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- Ainda não ouvi falar
e acho estranho que a UFRJ não tenha sido contemplada
- reage o diretor, ao ser perguntado se o investimento trará
melhorias quantitativas e qualitativas às pesquisas
universitárias. -Será que a UFRJ não
precisa de nada? - indaga.
Os recursos são originários
do Programa de Modernização e Consolidação
da Infra-Estrutura Acadêmica das Instituições
Federais de Ensino Superior e Hospitais Universitários,
implantado no ano passado com a finalidade de inovar as práticas
e metodologias de ensino e também de reequipar e renovar
as estruturas física dos laboratórios e oficinas
didáticas das 52 instituições federais
de ensino e dos 45 hospitais vinculados às universidades
federais. Mas em vez de animar, o programa preocupa os professores.
Embora reconheçam os
benefícios da tecnologia da informação,
os professores se apressam em esclarecer que equipamentos
sofisticados não substituem a renovação
sistemática e atualizada de livros e periódicos.
Clarice Muhlethaler de Souza,
diretora do Núcleo de Documentação da
Universidade Federal Fluminense (UFF), órgão
ao qual estão subordinadas as 23 bibliotecas da instituição,
queixa-se da desatualização do acervo e alerta
para a necessidade de um acervo permanentemente renovado.
Ténicos da universidade
lembram que a situação é tão preocupante,
que foi um dos temas mais calorosos do Congresso Internacional
de Odontologia realizado em julho, no Rio de Janeiro.
- O corpo universitário
de um modo geral se ressente de bibliotecas eficientes - confirma
Clarice. Ela informa que há dois anos a universidade
não adquire novos livros e que a última renovação
de periódicos ocorreu em agosto do ano passado, com
a aquisição de 350 novos títulos. A diretora
nega que o portal aberto pela Capes na Internet www.periodicos.capes.gov.br
justifique a não-renovação bibliográfica.
- Uma coisa não substitui
a outra e qualquer programa de qualificação
das universidades tem que incluir a atualização
do acervo bibliográfico. Temos que levar em consideração
também que os artigos do portal da Capes só
podem ser acessados dos institutos de ensino e pesquisa, porque
exigem uma senha especial, que é restrita. E, para
completar, dos 2.120 títulos assinados pela UFF, apenas
138 estão disponíveis na Internet - informa
Clarice.
A reação dos
que atuam nos hospitais universitários também
não é das mais saudáveis. Para técnicos,
os 100 mil dólares investidos em novos equipamentos
são insuficientes e os recursos aplicados apenas sustentarão
as unidades para que se fortaleçam como extensão
da rede pública de saúde, que não se
recupera de seu coma profundo.
- Esses recursos são
irrisórios e não dão conta de atender
às necessidades emergenciais - avalia a terceira vice-presidente
da Associação Nacional de Docentes do Ensino
Superior (Andes), Marina Barbosa Pinto, enfatizando que os
critérios de distribuição não
foram claros. - Até mesmo a associação
dos reitores se queixa de que não há controle
de dados sobre a utilização desses recursos
e há uma grande disputa interna de cada unidade para
resolver seus problemas mais emergenciais - afirma Marina.
- Esse investimento poderá
tirar de vez as chances dos hospitais universitários,
que nos últimos anos se transformaram em grandes hospitais
públicos, de cumprirem sua finalidade, que é
o estudo de casos e a pesquisa - completa. No entendimento
da Andes, só deveriam ser distribuídos à
rede universitária pacientes com doenças que
exigem maior grau de especialização.
A entidade também acompanha
com desconfiança a oferta de cursos a distância
pelas universidades.
- Estranhamente, paralelo
a esses recursos começa a aparecer uma série
de cursos não presenciais dentro das universidades
- associa a diretora, observando, entretanto, que não
há indícios claros de que o programa tenha sido
planejado com esse interesse.
Mas, na ótica oficial,
a comunidade universitária terá motivos de sobra
para brindar à saúde do programa.
- Esses investimentos vão
revolucionar os sistemas de educação e de saúde
no Brasil - comemora Jorge Fagali Neto, diretor do Departamento
de Modernização e Qualificação
do Ensino Superior do MEC.
Pontuando uma clara divergência
entre o Governo e a docência superior, para ele a vocação
dos hospitais universitários é social e o principal
retorno dos investimentos se dará justamente na melhoria
e no aumento do número de atendimentos à população
carente. Sobre as condições das bibliotecas,
Fegali diz que os recursos saem do Orçamento Anual
do MEC e cabem às instituições a prioridade
de seus gastos.
Os recursos vêem de
mais de 50 grupos e empresas de países como Estados
Unidos, Alemanha, Espanha, França e Japão, e
também de capital nacional, através do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O repasse é feito em equipamentos, com garantia de
dois anos de assistência técnica, incluídas
as reposições de peças. Fegali afirma
ainda que todos os equipamentos estrangeiros têm assistência
técnica brasileira.
- As condições
do financiamento são excelentes. É isso que
vale a pena destacar - assegura, informando que o projeto
previa financiamentos de, no mínimo, 85% por cota,
mas que a maioria dos fornecedores preferiu financiar os 100%.
O pagamento será feito
com o Orçamento do MEC e será diluído
entre cinco e dez anos. A taxa de juros, que segue a regra
do Clube de Paris (índice de consenso para créditos
subsidiados para exportação), é variável
conforme a moeda. Do total de investimentos, 15 milhões
de dólares foram entregues em 2000, 90 milhões
chegarão até dezembro deste ano e os 115 milhões
restantes estão sendo negociados em créditos
suplementares.
Os repasses não foram
divididos por estados, mas por regiões, de forma que
o Sudeste ficará com a maior fatia das instituições
federais de ensino (69.830.000 de dólares) e também
dos hospitais (20.920.000). A divisão para as demais
regiões é a seguinte: Centro-Oeste (18.450.000
para o ensino e 8.560.000 para os hospitais); Nordeste (53.310.000/ensino
e 29.590.000/hospitais); Norte (18.240.000/ensino e 4.140.000/hospitais);
Sul (40.170.000/ensino e 20.920.000/hospitais).
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