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Desde 2005, realizo
no Instituto de Arte e Comunicação Social
- IACS, da Universidade Federal Fluminense, um curso
de extensão gratuito voltado para professores
da universidade, da rede pública e licenciandos.
O curso, intitulado “Mídia e Educação:
o audiovisual em sala de aula”, visa discutir
questões referentes à estreita relação
entre esses dois campos centrais na atualidade, quando
se pretende a construção de uma educação
que se aproxime mais da realidade dos alunos. Atenho-me
às mídias audiovisuais – televisão
e vídeo – e ao cinema, por considerar que
esses meios audiovisuais são os mais familiares
aos alunos, que têm se mostrado profundamente
inteirados e interessados por esse mundo midiático
e tecnológico, mesmo os pertencentes às
camadas populares. Parto da premissa de que a mídia
tornou-se uma pedagogia e, por isso, precisa ser melhor
compreendida pelos professores e alunos, para que as
discussões sobre ela somem-se às suas
práticas docentes.
Essa relação
entre mídia e educação é
uma discussão contemporânea de extrema
importância se considerarmos que estamos vivendo
em um mundo mediado pelos meios de comunicação
e que o alunado pertence a uma geração
que tem profundo interesse e intimidade com as tecnologias
e os meios audiovisuais. Por outro lado, esse mesmo
alunado vem dando sinais de fadiga em relação
à escola e, apesar da maioria deles reconhecer
sua importância, percebe que ela está bastante
apartada e, por isso, menos interessante diante do mundo
que a circula.
A possibilidade dos professores conhecerem
e poderem discutir esses temas com seus alunos abre
possibilidades muito interessantes de aproximação,
e a produção de vídeos com eles
amplia ainda mais essa perspectiva. Sim, nos cursos,
além das discussões teóricas, todos
aprendemos e “fazemos vídeos”, pois
tomamos o que vem sendo chamando de “pedagogia
dos meios” e “pedagogia com os meios”,
que articula estudos sobre as novas tecnologias de Educação,
pedagogia da mídia e produção de
ferramentas pedagógicas audiovisuais. A metodologia
usada é o “ vídeo-processo”
que toma todas as etapas da produção como
uma ferramenta pedagógica.
Além disso,
a produção ajuda a desmistificar a própria
mídia audiovisual, pois passa-se a conhecer o
lado “invisível” dessa produção,
colaborando para a formação de telespectadores
mais críticos. Nesses três anos percebi
que, embora os professores não desconheçam
a potencialidade pedagógica da mídia,
não sabem como tirar proveito dos vídeos
e filmes que têm na escola, e muito menos da programação
televisiva a que assistem. Faltam-lhes conhecimento
sobre como melhor utilizar o material audiovisual com
seus alunos e conhecimento teórico para que possam
analisar sua qualidade e criticá-lo para além
do seu conteúdo temático.
Essa mesma lacuna
existe em sua avaliação da programação
televisiva, caindo quase sempre na crítica rasa
que costuma diabolizar essa mídia, conferindo
a ela muito mais poder do que realmente ela tem. Quanto
ao cinema, o desconhecimento ainda é maior, pois
a maioria, embora se diga amante dessa arte, desconhece
quase por completo filmes produzidos longe do circuito
mais comercial, mesmo os produzidos em nosso país.
Mas é animador perceber a disposição
que têm os professores para lerem, discutirem
e aprenderem sobre esse tema, e todo o semestre há
uma profusão de candidatos ao curso.
Também
é animador vê-los felizes como crianças
ao descobrirem os “segredos” da produção
audiovisual, e mais felizes ainda quando roteirizam,
gravam e editam seus vídeos. Essa experiência
tão excitante serve como uma prévia do
que podem conseguir dos seus alunos com a realização
de um vídeo. Mas os ganhos são inquestionavelmente
também meus, pois venho aprendendo muito com
esses mestres nas nossas trocas de conhecimento e afeto,
que felizmente têm continuado mesmo depois do
fim dos cursos.
Os gargalos desse sonho que venho realizando
com os queridos alunos-professores localizam-se nas
escolas, pois na maioria ainda há muita dificuldade
para a realização dos vídeos, e
mesmo para se assistir aos filmes e vídeos existentes,
pois faltam salas e equipamentos apropriados para a
exibição. Apesar de quase todos reconhecerem
a importância e urgência de se pensar e
saber usar melhor essa nova pedagogia, ainda investe-se
pouco nas formas de realizar isso. |