Home Page
Página anterior
Home Page
 
Cadernos

A esperança: Uma nova ética

A Magia: Um lugar ao sol

A conquista: Os tempos do Saber

O Futuro: Um vôo sem limites

A construção: Uma base sólida

A caminhada: Um grande esforço

O trabalho: Uma tarefa nobre

O poder: A força da inteligência

A descoberta: Uma utopia possível
 
Entrevistados
Albano Parente
Alvani Figueiredo
Álvaro Carélli
Antônio Freitas
Antonio Luiz Mendes de Almeida
Arody Cordeiro
Ayrton de Almeida
Bernadete Gatti
Carlos Alberto Serpa
Carlos Ivan Simonsen
Carlos Lessa
Carlos Renato Alves de Souza
Cícero Rodrigues
Cláudio Contador
Denise Bahiense
Domenico de Masi
Edília Coelho
Eduardo Portella
Esther de Figueiredo Ferraz
Eunice Durham
Francílio Pinto Paes Leme
Frei Betto
Gonçalo Medeiros
Hélio Alonso
Hermínio da Silveira
Irio Molinari
João Pessoa de Albuquerque
José Antônio Teixeira
José Antônio Veiga
José CarlosPortugal
José Goldemberg
José Serra
Juçara Maria Vieira Dutra
Leandro Konder
Leonardo Boff
Luís Eduardo Tostes
Luiz Antônio Guimarães
Luiz Inácio Lula da Silva
Luiz Pinguelli
Marco Antonio Rodrigues Dias
Marco Antonio Lucidi
Maria Yedda Linhares
Mário Veiga de Almeida Jr
Marlene Salgado
Mary Ferraz Soares Lopes
Moacyr Bastos
Moysés Glat
Murílio Hingel
Nilcéa Freire
Padre Hortal
Paulo Alonso
Paulo Armando Areal
Paulo Renato Souza
Pietro Novellino
Ricardo Martins
Ricardo Vieiralves
Rui Alves
Rubens Ricúpero
Sergio Dias
Sônia Mograbi
Tarcísio Padilha
Terezinha Juraci Machado da Silva
Teresinha Machado
Terezinha Saraiva
Vera Gissoni
Vera Nepomuceno
William Faviere
 
 
 

Educação pública para todos como direito social inalienável


Eliezer Moreira Pacheco
é Coordenador Geral do Fórum Mundial de Educação

 

Neste início de milênio encontramos o mundo marcado pela globalização, onde a hegemonia dos interesses do capital financeiro transnacional empurra para a vala comum da miséria povos, populações e até nações. Países da América Latina, como Uruguai e Argentina, que anos atrás vinham em processo de crescimento, caracterizando-se por uma certa qualidade de vida, vivenciam hoje um processo crescente de pauperização.

Outra questão que nos deparamos é a guerra irracional que ameaça a maioria da população do planeta, belicismo levado ao extremo em nome do combate ao fundamentalismo e ao terrorismo. Mas, na verdade, os confrontos se dão em defesa de novos mercados, promovendo abandono, massacre e em muitos continentes como na África, negação da infância através da exploração da mão-de-obra infantil, condenando milhares de crianças à morte. Além disso, observa-se o colapso dos sistemas públicos de ensino, que passam a ser norteados por políticas traçadas pelos interesses da Organização Mundial de Comércio. É neste mundo que existem sonhos de novas realidades possíveis.

Respeito às diferenças brotam como riquezas capazes de reafirmar a condição humana neste mundo, onde a dominação financeira de um Norte rico e prepotente, que detém as forças dominantes do capital, subjugam um Sul a mergulhar a cada dia na barbárie do conflito armado e à desesperança originária dos irracionalismos que ameaçam as civilizações, condenando a grande maioria das populações ao analfabetismo, à fome, à doença e à morte. É aqui que valores como solidariedade, liberdade e igualdade são indispensáveis.

São muitos e variados os movimentos que as sociedades vêm promovendo como manifestações propositivas de um mundo melhor, passando por encaminhamentos das questões indígenas, agrárias, contra o apartheid, o racismo, a discriminação e a xenofobia. Alternativas populares e democráticas vão-se opondo às mega-políticas financeiras do Banco Mundial, da Organização Mundial do Comércio, do Fundo Monetário Internacional, organismos que se intitulam reorganizadores da economia do mundo.

É neste mundo marcado que se constitui o Fórum Mundial de Educação, chamando ao diálogo movimentos sociais e governos, comprometidos com a democracia participativa e com as causas populares, centros de produção de conhecimento, sujeitos educadores, entidades, discutindo e elaborando alternativas à excludente globalização neoliberal, no campo e na cidade.

Os mais de 15 mil educadores e educadoras, estudantes, pesquisadores, governantes, sindicalistas, representantes de múltiplas e diferentes forças sociais e populares, que estiveram reunidos no Fórum Mundial de Educação em Porto Alegre-Brasil, em 2001, compreenderam a educação pública, gratuita e de qualidade para todos, como condição necessária e possível ao erguimento de uma cultura e situação de paz, de melhores perspectivas de vida para a Humanidade. Reafirmaram um caminho de possibilidades aos maltratados pela ganância do capital e apresentam aos governos de todos os países e a todos os povos as convicções de que é no exercício pleno do diálogo, da auto-organização e determinação dos povos que se abrem as comportas para uma nova realidade.

É na globalização, fundada na evolução tecnológica, que se organizam os paradoxos da mundialização econômica excludente dos organismos multilaterais do capitalismo. A perspectiva de construção de relações horizontais entre sujeitos diversos de realidades díspares, mas com objetivos comuns, unifica movimentos em torno de articulações dialógicas e dá a perspectiva possível de poder a humanidade sonhar.

Ao mesmo tempo em que as lutas sociais se ampliam no contraponto à barbárie liberal, fortalecem-se os laços que fazem com que se construa cotidianamente um calendário de ações, articulado ao mesmo tempo em nível planetário, com a participação não só de organizações sociais, como também de cidadãos.

O Fórum Mundial de Educação, como parte deste fenômeno histórico de rearticulação dos movimentos contra-hegemônicos, em defesa da vida e da educação, se constitui em referência a educadores, entidades, organismos governamentais e não-governamentais, comprometidos com as causas da educação pública, realizando-se como articulador das relações horizontais em nível global.

O Fórum Mundial de Educação se apresenta como realidade e possibilidade, na construção de redes que incorporam pessoas, organizações, movimentos sociais e culturais locais, regionais, nacionais e mundiais, que confirmem a educação pública para todos como direito social inalienável, garantida e financiada pelo Estado, nunca reduzida à condição de mercadoria e serviço, na perspectiva de uma sociedade solidária, radicalmente democrática, igualitária e justa.

A segunda edição do Fórum Mundial de Educação será de 19 a 22 de janeiro de 2003, em Porto Alegre/RS. Informações pelo site www.forum mundialdeeducacao.com.br ou pelo endereço organizacao@forummundialdeeducacao.com.br.

 
 
 
Copyright © 2002, Folha Dirigida. Todos os direitos reservados.