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  Uma postura de diálogo segura e sem preconceitos  
  A capacitação dos professores para a atuação em situações limite é outro ponto destacado pelos educadores, que também alertam para o vício do álcool entre os jovens  
Geralda Melo - Colégio Pedro II
  A escola precisa ter conhecimento de que o uso de drogas (lícitas ou ilícitas) é considerado pela Organização Mundial de Saúde como um problema de saúde pública que não escolhe raça, religião, idade ou classe social. E, dependendo do tipo de uso, pode gerar dependência e causar grandes danos à saúde do usuário e conseqüências na vida econômica, no ambiente familiar, no trabalho, na escola e no contexto social.  
 

Em segundo lugar, a escola deve capacitar os educadores para encarar e lidar com este novo desafio com diálogo. Criar uma "rede interna de apoio e ajuda" ao aluno em situação de risco, desenvolvendo um programa de prevenção em conjunto com a família e os alunos, com ações integradas em nível curricular e extracurricular, interdisciplinar e multiprofissional, discutindo a questão da droga num contexto mais amplo, com foco na qualidade e valorização da vida, entendida como bem-estar físico, psíquico e social.

O educador deve ter uma postura de diálogo, segura, tranqüila, sem preconceitos e discriminação, consciente e sigilosa em caso de identificar um aluno em situação de risco. O clima de confiança e respeito entre educador, aluno e família é fundamental para que seja estabelecida uma verdadeira relação de ajuda. A palavra "combate" às drogas traz conotações repressivas que não condiz com a postura educacional de abordagem ao tema. As escolas devem, sim, desenvolver um programa de prevenção com atividades sedutoras, criativas e prazerosas através de dinâmicas de grupo, campanhas, jornadas, gincanas, torneios, oficinas de debates, mesas-redondas, seminários, exposições, teatro e capacitar os alunos como multiplicadores da prevenção e sujeitos da construção de sua própria história.

Os jovens de hoje têm informações. O que falta é a informação adequada e reflexiva sobre os riscos e males causados pela droga a curto, médio e longo prazos. Cabe às escolas desenvolverem um trabalho preventivo não só em relação às drogas, mas de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Aids e sexualidade precoce, pois a escola detém a clientela de maior risco e vulnerabilidade sujeita tanto à oferta quanto ao uso de drogas: crianças, adolescentes e jovens em plena fase de formação biopsicossocial. A própria legislação de âmbito Federal, Estadual e Municipal e o Estatuto da Criança e do Adolescente determinam tal prevenção na escola. No entanto, a prevenção deve ser feita com abordagem clara e adequada a cada faixa etária, evitando a "pedagogia do terror" e fundamentada em valores éticos, morais e espirituais.

O problema das drogas com jovens é uma responsabilidade de todos: família, escola, comunidade, governo e sociedade. A prevenção na escola só dará certo se houver parceria entre escola/família, considerando-se que a escola e a família são os alicerces fundamentais na educação do cidadão. A escola tem um papel fundamental no desenvolvimento psicossocial da criança, do adolescente e do jovem, e uma inestimável função a desempenhar como lugar de "transformação"e "mudanças" que deve propiciar e favorecer a sua criatividade e talentos potenciais e as relações humanas, sociais e culturais.

Caso a escola detecte algum aluno envolvido com drogas, ela deve encaminhar a questão de qualquer problema ou situação de risco com responsabilidade compartilhada com a família. Deve estabelecer regras bem definidas, como não autorizar o uso de drogas, sejam legais (fumo e álcool) e ilegais (maconha, cocaína...) nas suas dependências. Por outro lado, seria contraproducente tomar atitudes drásticas com os usuários de drogas. A exclusão só irá diminuir a chance de o usuário ser compreendido e seu problema tratado de forma adequada. Se a escola não souber lidar com a questão, deve procurar ajuda especializada.

O álcool é uma droga tão perigosa como outra ilegal, e causa, além da dependência, graves problemas na vida pessoal, social, familiar e econômica do usuário e do meio social e familiar em que está inserido. É proibida para menores de 18 anos, no entanto, assim como o tabaco, os jovens começam a beber de modo geral a cerveja, na média, aos 12 anos, e em alguns casos infelizmente com a permissão dos pais. Hoje é o principal problema da nossa juventude.

Para concluir, a escola deve capacitar o educador para lidar com estas questões, estabelecendo um bom relacionamento educador/aluno, incentivando a auto-estima, afetividade e clima de confiança. Os casos que extrapolem a sua alçada devem ser encaminhados para os setores competentes da escola.

 
Ulysses Panisset- presidente do Conselho Nacional de Educação e reitor do Instituto Metodista Isabela Hendrix
  As drogas devem ser abordadas na escola como tema transversal no contexto de Educação e Saúde, ao lado de Educação Sexual e Educação e Cidadania, por exemplo. O Conselho Nacional de Educação não se fixa em pormenores no projeto pedagógico das escolas. O assunto é tratado quando se discutem as diretrizes nacionais de Educação. O Conselho trata como uma dessas diretrizes que devem ser incluídas no currículo.  
 

Não há idade para começar a inserir o tema sobre prevenção das drogas na escola. O cientista americano Gerome Brunn tem uma frase interessante: "Pode se ensinar qualquer assunto a qualquer criança". Ele acrescenta que é necessário ensinar na dosagem adequada à idade do aluno. Você não vai falar sobre o assunto com crianças de dois a cinco anos, porque ela nem sabe o que são drogas. Mas quando ela ingressa no ensino sistemático, que é o ensino fundamental, pode começar a ser informada. E na medida em que vai crescendo, o tema pode ser incluído nas aulas de Ciências e no ensino médio quando o aluno aprende noções de Química e Biologia, ele poderá compreender os efeitos maléficos das drogas. No Instituto Metodista Isabela Hendrix, que eu dirijo, costumamos trazer especialistas sobre o assunto para falarem aos alunos. Essa é uma outra forma de abordagem.

A abordagem do assunto nas escolas com alunos de diferentes classes sociais deve ser adequada, com linguagem adequada. Da mesma maneira que precisamos adequar à idade do aluno, também às circunstâncias de vida. As drogas rondam as escolas da periferia e os traficantes estão invadindo escolas. Portanto, há necessidde de tratar o tema com todos, inclusive de áreas menos favorecidas.

A tarefa da escola é educar para a vida e para a cidadania e, sem dúvida, a droga é um dos maiores problemas da atualidade. Não há melhor expressão da cidadania que o cidadão que usa bem o seu corpo e sua saúde. A droga serve para minar a socieddade, incentiva o crime. Portanto, o assunto deve ser incluído o mais cedo possível na escola, mas nesta dosagem adequada. É preciso também ter cuidado para não criar um pânico na cabeça da criança.

Antigamente a escola tinha dificuldade de tratar o tema, havia uma certa cerimônia, porque se acreditava que tocar no assunto poderia suscitar no aluno o interesse pela droga. Hoje se sabe que é necessário conscientizar o adolescente sobre a degradação a que a droga leva. Porque se a escola não falar, os traficantes e os que estão interessados em vender vão falar sozinhos e da maneira que lhes convém.

Caso a escola tenha um aluno viciado, ela tem o dever de, a todo custo, ajudar o aluno a superar esta situação. Se o adolescente se tornar um fator de risco aos outros, de querer levar a droga aos colegas, deve haver um entendimento com a família deste estudante. Às vezes, chega a um ponto em que o problema interfere no ambiente da sala de aula. Deve se tomar as medidas necessárias, partir para um tratamento e interação com os pais do estudante.

 
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