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José Goldemberg tem vida pública
tão extensa e versátil como seu
currículo. Foi ministro da Educação
do controverso governo Collor de Mello e, hoje,
é secretário de Meio Ambiente do
Estado de São Paulo, governado por Geraldo
Alckmin, do PSDB, partido entre os mais ativos
na luta pelo impeachment do ex-presidente.
Sua estreitíssima relação
com o falecido André Franco Montoro também
não impediu que assumisse a pasta da Educação
no governo de Orestes Quércia e, nos anos
70, esteve próximo do governo militar de
Ernesto Geisel, presidindo a Sociedade Brasileira
para o Progresso da Ciência (SBPC). Hoje,
sustenta que nada o impediria de atender ao PT,
se o partido assim desejasse.
Como ministro da Educação, entre
agosto de 1991 e agosto de 1992, carimbou sua
gestão com a apresentação,
ao Congresso Nacional, de um projeto de autonomia
universitária cujas propostas entravam
(e ainda entram) em sintonia fina com a docência
superior: o Governo dá os recursos, a universidade
aplica como quer.
Gaúcho de Santo Ângelo, 74 anos,
Goldemberg é doutor em Ciências e
tem, também, vasta trajetória acadêmica.
Foi professor das universidades de Toronto (Canadá),
de Paris, de Princeton (EUA), de Standford (EUA)
e da Academia Internacional de Meio Ambiente de
Genebra. Ainda integra o quadro docente da Universidade
de São Paulo (USP) e começou sua
vida escolar no Colégio Estadual Júlio
de Castilhos, no Rio Grande.
Foi em seu gabinete, na Secretaria de Meio
Ambiente de São Paulo, que falou à
Folha Dirigida dos planos que o Projeto de Reconstrução
Nacional tinha para a educação brasileira.
Folha Dirigida Ter o nome vinculado
a um governo que terminou com sua imagem política
comprometida o afetou de alguma forma?
José Goldemberg O fato de eu
continuar na vida pública e ser secretário
do Meio Ambiente do Estado de São Paulo,
do PSDB, que foi um dos partidos que mais lutaram
pelo impeachment, é a resposta. Apesar
de pertencer ao governo de Collor, jamais pertenci
a nenhum partido político, de modo que
a minha presença no ministério se
devia a razões técnicas e não
políticas. Jamais tive qualquer apadrinhamento
político, meu apadrinhamento é ter
presidido a SBPC, portanto, um representante legítimo
da comunidade científica e universitária.
Além disso, de todos os ministros do Collor,
fui o único que pediu demissão dois
meses antes do impeachment. Quando me convenci
de que a Operação Uruguai (empréstimo
de 5 milhões de dólares obtido no
Uruguai por Cláudio Vieira, ex-secretário
de Collor) era fabricada, achei que não
podia permanecer e pedi demissão. Quando
me convenci de que havia um procedimento no círculo
íntimo do presidente que não era
compatível com o que eu pensava de um governo
da República, foi a gota dágua.
Folha Dirigida Diante de uma
possível ascensão de Collor, o senhor
não aceitaria mais integrar seu governo?
Goldemberg Essa pergunta me foi feita
há alguns anos, em relação
ao Lula. Em relação ao Collor, é
a primeira vez que me fazem. Eu fui secretário
de Educação do Estado de São
Paulo, do governador (Orestes) Quércia,
que não era um dos dez políticos
preferidos do governador (Franco) Montoro. Sempre
fui muito ligado ao Montoro, não por razões
políticas, mas por razões de amizade,
e mesmo assim fui secretário de Quércia.
Eu não teria nenhuma dúvida em retornar
ao ministério com o Collor, ou mesmo com
o Lula, porque eu exerceria uma função
técnica e profissional. Certamente não
aceitaria qualquer intervenção política.
Folha Dirigida Quais metas o
Plano de Reconstrução Nacional tinha
para a educação?
Goldemberg O interesse do Collor em
educação, que era bastante grande,
tinha características brizolistas fortes.
