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Reportagens |
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Na história do Brasil, a educação jamais figurou como prioridade |
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PDE não está articulado ao desenvolvimento do país |
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Pais e professores: parceiros na educação |
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:. De sala em sala, a maratona de um professor |
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:. Repetir de ano ou não: eis a questão |
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:. Os alicerces
filosóficos da Pedagogia |
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Paulo Freire |
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Uma proposta
pedagógica sempre atual |
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Magistério:
dura realidade salarial |
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Legislativo, um poder com a imagem desgastada |
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Ensino Superior: Setor que clama por maior autonomia e menos burocracia |
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:. Reforma: promessa não cumprida |
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Expansão da graduação para atender à necessidade de crescimento do país |
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:.
Na ficção, a dura realidade enfrentada pelos professores |
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:. Avaliação: ponto básico |
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:.
Ensino particular: Um setor à procura de alternativas |
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Qualidade em educação: O que é isso? E como chegar lá? |
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:.
Política de cotas: tema polêmico |
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Um país que investe pouco. Ou gasta mal? |
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No esporte, a superação de obstáculos |
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:.
Prática esportiva, um fator de integração |
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Um instrumento pedagógico de longo alcance nacional |
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:. Carência de professores: um dos reflexos da crise do magistério |
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:. Um exemplo de paixão pela sala de aula |
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:. Une, sempre presente nos grandes momentos do país. E agora? |
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:. Fim do analfabetismo? Só se a Educação se tornar prioridade |
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:. Incentivo à leitura: Uma tarefa básica dos pais e um desafio aos professores |
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:. Voluntariado: o exemplo de uma ação prática e afirmativa |
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:. O ensino de qualidade como mais eficaz marketing escolar |
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:. Ciência: investimento estratégico para o país crescer e avançar |
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:. Magistério: uma área marcada pelo estresse |
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:. Investimentos no magistério para recuperação da escola pública |
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:. ProUni e Fies: Programas de financiamento repletos de entraves burocráticos |
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:. Educação Indígena: A lição de uma escola preocupada com o coletivo,a diversidade e o meio ambiente. |
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:. Ensino superior: Uma alavanca para a interiorização do desenvolvimento no Estado |
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:.
Vestibular: tema sempre controvertido |
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Um setor que, em meio a tormentas, tenta encontrar um porto seguro |
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A responsabilidade social como questão de consciência. E também de educação |
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:. O papel dos pesquisadores no campo acadêmico |
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Investimento
no ensino superior é uma das receitas para garantir
o desenvolvimento do país - garantem os reitores
das universidades federais do Rio de Janeiro. Dirigentes
de várias instituições particulares
lembram que setor privado, que responde pela maioria
das matrículas, também merece ser olhado
com atenção
|
Bruno
Vaz |
Como
parte da cúpula do governo federal gosta de dizer,
nunca antes na história recente do Brasil houve
um movimento tão intenso em torno do ensino superior
nacional.
Se o redescobrimento da importância
da universidade vem sendo feito através de caminhos
tortuosos ou não, a verdade é que esta
modalidade de ensino ganhou grande destaque no primeiro
mandato do governo Lula, iniciado em 2003.
Desde então,
foram anunciados diversos programas de incentivo ao
setor, como o Universidade para Todos (ProUni), e um
projeto de lei, a Reforma Universitária, que
caso seja aprovada pelo Congresso Nacional, pode destinar
três quartos dos recursos do Ministério
da Educação (MEC) para a área.
Apesar das críticas de determinados setores da
comunidade acadêmica, que consideram o ensino
básico prioritário ou que classificam
a proposta de valorização do ensino superior
de eleitoreira, o governo não parou de anunciar
novas medidas a partir do segundo mandato do presidente,
iniciado em 2007.
A principal delas, o Programa de Apoio
a Planos de Reestruturação e Expansão
das Universidades Federais (Reuni), pretende ajudar
no objetivo de colocar 30% dos jovens entre 18 e 24
anos no ensino superior até 2010. Hoje, este
número não ultrapassa os 10%. Para que
isso aconteça sem que novos cursos sejam abertos
sem critério acadêmico, no entanto, o desafio
será grande.
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“Não
é o futuro do país que está nas
mãos da universidade, mas sim o contrário.
A sociedade precisa decidir o que fazer com o seu sistema
de educação superior. Se por um lado existe
até um certo reconhecimento internacional, a
partir do fato de que cinco universidades brasileiras
estão entre as 500 melhores do mundo, por outro
a nossa universidade deixa muito a desejar no que diz
respeito ao alcance social”, opina o reitor da
universidade federal mais antiga do país, a Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Aloísio Teixeira.
