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Tarefa nada fácil para um intelectual.
É o mínimo que se pode dizer do
desafio de ter sido ministro da Educação
no período militar. Ainda que o governo
em questão, sob o comando do general do
Exército João Baptista Figueiredo,
tenho conseguido cumprir seu papel de abertura
política, reconduzindo o país a
caminhos democráticos.
Em sua passagem pelo Ministério da
Educação, o atual presidente da
Fundação Biblioteca Nacional, Eduardo
Portella, foi signatário de um dos atos
mais emblemáticos da retomada da democracia
no Brasil. Em 1979, assinou a Lei da Anistia,
passaporte que trouxe de volta ao Brasil, depois
de anos de exílio, intelectuais como Darcy
Ribeiro, Paulo Freire, Maria Yedda Linhares, José
Leite Lopes e Fernando Henrique Cardoso, entre
muitos.
Da confortável cadeira de diretor da
Faculdade de Letras da UFRJ (Universidade Federal
do Rio de Janeiro), Portella atendeu ao convite
de assumir a pasta da Educação.
Garantindo que aceitou a tarefa porque lhe foi
oferecido um cargo até então inimaginável,
o de ministro da Abertura, o professor reconhece
que patinou com desconforto entre a autoridade
do Serviço Nacional de Informação
e a desconfiança dos companheiros de academia.
Eu era um peixe fora dágua.
O SNI foi um entrave à minha administração.
Confiante de que ninguém cometerá
a injustiça de registrar seu nome como
um aliado dos militares, ele conta com indisfarçável
orgulho o reconhecimento do ministro da Cultura,
Francisco Weffort, em recente encontro no Rio.
Ele me falou que eu prestei um grande
serviço à redemocratização
admite Eduardo Portella, que, nesta entrevista,
analisa o quadro educacional do país, fala
da importância dos livros e da mobilização
dos jovens, ao mesmo tempo em que revela bastidores
da política de uma época em que
o Brasil procurava reencontrar sua liberdade.
Folha Dirigida Professor sobrevive
sem bibliotecas, sem bons livros?
Eduardo Portella O salário
é um componente fundamental, sobretudo
no Brasil, onde não existem bibliotecas
públicas atualizadas, como nas universidades
americanas, onde você quer o livro, procura
e ele está lá. Se não estiver,
mandam comprar imediatamente e dentro de dias
o livro chega ao seu escritório e você,
depois de ler, devolve. Aqui, o professor fica
com esse anacronismo, que é a biblioteca
individual. No processo de urbanização
do Brasil e de reprogramação do
solo urbano, é um anacronismo ter uma biblioteca
pessoal. Eu sou, provavelmente, o último
professor da biblioteca individual, porque eu
sou de uma geração de professores
de grandes bibliotecas individuais. Celso Cunha,
Afrânio Coutinho, eu sou um elo desta cadeia,
então eu também tenho uma grande
biblioteca individual. Se eu fosse professor hoje,
ou iniciando ou dando curso, eu não poderia
ter. Com o que ganho eu não poderia ter.
Folha Dirigida Há uma
corrente que prega que os professores não
devem ter bibliotecas, que o livro é um
bem público, que não deve ser de
uso exclusivo e pessoal. Isso parece com suas
idéias sobre aquisição de
livros?
Eduardo Portella Eu acho que todo
livro é de uso pessoal, mesmo o público,
sempre tem uma pessoa que pega o livro e lê.
Eu não anoto no pé da página,
eu respeito tanto o livro, que trabalho com uma
ficha do lado. Eu anoto à margem, quando
eu termino de ler um livro, se eu quiser eu publico
um artigo, porque eu faço as anotações
na ordem de aparecimento.
Agora quanto a esse problema da relação
individual do livro, quando houver um política
efetiva de bibliotecas públicas, não
precisará das bibliotecas individuais.
Elas são um anacronismo sob todos os aspectos.
Primeiro, porque o proprietátio não
pode manter, não pode atualizar, porque
não tem dinheiro; e a programação
do espaço urbano também não
permite.