O que ele queria era um grande programa de Ciacs
e é claro que traria no seu bojo a eliminação
do analfabetismo e redundaria em todos na escola,
inclusive em tempo integral, reduzindo a criminalidade.
É claro que o programa tinha sido formulado
muito mais como um conjunto de obras públicas,
do que como um projeto educacional. Isso cria
um grande impacto.
Folha Dirigida Qual era o seu
papel no ministério?
Gondemberg O meu papel era justamente
o de tentar dar conteúdo educacional a
este programa, que acabou mudando de nome e em
vez de Cieps ficou Ciacs, mas era basicamente
um programa de inspiração no Darcy
Ribeiro. Eu acho que foi um desperdício
para o país esse programa não ter
tido andamento. Era perfeitamente razoável.
Exigiria recursos, evidentemente, mas o interesse
político do presidente favorecia isso.
Folha Dirigida A principal crítica
que se fazia aos Cieps era que o projeto arquitetônico
suplantava o pedagógico. Isso o preocupava?
Goldemberg O governo Collor não
se preocupou com isso até eu ser ministro,
mas quando assumi a ênfase era exatamente
essa, de desenvolver um projeto educacional compatível.
Folha Dirigida Podemos dizer
que a política de centralização
de recursos no ensino fundamental, enfatizada
por Paulo Renato, começou em sua gestão?
Goldemberg Eu acho que sim. Se bem
que praticamente todos os governos das últimas
décadas vêm dando grande ênfase
à educação fundamental. Algo
que não teve um grande andamento no governo
de Fernando Henrique foi a área universitária.
Como fui reitor da USP, ao mesmo tempo que me
interessava pelo andamento dos Ciacs, tentei fazer
a reforma necessária na área do
ensino superior. E era um projeto muito simples,
um projeto de autonomia. Nesse ponto realmente
houve um retrocesso no governo Fernando Henrique,
porque a autonomia não progrediu nos dez
anos que deixei o ministério.
Folha Dirigida O estreitamento
entre universidade e governo, do qual Collor falava,
se efetivou? Os apelos pela modernização
dos equipamentos foram atendidos? Havia recursos
disponíveis?
Goldemberg Fiquei no ministério
muito pouco tempo, apenas um ano, e o governo
Collor durou dois anos e meio; mas durante o período
em que fui ministro, negociamos um empréstimo
com o Banco Mundidal para fazer isso e tinha produzido
uma reforma para a Constituição,
dando autonomia às universidades. Foi com
essas idéias que conduzi a USP. Sua dinamização,
que ocorreu no período em que fui reitor,
se deve basicamente ao empréstimo que consegui
do BID, de 100 milhões de dólares,
e ao fato de eu ter conseguido do governo estadual
a autonomia.
Folha Dirigida Essa corrida
ao capital externo não é responsável
pela perda da autonomia dos programas sociais?
A dependência econômica não
gera a perda da liberdade política?
Goldemberg Você deve ter sido
uma militante da UNE. O empréstimo é
contraído pela universidade, mas quem paga
é o estado. Evidente que os empréstimos
internacionais têm efeitos macroeconômicos,
porque os bancos internacionais fazem exigências
sobre superávit fiscal, como agora é
o caso do FMI. Quando a USP fez o empréstimo
de 100 milhões de dólares, ela recebeu
este valor, mas quem pagou foi o Governo Estadual
e nunca se ouviu falar, dentro da USP, de qualquer
subordinação. As condições
são macroeconômicas, mas a universidade
utilizou os recursos com absoluta autonomia.
Folha Dirigida Fala-se que,
em conseqüência da dívida, os
países ricos têm um modelo de educação
para os periféricos.
Goldemberg Você quer minha
opinião clara sobre isso? Bobagem. São
grupos radicais dentro da universidade, coorporativos,
que querem desenvolver seus próprios projetos
políticos, que não estão
voltados para a melhoria do ensino e pesquisa.
