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Você participa da vida
de empresas através da experiência dos outros
e vai se capacitando a tomar decisões gerenciais com
a experiência simulada da discussão dos casos.
Qual
o índice de empregabilidade de quem tem MBA no Brasil?
Quem vem fazer MBA na fundação é alguém
que já está empregado e quer manter a sua empregabilidade.
Ele não vem aqui porque quer se capacitar melhor para
exercer as suas funções. A pessoas que têm
um MBA mostram um esforço de atualização.
Hoje não só é comum as empresas mandarem
pessoas para virem fazer MBA, como os próprios funcionários
pagam de seus bolsos para se atualizar e ganhar maior condição
de empregabilidade.
O MBA é, necessariamente,
um profissional já inserido no mercado?
A grande maioria está no mercado e com experiência
profissional. A economia faz que muita gente desista de adquirir
um aprendizado ao longo do tempo no Brasil. Mas as desistências
se dão nos cursos básicos. Quem chega até
a faculdade já é uma pessoa privilegiada em
termos de Brasil e quem vem fazer uma pós-graduação
é uma dessas pessoas privilegiadas que ainda têm
um emprego e que conseguem ter um dia na semana, ou duas noites
por semana, para se especializar. Sem dúvida é
uma pessoa que tem algum poder econômico.
Quais os pré-requisitos
para cursar um MBA?
O pré-requisito básico é ter uma graduação.
Mas eu diria que os requisitos desejáveis é
que já se tenha experiência em termos gerenciais.
Quem tiver entre dois e três anos de vivência
gerencial vai aproveitar melhor os conhecimentos adquiridos
ao longo do curso.
A tendência dos MBAs
é ser mais um nível na estrutura formal do ensino?
O que é o MBA na qualificação da Capes?
É um curso de pós-graduação lato-sensu
de 360 horas. Eu diria que hoje em dia esse nível de
instrução se tornou quase que absolutamente
necessário, porque as graduações são
muito fracas e muito arcaicas, onde se aprendem coisas que
não estão sendo mais usadas nas empresas. Ao
terminar a graduação, a pessoa se sente quase
que impelida a fazer o MBA ou a pós-graduação,
para entender um pouco mais o que se passa nas empresas. Eu
diria que é mais um nível que todos nós
temos que fazer. E como o volume de informação
hoje é muito grande e a rapidez com que esse conhecimento
é adquirido é muito intensa, você se obriga
de quando em quando a voltar à universidade para que
ajudem a arrumar a cabeça. Toda a informação
está no computador, a Internet traz tudo, mas se alguém
não ajudar a organizar o conhecimento de pouco ajuda,
porque é informação demais. Então
precisa de alguém, que seria o professor, a universidade,
para organizar o conhecimento e passar aquilo de uma forma
rápida e eficiente.
Os MBAs não seriam
mais um instrumento de estratificação social?
Acho que não. A estratificação social,
se existe baseada na educação, ela acontece
nos níveis inferiores. Quem está nas camadas
inferiores não chega nem ao nível de graduação.
A pós não chega a fazer esse diferencial. A
pós indica se você se torna empregável
ou não, se você se torna útil para a empresa
ou não. Mas não acredito que faça uma
diferença social.
Como as políticas
do MEC têm tratado os MBAs?
Há pouco tempo o MEC se importava e legislava sobre
os cursos que eles chamam stricto sensu, que são os
mestrados e que há poucos no Brasil. Os programas que
eles chamam de lato sensu são os cursos de especialização
de 360 horas. É curso de pós-graduação,
mas chamado de especialização. Esses cursos
só recentemente começaram a ser legislados pelo
MEC. Havia uma total liberdade das universidades em criar
esses cursos. Recentemente não só o MEC começou
a legislar sobre eles, como aparentemente vai avaliá-los,
controlá-los. Vai começar a dar notas a eles.
O que já faziam com o mestrado vão passar a
fazer agora em nível de lato sensu também.
Como a comunidade acadêmica
está discutindo esse processo? O que espera das mudanças?
Do nosso ponto de vista isso é muito bem-vindo. No
Brasil as coisas vêm como iniciativa do governo. Nos
Estados Unidos, essas avaliações são
feitas não por incentivo de governo, mas da própria
comunidade. São as universidades que criam órgãos
que vão avaliá-las e de alguma forma ranqueá-las.
Nós, embora estejamos no Brasil, estamos peocupados
em nos associar a uma dessas entidades americanas para mostrar
que nosso padrão de qualidade é um padrão
em nível internacional. Existe uma entidade chamada
AACSB (NR: The International Association for Management Education),
que é voltada exatamente para isso, para ajudar as
empresas, as universidades, a melhorar seus produtos, a se
tornar cada vez mais eficientes. Existe um processo de acreditação
das diversas universidades junto a esse órgão
e nós estamos tentando nos acreditar lá também.
No caso do Brasil, estamos querendo que a Capes venha fazer
essa avaliação. Há três anos criamos
uma central exatamente para garantir que os nossos programas
tenham a qualidade que o nome FGV merece. Claro que ainda
temos muito trabalho para fazer, mas já estamos nos
antecipando a qualquer avaliação que venha da
parte da Caps e do CNPQ. Eu diria que os nossos padrões
hoje já estão mais rigorosos do que os que a
Capes está falando que vai utilizar. Exemplo: a Capes
acabou de soltar uma regulamentação dizendo
que os cursos de MBA devem ter pelo menos 50% dos professores
com grau de titulação de mestre e doutor. No
entanto, o nosso parâmetro já é muito
superior. Queremos que 80% dos nossos professores tenham mestrado
ou doutorado. Nós sabemos que essa regulamentação
vai vir e queremos estar capacitados a recebê-la com
muito boa vontade.
