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Apesar das críticas e dos problemas,
a educação brasileira foi aprovada.
Pelo menos para os quatro educadores que, a convite
da FOLHA DIRIGIDA, fizeram uma breve análise
sobre nosso sistema educacional básico
e a qualidade de nossa formação
superior. Dentre os quatro entrevistados, três
consideram nosso sistema bom, e apenas um o classifica
como mediano. Mas, em pelo menos uma coisa, todos
concordam: ainda está muito aquém
do ideal.
Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coordenação
de Pós-Graduação e Pesquisa
de Engenharia (Coppe), e Antônio Freitas,
diretor da IBMEC Business School, são os
mais críticos em relação
à qualidade do ensino, que consideram heterogênea.
Para Pinguelli, não é possível
enquadrar MBA,
mestrado e doutorado dentro de uma mesma categoria.
O MBA é uma linguagem mais geral
sem
conhecimentos aprofundados, não tem relação
com mestrado ou doutorado. O B da sigla é
de Business, negócios, explicou.
FOLHA DIRIGIDA - Qual é sua
análise sobre a educação,
hoje, no Brasil? O sistema educacional brasileiro,
desde o ensino fundamental, passando pelo ensino
médio, até chegar à graduação,
garante uma formação de qualidade
para aqueles que têm interesse em dar continuidade
a seus estudos no nível superior?

Luiz Pinguelli Rosa, diretor da
Coppe-UFRJ
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Luiz Pinguelli - Depende. Podemos dizer
que a educação atual do Brasil é
razoável. Ela é boa em algumas questões
e ruim em outras. No ensino superior público
e em algumas poucas instituições
privadas a educação está
no caminho certo. O ensino é de qualidade.
Já nos ensinos fundamental e médio
é o contrário. O ensino público
é ruim e o privado bom. Na educação
básica, o ensino público é
desordenado e desigual criando uma elite de bens
formados e uma população, de maneira
geral, mal atendida. Uma prova disso é
a existência de cursinhos. Se o ensino fosse
de qualidade ninguém precisaria de aulas
de reforço para ingressar no ensino superior.
FOLHA DIRIGIDA - É cada vez
maior a procura pelos cursos de pós-graduação,
mestrado, doutorado e MBA. É possível
interpretar isso como um avanço real da
educação no Brasil? O que esse aumento
de demanda revela do perfil dos estudantes brasileiros?
Luiz Pinguelli - São completamente
diferentes o mestrado e o doutorado do MBA. Não
acho o fenômeno de MBA interessante, o vejo
mais como uma patologia. É um ensino superficial
voltado para o interesse imediato que não
abre o caminho para o futuro do país. Agora
devemos lembrar que MBA é comercial. Não
existe grau MBA. Não é considerado
um título acadêmico e sim um curso
de extensão. Mestrado e doutorado são
uma imersão em estudos. O estudante vai
mais a fundo naquilo que está avaliando.
O MBA é uma linguagem mais geral, sem conhecimentos
aprofundados, não tem nenhuma relação
com mestrado ou doutorado. O B da sigla é
de Business, negócios. Então é
um aperfeiçoamento voltado para negócios
e não para conhecimento.
FOLHA DIRIGIDA - Hoje, o Brasil oferece
uma grande oferta de cursos de pós-graduação,
nas mais diversas áreas. A dúvida
que fica é a seguinte: eles oferecem a
mesma qualidade dos cursos ministrados no exterior?
Luís Pinguelli - Alguns sim outros
não. Depende do curso. Temos alguns tão
bons quanto os lá de fora e outros fracos.
Mas, é possível fazer uma boa especialização
no Brasil.
FOLHA DIRIGIDA - Qual é a importância
da pesquisa para o desenvolvimento da educação
e, conseqüentemente, de um país? O
Brasil tem dado a devida atenção
a esta área?
Luiz Pinguelli - Historicamente a idéia
que ficou é que a educação
superior deve estar ligada à pesquisa.
Ela é uma forma de o professor se manter
atualizado. Se ficar só em sala de aula,
seus conhecimentos poderão ficar defasados.
Por isso, na educação superior a
pesquisa tem papel de destaque. Com relação
à atenção destinada a esta
área podemos dizer que é relativa.
Os fundos setoriais são importantes, porém
a maneira como eles operam é desagregadora.
Os fundos enxergam o pesquisador e não
a instituição, o que é uma
visão liberal do mundo. Ou seja, ele dá
valor à pessoa, e não ao órgão,
o que leva a uma desagregação da
instituição.
