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Vestibulares: uma dura maratona para os estudantes

A defesa de unificação dos concursos das instituições públicas é lembrada como uma atenuante para o problema

Professores experientes analisam ensino médio e apresentam sugestões
 

Não é de hoje que professores e alunos reivindicam a unificação dos vestibulares como forma, não só de baratear o custo da seleção para as universidades e candidatos, como também de poupar esses últimos de uma estressante e longa maratona de provas. Em jogo, o interesse de cada universidade em defender o perfil de sua avaliação — fator apontado pelos coordenadores dos vestibulares como principal entrave à unificação.

Lidando diariamente, e há muitos anos, com jovens que passam pela angústia dos vestibulares, os professores Ayrton de Almeida, diretor-presidente do Colégio/Curso GPI, e José Carlos Portugal,
diretor da Rede MV1 de Ensino, analisam também outro tema do momento: a reserva de vagas na Uerj. Os professores destacaram que a reserva encobre um sério problema, que é a necessidade urgente de melhorar o ensino médio das escolas públicas.


Professor Ayrton de Almeida, diretor-presidente do Colégio/Curso GPI

FOLHA DIRIGIDA - Quais são, hoje, as principais dificuldades na preparação dos alunos para o vestibular?
Ayrton de Almeida - O extenso programa é um desafio que os melhores cursos superam pela qualidade dos seus professores. No entanto, considero que o programa deveria ser revisto e atualizado.

FOLHA DIRIGIDA - Que impacto novidades como a reserva de vagas para alunos da rede pública e o ingresso através do resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) trouxeram ao processo do vestibular?
Ayrton de Almeida
- Considero fundamental a melhora do ensino médio público. Qualquer outra medida tomada será apenas paliativa, com o agravante de prejudicar o nível da educação no ensino superior. É preciso encarar a Educação como prioridade. Numa época onde o conhecimento torna-se decisivo é preciso oferecer à população uma educação pública de qualidade. Louvo a aplicação do Enem como uma iniciativa importante, mas não acredito que ele substitua o vestibular, embora ambos possuam muitos aspectos parecidos.

FOLHA DIRIGIDA - É sabido como é caro participar dos vestibulares, uma vez que cada universidade cobra sua taxa, e também como é desgastante a maratona de provas. Assim, a unificação do vestibular seria uma saída possível? Quem ganharia e quem perderia com isso?
Ayrton de Almeida - A unificação do vestibular seria o ideal, caso seguisse o modelo do Exame Nacional do Ensino Médio, buscando a interdisciplinaridade e a contextualização das questões. Os alunos e professores do ensino médio estão atordoados com a multiplicidade de modelos, de inscrições e de calendários. Quero, inclusive, destacar que não estou solicitando o retorno ao vestibular de múltipla-escolha, adotado nas décadas de 70 e 80, mas a uma racionalização do calendário e a adoção de uma diretriz moderna de contextualização e interdisciplinaridade determinada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Considero que pelo menos uma primeira fase poderia ser unificada com questões de múltipla-escolha. Neste caso, os candidatos fariam as opções de universidades em que desejariam estudar, de acordo com a classificação.

FOLHA DIRIGIDA - O nível das provas elaboradas pelas bancas dos principais vestibulares do Rio de Janeiro é satisfatório? As questões e os modelos apresentados medem de forma eficiente e ampla o conhecimento adquirido no ensino médio?
Ayrton de Almeida - O nível das provas tem melhorado, mas considero que novamente teremos que nos reportar à unificação do vestibular. A adoção de um modelo único representaria um ganho para todos, pois neutralizaria a angústia dos jovens que se preparam para várias provas diferentes. Se é possível simplificar o processo por que não tentar?

FOLHA DIRIGIDA - O ano que antecede a realização do vestibular é de grande angústia e indefinição para os jovens. Os professores estão preparados para lidar com os aspectos psicológicos que envolvem os estudantes durante este processo?
Ayrton de Almeida - Sim. Os professores que atuam em instituições consagradas, com serviços prestados a diversas gerações da nossa sociedade, estão acostumados a enfrentar a pressão que uma competição como o vestibular proporciona. Portanto, não existe mistério nesta questão. Basta realizar uma preparação de alto nível, que exige uma base educacional sólida e o intenso compromisso com a cidadania e a eficiência. E neste sentido, quero destacar que estamos bem servidos.



Professor José Carlos Portugal, diretor da Rede MV1 de Ensino

FOLHA DIRIGIDA - Quais são, hoje, as principais dificuldades na preparação dos alunos para o vestibular?
José Carlos Portugal - A maratona de provas é que causa grande prejuízo à preparação. Os professores acabam tendo que acelerar a matéria e compartimentá-la para não prejudicar os candidatos.

FOLHA DIRIGIDA - Que impacto novidades como a reserva de vagas para alunos da rede pública e ingresso através do resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) trouxeram ao processo do vestibular?
José Carlos Portugal - Por enquanto, é pura demagogia. A proposta é generosa para os alunos das escolas públicas, mas sem dúvida é uma ameaça à qualidade do ensino superior. Infelizmente, os alunos das escolas públicas, com raras exceções, são prejudicados pela falta de professores, e de preparo indispensável para permitir a desejável homogeneidade das turmas do ciclo básico.

FOLHA DIRIGIDA - É sabido como é caro participar dos vestibulares, uma vez que cada universidade cobra sua taxa, e também como é desgastante a maratona de provas. Assim, a unificação do vestibular seria uma saída possível? Quem ganharia e quem perderia com isso?
José Carlos Portugal - Da noite para o dia, sem uma indispensável carência, o ensino médio é informado que uma universidade aplicará um modelo com prova de qualificação, outra, aplicará prova de Redação eliminatória, outra manterá o modelo anterior, sem contar com o varejo de vestibulares de instituições que semanalmente oferecem oportunidades de ingresso. Quem perde é a sociedade de uma forma geral, principalmente alunos e familiares. É fundamental eliminar as vaidades e pensar exclusivamente no bem-estar dos candidatos e na racionalização do calendário. Com isso, as taxas seriam reduzidas e o acesso ao ensino superior seria, efetivamente, democratizado.

FOLHA DIRIGIDA - O nível das provas elaboradas pelas bancas dos principais vestibulares do Rio de Janeiro é satisfatório? As questões e os modelos apresentados medem de forma eficiente e ampla o conhecimento adquirido no ensino médio?
José Carlos Portugal - O ideal, como todos sabem, seria a realização de um modelo único, pois é justamente a grande variedade de modelos adotados no vestibular que prejudica a preparação dos candidatos. Por isso, apesar de diversas provas serem bem preparadas, a unificação atenderia a todas as exigências dos alunos e certamente a seleção seria exclusivamente pelo mérito do candidato e não por sua resistência física.

FOLHA DIRIGIDA - O ano que antecede a realização do vestibular é de grande angústia e indefinição para os jovens. Os professores estão preparados para lidar com os aspectos psicológicos que envolvem os estudantes durante este processo? Eles têm formação e orientação adequadas para lidar com esse processo?
José Carlos Portugal - É fundamental neste momento estabelecer uma sincera parceria com a escola. Somar esforços para um diálogo coerente. Sozinha, nem a família, nem a escola, conseguem educar. Como o vestibular é uma competição já sedimentada as principais instituições possuem professores experientes e capacitados para neutralizar este tipo de pressão.

 
 
 
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