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André Pestana
A escola é
uma empresa. Os alunos são os clientes. A educação
é uma prestação de serviço.
Defendendo estas idéias, André Pestana
atua há cerca de 20 anos como especialista em
Marketing Educacional. “No início, quando
comecei a falar estas idéias, eu quase apanhava
de alguns educadores”, lembra. Hoje, ele revela
que há uma resistência menor contra esta
visão. Autor do livro Gestão e educação:
uma empresa chamada escola, André Pestana já
atuou como diretor de marketing da Universidade do Grande
Rio (Unigranrio) e hoje é diretor-presidente
da Gala Comunicação e Educação
Integradas, empresa que presta consultoria para instituições
de ensino. Ele também coordena o MBA em Gestão
de Instituições Educacionais da unidade
Rio da Universidade Católica de Brasília.
Em entrevista ao Suplemento do Professor 2007, o professor
André Pestana ressaltou a importância de
uma boa gestão nas escolas, tanto públicas
quanto particulares. Além disso, lamentou que
o marketing ainda não tenha conquistado um espaço
importante - e necessário - nas escolas brasileiras.
O senhor é
especialista em Marketing Educacional e consultor em
Gestão Escolar. Na sua opinião, qual é
a maior dificuldade encontrada atualmente pelo gestor
escolar?
André Pestana - A maior dificuldade
dele é exatamente o de ser efetivamente um gestor.
No setor educacional, independentemente de ser uma escola
pública ou privada, à frente das instituições
estão educadores excelentes, mas sem nenhuma
competência administrativa ou gerencial. O que
confirma isso é um fenômeno recente: há
cerca de cinco anos, o número de MBAs, pós-graduações
e especializações lato sensu vem crescendo,
para atender a este nicho de mercado.
Quais são
as conseqüências de um gestor escolar não
ter esta formação a que o senhor se refere?
Como conseqüência disso, há um entendimento,
por quem está à frente do negócio,
de que a educação é algo imune,
como se estivesse acima do bem ou do mal. Ou seja, é
como se a educação não sofresse
as influências do mercado, em um ambiente cuja
competitividade cresceu bastante nos últimos
20 anos. Não é raro encontrar educadores
que dizem ter saudades do tempo em que se fazia fila
na porta da sua escola. Ter essa consciência é
o primeiro passo para gerenciar bem uma instituição
de ensino. Outro problema muito comum é o gestor
que costuma ser pouco afeito aos estudos da gestão.
Ele fica preso a atender as urgências imediatas
e as demandas do dia-a-dia da instituição.
Ou seja, ele fica preocupado se a tranca da porta do
banheiro quebrou, se alguém entupiu o vaso sanitário
ou se já consertaram o portão. Isso não
é papel do gestor. Mas muitos gestores ficam
envolvidos por estas tarefas e acreditam que assim estão
gerenciando a escola. Não estão. Gestão
é outra coisa. Por isso, o gestor precisa se
preparar, reunindo competências e habilidades
teóricas, para desenvolvê-las na prática.
Além disso, ele precisa compreender que uma instituição
de ensino, seja pública ou privada, está
inserida em um ambiente competitivo e é uma empresa
prestadora de serviço. Como tal, precisa ter
foco nas exigências do mercado. Outro ponto: a
gente tem que eliminar também a idéia
de que público é gratuito, porque não
é. A escola pública no Brasil é
mais cara do que a particular, porque a carga tributária
é monstruosa sobre todos nós.
O senhor afirmou
que o gestor não deve se preocupar com as tarefas
do dia-a-dia da escola. Mas em muitas escolas, o diretor
ainda executa estas tarefas. Quem deveria assumir, portanto,
estes encargos?
Deve acontecer o mesmo que acontece em todas as organizações.
Normalmente, existem pessoas que cumprem a função
operacional, que são aquelas que efetivamente
coordenam a rotina da empresa. O diretor ou gestor não
pode ser uma figura centralizadora, que concentra estas
tarefas. Este é, inclusive, um dos nós
que muitos não conseguem desatar, porque isso
vem de uma cultura centralizadora. São aquelas
pessoas que pensam assim: “Meu avô, quando
fundou a escola, ia de sala em sala para ver se o professor
estava dando aula e passava por todos os banheiros para
verificar se não tinha ficado ninguém
escondido para matar o primeiro tempo de aula”.
