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As sociedades contemporâneas
vivem o ritmo de transformações mais dinâmico
que a humanidade jamais experimentou. As tecnologias
têm contribuído decisivamente para isso
e, dentre elas, as da comunicação são
o principal elemento relacionado diretamente ao fenômeno
da globalização. Traçando um paralelo,
a fase mais acelerada de transformação
dos indivíduos ocorre no período da juventude,
quando estes se tornam sujeitos de novas atitudes e
comportamentos. Cada vez mais cedo e com menos oportunidades
de errar, os jovens são impelidos a definir o
seu futuro em um cenário extremamente complexo,
referenciado por padrões de consumo insustentáveis
para a sociedade como um todo.
Os desafios da contemporaneidade,
num ritmo determinado pelo fator econômico, proporcionam
particularmente aos jovens um ambiente extremamente
hostil e competitivo, que os orienta para um comportamento
cada vez mais individualista. As dificuldades socioeconômicas
e de acesso a uma educação de qualidade
fazem com que a grande maioria desses jovens careça
de estímulo, oportunidades e perspectivas para
enfrentar esta realidade. É inquestionável
que processos de transformação muito acelerados,
quando não observados, podem se retroalimentar
de maneira extremamente perversa, contribuindo para
intensificar os paradoxos do desenvolvimento sustentável.
A alternativa é reconhecer, compreender e planejar
como potencializar as suas tendências mais positivas.
A cidade de Macaé hoje enfrenta estas circunstâncias.
Beneficiada pela geração de royalties
do petróleo, tem testemunhado uma radical mudança
do seu perfil sociocultural e econômico. Atraídos
pelas perspectivas de emprego, muitos de seus novos
habitantes não atendem às exigências
técnicas oferecidas por este novo mercado, pairando
à margem da cidadania. Como conseqüência,
pesquisas apontam a cidade como a mais violenta do estado.
No Brasil, a Unesco desenvolve há mais de dez
anos estudos sobre juventude, violência e cidadania,
visando contribuir para a elaboração de
projetos que reconheçam como estratégica
a participação do jovem, considerada a
sua vulnerabilidade.
A Organização, desde
a sua criação em 1945, tem como principal
missão contribuir para a paz, através
do desenvolvimento da educação, da cultura,
das ciências e da comunicação, em
profundo respeito aos direitos humanos. As prioridades
da Organização são estabelecidas
de forma consensual entre os seus 193 estados-membros,
mas é necessário referenciá-las
tanto no contexto local quanto no universal. Para alcançar
os seus objetivos, trabalha em parceria com diferentes
representações da Sociedade Civil, Governos
e Setor privado. Neste contexto, no último dia
18 de agosto, foi lançado o projeto-piloto “Escola
em Ação por uma Cultura de Paz”,
uma parceria da Unesco, Construtora Norberto Odebrecht
e Secretaria Municipal de Educação de
Macaé. Utilizando a metodologia de pesquisa-ação,
o projeto irá articular a escola e a comunidade,
visando identificar interesses e potencialidades da
localidade, fortalecendo a sua identidade e buscando
oportunidades de geração de renda e de
novos valores.
Trata-se de uma experiência de
um processo participativo que envolverá mais
de duas mil pessoas, entre alunos, professores, diretores
e membros da comunidade, no levantamento de informações
relevantes para o estabelecimento de um conjunto de
atividades de lazer e formativas que reflitam as suas
aspirações. Sem buscar qualquer publicidade
ou resultado imediatista, o projeto se baseia em diagnóstico,
construção coletiva, indicadores e avaliação
de resultados e conta com a participação
direta dos funcionários da empresa no acompanhamento,
na gestão e demais atividades. Esta experiência
deve se tornar uma forte referência para articulação
de empresas e comunidade, particularmente em localidades
em acelerada transformação.
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