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Os problemas do vestibular e a angústia
da juventude |
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QUATRO PROFESSORES ESPECIALIZADOS FALAM DAS
DIFICULDADES E DOS DESAFIOS DE QUALIDADE DO ENSINO MÉDIO,
SOBRETUDO EM RELAÇÃO À PREPARAÇÃO
PARA O VESTIBULAR |
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Por isso, não podemos
admitir que sobrem vagas em uma universidade pública
e nem tampouco tenham vagas ociosas que são pagas por
toda uma nação, que sustenta essa máquina
inepta.
A unificação
do vestibular seria boa para todos, pois teríamos apenas
uma data, um programa, uma lista de aprovados, uma taxa e
uma lista de reclassificação. Logo, a unificação
viria de encontro com todos os fatores positivos, enquanto
o vestibular de hoje é injusto, perverso, desgastante
e só atende às corporações internas
de cada uma das instituições. Eu vejo na unificação
um passo inteligente, um passo adiante, um passo que tornaria
todos nós que trabalhamos nesse setor melhores, e o
aluno que é o ponto que todos devíamos valorizar,
sairia absurdamente no lucro.
Ainda em relação
às diversas taxas cobradas, é claro que elas
inviabilizam a participação de muitos alunos.
Aqueles que hoje podem fazer seis vestibulares com uma taxa
de inscrição no valor de R$60 são favorecidos.
É lógico que um aluno carente tem muita dificuldade
sim em fazer os diversos vestibulares, ele é punido
porque não pode pagar várias taxas. Essa multiplicidade
de vestibulares tem uma ação discriminatória,
pois vestibulares isolados implicam uma multiplicidade de
inscrições e muitas famílias realmente
não conseguem dar esse número de oportunidades
aos seus filhos.
O aluno, o professor, a instituição,
as famílias estão tontas com esta multiplicidade.
Você tem o próprio calendário escolar
com 200 dias letivos que sai prejudicado. Todos esses exames,
em diferentes épocas do ano, causam um grande transtorno
no trabalho cotidiano da ecola, no processo de aprendizagem
do aluno e na própria ação dos professores.
Os professores hoje dizem: da maneira que está, o que
normalmente seria feito em 600 dias letivos, 3 anos a 200
dias letivos cada, nós temos que liquidar praticamente
em 400 ou 450 dias.
Tenho muita saudade do modelo
da Fundação Cesgranrio, claro que atualizado
às novas normas e aos novos critérios. O vestibular
unificado era um processo humano, que acontecia depois de
o aluno ter concluído o seu ensino médio e não
havia o varejo de vestibulares que existe hoje em dia.
Com o varejo de faculdades,
com essa poluição que está havendo de
atrativos para o aluno fazer o curso superior, o seu diploma
será um cheque com fundos ou sem fundos. Isso é
algo que preocupa muito, pois às vezes pode parecer
ser uma solução imediata, a curto prazo, mas
que passa a ser um problema enorme a longo prazo e muitas
vezes o processo fica irreversível, prejudicando o
desepenho profissional do aluno no futuro.
É claro que hoje as
universidades estão olhando todas essas questões
com mais carinho, as listas de isenções têm
sido muito mais generosas. Mas, ainda assim o estudante carente
sai muito prejudicado nesse modelo de vestibular, em que se
tem uma maratona de provas. O meu pleito sempre foi pela unificação
novamente das instituições públicas,
que deveriam novamente se ordenar para oferecer um modelo
mais inteligente de vestibular.
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Os professores são
a peça fundamental no processo educacional. Por isso,
eles devem estar diante da realidade que os cercam, porque
o conteúdo por si só já não está
mais preenchendo a necessidade de um professor. Um professor
que sabe o seu conteúdo é um bom profissional,
mas aquele que está além do conteúdo,
é um excepcional profissional. Por isso, é que
o professor necessita estar diante do quadro que a sociedade
está exigindo, que a realidade mostra para ele. Ele
precisa saber muito do dia-a-dia, porque isso está
fazendo uma diferença significativa.
Há um tempo atrás,
o professor deveria somente conhecer um conteúdo e
essa informação durava a vida toda. Hoje, o
conteúdo que ele aprende na universidade só
vale para uma parcela daquilo que ele tem que ensinar. Logo,
ele tem que ir muito além, precisa estar diante dos
jornais diariamente, se atualizar constantemente, e ler, porque
quem não lê não têm vocabulário.
Não adianta só cobrar do aluno, nós,
professores, temos que cobrar de nós mesmos essa permanente
atualização.
Os educadores precisam estar
diante das ferramentas, e ferramentas significam computadores
e Internet. Eles precisam estar diante dos meios que os alunos
têm em casa a sua disposição, porque senão
ele será uma pessoa despreparada para dar aquilo que
o aluno necessita. E, fundamentalmente, eu diria que ele precisa
hoje ter uma parte de relação humana muito bem
estruturada, porque o aluno que chega nas nossas salas, é
fruto de uma outra realidade, diferente daquela que o nosso
professor foi forjado.
Além disso, o aluno
precisa ver no professor também um exemplo para a vida,
porque senão como ele vai poder praticar ética,
cidadania e limites? Como a sociedade hoje está dando
poucos limites, e como nós sabemos que é fundamental
o limite para que se possa avançar na vida, para que
você consiga respeitar aquele que está ao seu
lado, uma escola que não dá isso para o aluno
está errando, e o professor que não dá
isso está errando tanto quanto essa escola. Então
eu imagino que hoje o conteúdo seja apenas 60%, os
outros 20% seriam as ferramentas (dia-a-dia) e o restante
seria a postura, a ética, a comunicação.
Entendo que um professor formado
como antigamente está completamente distante da realidade
exigida pelos alunos de hoje. Atualmente, o conteúdo
é apenas uma parcela do que o professor necessita para
ser chamado de professor. Então a minha mensagem para
os professores é que eles tenham sempre a certeza de
que são uma peça fundamental e imprescindível
do processo educacional, e que esse processo só existe
na figura dele, na medida em que além do conteúdo,
também tragam ferramentas e experiências do cotidiano,
postura, ética. E, além disso, saibam passar
os limites a partir dessas posturas. O professor hoje deve
estar preparado para os desafios e as mudanças, pois
é isso que a sociedade espera dele.
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