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Investimentos - A radiografia
educacional do Brasil mostra um país em sintonia com
as nações mais atrasadas do mundo, apesar de
investir 4,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB) no ensino
público. O índice brasileiro é igual
ao dos Estados Unidos, uma das sete nações mais
ricas do mundo. Em termos de América Latina, o PIB
educacional brasileiro sai na frente com espantoso conforto.
O Chile investe 3,2%, o Peru 2,9%, Uruguai 2,6% e a Argentina,
cuja crise em 1997 ainda não era transparente, investiu
3,7% no ano da pesquisa.
Uma corrente concorda que
o Brasil não investe pouco, mas gasta mal os recursos;
outro segmento desconfia de que o índice brasileiro
inclui em sua soma os investimentos da iniciativa privada.
Há ainda os que partem de parâmetros comparativos
e argumentam que 4,8% de um país com um PIB muito baixo
não são motivo para entusiasmos.
De qualquer forma este índice
foi bastante explorado pela mídia e suavizou o impacto
provocado pelos demais indicadores, nos quais invariavelmente
o Brasil apresentou desempenho sofrível. O MEC, por
sua vez, chama a atenção para a dimensão
populacional e lembra que o país tem 5,4 milhões
de crianças matriculadas no Ensino Básico. O
ministério diz ainda que o PIB educacional não
inclui os gastos privados e desdenha, lembrando que o índice
divulgado pela ONU é defasado. No ano seguinte, em
1998, já havia chegado a 5,47%, segundo dado disponível
mais recente.
Salários -
Mas este PIB atraente não vai parar na bolsa dos professores.
O ganho anual médio do magistério brasileiro
de Ensino Fundamental em início de carreira é
de R$ 3.758 . Quando os professores estão à
beira da aposentadoria, ou seja, no fim da carreira, passa
para R$ 8.484. No Uruguai, a média é de R$ 4.088
(início da carreira) e R$ 5.914 (final), na Argetina
é de R$ 6.947 e R$ 11.464, e no Chile, de R$ 7.072
e R$ 10.954.
Dentre os países do
WEI, o Brasil está à frente apenas do Peru,
que paga aos seus professores valores equivalentes ao da Indonésia
- R$ 3.340 por ano, em média - com a particularidade
de que no Peru não há variantes: o salário
é o mesmo do início ao fim da carreira. Mas
de um modo geral, os valores latinos são muito baixos,
se comparados a modelos europeus, como a França, onde
pagam-se em média R$ 30.631 ao ano aos professores,
ou a Suíça, que reserva rendimentos de até
R$ 40.414 aos que trabalham com turmas de primeira à
sexta série. Nos Estados Unidos, os que atuam no mesmo
segmento têm vencimentos iniciais médios de R$
20.051. No fim da carreira, podem chegar a ganhar R$ 33.613.
Baixo salário, entretanto,
não significa pouco trabalho. Segundo a pesquisa, os
professores brasileiros estão entre os que lidam com
o maior número de alunos em sala de aula. No Ensino
Médio são 38,6 alunos por professor, e 30x1
nas turmas de primeira à sexta série. As turmas
de sétima e oitava séries também são
lotadas: são 33,7 estudantes por professor, contra
a média da WEI, de 21,1%, e da OCDE, de 15,2%. E se
a conclusão é a de quem tem aluno demais e professor
de menos, o país tem que tomar providências urgentes,
porque a tendência é piorar. Segundo a Confederação
Nacional de Trabalhadores em Educação, pelo
menos 1 milhão de docentes brasileiros estão
em fase de se aposentar. Para completar, os baixos salários
não estão atraindo jovens para a carreira.
