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Exército, uma Força em busca de talentos


Oficial de Comunicação da Diretoriade Ensino Superior Militar do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEx), o tenente-coronel Alex Costa Cardoso apresenta aos leitores da FOLHA DIRIGIDA a nova política de pessoal do Exército, focada na gestão por competências.

A orientação da corporação é aproveitar o talento de cada militar, com o intuito de colocar o personagem certo, no lugar certo, seja homem ou mulher. Para tanto, o Exército desenvolve constantes programas de aperfeiçoamento e capacitação profissional de seus membros, nas mais diversificadas áreas de atuação. “O Exército prima pelo aperfeiçoamento do profissional, desde o chefe primário até o chefe institucional; desde o auxiliar primário até o auxiliar do alto comando da força junto aos órgãos de direção setorial, em Brasília”, explicou o tenente-coronel.

Na entrevista, o profissional aprofunda temas apresentados durante sua palestra sobre as oportunidades oferecidas pelo Exército, proferida durante a II Feira da Carreira Pública, realizada no final de setembro no Centro de Convenções Sul América, no Centro do Rio. Dentre os tópicos abordados pelo oficial de Comunicação estão as formas de ingresso, o espaço destinado às mulheres e as peculiaridades da vida militar, como a constante mobilidade.

O tenente-coronel assinala, ainda, a relevância social de atividades desenvolvidas pela corporação, como a atuação na Força de Pacificação, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

FOLHA DIRIGIDA - Quais são as diretrizes de formação do Exército?

Tenente-coronel Alex Costa Cardoso - Temos nossas escolas de formação de oficiais. Temos a Escola de Saúde do Exército/EsSEx (Rio de Janeiro/RJ) para os médicos. Farmacêuticos, dentistas e veterinários fazem sua formação na Escola de Formação Complementar do Exército/EsFCEx (Salvador/BA) — a antiga Escola de Administração do Exército (EsAEx) — que oferece formação complementar, preparando oficiais nas áreas de administração e do magistério; nas áreas jurídica e econômica, num leque muito amplo de profissões. Temos ainda a formação de oficiais na área Bélica, que acontece na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) e, em seguida, na Academia Militar das Agulhas Negras/Aman (Resende/RJ). Há, ainda, o preparo na área científico-tecnológica, que envolve os nossos engenheiros. Em todas as áreas, em determinado momento, conforme o profissional progride em sua carreira, como no momento em que ele é promovido a capitão, por exemplo, o Exército oferece um aperfeiçoamento, uma especialização. Existem várias escolas dentro do Exército que promovem a especialização desse profissional, dentro de uma proposta de educação continuada e focada na competência. Queremos que nossos membros estejam cada vez mais capacitados a exercerem suas funções. Esse processo de formação continuada também se aplica aos praças   que ingressam na instituição na graduação de terceiro-sargento, após terem passado por uma escola de formação. Em sua carreira, os sargentos fazem cursos de especialização ou de aperfeiçoamento e agregam competências, conhecimentos e habilidades para exercer suas funções. O Exército continua educando seu pessoal ao longo da carreira. Essa formação não tem custo para o profissional. É o Exército quem incentiva e executa esse processo. Ainda com relação aos praças, foram criados recentemente cursos de tecnólogos em diversas áreas, para que os praças tenham condições de fazer um curso superior e, assim, ingressar no oficialato.

Quais oportunidades o Exército oferece a quem tem ensino médio?

Para o nível médio, temos o acesso para a graduação de sargento, exclusiva para homens, com exceção da área de Saúde. Uma das portas de entrada é a Escola de Sargento das Armas/ESA (Três Corações/MG), exclusiva para homens. Nessa instituição são formados os profissionais da linha Bélica, que executam na plenitude as missões institucionais de defesa da pátria, garantia da lei e da ordem e de complementação das ações constitucionais colocadas para que o Exército possa ser um agente do Estado. A linha técnica abrange a parte de Saúde e a parte de Apoio, que atualmente são feitas na Escola de Sargentos de Logística/EsLog (Rio de Janeiro/RJ). A linha de Apoio abrange as partes de Manutenção, Topografia, Comunicações, Música e Saúde. Na área de Apoio é importante saber que alguns cursos requerem uma complementação técnica, como Enfermagem, que exige ensino técnico em Enfermagem. Temos ainda o Centro de Instrução de Aviação do Exército/CiavEx (Taubaté/SP), específico para nossa Aviação, atividade vocacionada para o sexo masculino.

E quais são os concursos voltados para o nível superior?

