendizado.”
|
Como participar da vida escolar?
|
|
Com experiência
na educação de crianças e
adolescentes, a diretora da Colégio São
Vicente de Paulo, de Niterói, Irmã
Maria da Conceição Milagres, lembra
que é fundamental a participação
de pais no processo educativo. Veja porque, segundo
a diretora, é importante participar e como
as escolas podem atrair os pais.
• Pais e professores são
referências para as crianças. Havendo
conflito entre ambos o estudante ficará
confuso, sem saber a quem ouvir e seguir. Desta
forma, poderá buscar acompanhar o que lhe
for mais agradável por não saber
quem está certo.
• Ao freqüentar o
colégio dos filhos, os pais vão
se interar do que se passa com eles. Ficarão
cientes do que acontece e terão oportunidade
de acompanhar melhor o dia-a-dia, podendo intervir
com maior eficiência e eficácia quando
necessário.
• Ao trabalhar em sintonia,
pais e professores conseguem desenvolver a auto-estima
e autoconfiança das crianças.
• No caso de encontrar
resistência por parte de professores, os
pais devem buscar uma solução, conversando
com a direção da escola através
das diversas coordenadorias, serviços de
orientação educacional e pedagógica,
entre outros.
• Direção
e professores podem tentar despertar o interesse
e a atenção dos pais sobre a vida
escolar de seus filhos através de um amplo
trabalho de divulgação da importância
do mesmo na própria educação.
Muitas atividades podem ser realizadas com esta
intenção. |
|
Afinal, qual é o nível de participação
dos pais?
|
A
presença dos pais nas escolas foi abordada
na pesquisa nacional Qualidade da Educação:
a escola pública na opinião dos
pais, realizada em 2005 pelo Instituto Nacional
de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira (Inep). No trabalho, foram considerados
alguns temas para aferir a presença e a
participação dos responsáveis
na escola, tais como o costume de levar ou buscar
o aluno, o comparecimento às reuniões
de pais e professores e o comparecimento espontâneo
à escola.
A pesquisa constatou que as reuniões de
pais e professores são os eventos que mais
mobilizam os responsáveis. Entre os entrevistados,
90% afirmaram comparecer às reuniões.
Os responsáveis indicaram como principal
motivo para freqüentá-las a sua utilidade
para acompanhar o desenvolvimento dos alunos.
O chamado específico para uma conversa
sobre o aluno não obtém a mesma
resposta. Apenas 74,2% atendem a essa convocação,
ou seja, em cada quatro responsáveis, um
disse não comparecer. No Brasil, 71,8%
dos entrevistados declararam buscar ou levar os
filhos à escola.
Segundo a pesquisa, as festas e as competições
esportivas são eventos que exercem um apelo
considerável junto aos responsáveis.
Mais de 63,3% deles afirmaram comparecer à
escola nessas ocasiões. O principal motivo
pelo qual os responsáveis freqüentam
as festas ou eventos esportivos da escola é
o fato de considerarem importante prestigiar o
aluno e sentirem orgulho em vê-lo competir.
Fonte: www.publicacoes.inep.gov.br
|
|