Folha Dirigida O senhor concorda
que os estudantes de hoje estão alienados
e abriram mão de lutar por seus direitos
e pela cidadania? A repressão dos anos
60 e 70 conviveu com estudantes mais críticos?
Eduardo Portella Não, eu
não acho. Eu acho que a repressão
provocou mais os estudantes, ela não é
um bom argumento para os jovens. Ela estimulou
a mobilização. Hoje o estudante
e a sociedade brasileira têm perfis diferentes,
o pensamento tem perfis diferentes. Uma das condenações
que eu faço é a do pensamento único,
que na Europa se faz muito. Bourdier escreveu
alguns livros sobre isso.
O estudante tem que ter pensamento único,
num país que não é único,
que é um arquipélago? As situações
são diferentes, até em estados e
municípios existe uma diversidade muito
grande. Em função até das
opções profissionais, certos estudantes
se identificam mais com a militância ostensiva.
Agora há um declínio da categoria
política. Analisando o desempenho político
de outras épocas, como o desempenho das
épocas atuais, você vai perceber
um declínio. Então, por que o estudante
universitário tem que manter o mesmo nível
de militância? E o problema da subsistência
também interferiu. Não podemos nem
exigir que a escola seja a mesma, porque as coisas
mudam.
Folha Dirigida O senhor vê
justiça na reserva de vagas?
Eduardo Portella Não sou
a favor da reserva para negros. É uma forma
supostamente generosa de discriminação.
Folha Dirigida Como analisa
o crescimento estatístico do ensino privado?
Tem alguma relação de causalidade
com a queda do ensino público?
Eduardo Portella Eu já pensei
que sim, mas hoje eu tenho profundas dúvidas,
porque eu posso lhe apontar, sem precisar sair
no Rio de Janeiro, mas não direi os nomes
para não prejudicar os quadros da universidade,
mais por respeito aos cursos do que às
empresas em jogo; mas eu posso lhe dizer que algumas
das principais universidades privadas estão
em crise, de maneira que a crise não é
um produto exclusivo do abandono do ensino superior,
e lhe digo mais uma coisa: apesar de ter um apreço
muito grande pelos pensadores iluministas alemães,
franceses, ingleses, há uma coisa que eu
discordo deles. A educação pode
muito, mas não pode tudo.
Numa sociedade com uma taxa de desigualdade como
a nossa, que é olímpica, as coisas
se complicam também para o privado, porque
o volume de inadimplência é grande.
Você tem que dispor de um modelo plural,
que considere o público, ou até
que priorize o público, mas que respeite
os esforços privados. Sou por respeitar
os esforços privados. Eu sei que descapitalizo
com isso em faixas progressistas. Mas eu priorizo
o público e respeito o privado, desde que
ele corresponda a determinadas regras que dizem
respeito à necessidade pública,
à consciência pública e à
consciência ética. Para mim a qualidade
é uma obrigação ética
da educação, tem que haver apoio
social e rigor ético, não vale transformar
em negócio.
Folha Dirigida Acredita que
a educação tenha um papel decisivo
no destino da América Latina?
Eduardo Portella Marcante sim, decisivo
não, pelo menos na proporção
que esperávamos e com a qual sonhamos.
Mas que tem uma participação importante
tem.
Folha Dirigida Acredita que
o sistema educacional possa contribuir para que
países como Argentina e Chile superem as
dificuldades que enfrentam no campo político-econômico?
Eduardo Portella Hoje não,
porque os prazos se foram. A Argentina tinha um
bom sistema de educação, era um
país civilizado, culto, com um volume de
conhecimento bastante satisfatório, chegou
a ser referência na América Latina,
entretanto os maus governos, a falência
do dever político, fez que entrasse em
colapso. Eu me solidarizo com os argentinos, é
uma realidade que não corresponde à
história da Argentina. O que gerou isso?
O clientelismo de 70 anos, a produção
de mitos populistas.
Folha Dirigida Fala-se que o
que levou a Argentina ao colapso foi a adesão
de primeira hora às agências internacionais
de financiamento.
