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  Novo foco: a formação continuada  
 

Chanceler da Universidade Gama Filho, Paulo Gama defende a formação continuada como principal forma de valorizar a carreira do magistério

A massificação da universidade fez que o professor perdesse um pouco do seu status. Esta é a opinião do chanceler da Universidade Gama Filho, Paulo Gama. Segundo ele, a necessidade de se congregarem docentes para as necessidades das universidades como um todo, muito proliferadas hoje em dia, fez com que nem sempre o professor estivesse apto ao exercício da sua docência. "Hoje, sabemos que o professor nem sempre é remunerado como deveria ser. Mas, sabemos também que nem sempre ele estará preparado para receber esta remuneração", critica.
Para Paulo Gama, a valorização docente passa pela educação continuada. Sendo assim, uma especialização - como o mestrado e doutorado - leva o professor a uma posição mais elevada na área da Educação. "Cabe ao professor e às instituições darem as ferramentas e os meios necessários para que esta qualificação venha a acontecer. Quem realmente quiser enveredar pelo caminho do ensino tem que se aprimorar, e as instituições têm que valorizar esse aprimoramento", afirma.
É por considerar a Educação uma pirâmide que vai convergindo para o ápice de maneira a formar uma elite, que o chanceler da Universidade Gama Filho diz ser preciso priorizar o ensino fundamental e médio. "A universidade é uma opção da elite intelectual, pois são poucos os que acabam tendo acesso à universidade", conclui.

Confira a entrevista:

FOLHA DIRIGIDA - Numa sociedade globalizada como a atual, fala-se que cursos como os da área de Ciências Humanas perdem espaço devido a um pragmatismo econômico. Essa análise é correta? O Brasil precisa de uma efetiva política cultural a fim de elevar o prestígio de profissionais das Ciências Humanas?

 
Paulo Gama, Chanceler da Universidade Gama Filho
  PAULO GAMA - Com certeza. Profissionais da área de Ciências Humanas fazem o alicerce da Educação Brasileira. É claro que, com o avanço tecnológico, a área das Ciências Exatas - das engenharias e de todos os setores hoje envolvidos com a Internet - cresceu bastante. Mas, a área de Ciências Humanas forma o caráter nacional. Isso é muito interessante porque essa área está nitidamente ligada ao homem, ao ser humano e é como eu vejo as Letras, as Pedagogias. Por minha própria formação pedagógica, sinto o quanto ela foi importante para que eu pudesse modestamente estar onde estou. Minha primeira formaçã é a pedagógica, na Faculdade de Ciências e Letras da Universidade do Brasil, antes de ser a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
 
 

FOLHA DIRIGIDA - Alguns críticos afirmam que o Magistério perdeu status, devido aos baixos salários e também em virtude do próprio comportamento da categoria. O senhor considera essa crítica proveniente?
PAULO GAMA -
Ela tem fundamento em parte. A massificação da universidade, como instituição mundial - no Brasil não seria diferente - , fez que o professor perdesse realmente um pouco do seu status. A necessidade de se congregarem docentes para as necessidades das universidades como um todo, muito proliferadas hoje em dia, fez que nem sempre o professor estivesse apto ao exercício da sua docência. Por isso, há muita improvisação. Tanto esse fato é verdade que sentimos a necessidade de uma educação continuada, se estendendo ao mestrado, doutorado, a fim de que haja o complemento da formação docente. Dessa maneira, nessa transição pode-se dizer perfeitamente que houve uma queda do status do professor aliada, inclusive, a perdas salariais. Hoje, sabemos que o professor nem sempre é remunerado como deveria ser. Mas, sabemos também que nem sempre ele estará preparado para receber esta remuneração. Então é preciso compatibilizar esses vetores, essas circunstâncias, de maneira que nós tenhamos uma boa profissão docente por parte do professor, uma boa remuneração por parte da instituição, do estado, do município, da iniciativa privada, de maneira a estabelecermos um processo de revalorização do profissional do ensino.

FOLHA DIRIGIDA - Como fazer para se implementar a política de real valorização do Magistério em todos os níveis de ensino?
PAULO GAMA -
Podemos ter várias linhas de ação, de políticas. Mas acredito que a valorização docente passa pela educação continuada. Um professor que pensa em ser apenas um profissional de nível médio, nível básico ou universitário, tem que estar preparado para este exercício pedagógico. Em nível universitário, com o mestrado e doutorado, a especialização leva o professor a uma posição qualitativa e bastante elevada no segmento da Educação. Cabe a ele e às instituições darem as ferramentas e os meios necessários para que esta qualificação venha a acontecer. Quem realmente quiser enveredar por um caminho do ensino tem que se aprimorar, e as instituições têm que valorizar esse aprimoramento.

FOLHA DIRIGIDA - Qual a sua posição sobre o sistema de avaliação comandado pelo MEC, particularmente o exame nacional de cursos, o Provão?
PAULO GAMA -
Penso que há muito ainda a se fazer nessa matéria. Recentemente, o MEC alterou o critério de avaliação. Passou de um critério que era feito através da Curva de Gauss para um critério através do desvio-padrão. Conseqüentemente já houve uma alteração, a meu ver para melhor, o que significa um esforço de aprimoramento. Mas, acredito deva haver um real comprometimento do aluno com a sua instituição através do resultado que ele individualmente vai obter. Enquanto isto não acontecer, o provão não reflete na íntegra o valor da universidade, uma vez que a prova também pode ser entregue em branco.

FOLHA DIRIGIDA - A estratégia do governo de priorizar, no segundo mandato do presidente FHC, o ensino fundamental e médio é correta?
PAULO GAMA -
Com certeza. É importante estabelecer, em função do orçamento, as verbas para as universidades públicas. Estabelecer linhas de maneira que a universidade particular não se enfraqueça e se fortaleça de maneira a compor o sistema educacional satisfatoriamente. É importante que as verbas, as atenções, as políticas, e todo o esforço do governo estejam voltados para o ensino básico e fundamental. A Educação é uma pirâmide e ela vai convergindo para o ápice de maneira a formar uma elite. Por isso, é preciso que a base dessa pirâmide seja fortalecida para que uma boa formação seja concretizada. A universidade é uma opção da elite intelectual, pois são poucos os que acabam tendo acesso à universidade. Por isso, esse posicionamento do governo é muito correto. Acredito que aí está a via de solução de problemas muito sérios ainda acontecendo nesse país.

 
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