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A
crise por que passa o setor educacional no Brasil tem
sido alvo da análise de vários especialistas.
Poucos investimentos, professores mal remunerados e
índices de qualidade abaixo da média quando
comparados com países mais desenvolvidos são
algumas das mazelas enfrentadas por quem trabalha com
educação no país. As estatísticas
relativas ao setor indicam que o Brasil está
num nível inferior, inclusive, a países
em estágio de desenvolvimento. Muitos deles são
nossos vizinhos de continente, como o Chile, por exemplo.
Para verificar a eficácia dos investimentos,
o Ministério da Educação (MEC)
criou o índice de desenvolvimento da educação
(Ideb). O indicador de qualidade pode ser aplicado às
redes escolares (municipais, estaduais e federais) e
especificamente às escolas e foi desenvolvido
com base nos resultados da Prova Brasil, do Sistema
de Avaliação da Educação
Básica (Saeb) e do Censo Escolar, instrumentos
de avaliação também criados pelo
governo.
Na escala de 0 a 10 do Ideb, a média brasileira
é 3,8, dado que revela problemas que afligem
o setor — como a evasão escolar —
uma vez que o fluxo escolar também integra o
cálculo do índice. Já a meta de
alcançar média 6,0 — nota média
dos países desenvolvidos — até 2022
indica um longo caminho a percorrer na universalização
não apenas do acesso, mas também da qualidade
da educação no país. No âmbito
das sugestões feitas por especialistas para melhorar
a situação, alguns itens foram apontados
como prioritários. Diminuição da
burocracia estatal, aumento de investimentos, a valorização
docente, o incremento à educação
profissional e a articulação das políticas
do setor com medidas de inclusão social são
alguns deles. Dentro deste contexto, aparecem ainda
propostas de novos paradigmas educacionais, voltados
para a formação integral do cidadão
e do ser humano.
Assim, no Dia do Professor, quando as atenções
da sociedade estão voltadas para as demandas
do setor educacional, representantes da comunidade acadêmica
nacional deixam sua opinião sobre o que deve
ser feito para que governantes e gestores da área
educacional possam investir de maneira qualitativa no
setor, ajudando a alavancar o crescimento econômico
e a inclusão social no país.
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Qual é o principal desafio da educação
no Brasil?
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Arno
Wehling, presidente do Instituto Histórico
e Geográfico Brasileiro
“O principal desafio na educação
do Brasil é a própria concepção
de educação. É preciso ter
uma concepção integrada, que desenvolva
o comportamento ético, o saber pensar e
o domínio de competências especializadas.
Antes, havia uma educação geral,
com pouca especialização. Depois,
veio a tendência à grande especialização.
E hoje, é preciso compatibilizar formação
geral humanista — que saiba fazer pensar
— reunida a uma formação especializada.
O desafio se agrava porque tudo isso tem que ser
feito, no Brasil, com falta de recursos e problemas
estruturais da sociedade. Contudo, o principal
desafio não está nesses problemas
e nem na falta de recursos, está nessa
nova concepção, que contempla os
aspectos intelectual, ético e de especialização
na formação. O mundo passa por mudanças
rápidas e soluções imediatistas
tendem a ser conjunturais. Com uma educação
integral, as pessoas estarão preparadas
para enfrentar novos desafios.”
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Cícero
Rodrigues, representante do MEC no estado do Rio
de Janeiro
“O principal desafio da educação
é fazer o povo, como um todo, entender
que esta não é uma questão
só do governo, de professores e de alunos.
Toda a sociedade tem que estar envolvida nesse
processo. O governo federal deu um passo importante
neste sentido, a partir da criação
do Plano de Desenvolvimento da Educação
(PDE). Mas o programa, para ter conseqüências,
necessita da responsabilidade de toda a sociedade.
E a sociedade ainda está pouco mobilizada
em torno da educação. As pessoas,
às vezes, não sabem o que está
acontecendo com seus filhos. Os pais precisam
se envolver com o que acontece na escola. Eles
podem ajudar a resolver problemas e devem fazer
cobranças aos governantes. O governo deve
suprir as necessidades básicas das escolas
para que haja melhoria no ensino. Mas os empresários
podem adotar escolas. O resultado positivo da
educação é fundamental para
a empregabilidade. Não estamos respondendo
à demanda por profissionais altamente qualificados
que está surgindo. A boa educação
se reflete nas empresas.” |
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Fernando
Arduini, presidente do Instituto A Vez do Mestre
“Eu centraria na questão no professor.
O principal desafio é valorizar os profissionais
de educação dando-lhes condição
de obter formas de se atualizarem, de melhorarem
seus perfis e, obviamente, receber o respeito
da sociedade pelo seu trabalho, inclusive através
de salários compatíveis com a função
deles. O professor é peça essencial
no processo de educação. Sua qualificação,
sua atualização e sua remuneração
são partes imprescindíveis deste
processo. No passado, o professor da escola pública
era mais respeitado pela sociedade. Com as grandes
mudanças em nossa sociedade, essa classe
perdeu status na remuneração e também
na sua formação. Porém, é
nesse profissional que depositamos a esperança
na formação de nosso povo para o
futuro. E, nessa situação toda,
também devemos observar com especial atenção
as condições de trabalho docente.” |
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Flávio
Rocha, diretor do Sistema Elite de Ensino
“Considero que o principal desafio da educação
brasileira é recuperar o atraso de muitos
anos com pouco investimento. As principais nações
desenvolvidas têm como base os investimentos
em educação, ciência e tecnologia.
