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Um campo profissional abrangente a ser explorado

O professor Cláudio Contador ressalta que muitos profissionais podem se adequar
a um mercado que está em franca expansão


Secretário-executivo da Funenseg fala do mercado de seguros e da Educação

 

O professor e economista Claudio Contador, há dois anos no cargo de Secretário-Executivo da Fundação Escola Nacional de Seguros (FUNENSEG), destaca a qualidade do serviço oferecido pela Instituição, uma formadora, por princípio, mas geradora de diversas atividades de grande relevância para o país nas áreas de seguro e de pesquisa. Membro da Federação do Comércio do Estado de São Paulo e da Confederação Nacional do Comércio, no Rio de Janeiro, Claudio Contador defende investimentos maciços na educação, sobretudo das mulheres, e cobra incentivos à pesquisa de novas tecnologias. Eis a entrevista:

Folha Dirigida - Qual é o principal objetivo da FUNENSEG?
Claudio Contador
- A formação. Temos desde a área de formação básica profissional, que seria de corretores, atualmente não apenas de seguros, mas também de vida e previdência, além de uma série de outras atividades que envolvem publicações. Também formamos executivos, nas parcerias com os MBA’s, e a geração de pesquisa. Temos um programa no qual aproveitamos jovens que estejam fazendo teses relacionadas ao tema “seguro” e, se elas forem de boa qualidade, transformamos em livros. Ou seja, gera-se conhecimento específico publicado pela FUNENSEG. Firmamos parcerias com algumas universidades mas, de um modo geral, a pesquisa é aberta, e não apenas no Rio de Janeiro, mas no Brasil inteiro.

Folha Dirigida - O perfil do profissional de seguro mudou?
Claudio Contador
- Mudou muito. Atualmente o profissional de seguro precisa ser um gerenciador de riscos. Ele tem que ser um consultor. E a sua atividade não se restringe apenas à apólice de seguros. Este profissional tem que estar preparado também para ser um consultor financeiro, e acoplar uma série de outros produtos. É fundamental possuir uma formação geral, saber, por exemplo, sobre previdência e capitalização, dentre outros assuntos. E a FUNENSEG está realizando um importante trabalho neste sentido.

Folha Dirigida - O senhor acredita que as instituições de ensino deveriam dar mais atenção a área de seguros?
Claudio Contador
- Sim. O profissional, atualmente, tanto na área de Economia, quanto na área de Estatística, de Engenharia, sai da universidade graduado, e, às vezes, não tem emprego. A área de seguro é por excelência de administração de riscos, e que contempla uma variedade enorme de atividades. Um profissional com boa formação em Engenharia pode trabalhar com inspeção de risco e de acidentes. Trata-se de um amplo mercado.

Folha Dirigida - Os professores que ministram aulas na FUNENSEG são formados na própria Instituição?
Claudio Contador
- A grande maioria é formada na FUNENSEG. São bons profissionais. Mas para isso existe uma seleção rigorosa. Circulo pelo Brasil e é muito interessante verificar o orgulho dos profissionais de estarem transferindo o seu aprendizado para os alunos.

Folha Dirigida - E o que pesa mais na escolha do professor: a titulação ou a experiência em sala de aula?
Claudio Contador
- Os dois. Mas é importante citar que depende da turma. Se estivermos procurando um professor na área de MBA, por exemplo, é necessário dar maior ênfase à questão do conhecimento. No entanto, no caso da formação do corretor, é importante que o profissional tenha experiência e boa comunicação. No curso de corretor é fundamental que o professor tenha uma boa vivência, pois é essa vivência que ele terá que passar. Ele deverá contar os casos que presenciou. Isso fundamenta a formação do aluno.

Folha Dirigida - O ensino a distância poderia minimizar o problema do analfabetismo?
Claudio Contador
- Não. O ensino a distância não vai conseguir resolver o problema do analfabetismo porque, de alguma forma, é necessário existir alguma unidade com ensino presencial. É impossível tornar uma criança alfabetizada apenas com um microcomputador. E as pessoas que precisam ser alfabetizadas, na verdade, nem têm acesso ao micro. Esse é o outro lado do Brasil. O ensino a distância é um grande fator de impulso para melhorar a formação. Para isso ele é precioso.

Folha Dirigida - Ainda vale a máxima de que o brasileiro não gosta de ler?
Claudio Contador
- Isso mudou muito. O brasileiro, atualmente, já compra muito mais livros. Acho que a população está lendo mais, principalmente porque os livros baratearam muito. Mas não tenha dúvida de que estamos longe, muito longe, de outros países. É a questão do despertar, de acenar com a magia da leitura. O livro é eterno. Uma criança alfabetizada, e ela pode ser alfabetizada em pouco tempo devido ao surgimento de novas técnicas, é totalmente diferente de uma criança não alfabetizada. Mas para isso é primordial que se cultive a idéia da leitura, da busca do conhecimento. Não basta, por exemplo, realizar um programa de alfabetização de adultos, como ocorreu em décadas passadas, o chamado Mobral, porque forçava-se o aluno a ler numa fase da vida em que ele não precisava tanto da leitura. Acho que foi uma experiência extremamente válida mas, na verdade, é muito melhor oferecer a formação para uma criança, em particular, para as meninas. As meninas são muito mais importantes do que os meninos.

