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FOLHA
DIRIGIDA As lideranças sindicais,
no caso das retaliações, têm
tratamento diferenciado?
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Roberto Leher: Nossa experiência
no setor privado é a pior possível
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Roberto Leher
Nós temos em caso de rede pública,
além das transferências, problemas
referentes a direitos, a tempo de aposentadoria.
Há uma mudança muito forte na legislação,
feita por Fernando Henrique, que retirou o direito
à representação, como era
previsto no Regime Jurídico Único.
O dirigente sindical, dentro de uma certa quantidade,
podia se afastar numa licença sindical.
Agora isso não existe mais e o sindicato
tem que bancar o salário do dirigente.
Para muitos sindicatos, como é o caso do
Andes, que não aceita imposto sindical,
que não recolhe esse dinheiro, é
um golpe duríssimo.
Se todos os 35 dirigentes nacionais tivessem
que ser custeados pelo sindicato, nós não
teríamos suporte financeiro adequado. Então
muitos professores estão na direção
dos sindicatos, mas ao mesmo tempo estão
dando aula. É um sacrifício brutal,
porque é mais uma jornada enorme de trabalho.
São os textos, são as elaborações
que têm que ser feitas fora do horário
de trabalho. Na verdade, a greve hoje no setor
público é árdua, é
muito difícil, ainda que obviamente a conquista
da estabilidade no emprego, no setor público,
faça a diferença.
Paulo Fábio Salgueiro
A gente jamais pode compreender uma greve como
de responsabilidade do trabalhador. O trabalhador,
historicamente, não tem nenhum interesse
pela greve. A greve surge a partir do momento
que surge um conflito em que o poder do empresário,
ou do Estado-empresário, se faz de tal
forma que o trabalhador é obrigado a, numa
ação coletiva, tentar se proteger
de uma violência.
Essa conceituação é fundamental
para não fazer uma inversão de valores,
de que a responsabilidade da greve é do
trabalhador e não de quem está cometendo
algum tipo de violência sobre o trabalhador.
Se a gente compreende assim, a gente vai começar
a entender a diferenciação da greve,
no serviço privado e no serviço
público, enquanto o Estado, no serviço
público, se caracteriza por ter uma conduta
empresarial, aquilo que eu chamei de Estado privado.
Hoje nós estamos assistindo, de forma
quase que inédita no Brasil, ao apoiamento
de vários empresários brasileiros
à candidatura de um dos principais líderes
da greve dos trabalhadores brasileiros, que surge
com uma grande política nacional, a partir
do movimento sindical, e você assiste a
um grupo grande de empresários, de importantes
empresários, dando apoio público
a essa candidatura, porque enxergam a necessidade
da transformação desse Estado financeiro
num Estado
O Estado tem que mediar esses conflitos e não
atuar como aquele que pune o trabalhador, ou como
parte interessada num determinado tipo de conflito.
Onde ocorre a mediação, as greves
são menores ou se dão em menor número.
Por exemplo, nós tivemos que fazer uma
grande mediação entre o direito
da sociedade de ter os 200 dias letivos e a discussão
sobre a maneira como se daria a reposição
dos mais de setenta dias de greve de professores
que ocorreu no Rio de Janeiro. Essa mediação
tem que ocorrer e o Estado tem que estar sempre
com a visão da defesa da sociedade, e não
de um Estado neoliberal, empresarial, privado.

Adalberto Cardoso: Greve
dos professores ajudou categoria a adquirir
reconhecimento
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Adalberto Cardoso
O ponto é esse mesmo: o Estado age como
se os professores quisessem fazer greve, como
se estivesse no sangue deles, ou que fosse parte
do trabalho. E este governo (federal) fez isso
sempre. A principal demonstração
disso é o fato de se recusar a sentar para
conversar. Esse negócio de o Paulo Renato
(Paulo Renato Souza, ministro da Educação)
não ter sido o interlocutor foi uma loucura.
