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um passado não muito distante, era comum que
jovens migrassem das cidades interioranas para os grandes
centros em busca de uma formação superior.
A mudança, devido aos altos custos envolvidos,
acabava restringindo o acesso às universidades
somente a famílias com mais recursos. Hoje, contudo,
este cenário começa a se alterar. Instituições
de ensino, sejam públicas ou particulares, começam
a apostar na interiorização, criando campi
e unidades isoladas em regiões distantes das
capitais. A mudança de foco não representa
apenas um promissor mercado para a rede privada, como
também uma possibilidade real de desenvolvimento
para estas pequenas cidades.
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“Proporcionamos
para a região um ensino superior de qualidade,
e não temos dúvida alguma de que os milhares
de formandos que por aqui passaram contribuíram
e contribuem e muito para todo o desenvolvimento econômico
de nossa cidade e da região como um todo. Além
dos que aqui se formaram e se fixaram no Sul Fluminense,
muitos de nossos egressos são profissionais de
sucesso em todo Brasil”, acredita o reitor do
Centro Universitário Barra Mansa, Guilherme de
Carvalho Cruz. Entre as principais preocupações
das instituições situadas no interior
do estado, está o mercado de trabalho local.
“Sempre foi nossa preocupação atender
às demandas do nosso município. Por isso,
oferecemos cursos direcionados às necessidades
regionais. Hoje oferecemos mais de 26 cursos divididos
em licenciatura, bacharelado e tecnológicos com
esse objetivo, de levar mão-de-obra qualificada
à necessidade deste mercado. Temos também
diversos cursos de extensão e mais de 60 cursos
de pós-graduação estruturados,
e que são lançados conforme as necessidades
do mercado local”, salienta Guilherme.
O gerente de Comunicação, Marketing e
Eventos da Fundação Educacional Serra
dos Órgãos (Unifeso), situada em Teresópolis,
José Maria Carvalho, também salienta a
importância de se levar em consideração
as necessidades de cada região. “No nosso
caso, a maioria dos cursos foi criada para atender à
demanda local. A instituição também
tem o cuidado de fazer pesquisa de mercado antes de
implantar um novo curso”, conta. Segundo ele,
a instituição - que surgiu com o intuito
de evitar o êxodo de estudantes do município
- hoje é extremamente útil para o desenvolvimento
da cidade. “Ela é a segunda maior empregadora
de Teresópolis, com 1.750 funcionários,
só ficando atrás da prefeitura. A Feso
atrai estudantes de todas as regiões do país,
o que contribui para aquecer a economia e melhorar o
nível social e cultural da cidade”, argumenta.
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Na Universidade Severino
Sombra (USS), situada em Vassouras, alunos e docentes
realizam pesquisas relacionadas ao desenvolvimento da
região. É isso o que garante o reitor
Américo Carvalho. “Sendo a pesquisa um
dos tripés da formação universitária,
a USS, através de um corpo docente constituído
de mestres e doutores altamente qualificados e, com
a participação do nossos alunos, preocupa-se
com o conhecimento científico, bem como com o
desenvolvimento de pesquisas que atendam às necessidades
da nossa região”, salienta.
Instituições
realizam ações sociais junto às
comunidades
As instituições situadas em cidades distantes
dos grandes centros não se preocupam apenas em
atender ao mercado de trabalho local. Todas fazem questão
de ressaltar suas atividades junto às comunidades.
Atendimentos médicos e jurídicos estão
entre as práticas mais comuns oferecidas aos
moradores do interior. “Mensalmente são
organizadas diferentes atividades onde os acadêmicos
e professores de diversos cursos participam de encontros,
visando à integração e à
prestação de serviços à
comunidade. Semestralmente, são oferecidos dezenas
de cursos de extensão”, diz Guilherme de
Carvalho, da UBM. Segundo ele, também são
feitos atendimentos médicos e jurídicos.
“Temos os atendimentos gratuitos no Centro Integrado
de Saúde (CIS) no campus Barra Mansa e em postos
municipais nos bairros Vila Nova e Nove de Abril. No
Centro do Idoso e no Hospital da Mulher, em parceria
com o SUS, atendemos a população da cidade
que necessita de atendimento em Fisioterapia. São
feitos atendimentos gratuitos no Núcleo de Prática
Jurídica (NPJ) e as bibliotecas são abertas
para o uso também da comunidade”, enumera.