Neste caso, a entrada se dá no posto de oficial. Temos o acesso através da linha Bélica no concurso da EsPCEx (Campinas/SP), instituição exclusiva para o sexo masculino, que, a partir desse ano, passou a exigir o ensino médio completo. Na EsPCEx, o estudante já vai fazer o primeiro ano do ensino superior. Temos a porta entrada no Instituto Militar de Engenharia/IME (Rio de Janeiro/RJ) para a linha Científico-tecnológica, cujo vestibular é aberto a homens e mulheres e oferece um leque muito amplo de Engenharias. Para o acesso ao IME é necessário o ensino médio completo. Já na EsSEx, voltada para os médicos, há a possibilidade de ingresso de homens e mulheres. Neste caso, o profissional já precisa ter concluído seu curso de graduação na área de Saúde. Os médicos fazem o curso na EsSEx. Os farmacêuticos, enfermeiros, veterinários e dentistas fazem seu curso na EsFCEx. Esses outros profissionais da área de Saúde também precisam ter nível superior bem como demais profissionais da área técnica que fazem sua formação complementar na EsFCEx, como o pessoal do Magistério, da área de Direito, Administração, Comunicação Social, Pedagogia, e outras tantas áreas que são ofertadas neste concurso, aberto a candidatos de ambos os sexos e que exige o ensino superior completo. Cabe ressaltar ainda que o IME, em algumas oportunidades e de acordo com sua necessidade e disponibilidade, também abre concurso para aqueles que já têm o nível superior em Engenharia. A quantidade de vagas é bem menor e pontuam as áreas de Engenharia que por ventura tenhamos dificuldades de complementar nos cursos de graduação.

Somente profissionais com o curso superior concluído podem participar desses processos seletivos?

Quando se trata da conclusão eu quero esclarecer um ponto importante: a conclusão é necessária no ato da matrícula e não no ato da inscrição no concurso e na execução da prova. A pessoa pode estar terminando a faculdade e fazer o concurso, pois a matrícula é feita no ano subsequente. Isso vale tanto para os concursos de nível superior quanto para os concursos de nível médio.

E qual é o espaço que o Exército destina às mulheres?
As duas linhas de carreira, de oficiais e de praças, tendem a atender homens e mulheres. As portas de acesso são mistas, tanto no nível de oficiais quanto no nível de sargentos. As linhas de Saúde, o Quadro Complementar e a área científico-tecnológica são mistas, ou seja, homens e mulheres podem ingressar por concurso, independentemente de cotas, independentemente de vagas. A linha Bélica, devido às peculiaridades da função, é restrita ao sexo masculino. Temos  concursos mistos justamente pelo fato de o Exército entender que a mulher se insere perfeitamente nesse tipo de atividade. Nos concursos mistos, verificamos, a cada ano que passa, o interesse das mulheres em participar da instituição e também a quantidade de mulheres aprovadas aumenta ano a ano.

E como tem sido o desempenho das mulheres na corporação?
As mulheres acabam sendo, na maioria das vezes, destaque nas suas intenções dentro da força. No IME, já vimos várias mulheres ocupando os primeiros lugares no concurso e na formação. O mesmo ocorre na EsSEx. Na EsFCEx, apesar da ampla abrangência, percebemos a participação ativa da mulher. Nas áreas abertas às mulheres, elas vieram com toda força e demonstram grande interesse. Trata-se de uma boa oportunidade de trabalho para o sexo feminino. Temos muitas mulheres atuando como sargentos, na área de Enfermagem. As mulheres são bem-vindas no Exército. Elas podem fazer cursos operacionais. Temos mulheres que são paraquedistas, guerreiras de selva, mesmo trabalhando em áreas de apoio. Temos guerreiras de selva médicas; mulheres paraquedistas que são enfermeiras; mulheres em missões de paz no exterior em atividade de intérprete, além de psicólogas e administradoras. A carreira abre muitas opções para o sexo feminino, sempre respeitando suas particularidades. Há um tratamento diferenciado na exigência física e pelo fato de poder ser mãe e gestante.

E de que forma o Exército capacita seu pessoal em serviço?
O Exército prima pelo aperfeiçoamento do profissional, desde o chefe primário até o chefe institucional; desde  o auxiliar primário até o auxiliar do alto comando da força junto aos órgãos de direção setorial, em Brasília. Com o tempo de serviço e ocupando postos e graduações, em determinados momentos de sua carreira, os integrantes do Exército passam por escolas onde sua formação vai ser complementada, aperfeiçoada, especializada.