Este é o pensamento de 40 anos atrás,
que ainda é reproduzido. Na verdade, o exercício
da gestão e da liderança exige uma extrema
humildade, em que o diretor precisa compreender duas
coisas. A primeira é que a liderança é
um atributo da confiança, o que é diferente
de chefiar. Quando você é um chefe, as
pessoas obedecem para não sofrer sanções.
Quando você é um líder, a situação
é absolutamente diferente. Em segundo lugar,
a liderança pressupõe diálogo,
entendimento e compreensão. Caso contrário,
não é liderança.
A falta de
preparo gerencial ou administrativo por parte dos gestores
escolares é um problema cuja origem está
nos cursos de formação de professores,
como a Pedagogia e as licenciaturas?
Sim. Gestão Educacional é uma matéria
recente, que muitos cursos não têm. O entendimento
da instituição de ensino como uma empresa
é algo recente. Conheço o mercado de educação
há 20 anos, como professor e como alguém
que atende e fala com as instituições
de ensino. O que percebo claramente é que a única
preocupação na formação
dos professores é quanto aos aspectos pedagógicos,
o que evidentemente tem uma relevância indiscutível.
Acontece que a instituição educacional
é mais complexa do que simplesmente pedagógica.
Ela hoje necessita ter uma avaliação do
que acontece no mundo externo. A escola precisa saber
o que as famílias esperam da sociedade e do futuro
do seu filho. Todas essas questões não
dizem respeito unicamente ao aspecto pedagógico,
mas também da gestão do negócio.
Isso significa se perguntar o que a escola vai discutir
em sala de aula. Ela precisa saber se vai discutir só
o que a grade curricular determina ou se incluirá
outros aspectos que devem ser considerados.
Nos últimos
anos, a classe média teve o seu poder aquisitivo
reduzido. De que forma isso mudou as relações
entre as escolas particulares e o seu público?
É evidente que há uma corrente migratória.
Isso não se discute. O que aconteceu na escola
particular foi que o gestor não fez resistência
a essa mudança, que não aconteceu da noite
para o dia. Isso é algo que vem se desenhando
ao longo de vários anos. A escola particular,
por falta de visão do negócio, não
agiu como deveria. Ela não percebeu que precisava
ser cada vez mais competitiva, oferecendo um serviço
com cada vez mais qualidade. Em paralelo, o gestor tem
que fazer uma ginástica para oferecer tudo isso
sem mexer no preço, buscando outras alternativas
ou desenvolvendo parcerias.
Há
gestores que conseguiram se adaptar a esta nova realidade?
As instituições que nasceram nos últimos
dez anos têm uma trajetória absolutamente
diferente daquelas que têm 30 ou mais anos, porque
já nasceram no paradigma atual, que é
o da competitividade. Elas já nasceram entendendo
que não adianta se prender aos elementos que
as instituições utilizavam há 30
anos, como “venha para a melhor escola”
ou “venha para uma escola de qualidade”.
Qualidade não significa em absoluto obter sucesso.
Qualidade é pré-requisito: é algo
que tem que nascer com a instituição.
Sem qualidade, a pessoa nem sai de casa para ir atrás
de um serviço. Portanto, as instituições
que nasceram nos últimos dez anos sabem que a
qualidade faz parte do DNA delas e que, a partir daí,
elas vão reunir as competências administrativas
para inovar. Aí, o gestor fala: “Mas a
minha escola tem 40 anos e já formou milhares
de pessoas. Ela tem qualidade”. Tudo isso é
importante, não se discute, mas não confere
diferencial competitivo nenhum para a instituição.
Qualidade não é sinônimo de diferenciação
competitiva. Hoje, é o mínimo que qualquer
pessoa espera de qualquer prestador de serviço,
seja em que segmento for: saúde, educação
ou lazer.