De acordo com José Maria, do Unifeso, a instituição
também realiza ações em prol da
comunidade. “Mantemos o Centro Cultural Feso Pró-Arte,
que oferece gratuitamente uma extensa programação
cultural durante o ano. Também temos a Univerti/Feso
que atende a população da terceira idade
com cursos em diversas áreas, e eventos como
palestras, debates e exposições para esta
faixa etária. Além disso, a instituição
é mantenedora das clínicas-escolas de
Fisioterapia, Medicina Veterinária e Odontologia
e do Núcleo de Prática Jurídica.
O Hospital das Clínicas de Teresópolis
Costantino Ottaviano, mantido pelo Unifeso, é
o único da cidade que presta serviços
de emergência pelo SUS, atendendo não só
à cidade, mas também à região”,
finaliza. Reitor da USS, Américo Carvalho garante
que sua universidade não fica para trás
quando o assunto são os projetos de extensão
junto à população de Vassouras.
“São muitas as ações que
a universidade desenvolve em seus projetos de extensão
junto à comunidade vassourense e da região.
Principalmente na área da saúde e da educação,
propiciando o despertar da cidadania através
do aprendizado constante e de suas ações
sociais desenvolvidas”.
Governo
aposta na interiorização de universidades
públicas
Com o objetivo de aumentar o número de jovens
no ensino superior, o governo federal está apostando
no projeto de expansão e interiorização
das instituições públicas. Durante
o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, foram criadas 10 unidades, entre universidades
e extensões de instituições já
existentes. A promessa de ampliar e interiorizar o ensino
continuou no segundo mandato.
Este ano, o Ministério da Educação
(MEC) já anunciou a extensão do campus
da Universidade Federal de Sergipe (UFS), em Itabaiana.
Também foi revelado que três novos campi
levarão a Universidade Federal do Piauí
(UFPI) ao interior do estado. Para os próximos
anos, o governo anunciou o Plano Plurianual (PPA), programado
para o quadriênio 2008-2011, e que prevê
a criação de 10 universidades novas, além
de 48 novos campi. “É importante que levemos
um projeto de desenvolvimento para estas regiões.
A Rural, por exemplo, teve sua última expansão
com um campus em Nova Iguaçu, que tem professores
concursados e toda uma estrutura própria. O mais
importante de tudo é realizar esta expansão
de maneira que o curso se mantenha.
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Acredito
que este trabalho é essencial e é papel
das instituições federais”, defende
o reitor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
(Rural), Ricardo Miranda. O dirigente ainda lembra que
essa interiorização consegue evitar que
estudantes saiam de sua cidade natal e não voltem
mais. “O jovem que está nestas cidades,
na maioria das vezes, não tem condições
de vir estudar na capital. E, quando vem, acontece um
outro fenômeno, pois este jovem formado dificilmente
retorna à sua cidade de origem. Quer dizer, a
riqueza que ele produz não vai para a sua região”,
esclarece.
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Reitor
da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf),
Almy Cordeiro Junior ressalta a importância da
existência de sua instituição para
a cidade de Campos dos Goytacazes e avisa que já
existe um projeto de expansão. “Muitos
não têm condições de sair
de Campos para estudar fora, pois o gasto é grande.
A Uenf é de fundamental importância para
o estado. No orçamento deste ano, incluímos
um projeto de expansão para o Noroeste Fluminense,
em municípios como Itaperuna e Pádua,
por exemplo. Inclusive, esta expansão é
uma determinação legal, faz parte da nossa
missão”, conta Almy. De acordo com o reitor,
o maior problema encontrado pelas instituições
para realização de sua interiorização
é o orçamento insuficiente. “Não
temos autonomia financeira e isso gera uma série
de dificuldades. Nos anos anteriores, a Uenf também
incluiu em sua proposta de orçamento valores
para a interiorização, mas o problema
se repete. Inclusive, já conversamos com diversos
prefeitos da região e eles estão de acordo.
A idéia é que a prefeitura também
entre com recursos nestas novas unidades. Claro que
nem todas têm condições de arcar
com isso, por isso buscamos o apoio do governo estadual”,
finaliza.
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