Isso é conversa. As idéias da missão
Atcon, de quando éramos criancinhas, que
fixaria as normas da educação brasileira,
é o programa que deu origem à Capes,
que hoje é a Nossa Senhora da educação
brasileira. Quem salva o ensino superior brasileiro
é a Capes, que fornece bolsas para as pessoas
irem para o exterior. Na época, era acusada
de ser instrumento da intervenção
americana. A interferência dos empréstimos
internacionais em educação inexiste.
Agora, que isso afeta o déficit público
e as condições macroeconômicas
do país, afeta. Mas algumas centenas de
milhões de dólares são muito
pouco, perto dos 30 bilhões de dólares
que estão devendo.
Folha Dirigida O conceito de
autonomia do governo, hoje, é de que as
universidades criem recursos para sustentar seus
programas. Em conseqüência disso, temos
a Coppe/UFRJ gerando divisas com tecnologia de
pesquisa de petróleo em águas profundas,
mas apenas setorialmente, a despeito dos outros
segmentos da universidade.
Goldemberg A autonomia que eu defendi
não foi essa. Na autonomia que não
apenas defendi, como implantei na USP, o governo
atribui determinada quantidade de recursos à
universidade e ela gere de forma autônoma.
Aqui em São Paulo o governo passa 10% do
ICMS para as universidades e elas gerem. Isso
é autonomia. Mas é claro, se o departamento
de engenharia tem capacidade de captar recursos,
seja com a Petrobras, ou de outro setor, ele capta
mais.
Folha Dirigida E a pesquisa
social, a pesquisa básica, como se vincluam
a esse conceito de autonomia?
Goldemberg Os recursos do estado devem
manter todas essas atividades, como um curso de
latim ou de grego, que nunca vão dar retorno.
Esse é o conceito de autonomia. A autonomia
a que você se referiu, captando recursos
externos, é um procedimento que, em vez
de autonomia, cria dependência do mercado.
Hoje tem petróleo, mas amanhã acaba
e os recursos acabam também. Este não
é meu conceito de autonomia. Temos que
ter recursos públicos, que serão
geridos de maneira independente pela universidade,
sem interferência dos outros órgãos
governamentais.
Folha Dirigida O Mercosul, que
teve seus momentos iniciais no governo Collor,
refletiu favoravelmente na educação?
Existe alguma conexão entre Mercosul e
educação?
Goldemberg Nenhuma. Na época
eu era ministro e foi feita uma reunião
com autoridades da Argentina e Uruguai para tentar
uma área de cooperação universitária,
como o reconhecimento de diplomas, mas não
houve nenhum interesse e nenhum avanço.
Folha Dirigida O programa de
desestatização nacional, intensificado
no atual governo, foi implantado no governo Collor.
Vê resultados positivos para o país?
Goldemberg Se fosse com a Educação
eu responderia... Eu não sou contrário
às privatizações como tais,
mas isso não é coisa de educação.
Folha Dirigida Quais benefícios
a lei de patentes, apresentada durante o governo
Collor, trouxe para o Brasil?
Goldemberg A lei de patentes foi
introduzida no Congresso pelo governo Collor,
mas só foi aprovada vários anos
depois, em 1995. Ela dizia respeito principalmente
a medicamentos e, na época, o que precedeu
o governo Collor foi uma política de reserva
de mercado, que deveria teoricamente ter fechado
o Brasil dentro de barreiras alfandegárias
elevadas e permitido o desenvolvimento de tecnologia
própria. Só que estas idéias
são típicas idéias brilhantes
que os militares têm, mas com pouco de realidade.
Foi um sonho de uma noite de verão. Nem
a França conseguiu isso. A Lei de Patentes
era um dos instrumentos para permitir a entrada
de tecnologia do exterior e, no mundo globalizado,
eu acho que essa lei representou um avanço.
O que acontece é que o que se quis fazer
na informática aqui no Brasil não
era suficiente, como não foi suficiente
em país algum, isto é: uma política
de reserva de mercado. A lei de patentes abalou,
mas não era uma boa política para
o Brasil.
Folha Dirigida Abertura de mercado
não gera desemprego?