O senhor defende
a idéia de que a escola é uma empresa
e, portanto, seus alunos são clientes. O senhor,
inclusive, é autor do livro Gestão e Educação:
uma empresa chamada escola. Estas opiniões já
lhe renderam muitas críticas?
Quando comecei a falar sobre isso, no início
dos anos 90, eu quase apanhava. Hoje, sendo franco,
de vez em quando vejo um ou outro torcendo o nariz,
mas a resistência é muito menor. Participo
de seminários em todos os cantos do Brasil, para
secretarias de Educação, grupos privados
de educação e universidades. O que acho
relevante de se colocar é que a idéia
de que a escola, pública ou privada, constitui
uma empresa é elementar, haja vista que as instituições
de ensino são altamente legisladas. É
um ambiente em que existe uma flexibilidade mínima
nas relações jurídicas. É
um ambiente em que o cliente - ou seja, o aluno - está
ali marcando uma presença muito clara, exercendo
o seu direito através do Código de Defesa
do Consumidor. Negar isso é negar o óbvio.
Isso faz com que muitas instituições ainda
acreditem na idéia jurássica de que o
aluno é simplesmente um mero detalhe inconveniente.
Por isso, muitas instituições amargam
resultados pífios: há um gestor centralizador,
que não tem competência para entender o
seu negócio e ainda trata o seu cliente como
um detalhe desnecessário, sem ouvir as suas opiniões.
Ele precisa entender que a sua opinião, isolada
do conjunto da sociedade, não representa e não
serve para nada. Para ser validada, tem que ser aceita.
E para ser aceita, precisa ser aceita primeiro pelos
seus atores internos.
Quem são
os atores internos das instituições de
ensino?
São o porteiro, o faxineiro, o zelador, o professor,
a secretária: são eles que têm que
aceitar a opinião do gestor. Se isso não
acontecer, conseqüentemente, o aluno, que é
um ator interno e externo, verá o reflexo disso.
Um exemplo é quando o aluno encontra um funcionário
que diz: “estou de saco cheio disso aqui”.
No momento em que o gestor convida os funcionários
para participarem, é uma outra conversa, porque
eles constroem juntos. E as pessoas percebem isso. Não
é papo furado. Historicamente, isso é
percebido em todas as organizações e em
todos os níveis. É preciso que as pessoas
tenham a noção clara de que são
ouvidas. E, se em determinado momento elas não
forem ouvidas, elas precisam entender que isso não
era possível naquele momento porque havia outra
prioridade. Esta relação entre o gestor
e seus funcionários é marketing interno.
Como os gestores
vêem esta questão do marketing na escola?
O gestor escolar, em geral, tem resistência a
tudo que se relaciona a marketing. Quando muito, para
ele, marketing é propaganda. Ele acha que acertou
no momento em que resolve fazer a campanha de matrículas
para o próximo ano letivo. Aí, ele coloca
um outdoor a dez metros da escola, porque precisa ver
aquele outdoor ali todos os dias para se sentir feliz.
Depois, põe uma tabuleta na porta da escola,
dizendo “venha para a melhor escola da região”.
Por fim, vem um anúncio no jornal. E acabou.
Isso é o supra-sumo do marketing para ele. Mas
isso ainda não é o pior, porque, pelo
menos, ao falar de propaganda, o gestor usa uma das
ferramentas do marketing. Há uma corrente pior
que entende o marketing como sendo uma forma de “dar
um jeito”. Quer dizer, o entendimento do marketing
como uma ciência, ele não tem a menor noção
do que seja. Ele nunca fez um planejamento estratégico.
A equipe pedagógica se reúne uma meia
dúzia de vezes durante o ano. A administrativa,
nenhuma. Só se reúne para saber se vai
pegar um empréstimo no banco para pagar o 13º
dos funcionários. O gestor não faz uma
pesquisa para saber o nível de satisfação
dos clientes ou uma pesquisa de clima organizacional
para saber como está a sua estrutura interna.
Há raras exceções, naturalmente.
