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Mídia e educação: Uma estreita e conflituosa relação
“Embora os professores não desconheçam a potencialidade pedagógica da mídia, não sabem como tirar proveito dos vídeos e filmes que têm na escola, e muito menos da programação televisiva a que assistem”
Cláudia Regina Santos Ribeiro é doutoranda pelo Instituto de Medicina Social da Uerj

Cláudia Regina Santos Ribeiro*

Desde 2005, realizo no Instituto de Arte e Comunicação Social - IACS, da Universidade Federal Fluminense, um curso de extensão gratuito voltado para professores da universidade, da rede pública e licenciandos.

O curso, intitulado “Mídia e Educação: o audiovisual em sala de aula”, visa discutir questões referentes à estreita relação entre esses dois campos centrais na atualidade, quando se pretende a construção de uma educação que se aproxime mais da realidade dos alunos. Atenho-me às mídias audiovisuais – televisão e vídeo – e ao cinema, por considerar que esses meios audiovisuais são os mais familiares aos alunos, que têm se mostrado profundamente inteirados e interessados por esse mundo midiático e tecnológico, mesmo os pertencentes às camadas populares. Parto da premissa de que a mídia tornou-se uma pedagogia e, por isso, precisa ser melhor compreendida pelos professores e alunos, para que as discussões sobre ela somem-se às suas práticas docentes.

Essa relação entre mídia e educação é uma discussão contemporânea de extrema importância se considerarmos que estamos vivendo em um mundo mediado pelos meios de comunicação e que o alunado pertence a uma geração que tem profundo interesse e intimidade com as tecnologias e os meios audiovisuais. Por outro lado, esse mesmo alunado vem dando sinais de fadiga em relação à escola e, apesar da maioria deles reconhecer sua importância, percebe que ela está bastante apartada e, por isso, menos interessante diante do mundo que a circula.

A possibilidade dos professores conhecerem e poderem discutir esses temas com seus alunos abre possibilidades muito interessantes de aproximação, e a produção de vídeos com eles amplia ainda mais essa perspectiva. Sim, nos cursos, além das discussões teóricas, todos aprendemos e “fazemos vídeos”, pois tomamos o que vem sendo chamando de “pedagogia dos meios” e “pedagogia com os meios”, que articula estudos sobre as novas tecnologias de Educação, pedagogia da mídia e produção de ferramentas pedagógicas audiovisuais. A metodologia usada é o “ vídeo-processo” que toma todas as etapas da produção como uma ferramenta pedagógica.

Além disso, a produção ajuda a desmistificar a própria mídia audiovisual, pois passa-se a conhecer o lado “invisível” dessa produção, colaborando para a formação de telespectadores mais críticos. Nesses três anos percebi que, embora os professores não desconheçam a potencialidade pedagógica da mídia, não sabem como tirar proveito dos vídeos e filmes que têm na escola, e muito menos da programação televisiva a que assistem. Faltam-lhes conhecimento sobre como melhor utilizar o material audiovisual com seus alunos e conhecimento teórico para que possam analisar sua qualidade e criticá-lo para além do seu conteúdo temático.

Essa mesma lacuna existe em sua avaliação da programação televisiva, caindo quase sempre na crítica rasa que costuma diabolizar essa mídia, conferindo a ela muito mais poder do que realmente ela tem. Quanto ao cinema, o desconhecimento ainda é maior, pois a maioria, embora se diga amante dessa arte, desconhece quase por completo filmes produzidos longe do circuito mais comercial, mesmo os produzidos em nosso país. Mas é animador perceber a disposição que têm os professores para lerem, discutirem e aprenderem sobre esse tema, e todo o semestre há uma profusão de candidatos ao curso.

Também é animador vê-los felizes como crianças ao descobrirem os “segredos” da produção audiovisual, e mais felizes ainda quando roteirizam, gravam e editam seus vídeos. Essa experiência tão excitante serve como uma prévia do que podem conseguir dos seus alunos com a realização de um vídeo. Mas os ganhos são inquestionavelmente também meus, pois venho aprendendo muito com esses mestres nas nossas trocas de conhecimento e afeto, que felizmente têm continuado mesmo depois do fim dos cursos.

Os gargalos desse sonho que venho realizando com os queridos alunos-professores localizam-se nas escolas, pois na maioria ainda há muita dificuldade para a realização dos vídeos, e mesmo para se assistir aos filmes e vídeos existentes, pois faltam salas e equipamentos apropriados para a exibição. Apesar de quase todos reconhecerem a importância e urgência de se pensar e saber usar melhor essa nova pedagogia, ainda investe-se pouco nas formas de realizar isso.