| |
 |
 |
Andrea Marinho
Erradicar o analfabetismo,
melhorar a qualidade da educação básica
ministrada no Rio e promover a formação
profissional alinhada aos pólos econômicos
do estado. De acordo com um estudo produzido pela Federação
das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan),
estes são os principais instrumentos para alavancar
o desenvolvimento econômico fluminense. As conclusões
estão expostas no Mapa do Desenvolvimento do
Estado do Rio de Janeiro, com metas estabelecidas até
2015 e finalizado antes mesmo das eleições
para governador do estado, em 2006. Na ocasião,
a proposta foi entregue a todos os candidatos do pleito.
Segundo a coordenadora do estudo, Andrea Marinho, diretora
de Educação do Sistema Firjan, como já
foi demonstrado ao candidato vencedor da eleição,
o peemedebista Sérgio Cabral Filho, a educação
é, de fato, o melhor caminho para o desenvolvimento.
“É muito difícil você propor
um governo de sucesso que não olhe questões
básicas, como educação, saúde
e segurança. Eu acredito que tenhamos, muito
brevemente, melhoras contundentes no que diz respeito
à educação no estado”, afirma
a dirigente. Andrea comenta, ainda, como o estudo pode
ajudar a administração pública
a proporcionar o crescimento econômico do estado,
revela a importância dos investimentos em cada
um dos três pilares apontados pelo mapa e fala
da importância da aprovação de um
projeto de lei de incentivo à educação.
Como surgiu
a idéia de realizar o estudo e de que forma estes
dados podem ajudar a administração pública
a proporcionar o crescimento econômico do estado?
Andrea Marinho - O sistema Firjan entendeu
que seria importante desenvolver um mapa neste sentido
para sustentar as ações do novo governo
do estado, antes mesmo das eleições de
2006. Ele foi construído por técnicos
de todas as áreas, contou com a participação
de mais de mil empresários e foi lançado
em agosto de 2006, após mais de um ano de trabalho,
sendo apresentado a todos os candidatos a governador
na época. Com a eleição do governador
Sérgio Cabral Filho, nós entregamos o
mapa a ele e, na área educacional, focamos em
três objetivos: erradicar o analfabetismo entre
as pessoas com mais de 15 anos, já que o analfabetismo
entre jovens e adultos impacta em qualquer avaliação
socioeconômica de um estado, um país; melhorar
a qualidade de educação básica
e alinhar a oferta de educação profissional
às demandas dos municípios do interior
do estado. No que diz respeito à melhoria da
qualidade da educação básica, nós
desenvolvemos um projeto de lei de incentivo fiscal
à educação, tanto no âmbito
federal quanto no âmbito estadual, para captar
recursos da iniciativa privada e investir em educação.
Nós já o encaminhamos para as autoridades
competentes neste sentido. De outro lado, nós
desenvolvemos um projeto de capacitação
continuada para os docentes do ensino médio,
modularizado e que tem por objetivo atualizar estes
docentes que já atuam no ensino médio
do estado e trabalhando conceitos básicos de
metodologia, tecnologias de ensino. Este plano foi entregue
ao secretário estadual de Educação,
Nelson Maculan. Uma outra ação, que é
convergente, diz respeito à formação
profissional. Não dá para se falar em
crescimento econômico sem associar isso à
capacitação pessoal. Muitos investimentos
estão chegando ao estado do Rio e nós
estamos nos deparando com um cenário de pessoas
com baixa escolaridade e pouca qualificação
profissional. Então, uma das medidas que propusemos
foi a divulgação de um observatório
ocupacional, que serviria como uma bússola para
orientar os investimentos em formação
profissional, principalmente no interior do estado,
e para apoiar o jovem na escolha de uma profissão.
Este observatório tem informações
detalhadas e nós esperamos que elas contribuam
para começar a dirigir a oferta de formação
profissional, de forma que ela não só
sustente os investimentos em curso, como também
alavanque outros. É a primeira vez que, em um
único documento, todas estas questões
são tratadas, reunindo propostas de políticas
públicas concatenadas para promover o desenvolvimento.
Elas não são políticas de governo,
mas políticas públicas.
Muitos educadores
dizem que a prioridade deve ser investir na educação
básica, já que desta forma os alunos que
chegarão à universidade estarão
mais bem preparados, proporcionando um ganho de qualidade
para o ensino superior. O estudo chegou a esta conclusão,
ou também é preciso investir na melhoria
das condições do ensino superior no estado?
O projeto tem três objetivos. Para nós,
é preciso um plano de emergência para melhorar
a qualidade da educação básica
no que diz respeito à qualificação
dos professores, equipamentos das escolas, fortalecimento
dos currículos, ampliação da carga
horária. Nós entendemos que este é
o fator mais importante no momento. Se existe uma coisa
a ser atacada com mais urgência atualmente, este
fator é a melhoria da qualidade da educação
básica.
Como funciona
o projeto Transformar, incluído no estudo como
uma iniciativa que deve ser preservada?