A pesquisa também mostra
que a qualificação do magistério no Brasil
é bastante precária. Apenas 22% dos que lecionam
no Ensino Fundamental ingressaram em uma faculdade. Abaixo
do Brasil ficam a China e a Tunísia, com 13% e 14%,
respectivamente. A folha de pagamento do Ensino Básico
é responsável pelo consumo de 83% do que é
gasto neste segmento e, no Ensino Superior, os salários
consomem 97% dos investimentos. É a maior taxa entre
os países do WEI O gasto por estudante também
deixa o Brasil em desvantagem frente aos demais países
pesquisados, mas neste indicador o vácuo é menor.
O Brasil gasta R$ 653 por ano com os alunos de primeira à
sexta série. A média do grupo ao qual foi integrado
na pesquisa é de R$ 689.
Densidade - De acordo
com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), o Brasil tem 32% de sua população na
faixa que vai dos 5 aos 19 anos (a média dos outros
países do WEI é de 20%) e, segundo o Censo Escolar
2000 do MEC, o país tem nada menos do que 41.730.188
alunos matriculados em creches (916.864), na pré-escola
(4.421.332), em classes de alfabetização (674.044)
e no ensino fundamental (35.717.9487), não incluídos
os estudantes portadores de necessidades especiais (300.520)
- o que eleva para 42.030.708 o número de matrículas
na educação básica brasileira - nem as
matrículas nas turmas de educação para
jovens e adultos (2.441.993) - o que faz que o número
de matrículas, no ano da pesquisa, tenha chegado a
estratosféricos 44.472.701. Dados mais recentes do
Censo Educacional indicam a existência de 54.491.396
estudantes, excluídos os universitários. Mas
não são números conclusivos, já
que os resultados finais só serão divulgados
em dezembro.
Repetência - Entre
os países latinos, o Brasil é o que tem a mais
elevada taxa de repetência no segmento de primeira à
sexta série - 25,1%. Em segundo lugar aparece a Tunísia,
com 18,3%. A taxa de primeira à sexta série
na Argentina é de 5,3%; de 3,2% no Chile; 8,6% no Paraguai;
9,8% no Peru; 8,4% no Uruguai. Em todos os outros segmentos
escolares, a repetência do Brasil também é
maior, em relação aos países latinos.
No segundo segmento do Ensino Fundamental (sétima e
oitava séries, segundo divisão da pesquisa)
e no Ensino Médio, os índices não são
os maiores entre os países pesquisados, ainda assim
são muito elevados - 15% e 18,1%, respectivamente.
A taxa de repetência no ensino médio brasileiro
só perde para a Tunísia, que tem avançados
23,9%.
Período de formação
- O Brasil é um dos países que exigem uma
permanência maior em sala de aula para a obtenção
de um diploma. Nos ensinos Fundamental, Médio e Universitário,
o estudante brasileiro gasta em média 14,9 anos. O
índice de permanência só é menor
do que a do Uruguai (15,2 anos). Na Argentina a permanência
é de 14,2 anos; no Chile é de 14,3; no Paraguai
é de 11,0; e no Peru é de 13,9 anos. Não
significa, entretanto, que a permanência seja cumprida,
já que, segundo o IBGE, a média de estudos do
cidadão brasileiro é de 5,7 anos. Para o Inep,
isto tem como causa o alto índice de reprovação,
já que repetir de ano desestimula o retorno à
escola. Entre os 16 países do WEI que apresentaram
seus dados, o Brasil teve o pior desempenho nesse quesito.
O MEC lembra que a repetência caiu em 2000 para 21,6%,
o que não tira o Brasil do posto de pior entre os países
pesquisados.
Os números melhoram
com a adoção, por alguns estados, do sistema
de ciclos e da aceleração da aprendizagem. No
primeiro sistema os alunos só são avaliados
no fim do ciclo e não da série. Na aceleração,
é tolerado que os estudantes pulem séries, método
duramente combatido no meio acadêmico. Para muitos educadores,
esses sistemas melhoraram o ranking brasileiro nas estatísticas,
mas não têm compromisso com a apreensão
de conteúdos, ou seja: com o aprendizado.
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