| |
FOLHA DIRIGIDA - Alguns
críticos afirmam que o Magistério perdeu status,
devido aos baixos salários e também em virtude
do próprio comportamento da categoria. O senhor considera
essa crítica proveniente?
PAULO GAMA - Ela tem fundamento em parte. A massificação
da universidade, como instituição mundial -
no Brasil não seria diferente - , fez que o professor
perdesse realmente um pouco do seu status. A necessidade de
se congregarem docentes para as necessidades das universidades
como um todo, muito proliferadas hoje em dia, fez que nem
sempre o professor estivesse apto ao exercício da sua
docência. Por isso, há muita improvisação.
Tanto esse fato é verdade que sentimos a necessidade
de uma educação continuada, se estendendo ao
mestrado, doutorado, a fim de que haja o complemento da formação
docente. Dessa maneira, nessa transição pode-se
dizer perfeitamente que houve uma queda do status do professor
aliada, inclusive, a perdas salariais. Hoje, sabemos que o
professor nem sempre é remunerado como deveria ser.
Mas, sabemos também que nem sempre ele estará
preparado para receber esta remuneração. Então
é preciso compatibilizar esses vetores, essas circunstâncias,
de maneira que nós tenhamos uma boa profissão
docente por parte do professor, uma boa remuneração
por parte da instituição, do estado, do município,
da iniciativa privada, de maneira a estabelecermos um processo
de revalorização do profissional do ensino.
FOLHA DIRIGIDA - Como
fazer para se implementar a política de real valorização
do Magistério em todos os níveis de ensino?
PAULO GAMA - Podemos ter várias linhas de ação,
de políticas. Mas acredito que a valorização
docente passa pela educação continuada. Um professor
que pensa em ser apenas um profissional de nível médio,
nível básico ou universitário, tem que
estar preparado para este exercício pedagógico.
Em nível universitário, com o mestrado e doutorado,
a especialização leva o professor a uma posição
qualitativa e bastante elevada no segmento da Educação.
Cabe a ele e às instituições darem as
ferramentas e os meios necessários para que esta qualificação
venha a acontecer. Quem realmente quiser enveredar por um
caminho do ensino tem que se aprimorar, e as instituições
têm que valorizar esse aprimoramento.
FOLHA DIRIGIDA - Qual
a sua posição sobre o sistema de avaliação
comandado pelo MEC, particularmente o exame nacional de cursos,
o Provão?
PAULO GAMA - Penso que há muito ainda a se fazer
nessa matéria. Recentemente, o MEC alterou o critério
de avaliação. Passou de um critério que
era feito através da Curva de Gauss para um critério
através do desvio-padrão. Conseqüentemente
já houve uma alteração, a meu ver para
melhor, o que significa um esforço de aprimoramento.
Mas, acredito deva haver um real comprometimento do aluno
com a sua instituição através do resultado
que ele individualmente vai obter. Enquanto isto não
acontecer, o provão não reflete na íntegra
o valor da universidade, uma vez que a prova também
pode ser entregue em branco.
FOLHA DIRIGIDA - A estratégia
do governo de priorizar, no segundo mandato do presidente
FHC, o ensino fundamental e médio é correta?
PAULO GAMA - Com certeza. É importante estabelecer,
em função do orçamento, as verbas para
as universidades públicas. Estabelecer linhas de maneira
que a universidade particular não se enfraqueça
e se fortaleça de maneira a compor o sistema educacional
satisfatoriamente. É importante que as verbas, as atenções,
as políticas, e todo o esforço do governo estejam
voltados para o ensino básico e fundamental. A Educação
é uma pirâmide e ela vai convergindo para o ápice
de maneira a formar uma elite. Por isso, é preciso
que a base dessa pirâmide seja fortalecida para que
uma boa formação seja concretizada. A universidade
é uma opção da elite intelectual, pois
são poucos os que acabam tendo acesso à universidade.
Por isso, esse posicionamento do governo é muito correto.
Acredito que aí está a via de solução
de problemas muito sérios ainda acontecendo nesse país.
|
|