Qual a orientação da política pessoal do Exército?
O Exército no século XXI tem vivenciado uma série de transformações na educação. Uma das maiores vocações a partir desse ano é a implementação da educação por competências, medida que vai permear a vida do profissional na corporação ao longo de toda a sua carreira. O Exército entende que um profissional preparado pela educação por competências vai atuar numa gestão por competências e, com isso, a instituição cada vez terá resultados mais promissores. Cabe ressaltar também que a educação por competências busca aproveitar o talento individual em sua plenitude. Em síntese: trata-se de colocar o personagem certo, no lugar certo. É essa a maior intenção do Exército quando cria um sistema de gestão de talentos na educação. Ele busca captar não só o individuo que recebeu a formação geral, mas agregar valor à sua formação, sua intenção e seu talento natural. Dessa forma, conseguiremos aproveitar essa “expertise”, esse conhecimento, na sua plenitude, quando ele estiver exercendo sua função ou atuando em uma atividade para qual se lançou. Precisamos que todos entendam que a gestão do talento humano, a educação por competências e a gestão por competências é, a partir de agora, uma das maiores intenções do Exército. Por ser uma instituição de abrangência nacional, no futuro, cada vez mais, precisaremos de pessoas que trabalhem integradas com outro setores. A instituição serve ao país, à nação. Queremos aperfeiçoar o sistema e a instituição, tirando o máximo de proveito das pessoas que a integram.

E quais são as peculiaridades da carreira no Exército?

O Exército brasileiro participa da história do nosso país e por isso se reveste de muitas tradições. É importante que os interessados na carreira militar entendam que as tradições são bastante preservadas nas Forças Armadas e no Exército. Esse é um dever patriótico, cívico, de cada cidadão brasileiro. Temos, no Exército, alguns valores que devem ser intrínsecos a seus profissionais: lealdade, camaradagem, espírito de cooperação. Como instituição militar, o Exército tem peculiaridades: prima por um respeito mútuo por ser uma instituição hierarquizada — o superior  respeita o subordinado e o subordinado respeita o superior. E os pares, que são os do mesmo nível, se respeitam mutuamente. É uma instituição calcada na disciplina, não no aspecto rigoroso, mas no aspecto da boa convivência, do trabalho em equipe e hierarquizado: o chefe, o colaborador, o assessor e o auxiliar. É bom frisar que a hierarquia e disciplina militares são inerentes a todos nós e fluem com muita tranquilidade, sem inibição da criatividade do profissional. Há uma hierarquia em todas instituições, sejam elas privadas ou governamentais.

Um dos fatores de interesse dos interessados nesta carreira é com relação à mudança de local de trabalho. Qual é a pertinência desse aspecto no Exército?

O Exército brasileiro está presente em todo o território nacional e, por isso, todos os integrantes devem estar prontos para a mobilidade. A pessoa deve estar ciente que não vai ficar o tempo todo Rio; que poderá ir para o Amazonas, o Rio Grande do Sul e até para o exterior.  Cada peculiaridade e situação vai ser analisada: vamos procurar colocar o profissional certo no lugar certo. Mas se precisamos de um profissional certo na divisa do Brasil com a Bolívia, vamos ter de transferi-lo, seja ele homem ou mulher.

O que é preciso para ser um bom militar?
O militar é, por essência, um profissional que deve saber lidar com situações de risco. Por dever constitucional, temos que garantir a lei, a ordem e a defesa da pátria. Para isso, nós constantemente nos preparamos, treinamos e temos que estar sempre prontos. Aqueles que quiserem integrar a instituição devem entender perfeitamente que isso faz parte da nossa vida militar. Precisamos de profissionais que tenham coragem, abnegação, que consigam sempre ultrapassar os limites que a individualidade nos impõe. O profissional militar deve entender que a nossa instituição precisa do comprometimento integral. Nós temos médicos que também trabalham fora do Exército; temos professores que dão aula em outras instituições. Temos diversos profissionais que conseguem se dedicar a sua profissão em outros ramos que não sejam exclusivos do Exército. Mas, o profissional deve colocar o Exército em primeiro lugar.

E qual é a responsabilidade social do Exército perante à nação?
O grande lema do Exército brasileiro é “Braço forte, mão amiga”. Esse lema foi empregado para caracterizar a responsabilidade social do Exército brasileiro com a sociedade, com a nação. O Exército está sempre presente, fazendo ações subsidiárias, que não são sua atividade principal, mas que o tornam parte integrante da sociedade, seja fazendo atividades de apoio às calamidades públicas, atividades de assessoria de Saúde e de apoio educacional, seja fazendo o apoio a eventos de vulto, como os Jogos Panamericanos e os Jogos Mundias Militares. Nossa responsabilidade social também está no apoio à segurança na sociedade, em geral. Agora mesmo, colaboramos com a Força de Pacificação, no Complexo do Alemão. Trata-se de uma força que integra Polícia Militar, Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Civil e Associações de Moradores. Com essas ações subsidiárias, procuramos demonstrar que fazemos parte da sociedade. Nós somos também a sociedade.

E que mensagem o senhor deixaria àqueles que pretendem ingressar na corporação?
Quem está em busca de uma profissão que agregue aventura, defesa da pátria e responsabilidade social encontra no Exército todos esses requisitos. Os militares fazem parte individualmente e institucionalmente da sociedade. Quem faz a força é cada um dos cidadãos brasileiros. A carreira militar é interessante e muito bonita, permeia o cidadão e o profissional em toda a sua vida.
 

Por: Tainara Silva - [email protected]
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