Debate necessário  
 
Adolfo Martins (*)
 
 

O Dia do Professor é uma data emblemática. Cada 15 de outubro instiga-nos a uma reflexão sobre os rumos da Educação em nosso país. Como já se tornou tradição em nosso jornal, celebramos esta data com um suplemento plural, abordando vários ângulos da problemática socio-educacional e estimulando o debate da comunidade educacional.

É um debate que busca colocar em pauta nossas fragilidades, nossos avanços, nossas carências e nossas necessidades emergenciais no campo da Educação, um terreno fértil para a retórica demagógica que se distancia, muitas vezes, das soluções necessárias e inadiáveis.
Neste suplemento especial, fervilham idéias várias, ecoam vozes de educadores de diferentes matizes, mas todas canalizadas para uma vertente central que é a valorização da Educação, o que significa a própria valorização do professor, esse agente social que exerce um papel estratégico para o desenvolvimento do país.

É um suplemento que questiona a Educação da mesmice. Do privilégio. Do indivíduo mínimo. Do deficiente cívico. Da indigência cidadã. Do analfabeto social. E que propõe a Educação do sonho. Da utopia. Da esperança. Da solidariedade.

É um trabalho jornalístico que critica, na sua essência, a Educação do atalho fácil. Das frases feitas. Do simplismo pedagógico. Da panacéia dos almanaques. Da pobreza de idéias. E sugere uma Educação do questionamento. Do confronto de idéias. Da mobilização de energias. Da transformação social. Do inconformismo. Do agir. Do fazer. Em muitas de suas páginas, podemos encontrar a preocupação daqueles que não concordam com a Educação do utilitarismo. Do tecnicismo. Do economicismo. Dos desejos midiatizados. Da alienação. Do quietismo. Da resignação.

E, por isso, clamam por uma Educação que seja instrumento efetivo na busca da igualdade de oportunidades. Da política inclusiva. Da trincheira ética. Do crescimento humano. Da inserção social. E isso é muito diferente da Educação que serve apenas como reprodutora de um sistema da concentração de renda. De um modelo econômico perverso. De uma globalização desumanizante. Da excludência. Da falta de horizontes. Da violência.

Neste suplemento, estão presentes muitas instituições que nos trouxeram seu apoio, viabilizando o debate que se impõe para que a Educação se transforme no epicentro do processo de desenvolvimento social, contribuindo para o início de um ciclo virtuoso (o mesmo que se desenha para o crescimento da economia) e, através dele, ajudar a vencer o medo, que tem enclausurado a sociedade nas grades de sua própria violência social, materializada pela ignorância, pela miséria e pela marginalização de tantos.

(*) Diretor-fundador do Grupo Folha Dirigida