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Por outro lado, o professor Moysés
Glat, da Fundação Getúlio
Vargas (FGV), e Hermínio da Silveira, diretor-presidente
do Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação
(IBMR), também fazem uma avaliação
crítica dos cursos de pós-graduação,
MBA, mestrado e doutorado no Brasil, e destacavam
alguns fatores que consideram importantes avanços
conquistados nos últimos anos. No que tange
à qualidade do ensino brasileiro neste
setor eles são unânimes em afirmar
que temos cursos tão bons quantos os ministrados
no exterior.
Ambos garantem que, no Brasil de acirradas
disputas no mercado de trabalho, um diploma de
mestre
e/ou doutor é sinônimo de empregabilidade
e bom salário. Via de regra, as pessoas
com mestrado ou doutorado conseguem uma boa colocação
no mercado, mas para mantê-la é necessário
ter habilidade para se integrar, afirma
Moysés Glat, administrador dos cursos de
MBA da FGV.
FOLHA DIRIGIDA - Qual é sua
análise sobre a educação?

Moysés Glat, professor da
Fundação Getúlio
Vargas (FGV)
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Moysés Glat - As carências
do ensino brasileiro são fatos já
bastante conhecidos. Há uma deficiência
enorme na educação básica.
Aliás, esta é uma das razões
do grande afluxo de alunos para os MBAs.
Os estudantes saem das escolas sem preparo adequado
e têm dificuldades de se colocar no mercado,
por isso recorrem aos MBAs. Eles procuram
conseguir, através da qualificação,
empregabilidade e melhoria na qualidade técnica
de conhecimentos.
FOLHA DIRIGIDA - É cada vez
maior a procura pelos cursos de pós-graduação,
mestrado, doutorado e MBA. É possível
interpretar isso como um avanço real da
educação no Brasil? O que esse aumento
de demanda revela do perfil dos estudantes brasileiros?
Moysés Glat- É claro que
mostra um avanço da educação
brasileira. É sinal que mais jovens estão
saindo da universidade e, além disso, estão
buscando suprir as deficiências de sua formação.
Por exemplo, nos nossos MBAs, os professores
não podem ser puramente acadêmicos.
É fundamental que tenham vivência
empresarial, uma experiência prática
conciliada com uma boa formação
acadêmica, com mestrado, doutorado. Eles
têm que ter capacidade de dar o sentido
objetivo e prático do mercado de trabalho
para os alunos. Este aumento na procura mostra
que nossos estudantes estão conscientes
de que uma maior e melhor qualificação
é fundamental. Eles sabem que, ao saírem
da universidade, ainda não estarão
aptos à vida moderna, para o Brasil do
século XXI. Hoje é necessário
um vasto conhecimento, conjugado com outras características,
como qualidades de liderança e gerenciais.
Então, é necessário aprender
isso na prática e os jovens têm essa
consciência. Não podemos também
esquecer o efeito imitação. Nós
da Getúlio Vargas fizemos uma ponte entre
o mercado e a universidade. Temos doutorado e
mestrado em Economia. Esta combinação
de mercado e parte acadêmica tem como objetivo
nos colocar em uma posição de poder
ajudar o Brasil a se desenvolver através
da melhoria na qualidade dos recursos humanos.
Por isso lançamos nossos cursos, que têm
tido êxito, o que levou outras instituições
a fazerem o mesmo.
FOLHA DIRIGIDA - Os cursos de pós
ministrados hoje no Brasil oferecem a mesma qualidade
dos cursos oferecidos no exterior?
Moysés Glat - Os cursos do Brasil
são diferentes dos ministrados lá
fora. Nosso MBA é um MBA tupiniquim, um
MBA adaptado às nossas necessidades. Temos
menos concentração acadêmica
e mais concentração prática
e objetiva. O MBA americano é realizado
em três anos, na realidade é um mestrado,
onde para se formar o aluno tem que apresentar
uma tese. No caso do Brasil, a legislação
brasileira era omissa em relação
ao MBA, o que permitiu que a sigla fosse usada
à vontade. Na realidade é uma marca
e não um mestrado strictu sensu como no
Estados Unidos, por isso não é possível
comparar o nosso com o lá de fora. Ele
atende às necessidades brasileiras, que
são imediatas.
FOLHA DIRIGIDA - Qual é a importância
da pesquisa para o desenvolvimento da educação
e, conseqüentemente, de um país?
Moysés Glat - É fundamental.
Apenas através da pesquisa um país
consegue se desenvolver. É a pesquisa que
detecta necessidades, tendências e melhorias.
