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Liberdade & Cidadania
 
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  A educação como alimento fundamental dos homens  
  Reitor do colégio de são bento avalia a educação brasileira e critica aprovação automática, lei de diretrizes e bases e reserva de vagas para negros nas universidades  
  Dom Lourenço fala sobre a reserva de vagas para negros nas universidades: “ o que se deve proporcionar é de fato a qualificação para o aprendizado”  
 

Dom Lourenço de Almeida Prado e o Colégio de São Bento são, no Rio de Janeiro, duas
instituições que se confundem. Naquele templo sagrado da educação, escondido numa insuspeitável ladeira da Rua Dom Gerardo, na Praça Mauá do Rio, este paulista de Jaú, hoje com 90 anos, imprimiu uma marca inconfundível. Muito antes de este termo entrar no glossário da moda, trazido pelo discurso das competências, o São Bento é um colégio que faz a diferença. Tanto pela barreira assumida ao acesso das meninas, quanto pelo alto padrão de ensino que mantém ao longo de nada menos que 143 anos.

Dom Lourenço, que de lá é reitor, está à frente do Colégio de São Bento há mais de meio século.

 
 

Assumiu o cargo interinamente, em substituição a dom Basílio, em 1948. Nunca mais o deixou. Isto colabora para que seja olhado como quem olha um conservador. Mas é apenas uma das pistas reveladoras de sua natureza dialética. Dom Lourenço é um conservador de idéias progressistas. Tanto que algumas convicções suas, que chocaram uma ou duas gerações, hoje são revistas por novos pensadores, por aqueles que estão reconstruindo conhecimentos sobre a fé, a família e o afeto. Afinal, não é de hoje que este velho dom Lourenço fala que a descontrução da família gerou a violência.

Este mesmo velho dom Lourenço, pediatra de formação e educador por escolha, percebeu há muito tempo a importância das particularidades entre o masculino e o feminino. Ele acha que a convivência de camaradagem, alimentada pelo dia-a-dia juntos na escola, "barateia" (e é esta a expressão que ele utiliza) as relações menino-menina. Minucioso, ele aponta pequenos detalhes que podem frustrar a magia das diferenças e o encantamento das descobertas. O uso do mesmo uniforme, por exemplo.

Muitas de suas idéias não puderam ser concretizadas. Uma delas queria transformar a antiga Escola Popular de São Bento, desativada há cerca de 20 anos, num centro de aprimoramento profissional para os trabalhadores do Centro da cidade. Dom Lourenço não confessa, mas deve observar com orgulho o Ministério do Trabalho e Emprego, hoje, investindo volumosas verbas através do Fundo do Amparo ao Trabalhador (FAT), para realizar o que há duas décadas era utopia.

Mas esta conversa se contentou com as impressões de dom Lourenço sobre educação, este vasto tema.

FOLHA DIRIGIDA : Qual o sentido da escola? Para que ela serve? Quais os novos papéis que a ela cabe desempenhar na nova sociedade?
DOM LOURENÇO : A escola é, no tempo moderno, algo indispensável. A criatura humana necessariamente precisa de educação e precisa de apoio para ser educada. No primeiro momento da vida é educada em casa; depois, para o desenvolvimento cultural, ela precisa de pessoas especializadas para ajudá-la a crescer e aprender. A escola ensina a conviver com as demais criaturas. A escola oferece a convivência social entre os que estão crescendo na mesma época e o apoio indispensável para que a criatura humana avance no conhecimento das Letras e das Artes, que é o que a conduz à maturidade. O fim da escola é justamente ajudar a criatura humana a chegar à sua condição de pessoa humana livre, de forma que a escola é um convívio de aprendizado e apoio para que o ser chegue a essa plenitude para a qual nasceu e para a qual caminha e deve crescer.

FOLHA DIRIGIDA : A nova escola tem conseguido alcançar esse objetivo?
DOM LOURENÇO : Escola nova é uma palavra vaga. Eu não gosto deste termo, porque não existe escola nova, existe, de fato, um evoluir do pensamento humano, de tal maneira que antigamente o homem na caverna não tinha vida escolar. Ele passou a ter uma vida escolar quando os aprendizados começaram a ser mais solicitantes. Aprendeu a escrever, aprendeu a ler e é indispensável na vida de hoje o aprendizado de ler e escrever, que também inicialmente se fazia na própria casa. Depois foram-se desenvolvendo aspectos específicos de aprendizado, técnicos, científicos e a escola se torna realmente o caminho indispensável até para a formação depois da sua vida profissional. Nenhum pai e mãe consegue conduzir a criatura em sua plenitude nos tempos de hoje, sem o apoio dessa especialização.

