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Para comemorar o Dia do Professor, a FOLHA
DIRIGIDA está publicando entrevistas com
educadores dos ensinos fundamental e médio
sobre os rumos da educação básica
nos dias de hoje. Buscando sempre a reflexão
como uma maneira de estimular a qualidade do ensino
no Brasil, serão abordados temas recentes,
como a chegada da internet como mais uma ferramenta
nas salas de aula e a séria discussão
sobre educação especial.
Presidente do Sindicato das Escolas Particulares
do Rio de Janeiro (Sinepe-RJ) e diretor-presidente
do Sistema MV1, o professor José Antônio
Teixeira afirma que a Lei de Diretrizes e Bases,
implementada em 1996, foi um marco na educação
básica, já que as escolas e os profissionais
da educação estão se esforçando
para formar bons alunos, com o estímulo
à leitura e a atualização
constante de professores. Diretor do Santa Mônica
Centro Educacional, o professor Albano Parente
destaca o uso das novas tecnologias como a mais
recente conquista das escolas, ressaltando, no
entanto, a necessidade de um senso crítico
do educador em sua utilização.
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Professor José Antônio Teixeira
- Sistema MV1
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Folha Dirigida - Muitos professores de nível
superior criticam a formação dos
alunos que ingressam nas universidades. Como o
senhor vê, de uma forma geral, a qualidade
dos ensinos fundamental e médio praticados
hoje no Brasil?
José Antônio Teixeira - A qualidade
de um bom professor, assim como a de um bom médico,
não pode ser aferida por estágios
universitários. O bom professor, e o bom
médico, surgem no mercado de trabalho,
na sala de aula. Há dois tipos de profissional
do magistério. Os mais experientes, com
formação superior a 20 anos, que
se atualizam para exercer o novo sentido da LDB,
e os mais novos, que embora estejam chegando agora
não conseguem ter na universidade a base
de formação para o pleno exercício
da profissão. Destes se espera um esforço
maior para complementar as habilidades e competências
que as diretrizes da educação básica
passaram a exigir, a partir de 1996. Foi preciso
se adequar, somar a multidisciplinaridade, a interdisciplinaridade,
por exemplo. Isso afeta os alunos em sala de aula.
O aluno na mão dos mais novos deve cobrar
coisas além daquelas para qual o professor
está preparado. É só comparar.
Mas o aluno não chega a ser atingido ou
prejudicado. Eu vejo um esforço fantástico
desses professores.
Folha Dirigida - Educadores são unânimes
ao apontar a importância da leitura para
a formação de crianças e
jovens. Na sua opinião, as escolas exploram
o potencial dos livros de forma adequada em todos
os seus níveis? Como o senhor acredita
que este trabalho pode ser desenvolvido de maneira
correta e proveitosa?
José Antônio Teixeira - As escolas
estão aumentando muito sua preocupação
com a leitura. A LDB, de 1996, foi um marco importante
na educação. A partir de então,
a leitura está sendo um componente curricular,
assim como a redação. E o melhor
é que essa adesão está sendo
espontânea, está nascendo das próprias
escolas este incentivo à leitura. Para
a rede pública, o MEC está distribuindo
livros paradidáticos. Nas escolas particulares
em que já existia esse tipo de trabalho,
ele está sendo intensificado. Um atestado
para isso é que o número de estudantes
com menos de 16 anos que visitam a Bienal sofreu
um aumento significativo. E já existem
materiais para travar um contato com a leitura
de alunos recém-alfabetizados. A dificuldade
da escola está em ainda não conseguir
manter o hábito da leitura fora do ambiente
escolar. O grande contato com a TV e a internet
pode atrapalhar a leitura, e essa resposta a educação
ainda não tem, de como realizar um bom
convívio entre a tecnologia e a leitura,
a reflexão.
Folha Dirigida - De que forma a expansão
das matrículas de alunos nas redes públicas
tem afetado as instituições particulares?
José Antônio Teixeira - O que
acontece é que houve uma redução
da população que chega ao ensino
médio. Em 1986, o registro de nascimentos
era menor do que dois, a chamada bolha demográfica.
