| |
 |
 |
Freqüentar a
escola, dedicar-se aos estudos, ter aulas de computação
e ainda treinar durante oito horas por semana a prática
do tênis de mesa. Esta é a rotina de Joyce
Fernanda de Oliveira, de 17 anos. À primeira
vista, estas atividades podem parecer bastante corriqueiras
para jovens desta faixa etária, mas, nesse caso,
têm um significado muito especial. Há quatro
anos ela sofreu um acidente que a deixou paraplégica.
Na luta para superar este desafio, Joyce contou com
um importante aliado: o esporte. A trajetória
dela começou a mudar no início de uma
tarde de 2003, na cidade de Jundiaí, interior
paulista. Enquanto esperava condução para
ir à escola, foi atingida no meio das costas
por fragmentos que desabaram do teto do ponto de ônibus.
Naquele momento, sua medula foi partida ao meio, rompendo
com a esperança de concretizar um antigo sonho
– ser jogadora de futebol. Quando os médicos
lhe disseram que não poderia voltar a andar,
Joyce se fechou para o mundo. “Sentia vergonha
da minha cadeira de rodas. Não gostava de sair
de casa. Pensava o tempo todo no futebol. Eu gostava
muito de jogar e nunca mais ia poder. Ficava triste
com isso”, contou. Com o apoio da família,
a menina buscou tratamento em Brasília (DF),
onde descobriu sua nova paixão, o tênis
de mesa.
Esporte que no futuro, graças ao incentivo
recebido do professor Cadu, lhe daria grandes surpresas.
E recompensas. “Fiquei em Brasília por
dois meses, fazendo o tratamento. Lá, conheci
um professor de Educação Física
que me estimulou a praticar um esporte. Comecei fazendo
basquete e tênis de mesa, mas não gostei
muito do basquete, pois a cadeira machucava minhas costas.
Além disso, o professor disse que eu teria futuro
no tênis de mesa e que deveria correr atrás
disso. Meu contato com ele foi fundamental nessa redescoberta,
apesar de ter sido curto”, explicou.
De volta
a Jundiaí, Joyce passou um tempo sem poder praticar
o esporte, pois, em sua cidade, não teve essa
oportunidade. “Fiquei um mês parada. Depois,
consegui uma vaga na AACD, em São Paulo, e lá
pude voltar a treinar. Tem cerca de um ano e meio que
treino. Infelizmente, não posso praticar todos
os dias, pois, se for para São Paulo sempre,
perderei muitos dias de aula na escola”, esclareceu,
ressaltando a importância do esporte em sua vida.
“Não sou muito de sair, mas, devido às
competições, estou sempre viajando, conhecendo
pessoas novas e outros deficientes como eu. Assim, minha
vida se tornou mais fácil e prazerosa”,
relatou. Recentemente, a jovem obteve mais uma conquista
ao participar de sua primeira competição
internacional, os jogos Parapan–Americanos 2007,
realizados no Rio de Janeiro.
Além de ocupar
o terceiro lugar no pódio, garantindo a medalha
de bronze, Joyce ainda recebeu o título de musa
do Parapan. Já em competições nacionais,
ela pode ser considerada uma veterana. “Participei
dos campeonatos de Brasília, Fortaleza, Goiânia
e Curitiba, sendo este último o único
em que não consegui obter bons resultados. Agora,
vou para a Copa Tango, na Argentina. Espero alcançar
boas colocações para aumentar minha posição
no ranking e assim garantir uma vaga para a Paraolimpíada
de Pequim 2008”, afirmou. A limitação
física não impediu que a adolescente alcançasse
seus objetivos, mas a falta de patrocinadores pode se
tornar um empecilho em sua carreira. “Participo
de uma equipe composta por três atletas. Somos
nós quem pagamos o técnico.
A AACD só
ajuda com o financiamento das passagens, pois já
começo a trazer bons resultados. No início,
minha mãe custeava tudo. Mesmo assim, ainda preciso
de ajuda para comprar material. Queria ir para os Estados
Unidos em novembro, mas ainda não sei se terei
condições financeiras para viajar”,
disse a jovem, que cursa o 2º ano do ensino fundamental
e que, no ano que vem, pretende fazer vestibular para
Educação Física e assim poder dar
continuidade aos seus estudos e aperfeiçoar a
sua profissão.
|