Mas, no geral, a estrada a caminhar ainda é imensa.
Que resultados
práticos o gestor escolar teria se valorizasse
o marketing educacional?
Internamente, o primeiro grande ganho que o gestor tem
é uma radiografia clara da sua situação.
Ou seja, ele descobre qual é a imagem que o negócio
dele tem para as pessoas com quem trabalha. Isso é
importantíssimo, porque mostra aonde ele chegou,
para aonde pode ir e para aonde deve se encaminhar.
O segundo grande ganho tem a ver com o relacionamento
entre as pessoas, o que considero fundamental. A partir
da valorização do marketing interno, o
gestor convida os funcionários a interagirem
entre eles. O gestor pode, por exemplo, fazer uma reunião
uma vez por semana entre o ambiente pedagógico
e o administrativo. Muitas vezes, isso não acontece,
o que é um horror em termos de marketing, porque
se criam duas empresas dentro de uma. Nas escolas, isso
acontece bastante.
O senhor falou
dos resultados internos. E externamente, que resultados
práticos tem o marketing educacional?
Externamente, um grande aspecto positivo do marketing
é a valorização da marca. É
preciso entender que, hoje, o seu principal ativo é
a sua marca, ou seja, a percepção que
as pessoas têm da sua marca. Uma percepção
de qualidade, de competência, de excelência,
que não é só aprovar o aluno no
vestibular. É de que maneira, muito antes do
vestibular, uma criança se manifesta em casa
em relação às coisas da vida. Cidadania
é um exemplo típico. Quando se fala hoje
de responsabilidade social, é a coisa mais elementar
do mundo pensar isso dentro de uma instituição
de ensino, que é onde se desenvolve a consciência
crítica do indivíduo. E isso não
tem nada a ver com o resultado do vestibular. Tem a
ver com a minha filha de 7 anos pedir para eu fechar
a torneira enquanto escovo os dentes para não
jogar água fora. É assim que eu sei que
a escola está acertando, porque é isso
que espero. Este é o grande ganho externo, conseguido
através do marketing, que apóia o pedagógico,
levando essas crianças para conhecerem projetos
sociais ou levando projetos sociais para dentro da instituição
de ensino.
As escolas
particulares passam por uma crise causada pela chamada
“lei do calote”. Como estas instituições
devem lidar com a questão da inadimplência?
Quanto ao aspecto jurídico, não tenho
a menor competência para avaliar. O que sei é
que, juridicamente, muito pouco se pode fazer. Cabe
à gestão encontrar caminhos para minimizar
este impasse. Uma alternativa que vem se mostrando muito
eficaz é procurar trazer o pai para o entendimento
do que representa aquele investimento dele. Esse trabalho
não se faz em uma reunião ou em uma atividade
reunindo os pais no Dia dos Pais ou das Mães.
Significa ter um projeto em que os pais participem ativamente,
como voluntários em algumas atividades, normalmente
de natureza social. Isso é uma poderosa ferramenta
de marketing, porque sensibiliza a comunidade como um
todo e dá ao pai a percepção de
que não pode deixar de pagar algo que está
transformando o seu filho em alguém melhor. O
problema é que, hoje, quando o pai passa por
alguma crise, a primeira conta que diz que pode deixar
de pagar é a escola, porque sabe que o filho
não sofrerá nenhuma sanção
até o final do ano. Porém, se ele tem
a percepção de que aquilo que está
pagando tem um reflexo direto nas relações
do filho com a sociedade e com a própria família,
o pai começa a ter uma outra referência.
Este é um projeto que a escola constrói
ao longo de um ou dois anos, criando uma cultura participativa.
As escolas
públicas passam no Brasil por uma crise generalizada.
O senhor acredita que faltam recursos ou é um
problema gerencial?
O grande problema do ensino público no Brasil
é político. Tudo é feito para atender
interesses políticos e não para gerar
resultados à sociedade. É fato que nos
últimos anos a educação vem recebendo
investimentos maiores, inclusive hoje ela já
aloca alguns recursos e permite alguma mobilidade. Mas
a raiz do problema é que o diretor de uma escola
pública sempre fica preso a uma secretaria de
Educação, sem autonomia para administrar.