Segundo o dirigente, caso queira se tornar um país
de vanguarda, o Brasil ainda tem muito o que fazer na
área. “O mundo vive um processo de universalização
do ensino superior. Está ocorrendo um processo
no qual estar no ensino superior será um direito
de cidadania, e a universidade brasileira ainda não
está preparada para isso”, comenta Aloísio,
que porém, tem uma visão otimista para
o futuro. “Os recursos têm sido aumentados
nos últimos anos e nós esperamos que continuem
crescendo.
Se nós expandimos o sistema, vamos
atender ao que a sociedade deseja”. A expansão
da rede federal, menina dos olhos do MEC, foi amplamente
divulgada durante a campanha pela reeleição
do presidente Lula, em 2006. Duas novas instituições
foram criadas, a Universidade Federal do ABC, em São
Paulo, e a Universidade Federal do Pampa, no Rio Grande
do Sul. Além disso, oito universidades passarão
a funcionar por meio de transformação
ou desmembramento de outras instituições
e outras duas aguardam para ter suas atividades consolidadas,
totalizando 12 novas instalações para
o ensino superior. Somado a isso, o governo também
investiu em novos campi no interior das universidades
já existentes, o que, segundo o MEC, permitirá
que a universidade chegue às localidades mais
afastadas do país. Apesar das realizações,
o programa de expansão não deixou de,
também, ser alvo de críticas.
A principal
remonta ao fato de que, ao investir na criação
de novas instituições, o governo deixa
de aplicar recursos nas universidades já existentes,
ainda carentes de autonomia financeira.
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“A expansão
é uma política de consolidação
do sistema federal de ensino superior. É claro
que sabemos que as universidades vinham passando por
um momento difícil, mas já está
havendo uma recuperação neste sentido.
Nós temos a percepção de que o
custeio das universidades federais teve uma recomposição
e um crescimento relativamente grande nos últimos
anos. Esta recomposição já deu
aos reitores a possibilidade de olhar para frente e
projetar o crescimento”, explica Alan Barbiero,
reitor da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e
coordenador de um grupo da Associação
Nacional dos Dirigentes das Instituições
Federais de Ensino Superior (Andifes) que analisa os
termos da expansão federal. Para o reitor, muito
já se avançou na relação
até então conflituosa da entidade, que
reúne os administradores das universidades federais
com o MEC.
Porém, os recursos ainda estão
longe de atender à demanda. “Uma universidade
nunca está pronta. A partir do momento em que
você compra computadores, tem que investir em
um novo servidor. A partir daí, precisa investir
em um novo software. Depois, uma outra demanda aparece.
Mas percebemos um empenho grande dos reitores e do MEC
em criar mais oportunidades para os alunos no ensino
superior, principalmente no período noturno,
para expandir e realizar a inclusão social”,
atesta.
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Outro reitor de universidade
federal, a Universidade Federal Fluminense (UFF), Roberto
Salles crê que a percepção da importância
do ensino superior para o desenvolvimento do país
foi modificada através dos anos. “A visão
das pessoas em relação às universidades
mudou. Na década de 1990 houve uma abertura muito
grande para que as universidades privadas crescessem,
e elas cresceram. Só que, em muitos casos, houve
uma preocupação em abrir cursos, mas não
em formar cidadãos.
O que mudou é que
dentro da concepção de desenvolvimento
das universidades, principalmente as públicas,
existe a preocupação com relação
ao desenvolvimento regional”, destaca. Segundo
o dirigente, a definição de critérios
para a abertura de novos cursos vai ajudar ao crescimento
homogêneo das diversas regiões, principalmente
as mais carentes. “Macaé é um exemplo
de como a universidade precisa ajudar a população.
É um município que tem uma população
com poder aquisitivo e, na outra ponta, uma cidade favelizada,
pessoas que foram marginalizadas justamente porque não
se pensou em um planejamento durante o processo de crescimento.
E esse é um papel que deve ser exercido pela
universidade”.
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Reitora da Universidade
Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), Malvina
Tuttman prefere enaltecer a criação de
conhecimentos dentro dos muros universitários
como fator preponderante para o crescimento de uma nação.
“O ensino superior tem um significado estratégico
na medida em que não só forma profissionais
qualificados para atuar em áreas estratégicas,
mas, principalmente, constrói conhecimentos indispensáveis
à independência econômica, cultural
e tecnológica de um país. Nenhum país
que se deseje soberano pode considerar o ensino superior
de menor importância”, reforça a
dirigente.