FOLHA DIRIGIDA : Por que a sociedade hoje está tão violenta, inclusive no meio daqueles que passam por boas escolas?
DOM LOURENÇO : Está violenta porque, de fato, o mundo está perdendo os apoios na vida religiosa.

FOLHA DIRIGIDA : Quais as relações possíveis entre educação e pobreza?
DOM LOURENÇO : A pobreza tem mais dificuldade para chegar a todas as coisas, inclusive à boa escola e ao aprendizado. A pobreza não tem o apoio educacional.

FOLHA DIRIGIDA : O senhor acha que a educação pode acabar com as desigualdades sociais?
DOM LOURENÇO : A desigualdade social não pode ser acabada porque o homem é variável, o homem é diversificado, sempre haverá mulher e homem, não se pode quebrar esta diversidade. Quanto mais evolui a sociedade, mais se diversificam as profissões. Antigamente, o homem da caverna era sapateiro, era pedreiro, era cozinheiro, era pescador, era caçador. Agora tem engenheiro, tem advogado, cada vez mais se diversificam as profissões e cada profissão exige mais uma formação especializada. Agora, na diversidade, uns progridem mais outros menos, isso haverá sempre. De fato, o que se procura e deve-se procurar é quebrar a injustiça social, para que não haja alguém que tenha menos do que aquilo que é indispensável para sua vida. Para isso existe um poder público, que é um modelo de governo justamente para harmonizar as dificuldades, minorar as diferenças e fazer que as diferenças não gerem discórdia e dificuldades.

FOLHA DIRIGIDA : O senhor acha que programas adotados pelo sistema educacional brasileiro, como a bolsa-escola, a aceleração do aprendizado, a aprovação automática, podem pôr fim à exclusão social?
DOM LOURENÇO : São coisas completamente diferentes. A aprovação automática é uma bobagem. A aprovação é uma verificação de aprendizado que é preciso ser feita e deve ser valorizada, porque, inclusive, o processo de crescimento educacional depende das verificações para evoluir. A aprovação automática e a formação de classes misturadas são a dissolução da vida de trabalho em conjunto na escola. Agora, o acesso de todos à educação, por meio de bolsa de apoio, é um caminho que deve até crescer, não sei se no sentido que está sendo feito, mas evidentemente o direito à educação é um direito de todos. O Estado tem o dever de fornecer educação, de forma que o Estado não teria direito a oferecer escola pública só, ele tem a obrigação de oferecer escolas para o pai escolher, para que ele possa escolher uma escola pública e tenha, também, a alternativa de matricular o filho numa escola particular, através de bolsas oferecidas pelo Estado. Uma pessoa pode preferir uma escola religiosa, porque quer dar uma formação religiosa ao seu filho. Ele paga imposto, tem direito a isso, e o Estado poderia fornecer, então, bolsas. A nossa Constituição é injusta no sentido de que o dinheiro público deve ser aplicado em escola pública. O dinheiro público deve ser aplicado em favor da pessoa pública. De forma que ele deveria permitir a escolha. Um dos caminhos seria o próprio Estado oferecer escolas variadas e o Estado financiar ensino variado, por meio de bolsa ou por meio de escolas estruturadas segundo certas tendências e apoiada pelo Estado. O dinheiro público é do público, de forma que não é para fazer uma escola e controlar. Isso é coisa do Estado totalitário nazista, fascista, comunista, cubano, que é uma escola só, porque ele quer dopar aquele menino, conscientizar aquele menino para ser um fidelista, um fascista. O Estado democrático quer que as pessoas se formem segundo as tendências variáveis de cada família, que é o núcleo fundamental onde a pessoa humana surge e deve crescer.

FOLHA DIRIGIDA : O governo este ano enquadrou as instituições filantrópicas no sistema de tributação. Qual o impacto desta decisão sobre as instituições de ensino?
DOM LOURENÇO : O apoio às entidades filantrópicas, seja de saúde, seja de ensino, é um apoio que deveria existir. Agora, se todas as pessoas que buscam esse apoio a esse título merecem, eu não sei. A oferta do dinheiro público para a educação não é uma oferta de filantropia. O poder público administrador do dinheiro público tem o dever, não de filantropia, mas dever de justiça, de oferecer a cada um o direito de escolher a sua escola, de forma que se ele oferecer bolsa ou ajudar a escola, não é filantropia no sentido de algo mais, mas é aquilo que ele tem o dever de fazer.

FOLHA DIRIGIDA : A inadimplência é o principal problema enfrentado hoje pelas escolas particulares? Pode-se dizer que este problema chegou às escolas do padrão do Colégio de São Bento?
DOM LOURENÇO : A inadimplência sempre existiu. Agora é mais forte, mais grave. Não só a inadimplência, como a solicitação de bolsas parciais. Porque a classe média hoje está empobrecida, de forma que isso é comum, aumentou muito o pedido de redução. A inadimplência atinge todos os colégios e agora mais ainda, porque de fato a situação se agravou. Mas é um problema que de algum modo sempre existiu.

