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Na pauta de discussões, entre outras
questões, a qualidade do ensino básico
diante da grande cobrança das provas do
vestibular, além do crescente número
de matrículas na rede pública e
suas possíveis conseqüências
para as escolas perticulares.
Na opinião do diretor do Instituto
Abel, professor Irio Molinari, é fundamental
que as escolas públicas tenham condições
de atender a toda a sociedade, com ensino de qualidade.
A escola particular deve ser uma opção
diferencial da família, afirmou o
professor, que também acredita que a biblioteca
deve ser o centro de gravidade de uma escola para
que a sociedade tenha um poder criativo e inventivo
cada vez mais eficaz.
Já o professor Luiz Antônio Guimarães,
diretor do Colégio/Curso Martins, acredita
que a qualidade do ensino tem melhorado bastante,
embora todo trabalho ainda esteja voltado para
as provas do vestibular. Outra crítica
do professor diz respeito à educação
especial. Para ele, somente as escolas especiais
devem atender a esses alunos, tanto pela falta
de uma estrutura adequada nas escolas, quanto
pela formação dos professores, que
não abrange este trabalho.
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Professor Irio Molinari - Instituto
Abel
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Folha Dirigida - Um dos temas recorrentes
no Brasil é a educação especial.
O senhor acredita que escolas e professores estão
preparados para atender às crianças
com algum tipo de deficiência física?
Irio Molinari - A educação especial,
como o próprio nome o diz, reveste-se de
características especiais. O aluno portador
de alguma deficiência física, sem
dúvidas, leva uma enorme carga de preconceitos
contra ele. Existem estudos que indicam que a
melhor forma de educação de um deficiente
físico é incorporando-o numa turma
normal de alunos. Pareceres legais e a legislação
de ensino também orientam neste sentido.
Contudo, temos que reconhecer a grande dificuldade
que isto representa para as escolas e para a própria
sociedade. A limitação de recursos
físicos e humanos para lidar adequadamente
com as diferentes formas de deficiência
física dos alunos é enorme. A mudança
de postura educativa dos colegas, dos professores
e da sociedade em geral é um verdadeiro
desafio que as escolas necessitam enfrentar. Acredito
que muitos não estão preparados
para ele. Cabe aqui toda uma reflexão sobre
o mundo dos excluídos. Educar pessoas normais
já é difícil. Imaginemos
ter que tratar com pessoas surdas, mudas, cegas,
etc. num ambiente normal de sala de aula! A educação
inclusiva tem o sentido e o propósito de
acolhimento às diferenças. Nos dias
de hoje, as diferenças são e serão
cada vez mais freqüentes. Desse modo, conviver
com as diferenças é algo de nosso
cotidiano. Esse fenômeno, alguns teóricos
chamam-no de tratado da alteridade. No entanto,
como a escola é vida e não o lugar
de preparação para a vida, a problemática
da educação especial deverá
ser enfrentada com a maior urgência possível,
do contrário estaremos perpetuando o fenômeno,
nada cristão e nada humano, da exclusão
social.
Folha Dirigida - Educadores são unânimes
ao apontar a importância da leitura para
a formação de crianças e
jovens. Na sua opinião, as escolas exploram
o potencial dos livros de forma adequada em todos
os seus níveis?
Irio Molinari - A biblioteca deve ser o centro
de gravidade de uma escola. Ao redor dela deve
girar todo o processo de ensino e aprendizagem.
Desde os primeiros anos escolares a criança
deve ser familiarizada com o livro e com a biblioteca.
Uma sociedade que lê é uma sociedade
culta, e como tal, com poder criativo e inventivo
cada vez mais eficaz. É evidente que a
escola não deve ser deixada sozinha nesta
gigantesca tarefa de fazer o aluno ler mais. Esta
é uma tarefa de toda a sociedade e da família
em especial.
Folha Dirigida - De que forma a expansão
das matrículas de alunos nas redes públicas
têm afetado as instituições
particulares?
Irio Molinari - Excelente pergunta! A resposta
é simples: em nada. Pelo contrário.
Fico feliz em saber que a rede pública
aumentou a sua quantidade de matrículas.