Os intelectualmente mais
bem dotados não são, necessariamente, aqueles
que têm condições de arcar com as despesas
de um MBA. Esses cursos seriam uma forma de compensação?
Os mais capazes geralmente estão empregados e os nossos
MBAs não são tão caros assim. Sem dúvida,
quem tem muito dinheiro prefere fazer esse curso lá
fora, porque a experiência de viver no exterior é
muito boa. Aí eu vejo a diferença de poder econômico
nessa área.
Qual a disponibilidade
exigida a quem deseja cursar um MBA?
Os nossos cursos são dirigidos a executivos. Alguns
cursos se passam uma vez por semana, com cerca de 12 horas
de aula. Seria um dia inteiro, ou sexta-feira à noite,
pegando sábado até metade da tarde e alguns
se passam a cada 15 dias, dando uma diluição
maior, para quem tem uma atividade na empresa muito intensa.
Mas é um volume de trabalho que permite à pessoa
continuar na sua atividade.
Em quais áreas do
conhecimento e do trabalho o MBA está mais presente
e onde ele é mais necessário?
O nosso carro-chefe, nosso curso que mais turmas tem é
o de Gestão Empresarial. É um curso generalista,
que aborda todas as áreas de Administração.
É um curso ideal para quem não fez Administração
e quer conhecer a área. O aluno vai ver disciplinas
como Marketing, Finanças, Recursos Humanos, Produção,
Estratégia, Jogos de Empresa, e vai ter uma idéia
global de empresa. Sessenta por cento de nossos cursos são
de Gestão Empresarial. Mas temos também os mais
específicos, como o MBA em Marketing, que é
de muito sucesso. O terceiro mais procurado talvez seja o
MBA em Finanças. Temos cursos em indústrias
específicas, como da área de Saúde, e
alguns em áreas ainda mais focadas, como o MBA em E-business,
que é extremamente novo e teve muito sucesso quando
foi lançado no Rio, mas é muito específico
para quem está trabalhando nessa área de commerce
e business, voltados para a Internet. E temos uma gama muito
grande de cursos na área de Recursos Humanos e em todas
as outras áreas mais específicas.
Conhecimentos da Língua
Inglesa é fundamental para quem deseja se qualificar
com um MBA?
Não, mas é desejável. Nossas apostilas
e nosso material é todo passado em Português.
Só que essas áreas de conhecimento ficam muito
valorizadas se você conhece o Inglês. Não
precisa falar Inglês, mas pelo menos ler. A informação
que se tem via Internet e bibliografias internacionais são
muito importantes. Portanto, se você lê em Inglês
você tem acesso a um volume de material muito maior,
o que é uma vantagem.
As empresas vão
à FGV em busca de talentos, de pessoal qualificado?
Nós não somos uma agência de realocação
de executivos e a gente procura deixar isso bem claro, porque
muitas empresas mandam seus executivos para fazer curso conosco.
Naturalmente quando nossos alunos e ex-alunos de alguma forma
precisam ir para o mercado, eles usam os conhecimentos deles
para dizer que precisam de uma nova colocação
e normalmente nós somos informados também. Mas
as pessoas que vêm em busca de nossos cursos já
vêm colocadas e não há a necessidade de
alocação. Em alguns casos, como nos cursos de
mestrado, onde a pessoa vem muito jovem fazer o curso para
depois de um ou dois anos voltar ao mercado, aí é
que existe essa preocupação. Mas sempre que
se pode a gente ajuda a fazer o link.
Quais as relações
entre MBA e competitividade?
Eu acho que todas. Quando você estuda os tópicos
do MBA essa palavra está presente em toda aula. Existem
teorias sobre competitividade. Os casos que você analisa
são casos de competição. Existe toda
uma metodologia que a gente ensina, dentro dos assuntos do
MBA. Obviamente você, fazendo um curso como esse, sai
mais competitivo, você aprende a atuar num mercado de
competição. Eu diria que falar em MBA e falar
em competitividade é quase que uma coisa natural, faz
parte do sangue do aluno do MBA. Pensar em competitividade,
saber analisar cenários, saber analisar situação
de empresas, saber como competir, como se comportar dentro
de uma competição, é a área do
MBA.
Como associar os MBAs,
que estão estreitamente ligados a resultados financeiros,
a valores humanos e a compromissos sociais?
Há os MBAs muito preocupados em recursos financeiros.
São os MBAs em Finanças e em Gestão.
Mas tem também MBAs voltados para Recursos Humanos,
valores humanos para atendimento do consumidor, do cliente.
Talvez no fundo estejam sempre preocupados com o ganho que
a empresa vai ter, mas os campos em que o estudo e o desenvolvimento
se definem variam. Pode ser na área de RH, pode ser
na área de estudos de clientes, pode ser na área
da competição. Então eu diria que embora
por trás tenha sempre o ganho da empresa, qualquer
desses campos tem muito de desenvolvimento.
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