No Brasil, esses setores ficam em segundo plano.
Temos recursos escassos para o setor que, muitas
vezes, perdem-se na burocracia e não chegam
aos alunos, técnicos e cientistas. Não
é preciso construir novos prédios
ou fazer mais obras. É necessária
uma mudança de paradigma. O foco tem que
estar no professor. Professores bem formados,
motivados e bem remunerados são a base
da revolução educacional brasileira.
Mas também é preciso paciência.
Mudanças como essas demoram de duas a três
décadas para serem bem sucedidas. Resta
saber se temos governos realmente preocupados
com o nosso futuro ou apenas com visões
imediatistas e eleitoreiras.” |
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Cesar
von Dollinger, presidente da Fundação
Euclides da Cunha
da Universidade Federal Fluminense (UFF)
“O principal desafio da educação
no Brasil é gerar conforto e bem-estar
para a população. Hoje em dia, a
educação não é mais
garantia de ascensão social, pois a sua
qualidade varia. A educação no Brasil
não tem o critério de méritos.
Por conta de um discurso de universalização
do ensino, não se faz com que pessoas tenham
o seu melhor desenvolvimento. No Brasil, existem
muitos discursos e poucos resultados. E, com certeza,
não é através de regime de
cotas que vamos resolver esse problema. Precisamos
investir na educação básica,
criando escolas públicas de qualidade,
de excelência, como acontece em outros países.
Estas escolas deveriam receber os melhores alunos
da rede e também todo o carinho e atenção
do poder público. Aí, esse grupo
ascenderia socialmente através da educação.
A escolarização no Brasil, hoje,
ainda não é garantia de ascensão
social. Mas também sem educação
não se vai a lugar nenhum.”
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Roberto
Vivas Sebastião Fontes, diretor pedagógico
do Colégio da Mabe
“O segredo da educação é
o desafio de sempre aprender, prosseguir, persistir,
modificar e reinventar constantemente. O grande
desafio da educação para as próximas
décadas é adequar a metodologia
de ensino às novas tecnologias (no século
passado, o novo conhecimento persistia por mais
de cinco décadas e, hoje, não sobrevive
cinco meses) e as aspirações da
sociedade a respeito de como a escola deve educar
as novas gerações. Quando falo em
tecnologia dentro da educação, não
estou falando em pirotecnia e, sim, de como podemos
utilizar este novo instrumento no auxílio
didático-pedagógico nas escolas.
Devemos adequar os currículos, reestruturar
o espaço da sala de aula, reciclar os professores
na utilização da modernidade de
forma séria e didática, para que
o aprendizado do alunado se torne, novamente,
prazeroso e eficiente, ou seja, uma nova motivação
para o conhecimento.”
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Fábio
Gonçalves, diretor da Academia do Concurso
Público
“O principal desafio da educação,
hoje em dia, é conseguir explicar para
a nova geração que existem várias
formas de empregabilidade. Os jovens precisam
saber que há oportunidade de ganhar dinheiro
através do trabalho. Por isso, é
preciso um trabalho conjunto de educadores e especialistas
para reduzir a violência, principalmente
nos grandes centros. É preciso usar a educação
para alavancar um processo de redução
de violência, principalmente nos grandes
centros. As escolas não têm foco
na empregabilidade e no exercício de uma
profissão. O desafio é apresentar
para a nova geração a educação
como uma possibilidade de inserção
social. Esse aspecto, atualmente, está
desvinculado da educação: os estudantes
se formam mas não vêem na sua formação
perspectivas de inserção social,
principalmente os das classes mais carentes.”
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Paulo
Cesar Teixeira, reitor do Centro Universitário
Celso Lisboa
“Um dos principais problemas da educação
brasileira, hoje, é o excesso de regulamentação
proveniente de órgãos do governo.
Existe um número muito grande de atos normativos,
leis, decretos-leis, resoluções,
portarias e pareceres. O volume é denso
e, muitas vezes, contraditório, o que faz
com que os gestores das instituições
de ensino superior aloquem uma grande parte de
seu tempo para se dedicarem ao entendimento e
à interpretação de atos de
natureza legal. Com isso, nós, gestores
do ensino superior, temos dificuldades de nos
dedicarmos àquilo que é importante
numa instituição de ensino, que
é a sala de aula. Essa burocracia aumenta
os custos da gestão universitária.
A situação se torna negativa porque
agrega muito pouco valor à educação,
no sentido de que repercute muito pouco na sala
de aula. Nos outros países, de uma maneira
geral, a gestão universitária é
muito flexível. O mercado de trabalho é
o melhor agente regulador.”
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Maria
Cristina Lacerda, vice-presidente educacional
da Fundação de Apoio à Escola
Técnica do Estado do Rio de Janeiro (Faetec)
“O maior desafio da educação
profissional no Brasil, hoje em dia, é
acompanhar as evoluções científicas
e tecnológicas, que interferem nos sistemas
de gestão, perpassam as relações
de trabalho e exigem, por isso, um novo trabalhador.
Este trabalhador, além da formação
específica para determinada área
de atuação, necessita ter uma visão
sistêmica do contexto em que está
inserido, responsabilidade social, ética
e uma postura profissional inovadora e empreendedora.
Cabe à educação profissional
atender essas demandas, propiciando um programa
de formação moderno, harmônico
e eficiente.” |
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