Não só não teve democracia,
como não teve respeito. O outro não
te reconhece como agente de direitos, como agente
que tem idéias, que tem interesses. Na
verdade, uma das coisas que a greve dos professores
fez foi adquirir reconhecimento para uma categoria
que o governo brasileiro tem tratado como não
existente. Para o governo, não há
problema nenhum na educação brasileira,
ela está muito bem, os professores é
que ficam arrumando sarna para se coçar.
O grande problema é que houve uma certa
eficácia nesse governo - que vem de antes,
vem do (Fernando) Collor, na verdade - de desestabilizar
uma imagem do servidor público que foi
construída com muita dificuldade ao longo
dos anos. Essa imagem foi desconstruída,
em parte nos anos 80, pela crise do Estado, e
nos anos 90, por um discurso poderoso do marajá,
de pessoas que ganhavam muito para não
fazer nada.
Eu acho que tem uma disputa importante por redefinição
ou reaquisição de uma imagem que
foi vilipendiada. Desse ponto de vista - e isso
tem a ver com a sua pergunta, se os professores
não querem se tornar diferentes entre os
iguais eu acho que essa é uma tarefa
importante, tornar-se diferente entre os iguais,
diferente no sentido de que tem de ser reconhecido
como existente, ter identidade, ter interesses,
direitos, tudo isso.
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FOLHA
DIRIGIDA Embora as greves do magistério
geralmente apresentem uma relação
de itens de reivindicação,
por que só questão salarial
cai em domínio público?
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Roberto Leher
É claro que a questão salarial tem
centralidade. E é natural que tenha. Os
salários são muito baixos, as condições
de sobrevivência de boa parte do magistério
são muito difíceis, particularmente
no primeiro segmento do ensino fundamental, daí
a questão salarial sempre ter uma centralidade.
Obviamente, ela é importante porque diz
respeito às possibilidades materiais da
pessoa que está naquela profissão.
Agora, a visibilidade da questão salarial
é excessiva nas greves. Há um processo
invisível, raramente considerado na imprensa.
Nós saímos da greve das federais
com mesas sobre financiamento da universidade;
sobre a situação dos hospitais universitários,
que é absolutamente explosiva; sobre a
assistência infantil, porque há uma
evasão muito forte nas universidades públicas
por conta de estudantes que não têm
condições materiais de permanecer,
mesmo ela sendo gratuita; e havia mesa também
sobre carreira. Mas as mesas, efetivamente, não
funcionam. Você entra numa reunião
com o secretário de ensino superior, ou
com o ministro, e não tem ata, não
tem registro. Ou seja: é um bate-papo,
como se eu tivesse conversando com os meus amigos
no botequim. Não há, de fato, uma
interlocução real. Então,
questões que são fundamentais, importantíssimas
para a reconstrução do sistema público
de ensino, acabam ficando invisíveis e
vão explodir numa próxima greve.
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FOLHA
DIRIGIDA Especificamente no caso da greve
das federais, isto não teria se dado
em conseqüência de o governo
estar em final de mandato?
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Roberto Leher
Não. Isso é uma marca...
Adalberto Cardoso
Da administração Paulo Renato...
Roberto Leher
Não. Paulo Renato é mais exacerbado,
mas existe antes isso. Já tivemos negociadores
mais qualificados, até no governo militar.
Eu não participava do movimento, mas há
registro de relatos de que as negociações
eram muito mais objetivas, muito mais efetivas.
Mas da época do Collor para cá,
mesmo no final da Nova República, as negociações
ficaram muito precárias, muito fragmentadas.
É importante registrar isso: as greves
ocorrem porque não há efetividade
nas negociações de uma pauta fora
de greve, o Estado só negocia quando vê
que não tem jeito, quando a opinião
pública se afirma ao lado dos grevistas,
quando há uma compreensão de que
a greve é justa, quando tem repercussão
na sociedade. E mesmo assim, no caso da greve
das federais, a negociação não
se deu com o Executivo, se deu com o Legislativo,
numa situação inédita. Nós
fizemos todo o acordo no Legislativo. O ministro
só foi obrigado a assinar no final. O espaço
de interlocução foi com o Legislativo
e não com o Executivo. Uma situação
exótica também, que eu nunca tinha
vivido.
