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Thelma Bastos: leia a segunda parte da entrevista


Acompanhe a segunda parte da entrevista com Thelma Bastos, candidata à prefeitura do Rio de Janeiro. Perdeu a primeira parte? Então, clique .
 
A senhora fala em valorizar o professor, mas como isso poderá ser feito?
Primeiramente, aumentando o piso. Nós sabemos que há um projeto federal para diminuir o piso nacional, que já é uma piada. Se em lugares como Brasília o piso é de R$5 mil, aqui, no Rio, nós, professores, não conseguimos garantir o sustento da nossa família trabalhando em uma escola só. Precisamos de três períodos de trabalho, o que nos deixa sem tempo para os nossos próprios filhos. Então, primeiramente, precisaríamos garantir um piso de, no mínimo, R$5 mil para os trabalhadores. Como conseguiremos isso, com o orçamento reduzido? O orçamento só está reduzido porque o dividimos com empresários. Então, antes de qualquer coisa, temos que garantir o orçamento público para os setores públicos e, em segundo lugar, organizar os educadores para uma luta efetiva, a fim de garantir a sua valorização.

E a senhora, que é pedagoga, vai manter uma política de concursos regulares para a área de Educação, sobretudo para o magistério?
Nós precisaríamos aumentar a quantidade de professores no município em no mínimo 50%, para garantir uma qualidade de trabalho. Isso porque o ideal seria reduzir a jornada de trabalho do professor, para garantir uma educação de qualidade, o que exige mais profissionais.
 
 
A prefeitura abriria este ano um concurso para agente educador, mas foi adiado após a Comissão de Educação da Câmara propor a alteração da escolaridade, do nível fundamental para o médio/técnico em técnico de apoio escolar. Não considera um exagero?
Não seria um "exagero". O que eles querem é adiar a contratação. Quanto mais eles puderem reter o orçamento para as "maracutaias" que fazem com instrumento público, melhor. É necessário contratar? Abre o concurso e contrata! O importante é o interesse da educação pública, e não os recursos dos empresários que financiaram as campanhas.

Há outras carreiras da área de Educação em que a senhora enxerga a necessidade de concursos?

Todas, porque a gente vive um processo de privatização, por meio de OSs, e de terceirização. O ideal seria que todos os funcionários fossem concursados: o professor, o diretor, a merendeira, o porteiro, o faxineiro... Não haveria necessidade de terceirização, de privatização e de OSs. Esse tipo de coisa é para financiar os tubarões, que lucram com o dinheiro público. Aí sim: essa escola teria eleição para diretor, envolvendo a comunidade escolar - tanto a faxineira, quanto o porteiro, quanto a merendeira -, e aí sim teríamos uma comunidade atuante em prol da educação.

A Guarda Municipal abriu concursos em 2012, para 2 mil vagas de guarda municipal e 126 para cargos administrativos. Para guardas, apenas 300 foram convocados. Na área de apoio, nenhum aprovado foi chamado. Qual sua opinião sobre isso?
Nós, do PCO, consideramos qualquer tipo de polícia prejudicial para a classe trabalhadora. Nós achamos que o correto seria a organização de milícias populares, eleitas pela comunidade e controladas por ela.

Em quais outras áreas da administração a senhora já detectou carência de pessoal?

Se nos dedicamos a um governo dos trabalhadores, inevitavelmente lutamos para que esses profissionais participem do governo. Se fizermos um levantamento pelas organizações sindicais, conseguiremos ter uma ideia da falta de servidores públicos que existe na área administrativa. E são essas organizações que precisam fazer essa cobrança e garantir, numa prefeitura da classe trabalhadora, a contratação e o concurso para que seja organizada a cobertura desse setor.

A Constituição Federal, que estabelece a contratação por concurso, foi promulgada há quase 30 anos, mas até hoje não existe uma regulamentação de concursos no país. Apenas o DF possui uma lei específica. A OAB-RJ está elaborando uma proposta de Estatuto do Concurso Público para ser encaminhada ao prefeito e ao governador, de forma que possam enviá-la ao Legislativo. A senhora assume o compromisso de enviar esse anteprojeto de lei da OAB à Câmara?

Os PLs não dependem do compromisso de nenhum candidato que vier aqui. Então, qualquer medida que a prefeitura queira tomar precisará de uma ampla mobilização dos trabalhadores, para garantir que seja aprovada.

Em todas as eleições, ouvimos muitas promessas de melhorias, mas depois que o candidato se torna prefeito, não cumpre o prometido. Quais as garantias que a senhora dá à população de que cumprirá todas as metas de campanha?
Nenhuma, porque eu acho uma hipocrisia e um cinismo muito grandes vir aqui garantir algo, porque nós já tivemos essa experiência. São anos de democracia no país e nenhuma promessa foi cumprida até hoje. A única garantia da nossa candidatura é que vamos impulsionar uma mobilização no Rio, e nacionalmente, contra um golpe, contra os PLs que congelam as verbas para a educação e para a saúde, que querem aprovar uma Reforma da Previdência que escravizam o trabalhador. Nós garantimos que vamos defender e fazer o possível para mobilizar a classe trabalhadora contra a flexibilização das leis trabalhistas, porque isso, sim, vai atingir em cheio a classe trabalhadora do nosso município. Então, a garantia é que a gente vai continuar na luta, do lado de quem está mais precisando e denunciando os processos de privatização, terceirização e sucateamento dos serviços públicos da cidade.

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