Eduardo Portella Isso é uma
versão da compreensão da crise atual,
que só é discutida no âmbito
da economia. Uma das coisas que eu mais acuso
a economia é de ela ter monopolizado o
debate. A história da humanidade não
é apenas uma história econômica,
a história do país também
não, por isso que eu gosto da Folha Dirigida,
porque é uma das maneiras de tirar o debate
do monopólio da economia. Estou cansado
de ler sobre o Brasil nas revistas especializadas
de economia.
Folha Dirigida E há,
hoje, como tratar de algum assunto, qualquer que
seja, sem cair na economia?
Eduardo Portella Sem cair não,
mas sem entrar de cabeça há. Eu
concordo que não há, mas o processo
de desenvolvimento é um processo plural,
ele tem diferentes dimensões e precisa
de que você se ocupe e planeje essas diferentes
dimensões, em função de suas
peculiariedades. O Banco Mundial, por exemplo,
invadiu demais as áreas da educação,
foi um absurdo. O saldo não é positivo,
a ótica, o viés, o estrabismo econômico.
É preciso saber ter a sensibilidade para
contabilizar o retorno social. Estatística
é a ciência menos exata que existe.
Eu quase ousaria lhe dizer que ela é uma
ficção, mas em matéria de
ficção, eu prefiro Machado de Assis.
Folha Dirigida Como o senhor
viu o engajamento dos acadêmicos e estudantes
no movimento das Diretas Já? Acredita que
esse engajamento foi decisivo para mobilizar a
sociedade?
Eduardo Portella A mobilização
dos estudantes e professores foi fundamental.
O que me deixou contente foi ter sido convidado
a ser ministro da Abertura. Nem sempre os meus
prazos coincidiram com os dos militares, sobretudo
da comunidade de informações. Mas
eu, como ministro, recusei a censura, anistiei
todos. Eu era ministro da Educação,
Cultura e Esportes, e criei essa Confederação
Brasileira de Futebol que aí está.
Eu era presidente da Comisão Interministerial,
constituída dos ministros das áreas
afins e incluía também ciência
e tecnologia, que na época não tinha
ministério.
Folha Dirigida Como se sentiu
quando conseguiu anistiar nomes da lista negra
dos militares, como Darcy Ribeiro?
Eduardo Portella No dia em que anistiei
o Darcy quase que eu caí. Foi uma celeuma
entre os militares muito grande. Mas anistiei
todos, Darcy e vários outros.
Folha Dirigida Entre os seus
anistiados estava o sociólogo Fernando
Henrique Cardoso?
Eduardo Portella Provavelmente,
porque estava na minha portaria global. E também
a Maria Yedda Linhares, o José Leite Lopes,
o Evaristo de Moraes Filho, todos que foram absurdamente
atingidos pelo Ato Institucional.
Folha Dirigida Como conseguiu
aprovação, ou consentimento, para
o primeiro congresso da UNE? Que estratégia
utilizou?
Eduardo Portella Isso eu também
fiz contra a comunidade de informações.
Depois de 16 anos de repressão, esse primeiro
congresso, realizado na Bahia, foi marcante e
provavelmente iniciou um trabalho de reconquista
da cidadania. E com os professores eu sempre tive
relações tão boas, que no
dia em que fizeram uma greve, que me pareceu socialmente
justa e historicamente explicável, eu apoiei.
Existem greves que eu chamo de selvagens e essas
eu não acompanhei, no governo ou fora dele.
Mas felizmente não houve greve selvagem
no meu período.
Folha Dirigida A greve dos professores
federais, do ano passado, foi selvagem?
Eduardo Portella As greves tomaram
um novo rumo. Ao longo de oito anos sem aumento,
houve uma espécie de nivelação
por baixo. Perdeu-se o enfoque diferenciado das
situações, porque, quando alguém
está há oito anos sem aumento, os
argumentos racionais perdem força e poder.
No meu caso, havia 16 anos de silêncio,
de discriminação, de repressão.
Eu restaurei o diálogo democrático,
o ministério estava aberto, sobretudo para
professores e estudantes, que eu recebi várias
vezes.
Folha Dirigida A comunidade
acadêmica não desconfiava de suas
intenções?