Para isto pagamos impostos e defendemos o ensino
público de qualidade. A escola particular
deve ser uma opção diferencial da
família e da sociedade. O normal é
que a escola pública tenha condições
de atender a toda a sociedade. A escola particular
só se justifica se ela tiver um diferencial
de qualidade ou de ideologia que a torne competitiva
na sociedade na qual está inserida. No
entanto, defendo a idéia de que quanto
maior a quantidade de escolas melhor. Aumentam
os desafios de administradores e de professores
para um livre mercado competitivo e de alta qualidade.
A sociedade sai ganhando porque tem melhor poder
de escolha, de acordo com seus interesses e condições
socioeconômicas. A universalização
do ensino fundamental e médio está
longe de ser uma realidade entre nós. Está
na hora de fazermos uma opção preferencial
pela educação de qualidade.
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Professor Luiz Antônio Guimarães
- Colégio Martins
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Folha Dirigida - Muitos professores de nível
superior criticam a formação dos
alunos que ingressam nas universidades. Como o
senhor vê, de uma forma geral, a qualidade
dos ensinos fundamental e médio praticados
hoje no Brasil?
Luiz Antônio Guimarães - Essa
pergunta é boa. Já existe uma melhora
na qualidade dos ensinos fundamental e médio.
O problema é que todo trabalho se faz voltado
para as provas do vestibular. E a cobrança
é muito geral, não se tem como ensinar
as particularidades de cada curso. Então
o aluno chega à universidade para estudar
Medicina, mas na escola se dedicou ao conteúdo
do vestibular. Ele estuda para ter condições
de acesso somente. O sistema de acesso é
que é falho, o aluno muitas vezes tem o
perfil da universidade, mas não do curso
em si. Ele tem o conhecimento básico e
não a aptidão. O aluno se prepara
para o concurso e não para uma formação
específica. E às vezes ele nem sabe
se é isso mesmo o que quer. Eu mesmo fiz
vestibular para Engenharia e um ano depois percebi
que queria Arquitetura. O que precisa mudar é
a concepção de ensino médio,
de se preocupar com o vestibular. É necessária
uma avaliação constante. Não
é a educação que está
errada, é o acesso. Tem muita gente para
pouca vaga, e a idade contribui. Eles precisam
definir muito cedo. É preciso um trabalho
mais consistente, de acompanhamento, para que
eles possam se descobrir também.
Folha Dirigida - Educadores são unânimes
ao apontar a importância da leitura para
a formação de crianças e
jovens. Na sua opinião, as escolas exploram
o potencial dos livros de forma adequada em todos
os seus níveis? Como o senhor acredita
que este trabalho pode ser desenvolvido de maneira
correta e proveitosa?
Luiz Antônio Guimarães - Acredito
que ainda pode melhorar muito, mas já está
melhor do que era antes. Posso falar da minha
experiência. Desde a classe de alfabetização
à 3ª série do ensino médio
os alunos têm que ler e trabalhar com 44
livros. Que a leitura é importante é
evidente, pois só quem lê sabe interpretar.
É preciso criar um hábito de leitura
nos alunos para não formar pessoas que
não raciocinam. Assim como a leitura, a
redação também deve ser trabalhada
em todos os momentos da formação.
Até porque na universidade o aluno não
tem mais Língua Portuguesa e isso é
um absurdo. Veja como o país é engraçado,
os trabalhos com leitura e redação
só vão até a 3ª série.
Os cursos tecnológicos da universidade,
os biomédicos, não têm esse
trabalho. Não aprendem nem a escrever uma
carta, um relatório, coisas cotidianas.
É obvio, quem lê está mais
aberto a conhecimentos, está mais preparado.
Folha Dirigida - De que forma a expansão
das matrículas de alunos nas redes públicas
tem afetado as instituições particulares?
Luiz Antônio Guimarães - As escolas
particulares só sobrevivem se forem boas.
A tendência natural daquelas que não
têm uma proposta de trabalho séria
é sumir. Por isso, é vantagem que
as escolas de ensino público se fortaleçam.
Isso iria obrigar uma crescente procura pela qualidade
do ensino particular porque quanto mais forte
for o ensino público, mais forte o ensino
particular tem que ficar. É correr atrás
da dedicação para educação,
e buscar o aperfeiçoamento constante. Com
o ensino público de qualidade todo mundo
sai ganhando, o Brasil sai ganhando. E a competição
vai ser legítima. Por exemplo, a Uerj não
vai precisar se preocupar com a reserva de vagas
para alunos de escolas públicas.
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