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A responsabilidade social como um dos focos da escolas

Educador analisa o papel da escola e ressalta a importância
de seu trabalho no processo de formação das crianças


O professor João Pessoa Albuquerque diz que a escola precisa formar cidadãos
 

A educação como um compromisso mais amplo com a cidadania, e não somente como o adestramento de jovens com o objetivo de aprovação nos concorridos vestibulares. Uma política severa de princípios e comportamento nas escolas, como forma de proteger a sociedade das conseqüências da expansão do consumo das drogas entre jovens. Esses são dois pontos defendidos com veemência pelo diretor do Colégio Anglo Americano, professor João Pessoa Albuquerque, também membro do Conselho Estadual do Educação do Rio de Janeiro.

“Cursinhos recebem jovens praticamente prontos, enquanto às escolas cabe desenvolver um projeto educacional muito mais complexo, sendo, portanto, de seu dever preparar, além do vestibulando, também o cidadão”, observa o educador. Para João Pessoa os pais de hoje em dia recorrem muito mais à escola do que no passado, entretanto frisa que “a escola pode complementar a ação da família, mas substituí-la nunca”. Confira a entrevista realizada especialmente para este Suplemento do Professor.

Folha Dirigida - Em que medida a crise de valores humanos e a explosão da violência urbana aumentam a responsabilidade social da escola? Os professores estão preparados para lidar com esta realidade?
João Pessoa Albuquerque -
A responsabilidade social da escola não tem de aumentar, nem diminuir: ela tem que existir sempre. Os professores têm que compartilhar esta responsabilidade com a escola e a esta, através de sua direção, cabe liderar esse processo. Se eles não estão ainda preparados para lidar com essa realidade — mas acredito que muitos estejam —, temos, nós dirigentes, de prepará-los, mesmo porque é impensável desenvolver um bom trabalho escolar sem o efetivo concurso dos mestres.

Folha Dirigida - Outro problema são as drogas. Qual deve ser a postura da escola neste contexto?
João Pessoa Albuquerque -
A postura da escola deve ser a tolerância zero! Se a escola ceder, arrisca-se a perder a confiança das famílias. Os pais querem sentir segurança por parte de quem recebe a guarda de seus filhos. Além do mais, não creio que uma escola possa fazer as vezes de uma clínica.

Folha Dirigida - Uma das críticas mais freqüentes é de que os jovens, cada vez mais, têm sua formação voltada apenas para o êxito dos vestibulares, sem a preocupação de um trabalho mais amplo no sentido de formar um cidadão. Como o senhor vê esta crítica?
João Pessoa Albuquerque -
Formação voltada apenas para o êxito nos vestibulares é prática de “cursinhos”, pois, afinal, é a isso que eles se propõem. É a sua missão. Já uma escola de educação básica, não, eis que o universo com o qual ela lida é outro: ela recebe a criança em formação e lida com ela durante toda a sua adolescência. Cursinhos recebem jovens praticamente “prontos”, enquanto às escolas cabe desenvolver um projeto educacional muito mais complexo, sendo, portanto, de seu dever preparar, além do vestibulando, também o cidadão.

Folha Dirigida - A relação entre família e escola (pais e professores) não está cada vez mais distanciada? Que prejuízos isso traz à formação dos jovens? Como é possível reverter este quadro?
João Pessoa Albuquerque -
Não é verdade. Pelo contrário: como aos pais, pela necessidade da própria sobrevivência, resta pouco tempo de dedicação aos filhos, eles recorrem, hoje, muito mais à escola do que no passado. Eu próprio, recordando minha infância, lembro como recebia de meus pais a atenção que, hoje, muitos pais sequer dispõem de tempo para dar. E sofrem com isso que, certamente, lhes trará remorso.

Folha Dirigida - Um dos grandes dilemas das escolas é quanto a imposição de limites de liberdade comportamentais aos alunos, que podem caracterizar uma educação mais permissiva ou rigorosa. Na sua opinião, as escolas vêm trabalhando de forma adequada estes limites no processo de formação das crianças e jovens?
João Pessoa Albuquerque -
Não há uma pesquisa sobre essa matéria. Seria até interessante que houvesse. Mas pelo que se sabe, se ouve e se observa, os limites têm sido um tanto “elásticos” até mesmo como um reflexo da “elasticidade” comportamental dispensada ao aluno na sua própria casa, no seio de seu próprio lar. Disciplina, limites, comportamento, valores, enfim, têm de ser fruto de um trabalho conjunto. A escola pode complementar a ação da família, mas substituí-la nunca.

 
 
 
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