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um país que, com valores superiores a R$2,147
bilhões, detém o oitavo maior Produto
Interno Bruto (PIB) do mundo, a discussão sobre
a aplicação dos recursos relativos ao
PIB na área educacional parece longe de terminar.
De certo mesmo, apenas o fato de que a maioria dos integrantes
da comunidade acadêmica, aí incluído
o próprio ministro da Educação,
Fernando Haddad, defende uma aplicação
de recursos superior à atual - estacionada em
3,9% do total de riquezas produzidas no país.
Proposta de metas para a educação, o Plano
Nacional da Educação (PNE), assinado em
2000 pelo então presidente Fernando Henrique
Cardoso, prevê que o país atinja investimentos
no setor educacional de 7% do PIB até 2010. Porém,
o veto do próprio Fernando Henrique a este artigo
do plano fez com que a meta se tornasse cada vez mais
longe de ser atingida. O PIB representa a soma (em valores
monetários) de todos os bens e serviços
finais produzidos, sendo um dos indicadores mais utilizados
na macroeconomia com o objetivo de mensurar a atividade
econômica de uma região. De acordo com
os números do estudo mais recente da Organização
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE), o Education at a Glance 2007, o Brasil está
distante de outros países pertencentes à
entidade de acordo com os investimentos do PIB (veja
tabela ao lado). Enquanto o país só ganha
da Federação Russa, que investe 3,6% do
seu PIB, e da Grécia, que investe 3,4%, vizinhos
como o Chile e o México investem 6,4% das suas
riquezas, bem próximo da meta estabelecida pelo
PNE.
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Na opinião
do representante da Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência
e a Cultura (Unesco) no Brasil, Vincent Defourny, a
aplicação de mais recursos está
intimamente ligada à melhoria do setor educacional
no país. “Os valores são insuficientes,
pois o grande desafio da educação brasileira
é o desafio da qualidade. E a qualidade tem um
custo. Ela requer professores mais bem formados, bem
informados e bem remunerados, requer uma melhor qualificação
da infra-estrutura da escola, requer que crianças
e jovens que hoje estão na linha ou abaixo da
linha da pobreza tenham asseguradas as condições
mínimas para freqüentar a escola, como assistência
à saúde, transporte escolar e material
escolar”, explica o dirigente. Apesar do veto
ao artigo do PNE que prevê mais investimentos
do PIB, Defourny acredita que alguns projetos do governo
caminham no sentido de valorizar o setor educacional.
“Nessa direção, o Plano de Desenvolvimento
Educacional (PDE) e o Fundo de Manutenção
e Desenvolvimento da Educação Básica
(Fundeb) representam um avanço importante. A
experiência de implementação tanto
do PDE quanto do Fundeb indicará o montante de
recursos que serão necessários para a
educação nos próximos anos”,
acredita o belga.
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Presidente do Instituto
de Estudos do Trabalho e Sociedade no Rio de Janeiro,
Simon Schwartzman lembra que a maioria dos gastos no
setor educacional não parte do governo federal,
mas de estados e municípios. “O governo
federal mantém sua rede de universidades e alguns
programas e transfere recursos para estados e municípios.
De qualquer forma, havendo mais recursos, o pior que
se poderia fazer seria distribuí-los na abertura
indiscriminada de novas universidades públicas.
Estes recursos deveriam ser utilizados para estimular
a melhoria da qualidade da educação básica
e pré-escolar, e isto deveria se dar pela criação
de estímulos adequados e reformas que visem a
melhoria da qualidade na educação”,
acredita o dirigente. Segundo Schwartzman, a valorização
da carreira docente também é primordial.
“É necessário elevar os salários
iniciais da carreira docente, para tornar mais atrativa
a profissão, e também investir na construção
de escolas e contratação de pessoal para
implantar gradativamente o sistema de tempo completo
nas escolas, além de eliminar ao máximo
o ensino médio noturno, que funciona nestes horários
por falta de instalações. Não falta
em que gastar, mas existem sérios riscos de desperdiçar
os recursos”.
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Economista e educador,
Cláudio de Moura Castro entende que os recursos
para a área educacional existem de forma satisfatória,
mas a aplicação dos mesmos ainda deixa
a desejar. “A questão dos investimentos
pode ser vista de duas formas antagônicas. Se
formos comparar o que o país investe no setor
público com o que outras nações
que investem menos conseguem, como a China ou o nosso
vizinho Uruguai, por exemplo, vamos verificar que os
recursos destinados para o setor são suficientes.
Estas nações investem menos que o Brasil
e conseguem resultados superiores. Se formos verificar,
porém, o atraso que existe em nosso país
no setor educacional, como os problemas estruturais
enfrentados nos diferentes níveis de ensino,
vamos entender que ainda são aplicados poucos
recursos”. Para o educador, o setor educacional
ainda está livre de um mal que ataca várias
outras áreas no país - a corrupção.
Mas ainda assim precisa ser mais produtivo, aplicando
mais qualitativamente os recursos que recebe. “Quando
eu falo que pouco é aplicado, quero dizer que
as verbas deveriam ser melhor utilizadas. A corrupção,
por exemplo, um mal que atinge fortemente o Brasil,
ainda não chegou ao setor educacional. Temos
problemas superficiais, mas nada que desvie muitos recursos.
Na realidade, estes recursos deveriam ser aplicados
maciçamente na educação básica.
Quando se verifica que mais de 50% das crianças
que chegam à segunda série do ensino fundamental
não sabem ler ou escrever, fica complicado cobrar
ou ensinar matérias para estes jovens no futuro,
já que a cultura ocidental é baseada na
escrita”, explica. Já para o professor
da Faculdade de Educação da Universidade
de São Paulo (USP), Nélio Bizzo, o país
ainda investe muito pouco em educação.
“O Brasil precisaria triplicar os recursos gastos
atualmente. Mas deveria fazer isso de forma progressiva,
assegurando eficiência. O percentual relativo
ao PIB, por exemplo, é enganoso. Para se ter
uma idéia, o Brasil gasta 3,9% do PIB e o estado
de São Paulo 3% e pouco do seu PIB. Isso quer
dizer que São Paulo aplica menos reais por aluno
do que a media brasileira? Claro que não. Isso
se deve ao fato de que o estado tem um PIB muito superior
ao de outros estados. Por isso, é necessário
muito cuidado com as porcentagens”, explica o
professor. Ainda segundo o educador, a definição
de prioridades, aliada à aplicação
de mais recursos, resultaria num melhor tratamento para
a área educacional. “De imediato, deveria
haver melhoria de infra-estrutura, de saúde/nutrição
dos alunos, de meios para a aprendizagem e treinamento
e formação para professores e equipe escolar.
O Fundeb, por exemplo, é uma proposta que acerta
no atacado e erra no varejo. Amplia a base de aplicação
dos recursos, mas não define quais são
as prioridades desta aplicação com precisão”,
define o docente. Ainda carente de maiores investimentos,
a educação nacional continua à
espera destas iniciativas.
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