Por exemplo, através de pesquisas detectamos
que nossos alunos têm fraqueza em Matemática
Financeira. Então, fizemos um conjunto
de vídeos com cd-room e manual que foram
distribuídos aos alunos para que eles possam
estudar fora do horário das aulas. Ou seja,
a pesquisa aponta os problemas e ajuda a encontrar
as soluções. Logo, ela é
fundamental em todos os setores. Infelizmente,
o governo não tem dado a atenção
devida ao assunto. Se o governo desse mais apoio
às universidades e às escolas, não
precisaríamos de tantos MBAs.
FOLHA DIRIGIDA
- Qual é sua análise sobre
a educação, hoje, no Brasil? O sistema
educacional brasileiro, desde o ensino fundamental,
passando pelo ensino médio, até
chegar à graduação, garante
uma formação de qualidade para aqueles
que têm interesse em dar continuidade a
seus estudos em nível superior?

Hermínio da Silveira, diretor-presidente
do IBMR
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Hermínio da Silveira - Se fosse
dar uma nota para a nossa educação
daria 7,0. Ou seja, eu a aprovaria. Acho que,
apesar dos problemas, estamos conseguindo um resultado
considerável. Temos escolas boas e escolas
ruins. Mas, de um modo geral, elas conseguem cumprir
seu papel. Como educador não posso ser
pessimista. Acho que temos muito o que melhorar,
mas estamos no caminho.
FOLHA DIRIGIDA - É cada vez
maior a procura pelos cursos de pós-graduação,
mestrado, doutorado e MBA. O que esse aumento
de demanda revela do perfil dos estudantes brasileiros?
Hermínio da Silveira - Sem dúvida
este aumento na procura é reflexo do avanço
da nossa educação. Ele significa
que mais pessoas estão concluindo o ensino
médio, e posteriormente o ensino universitário.
É claro que não podemos esquecer
que o mercado também tem um papel importante
nestes números. Ele está mais exigente.
Então os estudantes têm que se preparar
melhor. Podemos dizer que esta procura crescente
mostra que nossos estudantes não estão
acomodados. Eles estão em busca do seu
espaço, mas não querem ocupar este
espaço de qualquer jeito. Por isso buscam
investir em uma formação com qualidade.
Eles estão mais críticos em relação
à própria formação.
FOLHA DIRIGIDA - Durante um bom tempo,
sobretudo em algumas áreas técnicas,
investir em pós-graduação
significava uma temporada em alguma instituição
no exterior. Hoje, o Brasil oferece uma grande
oferta de cursos, nas mais diversas áreas.
A dúvida que fica é a seguinte:
eles oferecem a mesma qualidade dos cursos ministrados
no exterior?
Hermínio da Silveira - Isto é
relativo. Lá fora temos cursos mais bem
preparados. Os laboratórios, as bibliotecas
são, via de regra, bem equipados. Os docentes,
por serem mais valorizados, têm melhores
condições para dar aula. Mas, aqui
no Brasil, temos cursos excelentes que não
ficam a dever nada para os lá de fora.
Apesar das nossas dificuldades, algumas instituições
sérias estão investindo na infra-estrutura,
nas bibliotecas e na qualificação
de seus docentes. Isto faz a diferença.
Temos cursos aqui tão bons quanto os do
exterior.
FOLHA DIRIGIDA - Qual é a importância
da pesquisa para o desenvolvimento da educação
e, consequentemente, de um país?
Hermínio da Silveira - Não
dá para falar em Educação
séria, de qualidade, sem falar em pesquisa.
É preciso investir em pesquisa para que
se possa ter um país independente. A pesquisa
é uma atividade primordialmente acadêmica
e é através dela que um país
se desenvolve. O Brasil ainda está muito
aquém do ideal, mas nos últimos
cinco anos, o Ministério da Educação
vem dando mais apoio a esta área. Mas,
ainda estamos longe do patamar razoável.
FOLHA DIRIGIDA - O Brasil ainda é
um país com profundas carências na
área de educação, bem como
discrepâncias em seu mercado de trabalho.
Não é raro vermos, por exemplo,
pessoas qualificadas que não conseguem
colocação no mercado. Qual é,
afinal, o peso de um título de mestre ou
doutor no Brasil?
Hermínio de Freitas - O título
dá status ao docente, mostra uma formação
mais qualificada. No mundo globalizado e competitivo
como o atual, a qualificação é
cada vez mais necessária. O mestrado e
doutorado são valorizados porque representam
uma boa qualificação.
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