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Neste início de milênio encontramos
o mundo marcado pela globalização,
onde a hegemonia dos interesses do capital financeiro
transnacional empurra para a vala comum da miséria
povos, populações e até nações.
Países da América Latina, como Uruguai
e Argentina, que anos atrás vinham em processo
de crescimento, caracterizando-se por uma certa
qualidade de vida, vivenciam hoje um processo
crescente de pauperização.
Outra questão que nos deparamos é
a guerra irracional que ameaça a maioria
da população do planeta, belicismo
levado ao extremo em nome do combate ao fundamentalismo
e ao terrorismo. Mas, na verdade, os confrontos
se dão em defesa de novos mercados, promovendo
abandono, massacre e em muitos continentes como
na África, negação da infância
através da exploração da
mão-de-obra infantil, condenando milhares
de crianças à morte. Além
disso, observa-se o colapso dos sistemas públicos
de ensino, que passam a ser norteados por políticas
traçadas pelos interesses da Organização
Mundial de Comércio. É neste mundo
que existem sonhos de novas realidades possíveis.
Respeito às diferenças brotam como
riquezas capazes de reafirmar a condição
humana neste mundo, onde a dominação
financeira de um Norte rico e prepotente, que
detém as forças dominantes do capital,
subjugam um Sul a mergulhar a cada dia na barbárie
do conflito armado e à desesperança
originária dos irracionalismos que ameaçam
as civilizações, condenando a grande
maioria das populações ao analfabetismo,
à fome, à doença e à
morte. É aqui que valores como solidariedade,
liberdade e igualdade são indispensáveis.
São muitos e variados os movimentos que
as sociedades vêm promovendo como manifestações
propositivas de um mundo melhor, passando por
encaminhamentos das questões indígenas,
agrárias, contra o apartheid, o racismo,
a discriminação e a xenofobia. Alternativas
populares e democráticas vão-se
opondo às mega-políticas financeiras
do Banco Mundial, da Organização
Mundial do Comércio, do Fundo Monetário
Internacional, organismos que se intitulam reorganizadores
da economia do mundo.
É neste mundo marcado que se constitui
o Fórum Mundial de Educação,
chamando ao diálogo movimentos sociais
e governos, comprometidos com a democracia participativa
e com as causas populares, centros de produção
de conhecimento, sujeitos educadores, entidades,
discutindo e elaborando alternativas à
excludente globalização neoliberal,
no campo e na cidade.
Os mais de 15 mil educadores e educadoras, estudantes,
pesquisadores, governantes, sindicalistas, representantes
de múltiplas e diferentes forças
sociais e populares, que estiveram reunidos no
Fórum Mundial de Educação
em Porto Alegre-Brasil, em 2001, compreenderam
a educação pública, gratuita
e de qualidade para todos, como condição
necessária e possível ao erguimento
de uma cultura e situação de paz,
de melhores perspectivas de vida para a Humanidade.
Reafirmaram um caminho de possibilidades aos maltratados
pela ganância do capital e apresentam aos
governos de todos os países e a todos os
povos as convicções de que é
no exercício pleno do diálogo, da
auto-organização e determinação
dos povos que se abrem as comportas para uma nova
realidade.
É na globalização, fundada
na evolução tecnológica,
que se organizam os paradoxos da mundialização
econômica excludente dos organismos multilaterais
do capitalismo. A perspectiva de construção
de relações horizontais entre sujeitos
diversos de realidades díspares, mas com
objetivos comuns, unifica movimentos em torno
de articulações dialógicas
e dá a perspectiva possível de poder
a humanidade sonhar.
Ao mesmo tempo em que as lutas sociais se ampliam
no contraponto à barbárie liberal,
fortalecem-se os laços que fazem com que
se construa cotidianamente um calendário
de ações, articulado ao mesmo tempo
em nível planetário, com a participação
não só de organizações
sociais, como também de cidadãos.
O Fórum Mundial de Educação,
como parte deste fenômeno histórico
de rearticulação dos movimentos
contra-hegemônicos, em defesa da vida e
da educação, se constitui em referência
a educadores, entidades, organismos governamentais
e não-governamentais, comprometidos com
as causas da educação pública,
realizando-se como articulador das relações
horizontais em nível global.
O Fórum Mundial de Educação
se apresenta como realidade e possibilidade, na
construção de redes que incorporam
pessoas, organizações, movimentos
sociais e culturais locais, regionais, nacionais
e mundiais, que confirmem a educação
pública para todos como direito social
inalienável, garantida e financiada pelo
Estado, nunca reduzida à condição
de mercadoria e serviço, na perspectiva
de uma sociedade solidária, radicalmente
democrática, igualitária e justa.
A segunda edição do Fórum
Mundial de Educação será
de 19 a 22 de janeiro de 2003, em Porto Alegre/RS.
Informações pelo site www.forum
mundialdeeducacao.com.br ou pelo endereço
organizacao@forummundialdeeducacao.com.br.
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