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Os benefícios decorrentes do aumento
da oferta de intituições de ensino
superior privadas, assim como as dificuldades
enfrentadas por este setor da educação
foram tratados pelo reitor do Centro Universitário
Moacyr Sreder Bastos, professor Moacyr Bastos,
e pela reitora da Universidade Salgado de Oliveira,
Marlene Salgado.
Os reitores avaliam a situação
das faculdades privadas e também observam
as tendências da educação
superior. Segundo Marlene Salgado, a expansão
do ensino continuará a acontecer futuramente.
Daqui a
dois anos o fluxo de alunos para o ensino superior
será enorme, maior que hoje, e não
podemos deixar de atendê-los, diz
a reitora.
Os educadores também discutiram a relação
dos currículos universitários com
o mercado de trabalho. O reitor Moacyr Bastos
chama a atenção para o fato de que
o ensino superior não pode se preocupar
apenas com o mercado: É preciso dar
ao aluno instrumentos de pesquisa, que o permitam
pensar.
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Moacyr Bastos,
Reitor do Centro Universitário Moacyr
Sreder Bastos
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FOLHA DIRIGIDA Um dos dramas constantes
das instituições privadas é
a inadimplência dos alunos. De que forma
estudantes e faculdades poderiam tornar esta questão
menos traumática? Falta uma intervenção
mais firme do MEC neste aspecto?
Moacyr Bastos O mesmo governo que quis
mostrar crescimento consagrou a inadimplência.
Não tínhamos este problem anteriormente.
O governo deu ao cidadão o direito inalienável
à inadimplência na educação,
o que não acontece em nenhum outro ramo
de prestação de serviços.
Isso é lastimável porque vão
desaparacer instituições sérias.
A serviço de quem estamos consagrando a
inadimplência? Esta situação
pode beneficiar universidades vindas do exterior
em detrimento das instituições que
já estão há mais tempo tentando
se consolidar e oferecer qualidade. Já
temos fortes indícios de que isso vá
acontecer. Economistas do mundo todo apontam o
setor educacional como uma excelente oportunidade,
o que abre os olhos de empresários para
investir no Brasil.
FOLHA DIRIGIDA O MEC ainda não
fechou nenhum curso no país, apesar das
constantes ameaças devido aos maus resultados
no Exame Nacional de Cursos. Na sua opinião,
o Ministério tem se mostrado pouco empenhado
na questão da qualidade do ensino superior
no Brasil?
Moacyr Bastos O MEC vende uma imagem
de profundo interesse pela qualidade. Mas destaco
algumas questões na avaliação.
Os alunos que chegam na universidade pública
passam por um verdadeiro funil, são pessoas
que freqüentaram boas escolas, vindas de
famílias bem aquinhoadas, que estudaram
línguas estrangeiras, que têm uma
bagagem cultural. Os que chegam às particulares
muitas vezes são pessoas que não
tiveram as mesmas oportunidades e fazem um esforço
sobrehumano para estar na universidade, trabalhando
durante o dia para pagar o curso. Que avaliação
é essa que classifica um, vindo da pública,
como ótimo, e outro, que teve menos oportunidades,
como mau? Devem ser avaliados o magistério,
bibliotecas, infra-estrutura, mas o MEC, se quer
ajudar, deve levar em conta outros critérios.
O MEC poderia auxiliar, fornecer apoio alimentar,
assim como o Ministério do Trabalho já
fez em indústrias. Assim como o governo
do estado fez restaurantes populares, era preciso
esta iniciativa por parte do MEC. É lastimável
ver alunos que chegam às universidades
sem condição de se alimentar. São
estudantes que gastam o pouco que têm para
pagar o curso, na maioria das vezes noturno, sendo
tratados como robôs e não como humanos.
A avaliação foi importante para
movimentar as escolas, para que elas compreendessem
a seriedade do processo. Mas ter neste instrumento
a crença de que é a mostra do que
está acontecendo nas instituições
universitárias me parecem uma inverdade.
FOLHA DIRIGIDA Os currículos
dos cursos universitários têm se
adequado às transformações
do mercado?
Moacyr Bastos Percebo que não.
A universidade deve estar atualizada em relação
ao mercado, mas há dificuldade em tornar
esta necessidade em realidade. Hoje vemos instituições
com currículos praticamente próprios.
