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Formação humana e de excelência para o desenvolvimento


O Exército brasileiro é uma das três Forças Armadas responsáveis pela defesa do país e pela garantia da lei, da ordem e dos poderes constitucionais. Em tempos de paz, suas tropas estão continuamente preparando-se para atuar em possíveis situações de conflito. No entanto, a atuação do Exército também se caracteriza por uma importante contribuição no cenário educacional, inclusive com ações sociais, visando ao desenvolvimento do país.

Em entrevista à FOLHA DIRIGIDA, o general Carlos Alberto Neiva Barcellos, chefe do Centro de Comunicação Social do Exército, falou sobre as instituições educacionais do Exército, que estão entre as melhores do Brasil em seus segmentos. De acordo com ele, além de toda qualidade já conhecida, as escolas militares também formam cidadãos. “Passamos também uma carga pensando na formação completa, com os atributos, os direitos e deveres do ser humano. É um período de muito aprendizado e amadurecimento. Esse método tem se mostrado bastante adequado àquilo que desejamos para os nossos homens”, garantiu.

O general Carlos Alberto ainda tratou de assuntos como o planejamento para os próximos anos, projetos sociais e as vantagens da carreira militar. “Sem dúvida nenhuma, um dos grandes atrativos para o profissional de carreira militar é a estabilidade que ele adquire, a possibilidade de ter um plano de saúde para ele e seus dependentes e a oportunidade de conhecer seu país”, falou, ressaltando a lealdade e o patriotismo como características adquiridas ao longo da formação militar.

FOLHA DIRIGIDA — Quais os principais projetos em pauta para o Exército brasileiro, no curto e médio prazo?
General Carlos Alberto Neiva Barcellos - Alguns dos principais projetos que temos atualmente são na área de equipamentos. Tivemos a aprovação da Estratégia Nacional de Defesa. É uma ação mais forte, que contempla basicamente desenvolver projetos para colocar os equipamentos e a operacionalidade no nível de uma força que precisa estar na mesma estatura do país a qual serve. Nosso maior projeto em curso é o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras, que nós chamamos de Sisfron. É de grande importância para a Força, em razão daquilo que proporcionará no que diz respeito à segurança e vigilância, contribuindo não apenas para nossa missão institucional de defesa da pátria e manutenção da integridade territorial do país, mas também no combate aos ilícitos transfronteiriços. Por tudo isso, é algo bem relevante. Outro projeto é a nova família de blindados sobre rodas. Já temos alguns protótipos aprovados e a compra encomendada de 2 mil unidades. Mais um que destacaria, já que vai ao encontro do avanço da indústria nacional de material de defesa, é o radar Saber, desenvolvido com tecnologia militar brasileira, e os projetos da Indústria de Material Bélico do Brasil, que é uma empresa autônoma, mas também é vinculada ao Ministério da Defesa por intermédio do Exército.

Por conta de todos esses projetos, existe a perspectiva de aumento do efetivo, seja militar, civil ou até mesmo temporários?
Por enquanto, não visualizamos o aumento, não. O efetivo do Exército, hoje em dia, gira em torno de 2 mil homens e a tendência é que assim permaneça. O que há é uma orientação voltada para dotar nossas unidades de emprego rápido da mobilidade necessária para que ela se faça presente em curto espaço de tempo nos locais onde for necessário. Privilegiamos alguns tipos de estratégias. A primeira é a dissuasão, por meio da qual a gente pretende ter meios e equipamentos necessários para desencorajar qualquer tipo de agressão e ato hostil ao nosso território. A segunda é a presença coletiva, que se dá por meio da capilaridade do Exército no Brasil. Ou seja, a capacidade de estarmos presentes em diferentes pontos do território. A terceira é a projeção do poder, que é baseada na capacidade de se mostrar a altura de uma nação que busca seus espaços no cenário internacional. O grande exemplo é a participação das Forças Armadas brasileiras nas missões de paz que atuamos pelo mundo afora. É como se fosse um vetor de projeção da política de estado do Brasil internacionalmente. Somos a 7ª economia do mundo e estamos caminhando para melhores posições, então é preciso que suas Forças Armadas estejam bem equipadas e preparadas para garantir a vontade política de uma nação dessa envergadura.

Na Marinha, por exemplo, há forte demanda por engenheiros. E no Exército, quais áreas ou atividades demandam mais profissionais?
Não existem muitas demandas. Na área científica e tecnológica, normalmente, as necessidades são providas pelo Instituto Militar de Engenharia (IME). Nós temos, integrando o alto comando da Força, o Departamento de Ciência e Tecnologia. Por seu intermédio, nossos profissionais militares desse ramo trabalham e contribuem no desenvolvimento das ações que interessam, como as engenharias, construção civil, cartografia, entre muitas outras. Temos um projeto, atualmente, em parceria com o Governo Federal, de mapear o Brasil inteiro. Nossa cartografia desempenha um papel de alcance elevadíssimo na Amazônia, no qual a partir do trabalho de campo é possível identificar as áreas topográficas da região.

