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| Educadores:
uma visão crítica sobre o Legislativo |
Edgar
Flexa Ribeiro, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos
de Ensino Particular do Rio de Janeiro
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“A crise de
hoje não é das comissões de Educação
das casas parlamentares, mas do próprio Poder
Legislativo como um todo. As comissões são
apenas departamentos destas casas. Infelizmente, o prestígio
e a produtividade destas comissões está
limitado pela atuação do Poder Legislativo,
que está extremamente enfraquecido em relação
aos outros poderes. O Legislativo, atualmente, funciona
como uma espécie de seqüestrador do Poder
Executivo. Ele se torna relevante apenas quando cobra
do Executivo para aprovar o que os governos querem.
Ou seja, ele acaba seqüestrando o Poder Executivo
quando os governantes precisam aprovar algo no Parlamento.
E isso só acontece quando o governo precisa porque,
invariavelmente, as administrações, principalmente
no âmbito federal, baixam medidas a torto e a
direito, esvaziando a função dos legisladores.
Para mudar esta situação, seria necessário
modificar a Constituição, limitando a
aplicação, por exemplo, das medidas provisórias
pelos governos, tornando o papel do Legislativo novamente
relevante. Hoje, baixar uma medida provisória
se tornou algo usual, ela não atende mais aos
preceitos de urgência e utilidade pública
pelos quais foi criada. Desta forma, quando é
a hora do Poder Legislativo chantagear o Executivo,
estas comissões têm poder inerente ao de
legislar. Quando não, elas retornam ao seu patamar
de prestígio normal que, hoje, infelizmente,
é zero, assim como o do Poder Legislativo como
um todo. Basta perguntar nas ruas o que a população
acha dos legisladores para se verificar o tamanho deste
prestígio”. |
William Campos, professor do colégio/curso GPI
e ex-secretário estadual de Educação
do RJ
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“Na realidade,
existem dois níveis. Em nível federal,
do Senado e da Câmara dos Deputados, há
um funcionamento melhor, por conta inclusive das pressões
do Ministério da Educação, em torno
de necessidades como o Fundeb, o ProUni, outros programas.
Agora, em nível de estado do Rio, Alerj e a Câmara
dos Vereadores, eu, por exemplo, não me sinto
contemplado, nunca fui convidado para nenhum seminário,
nem sei quem é o presidente da Comissão
de Educação da Câmara dos Vereadores.
Então, no aspecto federal houve uma evolução
muito grande, mas, no estado, não há interlocução...
São parlamentares, de certa forma, sem muito
vínculo com o setor. O presidente da Comissão
de Educação da Alerj, deputado Comte Bittencourt,
é até ligado à área educacional,
mas a Alerj é muito viciada nesta relação.
Eles deveriam fazer seminários com diretores
de escolas, discutir temas importantes como educação
infantil... Eles não evoluíram. Hoje,
estas comissões no estado têm um caráter
muito denuncista e pouco de formulação
de políticas para a área. Eles trabalham
mais com a denúncia, o fato consumado, normalmente
tentando aparecer em cima do problema e não trabalhando
para evitar que os problemas aconteçam. Tudo
o que é feito em parceria com a sociedade, com
os alunos, professores, tem resultados melhores. À
medida que estes parlamentares não têm
apoio no meio educacional, acabam restringindo sua autonomia.
O segredo da autonomia não está na legislação,
mas na parceria. Como eles não têm parceria,
não têm autonomia. Na Câmara, para
citar um exemplo, eu não vi nada sobre os problemas
que a prefeitura enfrentou recentemente em relação
ao método de aprovação automática”. |
Cláudio Mendonça, presidente da Fesp e
ex-secretário estadual de Educação
do Rio de Janeiro
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“A participação
da Comissão de Educação da Câmara
dos Deputados na discussão do Fundeb, por exemplo,
foi bem intensa, e a comissão do Senado tem o
senador Cristovam Buarque, que é uma expressão
na área educacional e também deu uma contribuição
efetiva nas discussões do programa. Na Assembléia
Legislativa do Rio nós tivemos um projeto de
lei muito importante, que organizou o sistema estadual
de Educação, realizado pelo deputado Comte
Bittencourt, que também é presidente da
comissão, a lei estadual 4.528, de 2005, que
definiu as responsabilidades estaduais e municipais
no que se refere à educação infantil,
fundamental, à política de municipalização.
Foi uma contribuição importante da comissão.
