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'A tradição não exclui a modernidade', destaca a diretora das Faculdades Souza Marques


Em junho, as Faculdades Souza Marques completaram 50 anos. Com valores pedagógicos baseados no ser humano, uma das propostas da instituição é proporcionar aos alunos meios de se desenvolverem e se inserirem na sociedade. Tudo isso aliado à modernidade, sem deixar de lado a tradição.

Para a diretora das Faculdades Souza Marques, Leopoldina Souza Marques, a tradição fornece a base para os princípios morais, espirituais e acadêmicos. "A tradição, através do exemplo, proporciona ao alunado condições de se colocar no desafiante mercado de trabalho com segurança, técnica e com responsabilidade de um cidadão consciente em seus direitos e responsabilidades", comenta.

Nesta entrevista, Leopoldina Souza Marques comenta sobre a tendência dos grandes conglomerados nas universidades. A reitora acredita que podem ser geradas distorções no ensino nesse processo, sobretudo no que diz respeito aos ideias do universitário. "Não vejo benefício para o futuro de nosso país. O acolhimento, a proposta pedagógica, a metodologia, não corresponderão, por certo, aos anseios do universitário consciente de sua escolha", explica.

Leopoldina Souza Marques fala, ainda, sobre os eventos realizados em comemoração aos 50 anos das Faculdades Souza Marques, mudanças no Ministério da Educação e faz um balanço das ações realizadas no Brasil no campo superior. "A fragilidade do ensino básico, a meu ver, é o maior problema para a formação superior de qualidade. O Enade, um dos instrumentos para avaliar as instituições, também não criou nenhum mecanismo para tornar atrativo ao aluno o seu compromisso na realização da prova", finalizou.

FOLHA DIRIGIDA - As Faculdades Souza Marques completam 50 anos em 2016. Pode nos falar um pouco sobre os princípios didático- pedagógicos fundamentais que norteiam a formação nos cursos da instituição?
Leopoldina de Souza Marques
- Em nosso projeto, a prioridade é fazer com que nosso egresso tenha realmente todas as condições de se inserir na sociedade. Para isso, oferecemos condições ao desenvolvimento das pessoas, envolvendo crenças, valores, atitudes, habilidades e competências, capazes de favorecer a contínua transformação de suas realidades: em bases técnicas, científicas, políticas e eticamente aceitáveis. Para atender esse fim, propomos consolidar o nível de qualidade alcançado para a oferta do ensino profissional, de cursos de graduação, de programas de pós-graduação e de extensão, bem como, pela promoção de atividades de práticas investigativas, mantendo-se em permanente sintonia com o mundo do trabalho.

Estão previstos eventos em comemoração aos 50 anos? Alguma atividade já foi realizada este ano?
Em comemoração aos 50 anos da FTESM, foram realizados três eventos. No primeiro, no dia do aniversário, dia 13 de junho, foi celebrado um Culto de Gratidão a Deus, na Capela do Colégio Souza Marques. Na ocasião foi proferida, pelo Pastor Israel Belo de Azevedo, uma mensagem sobre Gratidão, baseada no Evangelho segundo São Lucas. O segundo evento ocorreu no dia 18 de junho, oferecido para Professores e Funcionários, no Hotel Windsor na Barra da Tijuca. O professor Paulo Alcântara Gomes, presidente da Associação Brasileira de Educação, realizou uma conferência sobre o tema “A Importância da Universidade e Comunidade Acadêmica na Sociedade Brasileira”. O terceiro, destinado aos alunos, ocorreu na Fundação. Houve torneio esportivo, mini cursos e música com a Banda e Coral formados por alunos das Faculdades, regidos pelos Maestros José Bernardo e Luiz Abreu, respectivamente.

A formação com base nos valores humanos é vista por especialistas como fundamental nos dias de hoje. De que forma as Faculdades Souza Marques buscam prestigiar esse aspecto? Qual a importância desse viés humano na formação de profissionais de diferentes áreas?
Com muita propriedade os especialistas fazem esta colocação. A experiência das Faculdades Souza Marques tem mostrado que este olhar holístico do ser humano é indispensável na boa formação. Ações neste sentido tem sido desenvolvidas pelo quadro administrativo e docente. Dessa forma, proporcionamos ao aluno, através da didática, da metodologia e da prática, da convivência, do respeito às necessidades pessoais, a atenção que cada ser humano precisa e merece receber. Isto faz, e tem feito a diferença nos egressos da nossa instituição.

Uma instituição que completa cinco décadas de existência, como as Faculdades Souza Marques, certamente precisa lidar com o desafio permanente de conciliar tradição e modernidade. Como a instituição busca contemplar essas duas dimensões em sua proposta educacional?
A tradição não exclui a modernidade. A tradição fornece a base para os princípios morais, espirituais e acadêmicos. Aliamos isso à modernidade, à tecnologia, às técnicas avançadas através de nossos laboratórios, visitas técnicas e palestras. Nós inovamos ao trazer para o aluno a possibilidade de estar em contato com os avanços da atualidade. Mas, sem quebrar aquele vínculo com a tradição que, através do exemplo, proporciona ao alunado condições de se colocar no desafiante mercado de trabalho com segurança, técnica e com responsabilidade de um cidadão consciente em seus direitos e responsabilidades. É bom salientar o tripé filosófico idealizado pelo fundador da instituição, Professor José de Souza Marques: “Disciplina, Moral e Trabalho”, elo perfeito entre tradição e modernidade.

O segmento de ensino superior nos dias de hoje é marcado por um forte movimento de consolidação de grandes conglomerados. Como vê essa tendência? É interessante para o país? Ou pode gerar distorções no segmento de ensino superior?
Inicio pelo último questionamento. Creio que pode causar sim, distorções no ensino. A exemplo da nossa, vejo em cada instituição o ideal daquele que a fundou. Não me parece saudável para o universitário, que escolheu uma instituição, viu a resposta aos seus ideais, e que naturalmente não se manterão em uma fusão. Portanto, não vejo benefício para o futuro de nosso país. O acolhimento, a proposta pedagógica, a metodologia, não corresponderão, por certo, aos anseios do universitário consciente de sua escolha. Além disso, a busca constante da qualidade do ensino não pode perder o foco nas premissas de cada instituição, na missão a que ela se propõe. Entendo que os grandes conglomerados não conseguem dar conta desta construção adequada às desigualdades regionais de nosso país.

Quais as suas expectativas frente à mudança recente no comando do Ministério da Educação? Qual deve ser a prioridade, no tocante às políticas de ensino superior?

A expectativa é grande. Esperamos que nossos dirigentes olhem para as instituições particulares dentro de suas realidades, diante da crise que atinge as famílias, refletindo nas instituições. Não há como ter as mesmas exigências, a não ser no ensino, para instituições particulares e instituições estatais. A prioridade para o ensino superior é um ensino básico de qualidade. Nossa expectativa é que o Ministério de Educação ouça os dirigentes das instituições de ensino superior para a tomada de uma legislação viável de ser cumprida.

Qual o balanço que a senhora faz das ações no campo do ensino superior, nos últimos anos. Quais os pontos mais positivos e os maiores erros?

O aumento da oferta de vagas na graduação e na pós-graduação, o apoio ao aluno carente são exemplos positivos. A fragilidade do ensino básico, a meu ver, é o maior problema para a formação superior de qualidade. O Enade, um dos instrumentos para avaliar as instituições, também não criou nenhum mecanismo para tornar atrativo ao aluno o seu compromisso na realização da prova.

Por: Larica Santos - [email protected]
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