O projeto é uma iniciativa da Firjan que começou
a ser implantada em 1999 com o objetivo de erradicar
o analfabetismo entre as pessoas de 15 a 19 anos. O
projeto, desde então, tem sido muito exitoso,
avaliado pelo Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento (Pnud) e acabou recebendo a chancela
de alto impacto social da entidade. A partir daí,
nós começamos a expandir. O objetivo inicial
era alfabetizar cerca de 29 mil pessoas e, até
o ano passado, nós conseguimos chegar à
marca de mais de 110 mil pessoas alfabetizadas pelo
programa, aí já sem limite de idade, através
de parcerias com prefeituras e com o governo federal.
De que forma
o projeto pode auxiliar na meta de diminuir o analfabetismo
no estado de 4,8% para 3% nos próximos dez anos?
O projeto, sem dúvida, vai auxiliar o governo
do estado neste sentido. Só em 2007 nós
temos mais de 10 mil pessoas em sala de aula, estamos
fazendo uma parte importante para cumprir esta meta,
assim como outras instituições também
estão trabalhando neste sentido. O projeto é
uma das iniciativas neste sentido, de diminuir o índice
de analfabetos no estado, mas não a única.
Esta, na realidade, é uma ação
compartilhada entre o Poder Público e a iniciativa
privada.
Uma das metas
apresentadas pelo estudo é melhorar a formação
dos professores que atuam no estado. O nível
de qualidade dos docentes fluminenses deixa muito a
desejar?
Há algum tempo que o magistério vem perdendo
status em nossa sociedade. Os professores perderam salário,
perderam posição e, obviamente, perderam
qualificação. Hoje, quando falamos que
a educação básica não tem
qualidade, estamos falando de professores formados também
por esta escola que não tem qualidade. Sem contar
que, em algumas matérias, hoje nós não
temos professores disponíveis para dar aulas.
Não tem gente querendo se formar, fazer licenciatura
para dar aula, a carreira já não é
tão atraente para estes docentes. Então,
é como um ciclo vicioso. Nós estamos apostando
na revisão da formação destes docentes
e na sua valorização. Esta valorização
tem que se dar na formação inicial e também
na continuada, ou seja, o professor deve se reciclar
periodicamente. Neste sentido, nós achamos que
pode haver uma medida imediata de atualização
destes profissionais.
Outra determinação
do relatório diz que universidades, escolas técnicas
e empresas devem ter maior integração.
De que forma isso pode se dar?
Para esta ação específica, nós
estamos abrindo as discussões com o lançamento
do observatório educacional, através de
vários debates com as universidades e escolas
técnicas. Com este projeto, nós pretendemos
estimular no âmbito dos municípios e das
microrregiões este debate entre a iniciativa
privada e a pública sobre a demanda e a oferta.
O objetivo não é regular, mas orientar
que esta oferta tenha a aderência e a demanda.
A educação profissional, seja no nível
técnico ou superior, tem por objetivo formar
profissionais que possam se incorporar ao mercado de
trabalho. Se não há esta incorporação,
o objetivo, certamente, não está sendo
atingido. Então, o observatório é
o ponto de partida para esta discussão.
Como estão
as negociações para a elaboração
do projeto de lei de incentivo à educação,
outra medida classificada como necessária pelo
estudo, e do que trataria a nova lei?
Nós temos dois âmbitos de atuação.
O projeto estadual, que daria subsídios para
a aplicação de recursos na área
educacional através da dedução
do ICMS, e o federal. A lei pretende viabilizar a isenção
fiscal para estimular investimento da iniciativa privada,
que hoje é realizado em outras áreas,
também muito importantes. Mas nós achamos
que a educação pode ter um reforço
forte neste sentido, com o incentivo. Hoje existem restrições
até para uma empresa doar equipamentos para uma
instituição de ensino. Por isso, nós
queremos estimular o investimento privado e de pessoas
físicas no setor, com a aprovação
da proposta.
Os resultados
do estudo foram entregues aos representantes do governo
estadual? A Firjan tem mantido diálogo com os
representantes do Palácio Guanabara no sentido
de colocar em prática estas propostas?
O governo recebeu as informações e estamos
avançando no desenvolvimento interno de alguns
projetos relacionados. De qualquer forma, estamos aguardando
o secretário Nelson Maculan nos chamar para uma
nova rodada de negociações com relação
ao mapa.
O governador
Sérgio Cabral anunciou um aumento parcelado de
25% para os professores da rede estadual, que desagradou
a categoria. Como a senhora avalia os esforços
deste governo na área educacional?
É muito difícil você propor um governo
de sucesso que não olhe questões básicas,
como educação, saúde e segurança.
O governador teve que optar inicialmente em colocar
seu foco todo na área da segurança, porque
estávamos numa situação muito complexa
no estado do Rio com relação a esta temática.
Mas, pelos contatos que temos mantido com ele, percebemos
que ele está envolvido com a questão da
educação e dará foco nisso. Eu,
particularmente, acredito que ele dará esta direção
e fará grandes investimentos para o desenvolvimento
do setor educacional no estado do Rio. Nós ainda
não estamos percebendo hoje, isso pode não
estar sendo traduzido em ações concretas
porque a gente percebe isso em outras áreas,
infra-estrutura, segurança. Mas eu acredito que
tenhamos, muito brevemente, melhoras contundentes no
que diz respeito à educação no
estado. E isso vai influir diretamente na aplicação
dos dados do mapa. É só isso que nós
desejamos com esta proposta: a melhoria da educação
fluminense.
|