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FOLHA DIRIGIDA - O Brasil
comemora a melhoria de alguns indicadores educacionais, como
o aumento da escolarização na última
década. No entanto, o número de leitores permanece
praticamente o mesmo. Em quanto tempo será possível
observar alguma mudança no índice de leitores
com o aumento da escolarização?
Arnaldo Niskier - Em Educação, os resultados
são sentidos a médio e longo prazos. A estruturação
do hábito de leitura passa, também, por esse
processo. É importante que se desenvolva, nas crianças,
desde os primeiros anos, o gosto pela leitura. Só haverá
mudança no índice de leitores, isto é,
só teremos mais pessoas lendo, independentemente da
escolarização, quando o acesso ao livro e de
mais meios for mais fácil (mais bibliotecas, preços
menos elevados etc.).
FOLHA DIRIGIDA - Por que
motivo os programas de incentivo à leitura, como Hora
da Leitura, do Estado do Rio de Janeiro, e "Leitura
na Escola", do MEC, nem sempre trazem os resultados desejados?
Arnaldo Niskier - Inegavelmente, esses programas de incentivo
à leitura consistem em um bom começo. Os resultados
ainda não podem ser avaliados, pois aqueles projetos
foram implementados há pouco tempo. Tenho certeza de
que futuramente teremos os resultados desejados.
FOLHA DIRIGIDA - Dados
indicam que a média de leitura dos brasileiros é
de dois livros por ano, sendo um deles de cunho didático.
Quais países apresentam média de leitura de
livros por pessoa satisfatória?
Arnaldo Niskier - Os países da Europa, em geral,
apresentam uma média entre 8 e 10 livros per capita/ano.
FOLHA DIRIGIDA - Por que
o brasileiro lê tão pouco?
Arnaldo Niskier - A obrigação de aprender
a ler, pois esta é a máxima indiscutível
que faz parte do dia-a-dia das nossas crianças que
completam 5, 6 anos, é o primeiro obstáculo.
A falta de atendimento pré-escolar e a conseqüente
dificuldade do domínio da leitura, professores sem
prática ou conhecimento das técnicas de alfabetização,
além das tão decantadas: evasão e distorção
idade/série. Não se pode esquecer, também,
que temos poucas bibliotecas públicas, temos poucas
bibliotecas escolares, temos poucas bibliotecas de sala de
aula e o alto preço dificulta o acesso do brasileiro
ao livro, na minha opinião, ainda, o maior manancial
da cultura.
FOLHA DIRIGIDA - O que
é preciso fazer, efetivamente, para incentivar o hábito
da leitura?
Arnaldo Niskier - Resolver as situações
citadas no item anterior.
FOLHA DIRIGIDA - O professor
é considerado o agente dinamizador da leitura em sala
de aula. A literatura faz parte dos currículos dos
cursos de formação de professores?
Arnaldo Niskier - Sim. Não só nos cursos
de formação de professores, mas em todo o ensino
médio.
FOLHA DIRIGIDA - Atualmente,
o próprio mercado de trabalho valoriza quem fala, se
comunica e escreve bem. Na sua avaliação, está
havendo uma revalorização da importância
da leitura?
Arnaldo Niskier - Desejo que sim. A leitura ajudará
sempre qualquer pessoa a escrever melhor e falar melhor.
FOLHA DIRIGIDA - Por causa
de dificuldades econômicas, os acervos de muitas bibliotecas
deixaram de ser atualizados. Com isso, muitas vezes, a visita
à biblioteca pode tornar-se uma frustração
para o estudante e a Internet surgir como a melhor alternativa.
Qual a importância de desenvolver nos estudantes o gosto
por freqüentar bibliotecas?
Arnaldo Niskier - Em primeiro lugar incentivá-los
a freqüentar as bibliotecas. Seja qual for o estado de
uma biblioteca há sempre bons livros no seu acervo.
Quanto ao estado dessas instituições depende,
exclusivamente, de vontade política.
FOLHA DIRIGIDA - Quando
ingressou no magistério e quais os educadores que mais
o influenciaram?
Arnaldo Niskier - Em 1952. Os educadores que mais me influenciaram
foram Francisco Alcântara Gomes, Ney Cidade Palmeiro
e Felipe Santos Reis.
FOLHA DIRIGIDA - Que contribuição
a LDB trouxe para a melhoria do ensino?
Arnaldo Niskier - É uma lei mais condensada e realista.
Isto é, vai mais ao encontro das nossas necessidades.
Já a sua antecessora (Lei nº5692/71) que apesar
de muito bem redigida era totalmente utópica. Inexeqüível,
até. Por exemplo: obrigava o ensino profissionalizante
quando não tínhamos nem recursos materiais nem
humanos.
FOLHA DIRIGIDA - Comente
a iniciativa do MEC para a compra de 20 milhões de
livros paradidáticos que irão equipar
as bibliotecas das escolas públicas.
Arnaldo Niskier - A compra de 20 milhões de livros
paradidáticos é sempre oportuna. A escolha desses
livros e a sua distribuição são pontos
relevantes, que responderão mais tarde pelo resultado
da iniciativa.
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