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Valorizar a escola pública é
promover a inclusão social. A frase,
da secretária municipal de Educação,
Sônia Mograbi, revela um pouco do teor desta
entrevista, onde foram analisadas algumas das
questões que estão relacionadas
ao atual sistema de ensino da rede pública
de Educação. Para a secretária,
o grande desafio da escola pública dos
dias de hoje é trabalhar com a diversidade,
pois é necessário atender a distintos
segmentos da sociedade que a procuram.
Não basta garantir a matrícula,
mas a permanência deste aluno e seu êxito
escolar, observou, acrescentando também
que, dentre as características indispensáveis
ao professor, estão a boa preparação,
a competência técnica para ensinar
e, principalmente, a atenção aos
acontecimentos do Brasil e do mundo. Confira a
entrevista:
FOLHA DIRIGIDA - O que o uso mais freqüente
da tecnologia mudou no sistema de ensino nos últimos
cinco anos? Como ficou a relação
professor-aluno?
SÔNIA MOGRABI - Hoje é senso
comum discutir a contribuição que
a tecnologia pode trazer para o ensino. Lembro-me
de que na primeira gestão do prefeito Cesar
Maia, quando foi criada, em 1995, a Multirio,
Empresa Municipal de Multimeios, ligada à
Secretaria Municipal de Educação,
foram feitas críticas em uma perspectiva
equivocada de que o professor seria substituído
pela televisão. Vídeos, programas
televisivos, computadores são instrumentos
que vêm contribuindo para o enriquecimento
da prática pedagógica. No dia 19
de novembro, a Secretaria Municipal de Educação
estará promovendo o Seminário Latino-Americano
A Escola na Idade Mídia, quando
estaremos discutindo a mídia e sua influência
no processo educativo. Uma exposição
mostrará livros, jornais, rádios,
vídeos, sites produzidos por escolas da
rede que já utilizam, com sucesso, a tecnologia.
FOLHA DIRIGIDA - Que avaliação
pode ser feita, hoje, do sistema de ciclos de
ensino implantado na rede municipal de ensino?
Há previsão de ampliar este mecanismo
para outras séries?
SÔNIA MOGRABI - Quando assumimos, em
2001, promovemos encontros com todos os professores
regentes do ciclo para ouvi-los. Constatamos a
necessidade de que a totalidade dos professores
envolvidos fosse capacitada, já que, no
ano de 2000, quando o sistema foi implantado,
apenas 7% tiveram esta oportunidade. Instituímos
as classes de progressão no ciclo para
aqueles alunos que iniciaram na rede com idade
defasada ou que não constituíram
os conhecimentos necessários de leitura
e de escrita. Formamos as Comissões de
Professores, eleitas nas 10 Coordenadorias Regionais
de Educação, que discutem e multiplicam
com os seus colegas essa nova forma de organização
escolar. Após um ano e meio, podemos dizer
que será mantido o primeiro Ciclo de Formação
e que não há previsão de
ampliação para outras séries.
FOLHA DIRIGIDA - É comum a referência
à escola pública de outras épocas
como sendo de qualidade, opinião que se
desgastou ao longo dos anos. O que vem sendo feito
para a recuperação desta imagem?
SÔNIA MOGRABI - Aquela escola tão
reverenciada era basicamente de classe média.
Hoje, a escola pública é inclusiva,
atendendo a todos os segmentos da sociedade que
a procuram. Trabalhar com a diversidade é
seu grande desafio e não basta garantir
a matrícula, mas a permanência deste
aluno e seu êxito escolar. Estamos construindo
e reformando escolas, tornando estes espaços
equipados e adequados ao ensino. É fundamental
promover concursos para dotar as escolas de recursos
humanos indispensáveis ao seu funcionamento,
ao mesmo tempo em que oferecemos atualização
permanente aos profissionais. Recursos como o
FUNDEF (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental)
precisam ser ampliados, incluindo a Educação
Infantil e o Ensino Médio.
FOLHA DIRIGIDA - Como a Sra. analisa a formação
dos professores atuais? Qual é o perfil
ideal do professor para atuar na rede municipal?
SÔNIA MOGRABI - Há muito vem
se questionando a formação do professor.
O debate tem se intensificado, a partir do novo
patamar estabelecido em 1996 pela LDB (Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional).
Penso que deve ser aprofundada esta discussão
entre a universidade e os gestores das redes.
É difícil definir o que seria o
professor ideal, porém sabemos da importância
de ele estar bem preparado, ter competência
técnica para ensinar, sua principal tarefa,
devendo estar antenado com o mundo em que vivemos.
Uma formação interdisciplinar se
faz necessária e ela deve valorizar seus
alunos, dando-lhes vez e voz no espaço
escolar. É fundamental estar aberto a uma
atualização permanente, tarefa que
não pode ser negligenciada pelos governos,
que, também, devem facilitar o acesso aos
bens culturais. Criamos um Grupo de Trabalho para
promover estudos e elaborar propostas para um
novo Plano de Carreiras dos Profissionais da Educação,
que devem ser cada vez mais valorizados.
FOLHA DIRIGIDA - Atualmente, que critérios
devem ser considerados para definir uma boa escola?
SÔNIA MOGRABI - A boa escola tem uma
direção que privilegia a gestão
participativa, promovendo a construção
do seu projeto político-pedagógico,
discutindo o emprego dos recursos a que tem direito,
valorizando a representatividade do Conselho Escola-Comunidade
e do Grêmio de Alunos, e dinamizando com
sua equipe os Centros de Estudos. Quando o gestor
é aberto às inovações,
tem competência e transparência nos
seus procedimentos, passa a ser referência
para a comunidade.
FOLHA DIRIGIDA - De que forma a sociedade
pode contribuir para a melhoria da escola pública?
SÔNIA MOGRABI - A parceria com os diversos
segmentos da sociedade é importante, pois
é preciso compreender que valorizar a escola
pública é promover a inclusão
social.
FOLHA DIRIGIDA - O que mudou na rede municipal
de ensino com a implantação da LDB?
SÔNIA MOGRABI - É importante
frisar que nos constituímos em um Sistema,
composto por 1.035 escolas públicas, 465
creches que estão sendo transferidas da
Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social,
atendendo à Lei que orienta no sentido
de não somente cuidar, mas também
educar, além de 1.863 instituições
infantis da rede privada. O trabalho descentralizado,
preconizado pela Lei, já vinha sendo desenvolvido,
respeitando a diversidade, mas obtendo a unidade
através do Núcleo Curricular Básico
Multieducação.
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