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  Novas tecnologias para a busca da qualidade do ensino  
  Educadores e especialistas afirmam que tecnologias como a informática e a mídia devem ser usadas como ferramentas básicas do processo de aprimoramento educacional  
Carmem Moreira de Castro Neves, diretora do Depto. de Planejamento e Desenvolvimento de Projetos de Educação a Distância do MEC  
 

O MEC tem, hoje, três grandes programas voltados para a atualização e a capacitação do professor; aliás, o foco da secretaria de educação a distância é o professor da escola pública. Estamos trabalhando com a idéia de unir esses programas todos de tecnologia de forma que o professor possa explorar todas as potencialidades que estão hoje ao seu dispor - livros, computadores, Internet, televisão - , usando isso tudo de uma forma crítica, de uma forma consciente, para que ele possa transformar toda essa informação em conhecimento que contribua para que ele seja um melhor profissional.

Dá mais trabalho a tecnologia? Dá. Ele tem que se preparar mais, ele tem que analisar antes, tem que escolher o vídeo, escolher que parte do vídeo ele vai usar.

 
 

Mas os depoimentos dos professores que utilizam o TV Escola, por exemplo, são unânimes: não querem parar de usar. Eles escrevem para o MEC, ligam, mandam e-mail pedindo mais vídeos disso ou daquilo. Nós percebemos que o uso da TV Escola, cinco anos após o seu lançamento, está muito mais exigente, o que é um dado de que o programa está realmente alcançando os seus objetivos.

É preciso ter consciência de que o professor precisa de tempo e apoio: essa é a primeira lição que a tecnologia nos dá. Precisa de tempo para absorver aquela nova linguagem e precisa de apoio para aprender a usar tudo o que é apresentado a ele. Um dado muito importante de nossos programas é que eles dão uma autonomia muito grande para os professores. Há todo um acervo que a escola pode usar para o seu próprio desenvolvimento sem ficar esperando nossos cursos. Um diretor tem um volume de informações que lhe permite um programa de atualização profissional permanente, sem depender de ninguém, e sem depender da realização dos cursos, sem nem sequer depender do sistema para promover sua atualização profissional.

O primeiro programa que lançamos foi o TV Escola, que está hoje em quase 600 mil escolas. E o programa vem crescendo na sua qualidade. Estamos tendo cada dia mais relatos dos professores de que o uso do TV Escola é muito importante para elevar a qualidade do ensino. Para aprimorar a utilização pedagógica do TV Escola lançamos um curso que se chama "TV nas escolas: o desafio de hoje". Logo no lançamento tivemos uma pré-inscrição de 254 mil participantes, o que mostra que o professor quer se atualizar e que ele está acreditando na educação a distância. Só conseguimos atender a 34 mil desses inscritos no ano passado, mas este ano nós vamos ministrar o curso para mais 50 mil professores. Isso tudo mostra que a secretaria está no caminho certo, investindo em tecnologia, e que o professor está, gradualmente, usando mais e mais tecnologia para se atualizar.

Um outro programa importante é o Programa Nacional de Informática na Educação, o Proinfo, que tem como objetivo diminuir a exclusão digital, levando a tecnologia de ponta às instituições públicas para que essa tecnologia seja usada com os alunos e na própria atualização dos professores. O Proinfo começa capacitando os professores, que só usam a tecnologia de ponta na sala de aula quando se sentem familiarizados com ela, quando se sentem confortáveis para utilizá-la. O Proinfo começa com essa capacitação e a idéia é que o professor trabalhe de uma forma integrada.

 
 
Laura Coutinho, diretora do Programa de Informática (Proinfo) da Secretaria Estadual de Educação
  A tecnologia deve ser uma grande aliada da educação. São muitas as contribuições nesse sentido: o repensar da prática pedagógica, a transformação do modelo educacional vigente, tornando-o mais atraente e estimulante, e a solução de problemas enfrentados por muitos países, como a evasão escolar, a repetência, a falta de salas de aula e a falta de professores. No estado, o Proinfo (Programa de Informática) conseguiu levar as novas tecnologias para as escolas. Hoje, praticamente todas elas dispõem de laboratório de informática - o próprio ministro Paulo Renato já informou que até o final do ano todas as escolas de nível médio contarão com um laboratório de informática - , mas eles ainda são menos usados do que deveriam, e isso é uma grande preocupação.  
 

A capacitação dos professores é lenta porque é uma rede enorme e há uma dificuldade muito grande do uso dos laboratórios dentro das escolas. O professor ainda não tem uma cumplicidade. É preciso que muitos entendam que a sala de aula também deve ser um laboratório de informática, e não somente um anexo onde se pode fazer alguma atividade qualquer e não dar uma aula de História ou Matemática. O uso da microinformática deve estar no cotidiano da sala de aula; esse ainda é o nosso grande obstáculo.

Na época da TV, diziam que a TV ia brigar com o livro, o vídeo ia tirar a leitura. Hoje, falam que o uso da Internet na pesquisa escolar pode fazer que o estudante abandone o hábito de freqüentar bibliotecas. Isso não existe. O papel do educador é fazer que haja equilíbrio entre todas essas ações, e não impedir o uso delas. Negar o uso dessas tecnologias é que não tem mais cabimento.

Quando nós começamos a desenvolver os primeiros CD-roms, as multimídias (no Proinfo), nós pudemos perceber que elas eram como livros nas prateleiras, eram softwares nas prateleiras. No caso da multimídia, era uma coisa que eu tinha que preparar, eu tinha que buscar aquele material, que seria um enriquecimento, uma ilustração, uma simulação. Já no caso da Internet, não. Eles já começaram a usar a internet como um grande acervo de informações que podiam ser usadas em sala de aula. Nós começamos a introduzi-la, então, como um grande aliado nesse processo. Ela entrou naturalmente na vida escolar, tanto do estudante quanto do professor, que passa a indicar sites de busca, sites de referência.

Eu costumo citar uma frase de Toffler, que numa de suas entrevistas disse: "O professor hoje não tem que ter mais medo de ser substituído por outro professor, ele pode ter receio de ser substituído por um professor que detenha a tecnologia". Quer dizer, não adianta mais ficar discutindo a utilização ou a não utilização da tecnologia. É preciso se apropriar dela e fazer uso da sua prática em sala de aula. Se isso não ocorrer, ele vai se distanciar do mundo, dessa nova sociedade. E o papel do professor, cada vez mais, é o de formar cidadãos para essa nova sociedade do conhecimento.

Agora, em alguns casos, cabe também ao professor buscar essa capacitação. Ele precisa se aprimorar durante toda a sua vida, e se a instituição onde ele trabalha não tem condições de atualizá-lo ou incluir isso no processo pedagógico, ele tem que ir à luta. Estar sempre atualizado é muito importante para repensar a prática pedagógica.

 
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