Goldemberg Eu queria ver se na sua
casa só tivesse televisão preto
e branco, viu? Na verdade não gerou desemprego,
foram outras coisas que geraram, coisas da política
macroeconômica. É a falta de competitividade
dos produtos nacionais que gera desemprego. Em
Taiwan não tem desemprego.
Folha Dirigida Mas competitividade
sem estímulo, sem recursos, favorecendo
o produto estrangeiro com baixas tarifas? Essa
política protege o emprego?
Goldemberg Esse não é
um assunto que diga respeito à educação,
então eu não responderei.
Folha Dirigida Como avalia as
políticas posteriores a sua, de Murílio
Hingel e Paulo Renato?
Goldemberg Sobre Murílio
não tenho a mínima opinião,
porque ao que tudo indica o que tentou fazer foi
obter declarações bombóricas
em relação à eliminação
do analfabetismo...
Folha Dirigida Bombóricas?
Goldemberg Ações eloqüentes,
como eliminar o analfabetismo em 10, 15 anos.
Mas nunca vi isso em ações concretas.
Depois veio o Paulo Renato, fez coisas interessantes,
principalmente na área do ensino fundamental,
que tiveram progressos importantes.
Folha Dirigida Poderia pontuar?
Goldemberg O programa de livros
didáticos, da merenda escolar, o bolsa-escola.
Agora, na área universitária, ainda
hoje há uma fermentação e
insatisfação. Foram produzidos muitos
exames e avaliações, que são
criticados. Existem outros instrumentos de avaliação,
mas eles acabaram se tornando um instrumento de
marketing do governo. Existem outros instrumentos
para avaliar.
Folha Dirigida Citaria alguns?
Goldemberg A aferição
que a Capes faz é muito boa. Faz soberbamente
bem. Mas ela não pergunta para os alunos,
ela cria parâmetros e avalia.
Folha Dirigida Acredita que
Paulo Renato, em oito anos, tenha feito uma gestão
efetivamente de continuidade?
Goldemberg Acho que sim. Sou contrário
à reeleição de governantes
em geral. Sou como o Mário Covas, acho
que a reeleição não é
uma boa coisa. Se um governante não consegue
implantar as reformas que deseja em quatro anos,
deve dar oportunidade para outro. Mas em áreas
técnicas, como a educação,
a permanência por um período longo
é boa, até porque os resultados
não são imediatos. Foi o caso do
(Gustavo) Capanema, que esteve com (Getúlio)
Vargas e acabou ficando quase 12 anos. Nessas
áreas é bom ter um ministro por
mais tempo.
Folha Dirigida Como o senhor
analisa o quadro atual da SBPC? Qual a importância
da instituição para o desenvolvimento?
Por que está, hoje, politicamente dividida?
Goldemberg São essas intrigas
de carioca e você deve ser uma delas, não
é? A SBPC tem um papel histórico,
seu ápice foi em 1978, 79, no período
militar, e aos poucos ela foi se despolitizando.
Hoje os jornais dizem que as reuniões da
SBPC são muito despolitizadas. Porque agora
a política se faz dentro dos partidos políticos,
e graças a Deus!
Folha Dirigida Qual o papel
da SBPC?
Goldemberg Ela tinha um papel político,
porque defendia a ciência e os cientistas,
e era uma das armas de resistência da sociedade
civil. Na época em que fui presidente,
havia inclusive divergências, porque as
pessoas traziam para dentro da SBPC a defesa dos
camponeses sem-terra, por exemplo. Eu achava isso
incorreto, embora seja uma pessoa progressista.
Eu acho que não cabia à SBPC essa
defesa política. E é claro, com
o fim do regime autoritário, a importância
política desapareceu e ela voltou para
o seu leito natural.
Folha Dirigida O senhor sabe
que ela está à míngua?
Goldemberg Porque o CNPq, de quem
recebe recursos, está à míngua.
Folha Dirigida Como vê
o tratamento do governo à pesquisa?
Goldemberg Não sei responder
esta pergunta com precisão, porque toda
a retórica do governo foi que aumentaram
os recursos, e acontece que estes recursos foram
aumentados no Orçamento e depois contingenciados,
de modo que o dinheiro real não aparece.