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FOLHA
DIRIGIDA Já caiu em domínio
público que os professores têm
condições de trabalho insatisfatórias
e que, em muitos casos, isso compromete
decisivamente as suas aulas. Nas greves,
contudo, o único compromisso de efeito
suspensivo é o que sinaliza com a
possibilidade de reajustes, ainda que ínfimos.
Isso não contribuiria para passar
à sociedade a imagem de que o professor
não estaria preocupado com a qualidade
de seu serviço?
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Roberto Leher
Eu acho que existe sim um processo deliberado
de construção de uma imagem negativa
dos professores por parte dos governos. É
muito interessante analisar os documentos da Cepal,
por exemplo, que falam da greve e de movimentos
de professores. Existem negociações,
numa greve, em que a questão da temporalidade
é decisiva. Por exemplo, um dos itens importantes
que nós tentamos trabalhar na greve foi
a questão do financiamento. E questões
como esta não podem ser resolvidas numa
temporalidade de greve. O problema do financimento
dos hospitais demandaria em mudança no
Orçamento, a temporalidade dessa pauta
dificilmente pode ser feita no escopo da greve,
por isso pode passar uma imagem incorreta. A questão
salarial é mais concreta, mais objetiva,
e há uma experiência, há uma
memória dos movimentos de que os acordos
não são cumpridos.
Hoje os professores, os técnicos administrativos,
quando entram numa greve, sabem que sem determinadas
garantias efetivas o acordo não sai. Isso
é um fator que explica também a
demora. Nós estávamos na greve de
2001 com um acordo fechado com o governo, fechamos
a minuta no computador e quando terminamos de
colocar na mesa, o representante do MEC recebe
uma ligação dizendo que não,
que o governo não autorizava aquele acordo,
que já havia consultado o que havia em
relação aos termos. Então
isso infelizmente faz que os movimentos tenham
que buscar salvaguardas.
No geral, não é correto afirmar
que os professores conseguem um pequeno reajuste
e abandonam o movimento. É só uma
questão de temporalidade da pauta, que
não é fácil de ser trabalhada.
As questões que são relacionadas
ao Orçamento são muito complexas,
porque envolve o Executivo, envolve pressão
sobre o Legislativo, porque passa pela Lei de
Diretrizes Orçamentárias, mas, sobretudo,
passa pelo núcleo central de governo, pelo
núcleo que efetivamente tem o poder na
área econômica.
Muitas vezes negociamos no parlamento, chegamos
a acordos em relação a rubricas
orçamentárias, e depois tudo é
simplesmente vetado ou, como é mais comum,
simplesmente não é aplicado. E o
parlamento não tem instrumentos para exigir
que a Lei de Diretrizes Orçamentárias,
mas sobretudo o Orçamento geral, seja executado.
O Orçamento é apenas autorizativo.
Se quem tem a chave do cofre não aplica
o recurso, não há função.
Há uma situação de muita
complexidade entre os sindicatos e o Estado, e
eu acho que a imagem pode não ser sempre
correta sobre o que aconteceu numa greve.
Paulo Fábio Salgueiro
O Roberto (Leher) abordou alguns aspectos que
são importantíssimos. Eu não
tenho dúvida de que o Roberto (Leher) deve
ter comido o pão que o diabo amassou negociando
com o Paulo Renato. E não é porque
o Paulo Renato é mais mau, ou mais duro
do que os governos da época da ditadura.
Na verdade, eu acho que o Paulo Renato é
um dos quadros mais competentes e qualificados
que eu conheci na área da administração
pública e da educação, e
foi extremamente competente fazendo o que lhe
foi proposto. Por isso permaneceu oito anos como
gerente maior do processo de transformar o Estado,
na área de educação, num
Estado neoliberal. E ele fez isso com rara competência.