O que eu acho que pode melhorar é o quadro técnico
destas comissões. A equipe de assessoria dos
parlamentares. O Parlamento poderia buscar uma diversificação
maior para fazer uma fiscalização mais
efetiva da atividade do Poder Executivo, ter um acompanhamento
mais efetivo dos programas e projetos que acontecem
no âmbito do Poder Executivo e muitas vezes o
Parlamento não tem a estrutura e a equipe técnica
para fazer este acompanhamento. O Parlamento, em geral,
precisa também, junto com a sociedade, ter uma
função mais de cobrança em relação
ao sistema educacional. E aí eu falo em responsabilização
de governo, direção de escola e professores,
e isso nem sempre acontece nos países menos desenvolvidos
porque existe uma percepção não
muito clara sobre quem tem responsabilidade sobre o
que no papel educacional. Na esfera federal existe mesmo
muito mais medidas provisórias, mas não
só na área educacional, esvaziando o papel
das comissões. O Fundeb mesmo, ter sido uma medida
provisória, não foi a melhor solução
possível”. |
Antônio Luiz Mendes de Almeida, vice-reitor da
Universidade Candido Mendes
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“Para dizer
a verdade, e isso deve ser um erro meu, eu, que trabalho
com educação, não conheço
os membros efetivos das diferentes comissões
de Educação das casas parlamentares, tanto
do Senado, quanto da Câmara dos Deputados, da
Alerj ou da Câmara dos Vereadores. Isso pode também
ser uma coisa sintomática, pois eu também
não sei que propostas importantes foram discutidas
e aprovadas nestas comissões e que já
estão sendo, efetivamente, aplicadas. Eu acredito
que estas comissões deveriam ser mais efetivas
na formulação de políticas educacionais
que pudessem favorecer o ensino no país, desde
que fossem formadas por pessoas com notável saber
na área da educação, e não
por políticos apenas, que não se identificam
com o tema. Para tratar de educação é
necessário que as pessoas sejam qualificadas
para isto. No Senado, por exemplo, a comissão
é presidida pelo Cristovam Buarque, que é
um notável educador. Apesar de discordar de algumas
coisas em relação a sua trajetória,
ele é uma pessoa que eu gosto muito, e conhece
educação. Na Alerj também, o Comte
Bittencourt, presidente da comissão de Educação
da Casa, é um homem do meio, que conhece do assunto.
Mas o fato de que estas comissões não
tenham implementado nada ultimamente também diz
respeito à falta de autonomia do Legislativo
em relação à elaboração
das propostas educacionais. Se os parlamentares discutem
e fecham uma proposta, mas o governo não a acolhe,
o papel destas comissões torna-se inútil.
Não adianta discutir, debater propostas, se você
não tem a necessária autonomia para implantar
aquilo que foi discutido. Isso, de certa forma, faz
com que o papel das comissões acabe esvaziado”. |
Lia Faria, professora da Uerj e ex-secretária
estadual de Educação do Rio de Janeiro
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“Muitas vezes
você cria grupos de trabalho, comissões
que são uma forma de ganhar tempo, postergar,
empurrar com a barriga. Eu sou muito cética em
relação a estas comissões. Você
vê, por exemplo, os casos da Uerj e da Uenf. Todo
mundo sabe quais são os problemas de ambas as
instituições. O que falta é vontade
política para resolvê-los. Tem que se ter
uma prioridade clara até de recuperar a natureza
e a função da universidade pública.
Ter a percepção, a clareza da função
deste espaço de construção de conhecimento
que é a universidade. O Poder Legislativo e a
própria universidade têm papéis
importantíssimos, mas o Poder Executivo tem um
papel essencial nesta questão, até porque
tem o poder do veto. Então, a Alerj pode aprovar
milhares de coisas e o governador pode, por exemplo,
vetar estas propostas. Na realidade, na história
do país, e não é este governo ou
outro, você tem um comportamento político,
cultural, de não valorização do
estudo, do ensino, da pesquisa, o que continua acarretando
a desvalorização da educação
em geral. Não só para a Secretaria Estadual
de Educação, para a educação
básica, como para as universidades. O Estado
relegou a rede pública de ensino a uma situação
de total abandono. A Uerj, por exemplo, que até
cinco anos atrás tinha minimamente uma política
salarial que permitia aos seus acadêmicos realizar
pesquisa, aos professores terem uma certa dignidade
e realizarem um bom trabalho, tem hoje o mesmo processo
de abandono e pauperização que atingiu
a rede pública estadual de ensino básico
há 13 anos. A perda salarial é terrível,
muito grave e vem afetando a produção
acadêmica, infelizmente”. |
Nicholas Davies, professor da UFF
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“Eu não
tenho grandes expectativas em relação
a estas comissões porque o Poder Legislativo
é muito sujeito às influências de
fora e quem tem poder econômico tem mais condições
de exercer influência sobre estas comissões.
Ou porque os parlamentares foram eleitos com financiamento
de empresas do setor privado ou porque o setor privado
tem mais recursos para influenciar mudanças na
legislação. No caso do ProUni, por exemplo,
o governo encaminhou um projeto de lei ao Congresso
em 2004. Depois ele retirou o projeto e baixou uma medida
provisória que já incorporava mudanças
que favoreciam o setor privado. No caso da lei que regulamenta
o Fundeb, o setor privado conseguiu incluir no projeto
um dispositivo que permitia que as matrículas
em creches, pré-escola ou instituições
de educação especial, das comunitárias,
confessionais ou filantrópicas, fossem contempladas
na distribuição de recursos do programa.
E esta inclusão foi realizada na Câmara
dos Deputados. Por isso eu relativizo a importância
destas comissões. Porque elas conjugam os interesses
dos parlamentares e de quem está fora dali. Além
disso, as decisões tomadas nestes órgãos
normalmente são, posteriormente, modificadas.
O fato destas comissões não possuírem
poder de decisão também contribui para
que elas percam em importância. As comissões
vão ter alguma força se estiverem alinhadas
com a posição das casas legislativas como
um todo. Se houver alguma tendência idêntica
entre estas comissões e a casa como um todo,
qualquer parecer poderá ser apreciado pela casa”. |
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