Eduardo Portella Algumas áreas
sim, mas naquele momento, após 16 anos,
a taxa de desconfiança, que existiu sem
dúvida, foi muito modesta. Talvez se eu
estivesse do outro lado eu tivesse uma taxa de
desconfiança maior. Mas tive a intelectualidade
comigo, não só os professores. Maria
da Conceição Tavares, no dia em
que eu fui ao Congresso cansado de uma greve que
não terminava, e que o governo não
queria que terminasse, e fiz um discurso em que
dizia várias coisas, e algumas até
se incorporaram ao folclore nacional, ela me apoiou.
Mas o que eu disse com mais ênfase era que
o meu lugar era na outra margem do rio, junto
com os professores. Isso está gravado.
Folha Dirigida A famosa frase
Eu estou ministro, eu não sou ministro,
saiu nesse dia? Foi premeditada ou saiu de improviso?
Eduardo Portella Saiu de improviso,
porque eu percebi que havia uma diferença
entre ser ministro, que pertence às coisas
eternas, e estar, que é transitório.
Todo cargo eletivo é transitório.
Aqueles que se apropriam de um cargo público
são infelizes no dia em que têm que
sair. Os que não se apropriam, saem com
naturalidade. Eu estou sempre preparado para sair
no outro dia de manhã. Existem coisas fundamentais,
meu livro, meu exercício docente. Eu dou
um doutorado toda segunda-feira, vem gente de
todas as partes do Brasil; vou receber aqui, no
dia 18 de setembro (a entrevista foi feita em
29 de agosto), do reitor Carlos Lessa, o título
de professor emérito da Universidade Federal
do Rio de Janeiro. Isso pertence às coisas
definitivas, pertence à vida da gente.
As outras coisas são transitórias.
Folha Dirigida O que o inclinou
aceitar ser ministro de um governo militar, em
que a liberdade de expressão era vigiada
com extremo rigor?
Eduardo Portella O quadro não
era exatamente este. Já havia Geisel (Ernesto
Geisel, ex-presidente militar) homologado a Lei
da Anistia e já havia iniciado o processo
de abertura, de modo que não era o que
nós queríamos, mas também
já não era a ditadura dos anos de
chumbo. Eu aceitei, como lhe disse, ser ministro
da transição. Recentemente o ministro
da Cultura (Francisco Weffort), que é meu
amigo, me falou que eu prestei um grande serviço
à redemocratização do país.
Ele era secretário-geral do PT, então
tem autoridade para fazer esta avaliação
e isso me tocou muito.
Eu acho que aceitei um compromisso não
de ser ministro da ditadura militar, mas para
ser um ministro da abertura, da anistia, o que
levei até às últimas conseqüências.
Por outro lado, eu não sou um intelectual
torre de marfim, eu sou um intelectual público,
eu acredito no desempenho público, eu acho
que os atos públicos têm um alcance
muito grande. O que o livro de um ensaísta
consegue atingir, com uma tiragem inicial de 3
mil exemplares, podendo chegar a 4 ou 5 tiragens,
atinge no máximo a 20 mil pessoas; os atos
praticados em funções públicas
atingem milhões. Eu acho que, sobretudo
em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento,
o intelectual tem uma obrigação
pública, ele não pode se contentar
com o prazer beletrista de ser um intelectual
na primeira pessoa. Ele tem que ser um intelectual
coletivo. Isso também faz parte da minha
compreensão da condição do
intelectual. Eu fui diretor-geral adjunto da Unesco,
fui presidente da Conferência Geral da Unesco,
e fora ou dentro do Brasil eu tenho exercido as
funções, maiores ou menores, todas
elas de forma igual.
Folha Dirigida As relações
da Educação com a Fazenda já
eram ruidosas ou as duas pastas se entendiam?
Eduardo Portella A relação
sempre foi precária, desde aquela época.