Folha Dirigida - Qual é a razão de se priorizar a educação das mulheres?
Claudio Contador
- Na verdade, uma menina alfabetizada exigirá um novo comportamento do marido, não vai aceitar agressões e terá menos filhos. Isso pode ser comprovado em pesquisas de comportamento. A mulher é multiplicadora, pois vai exigir que os filhos estudem. Elas tendem a ser mais responsáveis. Existem experiências muito interessantes, com pesquisas inclusive em comunidades carentes, em que se comparam mulheres alfabetizadas e não-alfabetizadas. A preocupação com a saúde das crianças, por exemplo, é totalmente diferente. Uma mãe alfabetizada terá, por exemplo, maior preocupação com a vacinação dos filhos. E veja, não estou exigindo que ela tenha curso universitário. Não é isso, basta oferecer uma formação mínima e a mulher acaba se interessando mais pela leitura do que o próprio homem. Embora seja óbvio que não se possa educar somente as meninas. A primeira-dama da República, a antropóloga Ruth Cardoso, insiste muito na educação feminina. Ela explica que a mulher educada vai ao posto, faz pré-natal e tem mais higiene. No entanto, não estou dizendo com isso que deva-se abandonar a educação masculina. Trata-se apenas de uma constatação comprovada em diversas análises.

Folha Dirigida - O senhor considera importante que o próximo governo do país priorize os níveis básico e médio da educação?
Claudio Contador
- O ensino fundamental no Brasil está passando por uma mudança muito grande. Efetivamente, diminuiu o número de crianças fora da escola, com exceção das que estão nas ruas ou sendo exploradas pelos pais, mas este é um caso de polícia. Lugar de criança é na escola. É preciso obedecer a Constituição e ela garante educação para todos, sem diferenciação. Na educação básica é fundamental recapacitar os professores, oferecendo maior apoio e salários mais atraentes. Já existe uma série de projetos, como o cheque-educação. O ex-governador do Distrito Federal e ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB), Cristovam Buarque, por exemplo, fez um programa fantástico de cheque-educação, que oferecia estímulo para que os pais mantivessem a criança no colégio. Porém, começo a me preocupar com o ensino médio e também com a universidade. Portanto, não é possível priorizar. A educação é encadeada.

Folha Dirigida - O senhor é favorável à reserva de vagas para alunos carentes em universidades públicas?
Claudio Contador
- A reserva de vagas demonstra uma discriminação muito grande. Na verdade, é necessário melhorar o ensino médio, pois para ingressar no ensino superior é preciso o componente do mérito. Não estou excluindo a idéia da bolsa, pois tive alunos que moravam em favelas e se tornaram excelentes profissionais. Considero que neste país é preciso atacar os problemas na raiz. Paliativos não vão resolver nossos problemas.

Folha Dirigida - Que país serviria como exemplo para o Brasil?
Claudio Contador
- A Coréia do Sul. Era um país extremamente pobre, com dois mil anos de atraso. Não eram 100 ou 500 anos, como o Brasil. E um dia eles resolveram mudar. No entanto, eles não tinham dois mil anos de analfabetismo. O coreano sempre leu. Havia uma tradição de ensinar as crianças a lerem em casa. O problema é que o ensino era divorciado da prática. No momento em que o Japão começou a investir na Coréia, para criar as indústrias, foi muito fácil, pois todos sabiam ler instruções.

Folha Dirigida - Qual sua opinião sobre o panorama educacional do Brasil?
Claudio Contador
- Melhorou. Na verdade, a educação se tornou mais universal. Foi a troca da qualidade pela quantidade. Atualmente, o acesso à educação é muito mais amplo e democrático. Porém, após este primeiro momento, é necessário que a qualidade e a quantidade estejam unidas. Esta busca deve ser intensa. Mas existe um problema sério para chegarmos a este ponto, que é a formação dos professores. E, neste caso, as universidades são culpadas, pois são elas que formam os professores do ensino médio. E, para agravar o problema, as universidades públicas, principalmente as federais, estão passando por uma grave crise financeira.

Folha Dirigida - Como está o nível do magistério?
Claudio Contador
- É preciso enaltecer a figura do professor. Não apenas como aquela pessoa que transmite informações, mas também que ensina conteúdos e cidadania. Acredito que a valorização do professor ainda vai demorar e não será um governo que resolverá esta questão. Torna-se necessário criar um novo professor para que ele seja novamente respeitado. Um profissional que seja bem remunerado e que tenha tempo e estrutura para se recapacitar. O professor deve se reciclar sempre. Ele não pode parar de estudar, sob pena de ficar defasado.

 
 
 
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