Malvina lembra que, há pouco tempo,
o ensino superior não era tão valorizado
no país, o que ocasionou o sucateamento da estrutura
na rede federal. “A situação das
universidades federais decorre de um processo histórico.
A década de 1990 inicia-se com muitas incertezas,
especialmente para o destino das universidades. Houve
falta de investimento na produção científica
e pedagógica, reduzindo o seu compromisso com
as universidades”, explica a reitora. Apesar dos
elogios quanto aos investimentos do governo na rede
federal, há quem acredite que muito mais possa
ser feito pela rede pública, mais especificamente
nos setores estaduais e municipais.
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Presidente da frente
parlamentar em defesa das universidades federais, estaduais
e municipais, o deputado federal Waldir Maranhão
(PP-MA) reclama da inércia da União quando
o assunto é a situação das instituições
de ensino superior geridas por estados e municípios.
“A universidade estadual existe, na realidade,
porque em determinado momento o Estado brasileiro foi
omisso e não conseguiu disponibilizar um número
de vagas suficientes na rede federal. Mais de 51% das
matrículas da rede pública estão
no ensino estadual ou municipal. Então, é
necessário que se aloquem recursos adicionais
para estas instituições”, defende
o deputado. Segundo ele, uma forma de o governo ajudar
a expandir o ensino superior nos estados e municípios
seria a amortização de suas dívidas
com a União em prol de investimentos no setor.
“Ao invés de pagar estas dívidas,
os estados aplicariam estes recursos nas universidades.
O governo federal, na realidade, poderia fazer um grande
projeto nacional de ensino superior, integrando um programa
para o desenvolvimento dos estados. Desta forma, as
universidades públicas de todo o país
se articulariam para promover o desenvolvimento nacional”.
Para que esta medida se torne realidade, o parlamentar
formulou o projeto de lei 1.559, que acrescenta um dispositivo
à Lei de Diretrizes e Bases da Educação
para vincular receitas à manutenção
e desenvolvimento do ensino superior às universidades
estaduais e municipais. O futuro do país agradece.
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No setor particular, a esperança de que as
transformações não se restrinjam
à esfera pública
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| Se investir na
expansão do ensino superior significa maiores
oportunidades de desenvolvimento social e econômico
para o país, as instituições que
respondem por 80% do setor não podem ficar de
fora desta discussão. Apesar dos esforços
do governo federal em aumentar a capacidade de produção
de conhecimentos na rede pública, é na
iniciativa privada que se concentra, disparado, o maior
número de vagas, matrículas e cursos da
educação superior no país. Apesar
de conviver com críticas com relação
ao aumento desenfreado do número de vagas, à
busca do lucro, e não da excelência acadêmica,
e a falta de investimentos em pesquisa, as instituições
privadas foram contempladas pelo MEC com um programa
específico, o ProUni. Apesar da política
da troca de bolsas para alunos carentes por um sistema
de renúncia fiscal, os dirigentes do setor ainda
acham que falta muito para que o governo reconheça
a importância da iniciativa privada para o ensino
superior.
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“O modelo de
expansão atual da educação superior
ainda é incompleto, já que dirige-se exclusivamente
à educação federal e isso não
vai resolver o problema. Como é possível,
por exemplo, o Programa de Aceleração
do Crescimento, uma das medidas mais exaltadas pelo
governo Lula, tentar unir o esforço do público
com o privado e na área da educação
isso não acontecer?”, reclama o reitor
da Pontifícia Universidade Católica do
Rio de Janeiro (PUC-Rio), padre Jesus Hortal. Segundo
o dirigente, o próprio ProUni não atende
às expectativas de toda a rede particular. “Para
as universidades comerciais o programa foi importante,
mas para as comunitárias não, porque pegou
o que já existia e o batizou com um novo nome.
Então, o ProUni, no caso específico da
PUC, não acrescentou nada, ao contrário,
diminuiu o número de beneficiários porque
obrigou as instituições a dar bolsas integrais
e não mais por uma escala de carência”,
explica. Hortal reconhece a necessidade de expansão
da educação superior no país, mas
não acredita que as instituições
públicas já existentes funcionem em sua
capacidade máxima de produção do
conhecimento. “É evidente que precisamos
expandir o ensino superior. A prova disso é que
temos um índice de escolarização
inferior a qualquer país da América Latina.
