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qualidade do ensino é considerada a principal
aliada do marketing educacional nas escolas e universidades,
sobretudo num período em que a concorrência
entre as instituições de ensino está
bastante acirrada. No entanto, especialistas acreditam
que não basta a escola ser boa; ela precisa também
saber se mostrar como boa para o mercado. Para os administradores,
o marketing deve ser trabalhado no ambiente das escolas
desde o processo de fidelização do aluno
até o incremento do número de matrículas.
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O professor José
Carlos Portugal, vice-presidente do Sindicato dos Estabelecimentos
de Ensino do Rio de Janeiro (Sinepe-Rio) e diretor da
Rede MV1 de Ensino, constata que a velocidade das mudanças
é de tal ordem, no mundo de hoje, que obriga
todas as instituições a buscarem mecanismos
que garantam a sua viabilidade sócio-política
e econômica. Segundo ele, não há
como fugir das regras básicas de inovação,
qualificação, atendimento ao cliente e
divulgação. “A cartilha para a preservação
de uma marca, numa sociedade absurdamente competitiva,
exige o aprimoramento de toda a dinâmica interna
da organização e um marketing que a torne
visível para os seus mercados potenciais. A educação
não foge a esse modelo. As escolas privadas,
apesar do nefasto intervencionismo estatal, são
empresas que sobrevivem a partir do que arrecadam e
isso, por si só, já as obriga a utilizarem
os meios de comunicação como armas de
divulgação dos seus serviços, seu
pessoal, sua metodologia, suas dependências físicas
e seus resultados”.
É preciso se atualizar para não
ficar para trás
Na opinião do educador, o mundo é outro
a cada mês, em razão dos avanços
tecnológicos. “A vida vem em ondas de intensidade
avassaladora. A informação afoga nosso
cotidiano, tornando-nos semi-obsoletos a cada semana,
o que exige uma ginástica mental permanente e
um ritual de disciplina espartana para assimilar e entender
tantas notícias”.
Na opinião do professor, nesse cenário,
como poderia uma instituição de ensino
sobreviver sem uma permanente atualização
e a utilização das diversas mídias?
“Como beleza não põe mesa, como
dizia minha vó, a tradição, também,
não é garantidora de sucesso. Quem não
se comunica, certamente irá desaparecer no limbo
dessa cultura de permanente modismo e novidades. Para
desgosto dos mais tradicionalistas, isso é irreversível,
não há como fugir dessa verdade. Se a
Lei da Gravidade não pode ser revogada, da mesma
forma a globalização, com tudo de bom
e mau, que isso possa significar, também veio
para sempre. Não adianta reclamar”. Segundo
o professor Portugal, cabe às escolas, como organismos
vivos dessa grande transformação, usar
as soluções éticas e eficientes
que ela propicia, entendendo que a propaganda e o marketing
estão plenamente inseridos nesse contexto. “Negar
isso é fechar os olhos para a realidade ou ficar
como os motorneiros, aguardando a passagem do próximo
bonde que nunca mais virá”.
Cuidados e atenção na escolha
da escola
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O professor Paulo
Armando Areal, diretor do Colégio Pentágono,
entende que a educação de qualidade deve
ser prioridade em todas as sociedades que desejem abandonar
definitivamente o conhecimento periférico. A
seu ver, é necessário, portanto, que a
escolha de uma escola se insira numa verdadeira seleção
de competências, onde a principal delas seja a
eficiência pedagógica. “Certamente,
o lastro de excelência por serviços prestados
deve nortear a opção por uma instituição
educacional. É necessário reconhecer que
uma boa instituição de ensino garantirá
um futuro bem mais seguro para um jovem, o que justifica
o esforço de qualquer investimento”. Para
ele, além destes requisitos, a escola deve levar
em consideração a pertinência dos
projetos formativos e informativos de seus cursos. “Além
da qualidade de seus professores, da carga horária
aplicada e da tecnologia dos procedimentos educacionais,
exigem-se também áreas livres para recreação
e esportes, salas climatizadas, laboratórios
de informática e muito mais, sem atentar para
o alto custo de toda esta estrutura”, afirmou.
O professor acredita que o marketing é inegavelmente
importante para qualificar os serviços de uma
escola, mas não pode se sobrepor aos valores
reais que caracterizam uma verdadeira instituição
de ensino. “Todos esses requintes de modernidade
que fazem a escola de ser feliz devem apenas incrementar
a escola de ser cidadão”.