FOLHA DIRIGIDA : As escolas estão preparadas para conviver com essa realidade de inadimplência crescente? Quais alternativas estão buscando?
DOM LOURENÇO : As escolas não estão preparadas, porque elas vivem disso. Mas o número de escolas que têm fechado as portas por não conseguirem se manter é muito grande no Rio de Janeiro. Porque de fato a classe média empobrecida está apenas à procura da escola pública e abandonou a escola particular, não porque aquelas pessoas preferem a escola pública, mas porque elas não têm condições. De forma que é um sinal de pobreza, não é um sinal de progresso. Se a escola pública tivesse adquirido uma qualidade que atraísse, seria uma grandeza, mas o que está acontecendo é uma incapacidade financeira de a pessoa pagar a escola.

FOLHA DIRIGIDA : O êxodo de estudantes rumo às escolas públicas é uma realidade hoje acentuada no Colégio São de Bento?
DOM LOURENÇO : O Colégio de São Bento não diminui o número de alunos dele, mas, de fato, muita gente gostaria de colocar o filho no Colégio de São Bento e não tem condições de colocar. O colégio até uns três anos atrás nunca recusou aluno por não poder pagar. Hoje está com mais dificuldade, porque de fato o número de incapazes cresceu muito.

FOLHA DIRIGIDA : Um tema hoje bastante em discussão é a reserva de vagas nas universidades públicas para grupos, como negros e originários de escolas públicas. Nós gostaríamos de ouvir sua opinião sobre isto.
DOM LOURENÇO : O acesso à escola superior é feito na base de uma verificação de competência, de você ser capaz de fazer um curso superior. Não adianta colocar num curso como Medicina um menino que não trouxe uma formação básica de humanas de curso secundário, educação média. Ele não será capaz de seguir o aprendizado da Medicina e de ser um bom médico. Esses privilégios a título de classe na escola pública é inteiramente falso. O correto é a escola pública se qualificar para preparar alunos para escolas superiores. Quanto a essa questão que está agora em voga, de escola para negros, é uma questão inteiramente insensata. O que é o negro? É o mulato? O que tem que procurar é criar situações tais que ele chegue lá, mas botar um analfabeto, a título de que é preto, numa escola, é mentir para ele, é criar para ele uma situação falsa. E mais ainda: o que é, num país como o Brasil, o que seria um preto? Até que grau um meio-sangue seria tido como tal? É insensato, esta qualificação num país como o Brasil não existe. Ninguém é inteiramente branco, mas quase ninguém é inteiramente preto. Não se sabe a quem dar esta categoria. Até que ponto a cor seria um medidor? Tudo seria muito falso. É uma idéia inteiramente insana e tola. O que se deve proporcionar é de fato a qualificação para o aprendizado.

FOLHA DIRIGIDA : A droga e a violência chegaram à escola e se instalaram de uma forma tal, que levou a educação, em muitos casos, para a pauta da segurança. A escola está preparada para enfrentar desafios desta natureza?
DOM LOURENÇO : A escola é um elemento da vida social, quer dizer, a escola está preparada e não está preparada. A escola procura formar um ambiente em que a pessoa não sinta carências que levem à droga. E procura educar as crianças para que não sejam seduzidas. O Santo Papa disse aqui, num discurso magnífico: "É preciso ter a coragem de ser livre". E um menino aqui da escola me respondeu que ele tem razão pelo seguinte, é preciso ter coragem de ser livre e ter coragem de não entrar na onda. O que é preciso dizer para os meninos é que não entrem na onda do cigarro, da droga, porque ele não sabe se, começando, ele vai ser um viciado ou não, porque de cem meninos, você não sabe aquele que por tendência será viciado e aquele que pode experimentar sem vício. De forma que a aceitação da vida da droga é uma aceitação dessa vida deseducada em que nós vivemos, de conflito, de dificuldade, de carência. Na raiz de todos os males da sociedade moderna está a dissolução da família. Se você quiser que eu diga uma coisa meio chocante, a pílula criou para a sociedade humana um novo problema, porque a mulher que antigamente era sensata, defendia o bom senso, era muito mais sensata do que o homem, era cautelosa, porque ela tinha a responsabilidade da gravidez. Hoje, ela ficou imitadora do homem. Não sei como será a vida daqui a vinte anos, porque a família perdeu a estrutura. Antigamente eu via com freqüência uma mulher vir aqui com três crianças, porque o marido tinha abandonado. Hoje é a avó que está salvando ainda a situação. De forma que a crise da família é uma crise grave e que não é um problema para ser resolvido numa entrevista. É um assunto que deve ser pensado com um pouco mais de cautela.

