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Contra o individualismo, ações coletivas de inclusão social
"A Unesco desenvolve há mais de dez anos estudos sobre juventude, violência e cidadania, visando contribuir para a elaboração de projetos que reconheçam como estratégica a participação do jovem”
escritório da unesco no Rio de Janeiro

Pedro Lessa*

As sociedades contemporâneas vivem o ritmo de transformações mais dinâmico que a humanidade jamais experimentou. As tecnologias têm contribuído decisivamente para isso e, dentre elas, as da comunicação são o principal elemento relacionado diretamente ao fenômeno da globalização. Traçando um paralelo, a fase mais acelerada de transformação dos indivíduos ocorre no período da juventude, quando estes se tornam sujeitos de novas atitudes e comportamentos. Cada vez mais cedo e com menos oportunidades de errar, os jovens são impelidos a definir o seu futuro em um cenário extremamente complexo, referenciado por padrões de consumo insustentáveis para a sociedade como um todo.

Os desafios da contemporaneidade, num ritmo determinado pelo fator econômico, proporcionam particularmente aos jovens um ambiente extremamente hostil e competitivo, que os orienta para um comportamento cada vez mais individualista. As dificuldades socioeconômicas e de acesso a uma educação de qualidade fazem com que a grande maioria desses jovens careça de estímulo, oportunidades e perspectivas para enfrentar esta realidade. É inquestionável que processos de transformação muito acelerados, quando não observados, podem se retroalimentar de maneira extremamente perversa, contribuindo para intensificar os paradoxos do desenvolvimento sustentável. A alternativa é reconhecer, compreender e planejar como potencializar as suas tendências mais positivas.

A cidade de Macaé hoje enfrenta estas circunstâncias. Beneficiada pela geração de royalties do petróleo, tem testemunhado uma radical mudança do seu perfil sociocultural e econômico. Atraídos pelas perspectivas de emprego, muitos de seus novos habitantes não atendem às exigências técnicas oferecidas por este novo mercado, pairando à margem da cidadania. Como conseqüência, pesquisas apontam a cidade como a mais violenta do estado. No Brasil, a Unesco desenvolve há mais de dez anos estudos sobre juventude, violência e cidadania, visando contribuir para a elaboração de projetos que reconheçam como estratégica a participação do jovem, considerada a sua vulnerabilidade.

A Organização, desde a sua criação em 1945, tem como principal missão contribuir para a paz, através do desenvolvimento da educação, da cultura, das ciências e da comunicação, em profundo respeito aos direitos humanos. As prioridades da Organização são estabelecidas de forma consensual entre os seus 193 estados-membros, mas é necessário referenciá-las tanto no contexto local quanto no universal. Para alcançar os seus objetivos, trabalha em parceria com diferentes representações da Sociedade Civil, Governos e Setor privado. Neste contexto, no último dia 18 de agosto, foi lançado o projeto-piloto “Escola em Ação por uma Cultura de Paz”, uma parceria da Unesco, Construtora Norberto Odebrecht e Secretaria Municipal de Educação de Macaé. Utilizando a metodologia de pesquisa-ação, o projeto irá articular a escola e a comunidade, visando identificar interesses e potencialidades da localidade, fortalecendo a sua identidade e buscando oportunidades de geração de renda e de novos valores.

Trata-se de uma experiência de um processo participativo que envolverá mais de duas mil pessoas, entre alunos, professores, diretores e membros da comunidade, no levantamento de informações relevantes para o estabelecimento de um conjunto de atividades de lazer e formativas que reflitam as suas aspirações. Sem buscar qualquer publicidade ou resultado imediatista, o projeto se baseia em diagnóstico, construção coletiva, indicadores e avaliação de resultados e conta com a participação direta dos funcionários da empresa no acompanhamento, na gestão e demais atividades. Esta experiência deve se tornar uma forte referência para articulação de empresas e comunidade, particularmente em localidades em acelerada transformação.