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Edson Nunes é a voz do Rio de Janeiro
no Conselho Nacional de Educação
(CNE). Empossado este ano, ao lado de outros cinco
novos conselheiros, o pró-reitor da Universidade
Candido Mendes chegou ao colegiado junto com uma
onda de mudanças.
Ao participar de um Conselho mais plural, o único
representante do Rio de Janeiro no CNE acredita
que o órgão precisa diminuir seu
trabalho cartorial. Em entrevista à FOLHA
DIRIGIDA, Edson Nunes explicou que, além
de ser um órgão de formulação
e de assessoria na área de política
pública, o colegiado deveria também
começar a ser mais propositivo. O
papel do Conselho, em certos sentidos, foi renovado
à medida que se restringiu o número
de processos de credenciamento, reconhecimento
e autorização de uma gama enorme
de cursos. Portanto, está sobrando mais
tempo para questões substantivas de política
pública, ressaltou.
Segundo Edson Nunes, o Conselho já dá
sinais visíveis de que caminha no sentido
de uma política mais atuante. O principal
deles foi a aprovação de um programa
de trabalho, indicando pontos que confirmam a
perspectiva de maior interação do
CNE com a sociedade.
O programa apresenta quatro pontos fundamentais,
a começar pelo acompanhamento do Plano
Nacional de Educação, que exigirá
uma ampla análise das estatísticas
educacionais. O segundo ponto é o estreitamento
das relações entre o CNE e os conselhos
estaduais e municipais de educação.
No dia 3 de dezembro será instalado, através
de uma teleconferência que terá como
tema o ensino básico, o Fórum Brasil
de Educação, terceiro ponto fundamental
do planejamento do CNE para os próximos
dois anos. Após esse lançamento,
o objetivo é realizar encontros regionais
a cada dois meses, também dentro da estratégia
de aproximação com os conselhos
estaduais e municipais.
O quarto e último ponto do programa de
trabalho é a Memória e Documentação
do CNE, que passará a investir de forma
regular na sua comunicação, organização
de seu histórico e disponibilização
eletrônica de pareceres e pesquisa. Esse
ponto é fundamental para a maior interação
entre o CNE e a sociedade. Tornando esses dados
públicos, o conselho estará mais
visível e também aberto a análises
de terceiros, defende Edson Nunes.
Graduado em Direito e Ciência Política
pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Edson
Nunes ainda considera o financiamento aos estudantes
do ensino superior uma das questões mais
urgentes para serem abordadas pelo colegiado.
A urgência, às vezes, é
dada por questões muito mais emergentes
do que de relevância. Talvez, se nós
pudéssemos separar o que é substantivamente
importante do que é urgente, diria que
o financiamento não só é
urgente como também é uma questão
fundamental para ser resolvida, esclareceu.
PhD em Ciência Política pela Universidade
de Berkeley, Edson Nunes disse que o fato de ser
o único representante do Rio de Janeiro
no colegiado é uma tendência transitória.
O fato não é reflexo do peso
relativo do parque educacional fluminense, muito
menos da qualificação dos recursos
humanos no Estado do Rio. Talvez a conjuntura
tenha favorecido a presença de um único
representante, ponderou.
Com uma trajetória profissional e acadêmica
que combina atividade no setor público
e no setor privado, e uma trajetória longa
em universidades brasileiras e estrangeiras, o
pró-reitor da Universidade Candido Mendes
afirmou que pretende dissipar um pouco as fronteiras
entre o que se chama de público e privado
na educação superior. É
preciso trazer para frente da conversa a idéia
de que educação é sempre
um assunto público. Acredito que a minha
contribuição será um reflexo
da minha própria trajetória profissional,
que é o meio do caminho entre o público
e o privado, revelou.
Integrante da Câmara de Ensino Superior
do CNE, Edson Nunes definiu o Provão (Exame
Nacional de Cursos) como uma experiência
muito positiva porque a avaliação
começou a trazer para a preocupação
pública a idéia de que é
importante conhecer os resultados. No entanto,
uma de suas principais lutas no meio educacional
tem sido desmistificar a apresentação
dos resultados Provão. Em suas ponderações,
não abandonou os aspectos socioeconômicos,
argumentando que os dados seriam mais transparentes
se não fossem classificados em conceitos.
O que precisa ser mais bem discutido é
que, em muitas vezes, a nota A não passa
de um cinco e meio ou um seis. É preciso
desmistificar um pouco este sistema de apresentação
de resultados em conceitos A, B, C, D e E. Quando
se criam conceitos, a realidade daquilo acaba
se perdendo. Se divulgássemos o ranking
completo das notas, talvez fosse mostrado melhor
o quanto nós ainda temos de crescer, porque
as notas que correspondem aos melhores conceitos
ainda são baixas, concluiu.
Outra crítica que o integrante do Conselho
Nacional de Educação levantou foi
a de que o Provão não mede, de fato,
o que os alunos aprenderam na faculdade, mas sim
o que sabiam ao sair no ensino superior. Como
eles vêm de famílias diferentes e
de colégios diferentes, este é o
mérito. Como este mérito é
aferido na saída, não se sabe o
conhecimento do estudante ao ingressar no ensino
superior. Portanto, conhecendo somente o momento
final e não o marco zero
como saber quanto o sujeito cresceu? Foi a universidade
que ensinou ou era o conhecimento que ele já
trazia das famílias, dos bons colégios,
que foi crescendo naturalmente como cresceria
de toda a forma?, questionou.
Contudo, Edson Nunes ponderou que esse problema
tende a ser resolvido à medida que o Enem
(Exame Nacional do Ensino Médio) for universalizado.
Nesse estágio saberemos quanto os
alunos sabiam ao sair do ensino médio e
quanto aprenderam entre a saída do ensino
médio e o final da universidade. Portanto,
será possível medir um pouco melhor
o quanto de valor a universidade agrega aos estudantes,
completou.
Quanto aos resultados do Provão, o pró-reitor
da Universidade Candido Mendes explicou que o
objetivo é corrigir, dar mais oportunidade
e, se for preciso, dar maiores prazos às
instituições. A solução
é corrigir, acompanhar, fiscalizar, aplicar
outros corretivos, penalidades se for o
caso e criar incentivos para que as pessoas
e as instituições possam progredir.
É inválida a premissa de que é
desejável fechar a escola, acrescentou.
Edson Nunes acredita que os investimentos em
educação no Brasil já são
suficientes, em termos comparativos. Mas advertiu
que o problema não é a proporção
do Produto Interno Bruto (PIB) e sim o gasto per
capita. Quando analisamos o gasto per capita
brasileiro, ou seja, quando descartamos aqueles
grandes números do PIB e vemos quanto é
gasto por pessoa, percebemos que o Brasil está
muito atrás de países avançados.
Portanto, se em relação à
proporção do PIB o Brasil é
classificado como um país de normal a avançado,
em relação ao gasto per capita,
ainda é um país em franco processo
de desenvolvimento. Como conciliar os limites
do equilíbrio fiscal com a necessidade
de aumentar o seu gasto educacional per capita
é um desafio robusto, principalmente para
países passando por transições,
como o nosso, pontuou.
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