Não dava para ser feito por aquela senhora
que foi da época do Figueiredo (general
e ex-presidente João Batista Figueiredo).
Adalberto Cardoso
Uma greve, dentre outras coisas, é uma
guerra ideológica, e a opinião é
parte das armas. E tanto o governo quanto os professores
usam suas armas, cada qual à sua maneira.
E a imprensa, tem que ficar claro, é sempre
parte interessada. A imprensa também é
patrão, os jornais também são
empregadores, e não conheço jornal
que seja favorável à greve. A imprensa
entra como parte interessada na história.
O noticiário vai na direção
de chamar a atenção para os aspectos
que interessam aos empregadores. Então,
se você reduz a greve de professores a uma
coisa salarial, dizem: Eles estão
lutando por privilégio num Brasil onde
está todo mundo sofrido, com 20% de desemprego.
Isso é uma guerra ideológica e eu
acho que parte da razão de o salário
aparecer mais tem a ver com isso, com o fato de
a imprensa não ser neutra, não ser
isenta. Uma coisa que não tem a ver com
sua pergunta, mas tem a ver com várias
coisas que foram ditas aqui, e isso é uma
coisa que dificulta o movimento dos professores
das escolas públicas, é que o ensino
no Brasil hoje é privado. As pessoas não
se deram conta disso ainda, mas mais de 70% do
alunado no Brasil está em universidades
privadas.
Roberto Leher
Observem que as pautas das greves não falam
nem em reajuste, mas em correção.
Estamos falando em manutenção de
um mínimo de poder aquisitivo. Há
muitos anos os sindicatos não estão
falando em aumento salarial, o que seria justo,
diga-se de passagem.
Adalberto Cardoso
Se 70% dos universitários estão
nas escolas privadas, isso quer dizer que o ensino
superior brasileiro é privado, ou majoritariamente
privado. E isso, eu acho, dificulta muito e cada
vez mais o movimento dos professores públicos.
E o ensino privado não faz greve não
é só porque tem retaliação,
é porque é tudo horista. As pessoas
não têm estabilidade no emprego,
muitas vezes não têm carteira assinada
e dão aula em vários lugares, em
cinco, seis universidades. Seis horas ali, dez
horas acolá, 12 horas ali, entendeu? Então,
como é que você faz greve com esses
caras? Não tem jeito. É um tipo
de vinculação funcional que não
vai. Mesmo que você não tenha retaliação
no ensino privado - e tem, ela é pesada
-, mas mesmo que não tivesse, para você
fazer uma greve no ensino privado, fora algumas
poucas universidades que têm condições
de trabalho parecidas com a coisa pública
a PUC, a FGV é uma impossibilidade.
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FOLHA
DIRIGIDA ONLINE Por que as greves
do magistério são sempre de
longa duração? Falta habilidade
nas tentativas de negociação?
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Roberto Leher
A questão decorre, em grande parte, do
projeto que está em curso. É a tática
de tentar enfraquecer o movimento pelo atraso,
pela demora, de tentar desgastar o movimento para
que ele não tenha força de se impor.
E não é pelo fato de ser público
ou privado, porque na França as últimas
greves foram extremamente rápidas. Na universidade,
no ensino técnico, no ensino básico,
de uma forma geral as greves são rápidas.
Mas aqui no Brasil temos greves em que o ministro
demora 40 dias para receber o sindicato. E 40
dias de greve não é qualquer coisa.