FOLHA DIRIGIDA - Qual é, afinal,
o peso de um título de mestre ou doutor
no Brasil?
Luiz Pinguelli - O diploma de mestre ou
doutor tem grande influência na carreira
universitária. Pode-se dizer que é
o grau mínimo exigido para atuar no ensino
superior. A importância do mestre e do doutor
está ficando cada vez mais abrangente,
de modo que até em algumas indústrias
estes profissionais estão sendo exigidos.
É um comprovante, quando feito em uma instituição
séria, de capacidade.
FOLHA DIRIGIDA
- Como está a educação
no Brasil

Antônio Freitas, diretor
da IBMEC Business School
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Antônio Freitas - Tivemos uma melhora
nos últimos anos. O número de pessoas
com acesso à educação aumentou
significativamente, o que comprova um avanço.
Muitos criticam a qualidade deste ensino. É
verdade que temos uma qualidade heterogênea,
mas não podemos esquecer que estas pessoas
que, hoje estão indo à escola, há
anos não tinham direito à educação.
Antes, tínhamos menos escolas, então,
a dispersão da qualidade era menor. As
escolas de excelência continuam sendo de
excelência. Se a qualidade caiu, é
porque temos mais escolas. Mas, no geral, o ensino
também melhorou. Sou avaliador do MEC e
posso afirmar que as escolas no interior do país
estão mais bem preparadas. Houve uma melhora.
O outro lado da moeda é que precisamos
melhorar mais.
FOLHA DIRIGIDA - É cada vez
maior a procura pelos cursos de pós-graduação,
mestrado, doutorado e MBA. O que esse aumento
de demanda revela do perfil dos estudantes brasileiros?
Antônio Freitas - Isso reflete um
grande avanço. A explosão dos cursos
de pós-graduação e MBAs mostra
que o país está com, cada vez mais,
profissionais qualificados. Mostra que um número
maior de estudantes está, não só
chegando, mas saindo da universidade. Além
de mostrar o nosso avanço na educação,
a procura por cursos de pós-graduação
mostra que o nosso estudante tem dado mais valor
à educação. As pessoas estão
se conscientizando de que a Educação
é de importância crucial para o desenvolvimento,
seja ele pessoal, seja de um país. Mais
do que isso, mostra também que os estudantes
brasileiros estão cientes das exigências
deste mundo globalizado.
FOLHA DIRIGIDA - Hoje, o Brasil oferece
uma grande oferta de cursos de pós-graduação,
nas mais diversas áreas. Eles oferecem
a mesma qualidade dos cursos ministrados no exterior?
Antônio Freitas - Não necessariamente.
A primeira diferença é que, no Brasil,
MBA é um programa latu sensu. É
um programa de especialização. Se
você vai para os Estados Unidos, Canadá,
Alemanha, o MBA é um mestrado em administração.
Aqui MBA significa curso de especialização.
Então não dá para comparar,
são programas com finalidades distintas.
Podemos dizer que os bons cursos são tão
competitivos quantos os oferecidos lá fora.
Infelizmente, ainda não são a maioria.
O que se nota é que as pessoas usam MBA
para se aprimorar na sua área, ou para
mudar de setor.
FOLHA DIRIGIDA - Qual é a importância
da pesquisa para o desenvolvimento da educação
e, conseqüentemente, de um país? O
Brasil tem dado a devida atenção
a esta área?
Antônio Freitas - Dentro das limitações
de nosso país posso dizer que ele tem dado
a devida atenção à pesquisa.
Em termos de Américas, o Brasil já
é um dos países que mais publicam
pesquisas. Está próximo do Canadá
e acima de todos os outros. Hoje fazemos pesquisas
em todas as áreas. Quando o pesquisador
é um professor, a parte mais importante
do aprendizado do aluno não é na
sala de aula, e sim no ambiente de pesquisa. A
pesquisa é uma forma de melhorar a qualidade
do ensino e de se atualizar. Para o professor,
serve como motivação.
FOLHA DIRIGIDA - Qual é o peso
do título de mestre ou doutor?
Antônio Freitas - O título
de doutor significa que a pessoa não ficará
desempregada, no Brasil, nem uma semana. Uma pessoa
com doutorado na área de Administração
ou Economia já comanda um salário
inicial de R$3 mil em escolas privadas. Então
tem quantidade de emprego e dinheiro. O mestrado
ou doutorado aumentam as possibilidades de emprego
e salário. Já foi comprovado que,
quantos mais anos de estudo, melhores são
os salários. Mas vale frisar que não
é só a escola. É uma combinação
de educação e talento pessoal.
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