Uma coisa positiva do atual governo foi a criação
dos fundos setoriais, são recursos que
eles pegam dos royalties de petróleo.
Folha Dirigida Mas essa questão
dos fundos setoriais é uma faca de dois
gumes, porque a pesquisa básica e social
continua de fora...
Goldemberg Concordo. Este problema
só seria resolvido com a destinação
de recursos do Orçamento para as universidades
e dando autonomia para que a universidade gerisse
seus próprios recursos, para que ela própria
estabelecesse suas prioridades e aí, evidentemente,
ela cuidaria das áreas sociais.
Folha Dirigida O senhor acha
que seria de exclusividade do Estado atender a
este segmento da pesquisa?
Goldemberg Eu acho que sim e evidentemente
se há um grupo que pode catar recursos
como a Coppe, ótimo, pois libera o Estado
para investir em áreas que não são
populares.
Folha Dirigida Tramita no Senado
projeto de lei de Saturnino Braga propondo controle
social na aplicação dos recursos
à pesquisa. Tem informações
sobre esse projeto?
Goldemberg Acho uma idéia péssima.
Tenho conhecimento porque em São Paulo
começam a aparecer idéias desse
tipo. A atividade científica é definida
pelo próprio cientista. Não há
como a sociedade dizer o que os físicos
devem pesquisar. É uma pretensão,
isso é inaplicável.
Folha Dirigida Quando foi ministro,
as relações da educação
com a pasta fazendária eram boas?
Goldemberg Eram porque eu era amigo
do Marcílio (Marques Moreira, ex-ministro
da Fazenda), só por isso. Normalmente a
relação é muito conflitiva,
porque o Ministério da Fazenda não
vê a educação como algo que
gera lucro ou recursos.
Folha Dirigida Concorda que
o INSS recolha o Salário-Educação?
Goldemberg Não. Deveria haver
um método que passasse os recursos diretamente
para o Ministério da Educação,
sem intermediários.
Folha Dirigida A Alca acentuará
a fragilidade econômica do Brasil?
Goldemberg Você é politizada
demais, mas acho que não. Na economia eu
não sei, mas na Educação,
acho que não.
Folha Dirigida O senhor tem
conhecimento de que o ensino superior foi incluído
entre os produtos regulamentados pela OMC? O que
acha disso?
Goldemberg Eu não sabia,
acho curioso, uma idéia estranha, que pode
prejudicar efetivamente o bom andamento da educação.
Folha Dirigida O crescimento
do ensino privado, na sua opinião, se deve
à desatenção do governo ao
ensino público?
Goldemberg A relação
de causalidade está na incapacidade de
o governo oferecer educação gratuita
para toda a população. A renda nacional
é insuficiente e a educação
do governo é gratuita pela Constituição.
Folha Dirigida Por que acha
que o presidente Fernando Henrique vetou a proposta
de elevação dos gastos com educação
para 7% do PIB?
Goldemberg Porque são propostas
inviáveis. Vai tirar dinheiro de outras
áreas, como segurança etc. O país
não é rico para oferecer universidade
pública para toda a população.
E como os outros países fazem? Não
fazem. Na França, depois que a Revolução
Francesa implantou o ensino universal gratuito,
demorou quase 100 anos para que houvesse escola
para todos. O problema é que o país
aprova leis na Constituição, mas
não tem meios. Ele se comporta como um
país rico, o que ele não é.
Folha Dirigida O que seria diferente,
se voltasse ao Ministério?
Goldemberg Autonomia universitária
e vinculação de recursos no Orçamento,
de modo que elas pudessem estabelecer seus próprios
rumos, independentemente da burocracia estatal.
Folha Dirigida Por que os índices
educacionais são tão negativos?
Goldemberg Porque o país ainda
é pobre e existem amplos setores da população
marginalizados, principalmente no Nordeste, que
não têm condições de
enviar os filhos à escola. Se bem que a
situação melhorou.
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