FOLHA DIRIGIDA : Nesta era do hipertexto, do predomínio da linguagem virtual, digital entre os jovens, como anda o domínio dos conteúdos curriculares?
DOM LOURENÇO : A escola deve cuidar de não pensar que nós vivemos de fato no delírio da imagem e, agora, do digital. O aprendizado é feito pelas coisas que chegam à inteligência, de forma que é o aluno que aprende, não é o mestre que transmite. Ele tem que se servir desses elementos como meios, como recursos, mas não fazer disso o próprio ensino. O ensino é uma comunicação. É o aluno que, solicitado, aprende, de forma que os recursos audiovisuais são positivos quando são recursos, e são negativos quando são sufocantes. O menino que assiste a cinco, seis horas de televisão por dia, ele está de fato se fechando ao mundo, se iludindo, pensando que está aprendendo pela vista, em vez de aprender pelo ouvido e pela inteligência.

FOLHA DIRIGIDA : O senhor disse há pouco que a sociedade está violenta porque perdeu a base da fé, da religião. A LDB em vigência abre espaço na escola para o ensino religioso. O senhor acha que isto vai melhorar a formação dos jovens?
DOM LOURENÇO : A Lei de Diretrizes e Bases é uma lei do Darcy Ribeiro, é uma lei completamente falsa e insegura. O ensino religioso é oferecido de uma maneira geral, porque a Constituição permite. O ensino religioso, que é direito de os pais pedirem para os seus filhos, é um ensino de religião determinda. Não é um ensino religioso de religião ecumênica, é o ensino de determinada religião. E a escola pública, já que é a escola obrigatória fornecida pelo Estado, tem obrigação de abrir espaço ao ensino religioso, e ao ensino religioso confessional, não ao ensino religioso ecumênico. E ele pode aí criar, como se criava antigamente, uma certa cautela econômica, porque vai precisar diversificar e não vai ser possível, de fato, botar um professor de Budismo porque existe um budista na escola. Mas caberia financiar não o ensino de religião que dá a qualificação religiosa como sem importância, mas o ensino de religião confessional, e a LDB não fala disso, que ficou para ser regulamentado em leis estaduais ou regulamentos estaduais.

FOLHA DIRIGIDA : Segundo o IBGE o Brasil tem 15 milhões de adultos analfabetos. Quais medidas, na sua opinião, poderiam ser tomadas para mudar esse quadro?
DOM LOURENÇO : Eu não tenho nenhuma originalidade nisso. A medida é abrir escola, e escola acessível ao povo. Uma idéia de Darcy Ribeiro também completamente falsa é a do Ciep, de grandes escolas, porque a escola pequena e perto de casa é a que atrai a criança que precisa mais desse apoio. De forma que seria uma abertura para o ensino inicial facilitado e o acesso inicial proporcionado até com certa despreocupação de pedantismo titular. Agora estão exigindo que a professora de ensino de criança tenha formação de ensino superior, não é preciso. O ensino normal antigo, que é um ensino de nível médio, captando candidatos de boa qualidade, formou excelentes professoras primárias. Ficava mais barato para o estado, aproveitava a moça dos 18 aos 24 anos, quando ela não tinha seis filhinhos em casa para atrapalhar que se dedicasse ao ensino. Tornava o ensino mais acessível, mais barato, de forma que as medidas que parecem caprichosas, de aprimoramento, são às vezes medidas negativas, que criam dificuldades. Não se deve dificultar o ensino no interior do Brasil de pessoas não tituladas, porque quem sabe ler ensina alguém a ler. A escola beneditina medieval, segundo alguém, começou no dia em que um alfabetizado encontrou um analfabeto e achou que devia ensiná-lo a ler e escrever. Tem que facilitar o ensino e não criar barreiras legais que dificultem uma pessoa de formar a outra.

FOLHA DIRIGIDA : Fala-se que o magistério está desvalorizado. O senhor concorda? O professor se tornou, de fato, um pobre coitado?
DOM LOURENÇO : O salário aqui no Rio de Janeiro de fato se tornou pouco apetecível para uma moça ser professora, sobretudo no ensino primário. Sobretudo atualmente, em que a mulher tem acesso muito mais fácil a outras profissões mais rendosas. Quando eu fiz o curso de Medicina há setenta e poucos anos, havia na minha turma de 430 alunos, no primeiro ano, 13 meninas. Hoje tem mais da metade. Com isso também a mulher teve abertura de outras profissões, que a afastou do magistério, embora a mulher tenha ainda uma inclinação, e é uma profissão muito ajustada à via feminina. Mas a professora está sendo muito mal paga, de forma que há uma debandada, e debandada em número e talvez em qualidade.

 
   
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