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As atitudes e posturas
dos professores em sala de aula podem contribuir tanto
para o sucesso quanto para o fracasso escolar dos alunos.
Dessa forma, é importante avaliar e apontar novos
caminhos para o trabalho docente. Marina Muniz Nunes
é pesquisadora da Fundação Carlos
Chagas e participa de uma pesquisa que objetiva avaliar
as posturas de professores de 1ª a 4ª série
em programas de capacitação, através
de simulações. “Os resultados das
simulações mostraram que as posturas mais
tradicionais foram pouco freqüentes ao final do
curso, o que permite supor que os resultados alcançados
apontaram na direção de uma mudança
de postura no que concerne à docência”,
afirma. Confira:
As atitudes
dos professores podem ser responsabilizadas pelo insucesso
do processo de aprendizagem? Por outro lado, que atitudes
tomar para garantir que todos os alunos aprendam?
Marina Muniz Nunes - Em primeiro lugar, acho
que vale a pena tentar entender o que estamos chamando
de atitudes ou posturas docentes. Adotamos como referência
a definição formulada pelo grupo do César
Coll: “posturas são tendências ou
disposições adquiridas e relativamente
duradouras, que levam as pessoas a avaliar, de um determinado
modo, um objeto, indivíduo, acontecimento ou
situação e a atuar de acordo com tal avaliação”.
Fazem parte das posturas três aspectos centrais,
que refletem a complexidade da realidade social: o cognitivo,
o afetivo e o da ação. Tanto a elaboração,
como a modificação de posturas, dependem
desses três aspectos, que atuam sempre de maneira
inter-relacionada. Partindo desse ponto de vista, as
atitudes docentes podem influenciar casos de fracasso
escolar, mas não se pode atribuir esse insucesso
exclusivamente à postura do professor. Por outro
lado, é inegável que determinadas posturas,
tal como aquelas que revelam preconceitos e desprezo
em relação à origem social do aluno,
descaso com a aprendizagem, falta de motivação
ou de vontade de fazer o melhor possível para
interessar o aluno e levá-lo a aprender, uso
excessivo de cópias e memorizações
são bons exemplos de como minar a relação
do professor com seus alunos e, conseqüentemente,
impedir o sucesso de toda a classe. Nesse sentido, podemos
dizer que posturas adequadas auxiliam o processo de
ensino aprendizagem, mas não constituem condições
por si só suficientes.
A sra. participa
de uma pesquisa na Fundação Carlos Chagas
voltada a discutir os instrumentos utilizados para aquilatar
mudanças de postura em um programa de capacitação
de professores de 1ª a 4ª série. Quais
são os objetivos deste trabalho e como se deu
a pesquisa? Quantos professores foram avaliados?
O início de nosso trabalho com avaliação
de posturas docente ocorreu na avaliação
externa que a Fundação Carlos Chagas realizou
para o programa da Secretaria Estadual de Educação
(SEE) de formação de professores em exercício,
chamado de PEC/Formação Universitária,
em abril de 2002. A pergunta central a ser respondida
naquele momento era: qual é o resultado de um
programa experimental de formação docente
que faz uso de multimídia, mesclando situações
presenciais e a distância? Para tanto recorremos
a freqüentes observações de campo
e desenvolvemos, em parceria com a Oort Tecnologia,
duas outras modalidades de instrumentos de avaliação:
questionários online e simulações,
que permitem avaliar a postura do aluno-professor frente
a situações cotidianas e identificar nelas
eventuais mudanças. Encerrada essa avaliação
nossa equipe deu seqüência ao estudo da avaliação
de posturas docentes realizando outras duas novas avaliações
para programas da SEE - PEC Município e PEC município
2ªedição (em andamento). Utilizando
as simulações desenvolvidas no primeiro
programa, passamos a trabalhar com um modelo de pré
e pós-teste com o objetivo de responder: a) quais
eram as posturas docentes dos alunos-professores no
início e ao final do curso; b) se a comparação
dos resultados obtidos nas duas etapas da avaliação
indicava ter havido mudanças significativas no
perfil das respostas apresentadas pelos alunos-professores
e c) se tais mudanças correspondiam ao que seria
esperado, evidenciando, assim, um efeito positivo do
Programa. A quantidade de alunos-professores avaliados
foi de 1.400 durante o PEC/Formação Universitária,
3.300 no PEC/Mu e 1.800 na primeira etapa do PEC/Mu
2ªedição
A avaliação
das atitudes dos professores neste programa foi feita
através do uso de simulações, a
partir de situações-problema. Quais são
os pontos positivos deste instrumento?
Trata-se de uma ferramenta construída exatamente
para fugir aos instrumentos convencionais de avaliação
que, em razão de seu caráter estático,
dificultam, e muito, uma apreensão adequada da
postura dos professores. Esse novo instrumento baseia-se
em situações-problema interativas, próprias
de sala de aula, que buscam detectar como os alunos-professores
se comportam diante delas. Dois pressupostos básicos
orientaram a elaboração desse instrumento.
Em primeiro lugar, considerou-se que, tal como atitudes,
posturas não podem ser avaliadas em um único
momento, nem em um único contexto. Em seguida,
ponderou-se que situações-problema que
reflitam a diversa realidade de sala de aula constituem
o ambiente ideal para se identificar posturas docentes.
Desse modo, uma postura pedagógica só
pode ser descrita e/ou avaliada se incluída em
um conjunto de simulações que, tratando
de temas afins, permitam apreender a postura em foco.
As situações-problema
foram escolhidas de modo a verificar que atitudes dos
professores?
A escolha das situações foi norteada tanto
pela relevância de alguns posicionamentos docentes
no cotidiano escolar como pela afinidade e adequação
frente aos objetivos do programa. As 17 situações-problema
transformadas em simulações foram planejadas
para verificar a postura do aluno-professor frente:
aos procedimentos didáticos, envolvendo conteúdos
básicos relacionados às áreas de
conhecimento; o reconhecimento e o emprego adequado
dos recursos e das tecnologias disponíveis; e
ao uso da teoria para orientar a prática docente
nos processos de ensinar, aprender e avaliar.
Quais foram
os resultados da pesquisa e como estão sendo
aproveitados? As atitudes dos professores se mostraram
mais tradicionais ou inovadoras?
Os resultados do Programa que foi avaliado no modelo
de pré e pós-teste, ou seja, no qual verificamos
as posturas docentes dos alunos-professores no início
e ao final do curso, indicam que cerca de 30% dos participantes
sofreram alterações de perfil –
e no sentido esperado - nas três posturas analisadas.
Mas além desse dado global, a pesquisa levanta
diversos pontos a serem analisados. Já citei
anteriormente que foram três as posturas docentes
analisadas e, para cada uma delas foram descritos três
perfis distintos nos quais se classificaram os professores.
Essas descrições servem tanto como diagnóstico
dos professores da rede como de material de estudo para
os gestores do curso em questão. Os resultados
das simulações mostraram que as posturas
mais tradicionais foram pouco freqüentes ao final
do curso, o que permite supor, que os resultados alcançados
apontaram na direção de uma mudança
de postura no que concerne à docência.
Identificou-se, ainda um grupo grande no qual a formação
pretendida pelo Programa parece ter sido, pelo menos
em tese, incorporada, muito embora ela ainda não
se mostre presente nas ações vinculadas
à sala de aula. Esse resultado, de um modo geral,
foi considerado bom, uma vez que mudar as formas de
pensar, de sentir e de agir não é nem
simples nem fácil.
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