Os ministros do orçamento (a Fazenda era
comandada por Karlos Heinz Rischbieter) trabalhavam
com um modelo que se consagrou no Banco Mundial,
da relação custo-benefício,
totalmente frágil e inviável para
áreas como educação, cultura
e ciência e tecnologia. O retorno destes
investimentos não é facilmente contabilizável,
não pode ser objeto de uma contacorrente,
de um balanço contábil. Dessa forma,
fica difícil estabelecer indicadores qualitativos
de desenvolvimento.
Folha Dirigida O senhor tinha,
de fato, alguma liberdade de ação
no governo de Figueiredo?
Eduardo Portella Tinha uma liberdade
condicionada, porque algumas vezes eu ganhava
as paradas, outras vezes eu perdia. O SNI foi
um entrave à minha administração.
Folha Dirigida Em que o SNI
se metia?
Eduardo Portella Por exemplo, nas
nomeações de reitores. Uma vez eu
quis nomear o reitor da Universidade Federal de
Santa Catarina, o Ernani Bayer, e houve um veto,
porque quando estudante ele tinha ido a Cuba.
E este foi um caso raro em que eu ganhei. Outras
vezes, para nomear diretor de faculdade. A lista
certa vinha, os vetos se sucediam, e você
terminava escolhendo um candidato que não
era o mais indicado, mas era o único que
ficava salvo da lista.
Folha Dirigida Quando perdia
paradas, contava com a cumplicidade dos acadêmicos?
Eduardo Portella Nem sempre. Mas
a Maria da Conceição Tavares fez
um discurso no dia em que eu saí, numa
assembléia na UFRJ, no Fundão, dizendo:
Vocês foram culpados, tinham o ministro
de vocês e ficaram criando muita onda. Deviam
era ter poupado o ministro, que era de vocês.
Folha Dirigida Quando o governo
militar se instalou, acabou com o movimento nacional
de alfabetização de Paulo Freire,
que também foi caçado pelo regime.
O senhor tinha alguma identificação
com o movimento?
Eduardo Portella Eu acho que o Paulo
Freire prestou um grande serviço. Eu faria
um outro retoque no método, mas retoques
me ocorrem hoje, provavelmente na época
eu não faria nenhum. Mas não há
nada que não possa ser retocado 20 anos
depois. Mas eu basicamente me identificava e,
além do mais, era amigo pessoal do Paulo
Freire, gostava muito dele, o achava um ser humano
excepcional, uma figura ética admirável.
Além de me identificar com o personagem,
me identificava com as propostas dele. Eu não
me identificava era com as outras modalidades,
saídas dos porões da tecnocracia.
Folha Dirigida O fato de ter
integrado um governo militar maculou sua imagem
junto aos intelectuais, comprometeu sua jornada
profissional?
Eduardo Portella Eu diria que não,
porque eu fui um dissidente, um estranho no ninho.
Eu suponho que ninguém me identifica como
um protagonista do regime militar, ninguém
me fará esta injustiça. As pessoas
percebiam que eu não era uma pessoa comodamente
instalada, estava em estado permanente de luta
e fiz apenas aceitar um desafio.
Folha Dirigida Se voltasse a
ser ministro, o que o senhor mudaria por iniciativa
pessoal, independentemente da conjuntura?
Eduardo Portella Olha, esta hipótese
é inexistente. Eu não estou comprometido
em nenhuma ação política
imediata, eu vejo nos diferentes grupos e partidos
pessoas extremamente qualificadas, de maneira
que é uma hipótese que eu teria
dificuldade de examinar, mas de qualquer maneira
não mudaria muito o que eu fiz. Botaria
a qualidade na frente, o professor na frente,
o pré-escolar na frente, saía da
relação custo-benefício,
pensava no Brasil como uma diversidade e não
como um país inteiro, fechado. Tentei fazer
na merenda escolar e não me deixaram, mas
eu queria uma merenda para o Rio Grande do Sul
e outra para Belém do Pará, o que
era absolutamente normal, contextos ecológicos
completamente diferentes, eu não posso
comer igual, ou beber igual. Isso eu não
consegui. Depois houve umas alterações
sim, antes era uma multinacional que controlava
todas as refeições. Não ia
diversificar a empresa, mas sim a alimentação,
a minha preocupação era com a alimentação.
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