O diretor, em sua sala, precisa ter autonomia para estabelecer
que investimentos são prioritários. Nos
gabinetes, há dificuldades em liberar recursos,
porque tudo depende de alianças políticas.
No final das contas, o que se tem são ações
isoladas que chegam à mídia. São
ações louváveis, mas isoladas,
que não refletem a realidade. Neste ponto, abro
um parênteses: no Brasil, se faz estátua
para tudo quanto é tipo de coisa, mas a gente
deveria fazer uma estátua em homenagem à
professora do ensino fundamental de uma escola pública.
O que elas conseguem fazer com os recursos que possuem
é um verdadeiro milagre. Em geral, elas não
têm o elementar para trabalhar e produzem verdadeiros
milagres em sala de aula, utilizando muitas vezes recursos
que trazem de casa.
O senhor
acredita que o gestor de uma escola pública conseguiria
gerenciar uma escola particular e vice-versa? São
naturezas distintas ou o desafio é o mesmo nos
dois casos?
Os desafios são diferentes porque são
ambientes diferentes, mas a raiz é uma só.
Ambas são empresas prestadoras de serviço.
Quando se avança um pouco, percebem-se diferenças
claras. A primeira é que um diretor de uma escola
particular, acertando ou errando, tem um poder de decisão
que o diretor de escola pública não tem.
Em segundo lugar, na escola particular, há mais
elementos facilitadores do processo de gestão,
como a autonomia para demitir e admitir funcionários,
por exemplo. Isso não acontece normalmente na
escola pública, porque são funcionários
públicos e eles têm estabilidade no emprego
- o que acho um horror. Sou absolutamente contrário
à estabilidade no emprego, porque isso transfere
para o cidadão uma noção de conforto
absoluto e cria uma situação de comodismo.
Nestes pontos, as instituições são
diferentes. Agora, acredito que é perfeitamente
possível que um diretor de escola pública
possa administrar uma escola privada e vice-versa. Acho,
inclusive, que se o diretor da escola pública
se preparar para a gestão, talvez encontre menos
dificuldades do que o próprio diretor da escola
particular, porque hoje estar à frente de uma
escola pública é uma tarefa hercúlea.
Muitas escolas
particulares, tradicionalmente, eram passadas de pai
para filho. No entanto, muitas vezes, o filho não
estava preparado para gerir aquele negócio. Como
as escolas particulares lidam com isso atualmente?
Entre as escolas particulares, existem duas situações
ainda muito tradicionais: as escolas religiosas e as
escolas com 40 ou mais anos. Neste segundo caso, o que
acontece muitas vezes é que o filho herda uma
escola que carrega o nome do seu avô e que o pai
administrou. Aí, acontecem dois fenômenos.
O primeiro é quando o indivíduo enxerga
uma oportunidade profissional e investe naquilo. Aí,
ele se prepara. Tenho vários alunos na pós-graduação
que pensam: “não posso tocar aquela escola
do jeito como o meu pai fazia”. Porém,
há outro fenômeno, um caminho inverso.
É o gestor que diz: “se é assim
que meu pai administrava, é assim que vai continuar,
porque isso aqui é a história da minha
família”. Nestes casos, essas escolas são
as que passam mais dificuldades. Com relação
às escolas religiosas, normalmente, são
instituições centenárias, que em
virtude de serem, em sua infinita maioria, filantrópicas,
gozam de determinados benefícios fiscais. Elas
têm mantenedoras e nunca tiveram a preocupação,
até dez anos atrás, de obter lucro e resultados.
Pelo contrário: isso era visto até como
um pecado. Só que chegou um ponto em que as mantenedoras
começaram a dizer que não dava mais para
botar dinheiro ali e que os resultados tinham que sair
das próprias escolas. Foi então que elas
começaram a se preparar. Curiosamente, hoje,
as escolas religiosas estão se preparando em
uma velocidade maior do que as outras escolas particulares.
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