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  Atualização e qualificação,um direito dos professores  
  Na opinião dos educadores entrevistados pela folha dirigida, Capacitar e atualizar professores é uma necessidade vital para a melhoria da qualidade do ensino  
  Wanderley de Souza, secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro  
  O mundo de hoje se caracteriza por um acelerado processo de geração de novos conhecimentos em praticamente todas as áreas. Em áreas como a Biologia, que vem sendo fortemente influenciada por avanços metodológicos e conceituais importantes, os livros existentes já estão desatualizados. Mesmo os que são lançados já surgem sem informações importantes recentemente adquiridas e, muitas vezes, com incorreções conceituais. Em outras áreas onde a velocidade de transformação do conhecimento é mais lenta, surgem novas maneiras de abordar e ensinar os diferentes tópicos. Por outro lado, a disponibilidade crescente de informações complementares e atualizadas em diferentes sites da Internet, faz sque os alunos mais dedicados e que com facilidade têm acesso à rede cheguem à sala de aula com informações que o professor muitas vezes desconhece.  
 

Por tudo isto é fundamental que tenhamos um eficiente sistema de atualização permanente dos profissionais de educação que atuam em praticamente todos os níveis.

Definir estratégias para fazer que os nossos professores, que, em geral, têm pouca disponibilidade de tempo em face dos inúmeros compromissos, se mantenham atualizados é um grande desafio para todos aqueles que tratam do gerenciamento da educação pública. No que compete à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, estamos trabalhando em duas áreas. A primeira se refere ao processo de atualização presencial, e que é fundamental para certas áreas do conhecimento, principalmente aquelas em que a atividade experimental desempenha papel predominante. É fundamental que voltemos a priorizar o ensino de Ciências com base no experimento. A experiência internacional mostra que quem teve a oportunidade de realizar um experimento básico relacionado com um determinado tema dificilmente esquece os conceitos básicos adquiridos.

Neste sentido, o Centro de Ciências do Estado do Rio de Janeiro-CECIERJ está investindo para transformar a cidade de Rio das Flores na "Cidade da Ciência", onde instalações laboratoriais adequadas permitirão a atualização permanente dos milhares de professores da rede estadual de ensino. A segunda abordagem é o da utilização de um sistema semipresencial, com forte apoio nas modernas tecnologias da informação para formação de novos profissionais de ensino superior, bem como para a atualização de professores lançando mão do processo de educação a distância.

A criação do Centro Universitário de Educação a Distância-CEDERJ é outra oportunidade que o governo do estado concede aos professores para que se atualizem. Um iniciativa que contou com a entusiástica participação das seis universidades públicas localizadas no estado, permitindo a rápida consolidação de um consórcio que, certamente, revolucionará o ensino de graduação no Brasil e terá um papel fundamental no processo de atualização permanente de professores em todos os níveis.

 
  Lucy Vereza - professora da faculdade de Direito da Universidade Candido Mendes e vice-presidente da Pro Matre  
 

Pessoa alguma duvida que o treinamento de recursos humanos constitui, no dias de hoje, uma necessidade imperiosa. No bojo desses recursos humanos destaca-se o professor, por deter em suas mãos, no seu cérebro e no seu coração a mais importante tarefa social de que tem conhecimento.

Capacitar o professor é fazê-lo engajar-se no mundo atual, é conduzi-lo à intimidade dos novos meios de aprendizagem. Em uma época em que explodem novas tecnologias, o último dos trabalhadores a ser convocado para o aprendizado atual deverá, com toda a segurança, ser o professor.

 
 

Costumo dizer aos meus alunos da Faculdade de Direito que é imprescindível estar a par dos acontecimentos do dia. Estimulo-os a ler jornais, consultar os livros mais modernos e os clássicos também. E assistir - assistir sim! - com olhar do saber e da crítica aos programas de televisão.

Procurar conhecimentos e informações por meio do computador, da internet, é uma exigência para quem quer e precisa adquirir um lugar na vida profissional e situar-se bem na vida pessoal. Se ao aluno são apresentados tais indicadores, que se dirá em relação ao conhecimento do professor?

Na medida em que a sociedade, vertiginosamente, modifica-se, a tecnologia se recria e se expande, vai surgindo aqui e ali - felizmente - a consciência de que o professor deve render-se à obrigatoriedade de uma reciclagem contínua e imprescindível.

No entanto, cabe referir, na minha ótica, que as coisas mais relevantes não são apenas as habilidades específicas, mas uma habilidade universal - a de empregar o conhecimento e a sua aquisição sistemática como fundamento do desempenho da habilidade e da realização.

Quanto mais o conhecimento é aplicado ao trabalho, tanto mais se faz necessário o treinamento, o retorno freqüente do professor experiente. Isto é, que já conte com certa experiência - e realizado ao aprendizado formal.

Tendo em vista, todavia, as exigências profundas evidenciadas na educação, tanto da criança como do jovem, parece-nos do maior relevo que nesse treinamento que se preconiza sejam discutidos, transmitidos e assimilados pelo professor não apenas normas técnicas e métodos formais, mas sim valores de natureza ética, religiosa, moral, sem o que o professor seria um mero repetidor de lições e intérprete de métodos e processos, comprometendo sua missão de educador.
Hoje a atualização profissional não se dá apenas no que diz respeito às novas tecnologias, às novas informações. O professor tem que se reciclar num âmbito universal porque educação é muito mais do que transmissão de conhecimento. Há muito tempo esse deixou de ser o papel do educador. Ele forma para a vida.

É certo, que muitas vezes a situação financeira do professor não permite que ele aproveite as oportunidades de atualização. Primeiro porque tem que cumprir um longo horário de trabalho e, segundo, porque filiar-se a congressos, seminários e mesas-redondas custa caro. O ideal seria que a própria rede oficial de educação promovesse cursos, palestras e sessões de estudo dentro das próprias escolas.

 
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