Isso se deve muito à forma não-substantiva
da democracia. Desde a transição
das ditaduras para o chamado governo civil houve
uma operação, no meu entendimento,
muito bem construída. Existe o parlamento
funcionando, existem eleições, então
o país é democrático. Mas
na realidade nós não temos concretamente
um Estado que se paute pela democracia. Então
isso dá condições muito especiais
aos dirigentes do Estado, seja para aplicar medidas
extremamente violentas, como foi o caso da greve
dos petroleiros em 1995, seja para tentar fazer
esse trabalho que foi citado aqui, de desgaste
ideológico, de ir minando a força
da greve, como uma tática que tem objetivos
de longo prazo. Ou seja, não é só
derrotar aquela categoria naquela greve específica,
mas é derrotar e enfraquecer o sindicato
enquanto entidade. Daí porque as greves
em geral se caracterizam por greves longas.
Insisto que não há mecanismos no
estado que permitam uma negociação
mais concreta, mais efetiva. As negociações
são um jogo de força em que não
há muitas mediações. E os
dirigentes do Executivo se sentem à vontade
por não ter mediação. Nós
tentamos a mediação do STJ (Superior
Tribunal de Justiça), na greve passada,
que aceitou ser mediador, mas o Executivo não
aceitou. Nós tentamos via CNBB (Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil), mas também
não foi aceito. Isso expressa um projeto
de sociedade e tem rebatimentos fortes para a
democracia.
Os dirigentes do Estado têm uma autonomia
que não requer parlamento e não
requer Judiciário. Tanto que no Plano Diretor
da Reforma do Estado, quando o Bresser (ex-ministro
da Administração Federal, Bresser
Pereira) conceitualiza o que seria o Núcleo
Dirigente do Estado, se esquece, entre aspas,
de colocar o Legislativo. Ele até admite
que o STF (Superior Tribunal Federal) tem a ver
com a Direção Superior do Estado,
mas não coloca o parlamento em nenhum momento.
E não é uma opção,
não é um esquecimento, é
porque não requer mesmo. O Fernando Henrique
governou por meio de medidas provisórias
e há uma ingerência da Advocacia
Geral da União sobre o Judiciário
que é absolutamente absurda. Foram criadas
situações completamente absurdas
nas greves, a ponto de eles conseguirem, por meio
de pressão imediata nos setores judiciários,
que imputassem à nossa greve uma multa
diária de R$50 mil não só
para o sindicato, mas para cada dirigente. Isso
é uma situação obviamente
ridícula, mas que poderia inviabilizar
uma greve. E em muitas dificuldades o Judiciário
tentou e afirmou sua autonomia, mas com muita
dificuldade. Essa falta de democracia é
que faz que as greves sejam longas. Cada greve
é uma guerra com muitas batalhas, são
muitas trincheiras de luta, sem que haja, infelizmente,
uma preocupação com o bem público.
Mas ainda não conseguiram quebrar completamente
a imagem da universidade pública, porque,
apesar de ser minoritária, setores importantes
da sociedade gostariam que seus filhos estudassem
numa universidade pública, não só
pelo fato óbvio de ser gratuita, pelo menos
em tese, mas pela questão da qualidade.
E as instituições privadas que mantêm
ensino de qualidade - e elas existem - são
excessivamente caras. Dependendo do curso, cobram-se
mensalidades de R$600, R$700, R$800 e até
mais. Isso obviamente não é para
qualquer um.
Paulo Fábio Salgueiro
Outra coisa que a gente tem de começar
a discutir com muita profundidade é a Lei
de Orçamento. Só num Estado absolutamente
monocrático pode o Executivo ter o poder
que tem sobre o Orçamento, que hoje é
quase uma peça de ficção.
Tem-se o Orçamento, mas não se tem
o dinheiro, nem autorização para
executar. Se esse Estado brasileiro vai tomando
um rumo diferente do rumo financeiro neoliberal
que foi dado, você vai ter de colocar essas
questões na mesa. O governador (do estado)
anterior, sem orçamento sem nada, enfiou
uma canetada e prometeu um reajuste. Em outubro
do ano passado ele aprovou uma lei que aumentou
de 25 para 30 tempos a matriz das escolas de ensino
médio do Rio de Janeiro.
Continua>>
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