Mestres e doutores, muitas vezes, são mal
avaliados pelos estudantes em sala de aula, porque
apresentam uma visão unilateral, porque
tiveram a formação por um currículo
alienado do mercado. A pessoa fica especializada
em parafuso e esquece o funcionamento da máquina.
A educação americana teve uma excessiva
especialização e agora luta para
reverter este quadro, por perceberem o quanto
foi negativo ter um profissional especializado
que não é capaz de fazer coisas
simples. É preciso dar ao aluno instrumentos
de pesquisa, que o permitam pensar. Se no Brasil
houvesse uma espécie de reciclagem nacional,
não teríamos estes gaps, em que
temos algumas áreas que estão atualizadas
e outras não.
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Marlene Salgado,
Reitora da Universidade Salgado de Oliveira
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FOLHA DIRIGIDA O ensino superior no
Brasil foi marcado, nos últimos anos, pela
expansão das universidades particulares.
Como a senhora analisa esse processo?
Marlene Salgado O processo de expansão
do ensino superior particular se deve ao fato
de ter sido democratizado o acesso a educação
básica. As universidades particulares ofereceram
mais oportunidades de vagas para os egressos do
ensino médio. Como as universidades federais
enfrentaram uma fase difícil, tiveram dificuldade
nesta expansão. Os reitores das federais
têm feito o possível e o impossível
para atenderem bem os alunos, mas é inegável
que o ensino particular vem cumprindo o papel
de atender a esta demanda.
FOLHA DIRIGIDA Um dos dramas constantes
das instituições privadas é
a inadimplência dos alunos. De que forma
estudantes e faculdades poderiam tornar esta questão
menos traumática? Falta uma intervenção
mais firme do MEC neste aspecto?
Marlene Salgado Como disse anteriormente,
a democratização do ensino médio
trouxe para a rede privada alunos com poder aquisitivo
menor. Eles querem estudar e têm direito,
porém não tem recursos. Tentam,
insistem, mas não conseguem pagar as mensalidades
e, com isso, vem a inadimplência. Já
há no Congresso Nacional um projeto de
ajuda aos estudantes carentes. O FIES não
atende, pois exige fiador e, como nós sabemos,
é muito difícil o carente ter fiador.
É preciso atenção do governo
para isto. Todos os esforços estão
sendo desenvolvidos para que esta situação
seja resolvida. Daqui a dois anos o fluxo de alunos
para o ensino superior será enorme, maior
que hoje, e não podemos deixar de atendê-los.
FOLHA DIRIGIDA O MEC ainda não
fechou nenhum curso no país, apesar das
constantes ameaças devido aos maus resultados
no Exame Nacional de Cursos. Na sua opinião,
o Ministério tem se mostrado pouco empenhado
na questão da qualidade do ensino superior
no Brasil?
Marlene Salgado A avaliação
prevista em lei não é só
o Exame Nacional de Cursos (Provão). A
avaliação é feita através
de um conjunto de variáveis que define
a qualidade do curso, entre elas o projeto pedagógico,
o corpo docente e a infra-estrutura. Quem avalia
estes parâmetros são doutores indicados
pelo MEC. Como pode ser observado, o Provão
é uma das variáveis, entre mais
ou menos cem. O empenho na qualidade do ensino
superior é muito grande. O Conselho Nacional
de Educação tem se mostrado muito
preocupado e emitido vários pareceres a
este respeito. Todas as universidades tem se empenhado
em fazer o melhor.
FOLHA DIRIGIDA Os currículos
dos cursos de graduação têm
se adequado às transformações
do mercado?
Marlene Salgado Os currículos
atuais tem sido adequados às transformações
do mercado de trabalho porque a lei eliminou o
currículo mínimo em nível
nacional. Isto tem facilitado muito o trabalho
das escolas e o seu relacionamento com as empresas.
FOLHA DIRIGIDA As universidades particulares
têm se empenhado o suficiente no incentivo
às atividades de extensão e no contato
com a comunidade?
Marlene Salgado As universidades particulares
têm um trabalho de extensão extraordinário.
O trabalho que este setor presta a sociedade é
impressionante. A sociedade brasileira não
tem noção da dimensão do
trabalho feito pelas universidades. Já
começa a ser comum vermos instituições
particulares fazerem parte dos primeiros colocados
em concursos do governo que premiam as iniciativas
de extensão no amparo ao próximo.
É importante que os meios de comunicação
divulguem estes trabalhos para conhecimento da
sociedade.
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