Em relação às universidades federais,
é necessário um estudo sobre a produtividade
e a otimização dos recursos aplicados
na rede pública. Não existe um programa
neste sentido que realmente incentive a produtividade
nestas instituições”.
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Outro reitor de instituição
privada, a Universidade Candido Mendes, Candido Mendes
de Almeida lembra que os países desenvolvidos
investiram pesado no ensino superior para atingir o
estágio atual. “A política de expansão
do ensino superior está ligada ao desenvolvimento
brasileiro, sobretudo no princípio em que se
entende que a educação e a saúde
são as alavancas para esta melhoria. A educação
envolve, ao lado da situação de emprego,
a situação da informação
e da generalização da informação
para saber como se melhorar o nível de vida e
de acesso a serviços e à tecnologia. O
Brasil ainda é um dos países de pior índice
de acesso ao ensino superior, enquanto os países
desenvolvidos chegam a quase um terço de sua
população envolvida neste tipo de ensino”,
exemplifica. Apesar de defender a expansão do
número de vagas, Candido alerta para a questão
da qualidade necessária a um setor tão
importante quanto a educação. “Dentro
da expansão, precisamos abranger duas questões.
Uma é a luta contra a obsolescência do
conhecimento. Não basta um curso normal de bacharelado
como presunção de conhecimento universitário.
Há que ter a sua atualização permanente
- e isso é uma parte da essência universitária.
A outra parte, e o governo está atuando muito
bem neste sentido, é o desenvolvimento dos chamados
cursos seqüenciais e tecnológicos”.
Para o dirigente, a melhoria do acesso ao ensino superior
também ajudará o país a formar
mais profissionais e, conseqüentemente, mão-de-obra
necessária para crescer no cenário internacional.
“O maior programa que ajudará na expansão
é o de acesso. O país, hoje, tem quatro
milhões de universitários e pelo menos
mais um milhão em condições de
entrar no ensino superior. A universidade pública,
infelizmente, não desenvolve seu espaço
suficientemente. Nós estamos apenas no começo,
e o Programa de Financiamento Estudantil do MEC (Fies)
foi o ponto de partida para criar, ao lado da bolsa,
a cultura de financiamento. A conjugação
do financiamento com a oferta de ensino e com a poupança
popular são a fórmula para se entender
que 25% do potencial capaz de chegar ao ensino universitário
não o faz pela inércia do sistema”,
completa.
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Para o coordenador
de Graduação da Fundação
Getúlio Vargas, Antonio Freitas, a expansão
da educação superior no Brasil é
evidente, mas o país ainda precisa combater o
que ele chama de “elitismo” no setor. “O
ensino superior brasileiro avançou muito nos
últimos dez anos. Passamos de 900 cursos superiores
em 1997 para 2.200. E de 1.600.000 alunos para 4.200.000.
Mas ele ainda é elitista, na medida em que as
famílias ricas mandam seus filhos para escolas
privadas e estes acabam entrando nas universidades públicas.
Desta forma, o aluno pobre tem que disputar uma vaga
na faculdade privada e o governo - este e os antecessores
- não cuidou bem dos ensinos médio e fundamental
na rede pública, justamente onde os mais pobres
estudam”. Segundo o dirigente, apesar da importância
da educação superior, a valorização
da educação de base também é
primordial para que o país se torne relevante.
“O aluno chega ao ensino superior sem saber redigir,
sem saber Matemática, com lógica deficiente.
Então, é primordial que, para melhorar
o ensino superior, se invista no ensino fundamental.
Por outro lado, não teremos um país competitivo
se não tivermos um ensino superior forte, em
face da tecnologia e da sofisticação dos
processos em todas as áreas do conhecimento.
A educação é fundamental para gerar
empregos e tornar o país competitivo internacionalmente”,
destaca. O incentivo ao ensino privado, além
da expansão do setor público, é
uma das alternativas apontadas pelo professor para fazer
crescer o setor no país. “O Brasil deveria
adotar um modelo igual ao da Coréia do Sul. Você
recebe um tíquete, faz um vestibular para uma
instituição privada, paga com vouchers
e aquilo a instituição recebe do governo.
De qualquer forma, precisamos aumentar a eficiência
e isso é um problema de segurança nacional.
Você quer passar qualquer projeto no MEC e leva
anos. Se a pessoa que fica no semáforo vendendo
coisas tivesse um estudo, teria uma produtividade que
seria útil a toda a sociedade, pagando impostos,
criando valores e tornando o país mais competitivo”.
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