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A professora Eleuza
de Almeida, diretora-presidente do Colégio/Curso
GPI, considera que o melhor marketing que uma escola
pode fazer é possuir um ensino de qualidade.
É fundamental que a instituição
realize um trabalho sério, cumpra as leis, incentive
a cidadania, contribua com o progresso da nação,
preserve a natureza e incentive os bons hábitos.
O marketing é importante. Sem dúvida,
é uma espécie de carimbo do que há.
Porém, ele só funciona quando o trabalho
é bem realizado. A grande propaganda do colégio
é feita pelo próprio aluno e pelo resultado
que ele alcança.
Seriedade
como fator fundamental
Segundo o professor
Rui Alves, diretor de Ensino do Colégio/Curso
pH, o melhor marketing que se pode fazer em termos de
educação é mostrar ao responsável
pelo aluno a seriedade e a qualidade do ensino ministrado
na instituição, atrelados à competência
da equipe pedagógica e à importância
dada à formação de cidadãos
capazes de fazer a diferença no futuro. “Dessa
forma, vejo o marketing educacional como uma conseqüência
da qualidade do ensino, ou seja, ele vem reforçar
e deixar transparecer para a sociedade como um todo
o grau de excelência de uma determinada instituição”.
A seu ver, com um trabalho consistente na busca de valores
e aquisição de conhecimento, um colégio
com essa filosofia ocupa o seu lugar de direito na sociedade,
o que gera uma procura maior por parte de potenciais
alunos e faz com que haja um crescimento natural do
mesmo.
Não
há marketing sem qualidade pedagógica
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Para a professora
Maria Cristina Maia, mestre em Administração
pela UFF, doutoranda em Educação pela
Universidade Nacional de Cuyo, na Argentina, e consultora
da empresa Gate, especialistas apontam a importância
de as instituições de ensino investirem
no chamado marketing educacional. “O marketing
é trabalhado no ambiente das escolas desde o
processo de fidelização do aluno até
o incremento do número de matrículas.
Muitas lideranças e mantenedores educacionais
desde a década 90 tornaram-se mais sensíveis
à necessidade de pensar estrategicamente o plano
integrado de marketing de suas instituições
pela absoluta necessidade de sobreviver em um mercado
hiper-competitivo”. Para ela o risco do marketing
se sobrepor à preocupação com a
qualidade do ensino é uma visão totalmente
equivocada. “Se não houver consistência
pedagógica todo o investimento em marketing gera
resultado de curto prazo, mas sem sustentação.
“A excelência pedagógica é
premissa de tudo que se planeja e se executa numa instituição
de ensino”. Ela explica que o marketing interno
e externo é um poderoso mecanismo para fortalecer
a marca da instituição, alavancar as matrículas
e disseminar os diferenciais competitivos da instituição.
Mercado
não aceita mais a ‘propaganda enganosa’
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O
gerente de Marketing da Fundação Getulio
Vargas, Marcos Facó, explica que existe um interesse,
no momento, na transparência gerada entre a interação
de pessoas e empresas. “Não somente no
Brasil, mas em todos os cantos do planeta, ninguém
mais vai conseguir enganar os outros, ou melhor, praticar
a famosa propaganda enganosa”. Ele afirma que,
diferentemente da antiga crítica que lemos sobre
os filmes, livros e restaurantes, as realizadas pelos
consumidores são imparciais. “Mais ainda,
em alguns websites de leilões eletrônicos,
os compradores e vendedores se avaliam mutuamente. Reparem
nesse importante ponto: as pessoas que agem de má
fé são automaticamente avaliadas negativamente
e, como conseqüência, não encontram
mais interesse entre os potenciais compradores, acabando,
por fim, sendo excluídas. É a seleção
natural operando na internet”.
Ele sugere que se junte aos fatos acima a questão
dos rankings feitos por editoras e por órgãos
do MEC. A partir daí, acredita ele, teremos terreno
fértil para uma profunda alteração
na forma como os pais e estudantes buscam informações
sobre as escolas e faculdades. Segundo Marcos Facó,
no exterior já é possível verificar
essa situação. “Em várias
instituições de ensino superior já
existem equipes de profissionais dedicadas em analisar
os diversos formatos de rankings existentes com a finalidade
de aprimorar os resultados em atributos específicos,
visando uma melhor colocação. Ou seja,
as próprias instituições acabam
por avalizar os resultados dessas pesquisas no momento
em que anunciam nas mais diversas publicações
seus excelentes resultados”.
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