Com a diminuição do número
de filhos, diminuiu a demanda pelo ensino fundamental,
que agora chegou ao ensino médio. E a escola
particular deixou de ser uma opção
para cobrir a necessidade da rede pública.
Hoje, o ensino fundamental já pode atender
à demanda, principalmente com os recursos
públicos do Fundef, e a escola particular
está voltando a ser uma alternativa. Nos
anos 50 e 60, as famílias procuravam uma
escola preocupadas com sua filosofia ou religião
e não por falta de vagas nas escolas públicas.
As escolas particulares devem viver em regime
de liberdade, sobretudo a liberdade de escolha.
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Professor Albano Parente - Santa
Mônica Centro Educacional
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Folha Dirigida - Muitos professores de nível
superior criticam a formação dos
alunos que ingressam nas universidades. Como o
senhor vê, de uma forma geral, a qualidade
dos ensinos fundamental e médio praticados
hoje no Brasil?
Albano Parente - Fica claro que a base de
qualquer projeto impõe que as condições
que o criaram sejam fortes, compactas e principalmente
com bases que permitam uma consistência
sólida e contínua. O ensino tem
características regionais que são
específicas, realidades econômicas
que interferem nos resultados e verdades políticas
que representam a vontade de se fazer o que deve
ser feito, com competência e com qualidade.
Ao se fazer qualquer crítica tanto ao fudamental
como ao médio, deve-se também questionar
a formação dos próprios professores
universitários, identificando se as instituições
superiores estão desempenhando o seu real
papel ou se apenas acompanham as deficiências
ou vazios que foram criados nos ensinamentos de
base.
Folha Dirigida - A seu ver, professores e
alunos já estão preparados para
utilizar as novas tecnologias de forma adequada?
Albano Parente - A internet é uma realidade
e uma conquista que tem a força de expandir
o conhecimento a todos os lugares do mundo, a
um só tempo e sem barreiras. É um
instrumento de cultura. Não pode ser usada
como mero instrumento de pesquisa ou de curiosidade.
O que é preciso fazer é levar o
professor e o aluno a desenvolver seu próprio
senso crítico e de análise. É
fazer que as informações não
representem a essência da resposta nem tampouco
a imposição de uma verdade. A Internet
é o grande aliado na busca do conhecimento
amplo e moderno. Cabe aos professores e alunos
perceberem que não basta navegar.
É preciso ter o mapa de rota para que se
leve o aluno a buscar suas próprias respostas
e obtenha suas convicções baseadas
nas pesquisas orientadas para o objetivo que se
deseja. Nas colas, estão pontos
de vista e de análise de autores que deram
sua própria visão do que descobriram
ou entenderam. Cabe a nós, professores,
levar o aluno a criar suas próprias conclusões,
ajudando-os, sem impor roteiros e aceitá-los
como um progresso e um crescimento de quem buscou
algo diferente.
Folha Dirigida - Um dos temas recorrentes
no Brasil é a educação especial.
O senhor acredita que escolas e professores estão
preparados para atender às crianças
com algum tipo de deficiência física?
Como esta adequação pode ser realizada?
Albano Parente - A educação
é um direito de todos e por essa razão
as escolas querem e devem atender às especificidades.
Ocorre que o problema não é tão
simples quanto parece, pois educação
especial impõe a existência de profissionais
especiais com a respectiva formação
especial. Na verdade a pergunta se desdobra em
outra indagação: as Universidades
estão aptas e podem oferecer formação
especial para todos os professores? Como seriam
os currículos? O tempo de formação
seria alterado? As escolas particulares assim
mesmo atendem a todos com eficiência e competência
quando o tipo da deficiência física,
não exige a escola especializada exclusiva
para casos diferenciados.
Folha Dirigida - De que forma a expansão
das matrículas de alunos nas redes públicas
tem afetado as instituições particulares?
Albano Parente - Não podemos olhar
a expansão das matrículas das escolas
da rede pública como um fator de interferência
e inibição das matrículas
nas escolas particulares. O ensino particular
sempre existiu como opção das famílias
e sempre existirá, e assim como nunca ocorreram
confrontos a existência dessas oportunidades
e opções é bastante salutar
e um processo democrático com visões
sociais diferenciadas.
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