Mais
do que garantir a preservação da cultura
dos indígenas, o ensino desenvolvido em tribos
da Costa Verde do estado do Rio de Janeiro pode dar
bons exemplos às ‘escolas dos brancos’.
Preocupação coletiva com o desenvolvimento
do grupo, conceito de educação continuada
e preocupação legítima com o meio
ambiente são algumas das lições
que os homens das cidades bem que poderiam aprender.
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Identificar os saberes
milenares das culturas tradicionais como conhecimentos
dinâmicos e articulados e trabalhá-los
nas escolas públicas e de formação
docente do Estado do Rio de Janeiro. Este tem sido o
desafio do programa Educação Diferenciada
e Etnoconhecimento, desenvolvido pela Escola de Educação
da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
(UniRio).
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Coordenado por Maria
Amélia Reis, professora em pós-doutoramento
na Universidade de Coimbra e professora do Programa
de Pós-Graduação em Educação
da UniRio, o programa busca superar as lógicas
que apontam para a idéia de um saber/poder único,
que desconsidera as diferenças culturais. Para
tanto, alunos do curso de graduação de
Pedagogia fazem visitas sistemáticas a escolas
indígenas e quilombolas (afro-descendentes).
“Buscamos resgatar as tradições
orais e o bilingüismo como forma de permanência
identitária desses grupos. Por isso, enfatizamos
suas lutas pela educação diferenciada
e a reflexão sobre a importância do etnoconhecimento
para um etno-reconhecimento. Além dos alunos
da graduação, desenvolvemos trabalhos
com escolas de formação docente (curso
normal) e escolas públicas parceiras”,
explica Maria Amélia. O trabalho começou
com uma atividade do curso de Ciências Naturais
para a Educação Infantil, ministrado pela
educadora, que começou a levar seus alunos a
comunidades indígenas e quilombolas, pesquisando
o modo como eles ensinavam suas crianças. Posteriormente,
o projeto ganhou vulto, com três edições
do seminário “Educação Diferenciada
e Etno Reconhecimento”. “Eu tinha necessidade
de mostrar para os meus alunos que o ensino de Ciências
tinha que ser diferente; tinha que ter como foco principal
e eixo os conhecimentos daquelas populações
que estavam ali a aprender a ciência. Não
era simplesmente chegar e colocar os conhecimentos das
ciências de laboratório, das ciências
nobres. Porque, quando o aluno não relaciona
o conhecimento, os conceitos que são colocados
se tornam conhecimentos abstratos”, observa a
educadora. Dentre os projetos do programa, estão
publicações bilíngües produzidas
pelos representantes destas comunidades, incluindo materiais
didáticos (dicionário escrito e digital,
bilíngüe: um em guarani/português,
outro, em kibumdo/português) e também o
incentivo à economia solidária e ao cooperativismo,
de modo a possibilitar às comunidades indígenas
e quilombolas alternativas para sua sobrevivência.
Continua
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