Qual é a grande vantagem de trabalhar em uma instituição como o Exército brasileiro?
Costumo dizer que a profissão militar tem bastante a ver com vocação. A Constituição define a missão das Forças Armadas como a defesa da pátria, a garantia dos poderes da lei e da ordem, contribuir com o desenvolvimento nacional e participar das ações de defesa civil. Então, aquele jovem que tem espírito de aventura e gosta de daquilo que proporcionamos, pode vir para o Exército, pois terá um espaço amplo para participar de todas as atividades. Nosso lema é “braço forte, mão amiga”. O braço forte representa o ramo da nossa missão de garantir os direitos constitucionais e a mão amiga tem grande ligação com a contribuição para o desenvolvimento nacional e participação efetiva das ações de defesa civil. O jovem com vocação militar pode ingressar por diferente meios. Temos a linha de combatente, formação que ocorre na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman). Também existe aquela mais voltada para ciência e tecnologia, via IME. Além disso, ainda temos a área da saúde, pela qual absorvemos o médico, o dentista, o farmacêutico e o veterinário. Por fim, a Escola de Formação Complementar de Oficiais, localizada em Salvador, que oferece um leque bem aberto nas áreas de Direito, Administração, Economia, Magistério, etc. São esses os ramos que os interessados podem optar para seguir a carreira de oficial do Exército. Porém, dependendo da necessidade, existe a possibilidade de convocar em caráter temporário para essas áreas. E ainda existe o ingresso no nível de sargento, via Escola de Sargento das Armas, que fica em Três Corações, e as escolas de sargento especializadas em Logística, no Rio de Janeiro, e a específica para o pessoal de Aviação, em Taubaté.
 
Quais são os benefícios daqueles que optam pela carreira militar?
Sem dúvida nenhuma, um dos grandes atrativos para o profissional de carreira militar é a estabilidade que ele adquire, a possibilidade de ter um plano de saúde para ele e seus dependentes e a oportunidade de conhecer seu país, pois em um momento você pode estar no Rio de Janeiro e depois em Minas ou Manaus, participando de várias missões.

As instituições educacionais do Exército estão entre as melhores do país em seus segmentos. Qual é o segredo do sucesso de instituições como o IME, EsPCEx e Colégio Militar, por exemplo?
O sistema de ensino militar é baseado em ilhas de excelência. Há toda uma preocupação em relação ao ensino. Os Colégios Militares, por exemplo, são voltados para os dependentes de militares. A preocupação do planejamento é que o jovem que está no Rio de Janeiro e acompanha seu pai, transferido para Mato Grosso, tenha capacidade de se adequar ao programa de disciplinas. Por isso, o sistema é desenvolvido em âmbito nacional. O sistema de ensino é pensado como um todo. Além disso, no ensino superior, temos diversos momentos, que vão desde a formação de oficiais, passando pela possibilidade de extensão na área específica ou especialização, e também cursos de aperfeiçoamento, mestrado, etc, até as escolas de altos estudos militares, onde formamos os chefes militares do futuro.

Em que medida a formação inspirada em princípios da rotina militar contribui para a melhor qualificação dos profissionais procurados por estas instituições?
A formação militar, na Aman, por exemplo, se dá especificamente voltada para o desempenho profissional militar, através das disciplinas que formarão os oficiais da cavalaria, infantaria, engenharia e outros. Paralelamente a essa formação voltada para as atribuições militares, temos aquela com foco no homem, nas disciplinas das ciências exatas e humanas. Passamos também uma carga pensando na formação completa, com os atributos, os direitos e deveres do ser humano. É um período de muito aprendizado e amadurecimento. Esse método tem se mostrado bastante adequado àquilo que desejamos para os nossos homens.

Qual é a importância do serviço prestado por essas instituições militares voltadas para a formação educacional? Como isso se reflete no desenvolvimento do país?
No caso do Colégio Militar, por exemplo, a primeira necessidade é atender aos dependentes dos militares, mas também há concurso feito por não dependentes, que permite o ingresso de integrantes da sociedade brasileira como um todo. Para se ter uma ideia, atualmente, temos reuniões de ex-alunos do Colégio Militares que envolvem personalidades das mais diversas áreas. O ganho disso tudo é a integração que existe entre o meio militar e os diferentes segmentos da sociedade. Não preciso fazer propaganda, mas as Forças Armadas Brasileiras, há muitos anos, vem gozando junto ao seu povo de elevados índices de credibilidade. Isso é perceptível em qualquer pesquisa que aborde o assunto. Contudo, ao mesmo tempo, é verdade que somos poucos conhecidos, de uma maneira geral. Essa participação das nossas escolas na sociedade, e até mesmo a passagem dos oficiais temporários, cria condições para que a população a qual pertencemos e a quem servimos, nos conheça melhor.

Atualmente, milhares de jovens inscrevem-se nos mais diferentes concursos para ingresso em escolas militares. Por que, na sua opinião, a carreira militar consegue exercer tanto fascínio nos jovens?
Vou te explicar usando meu caso específico. Um dia já fui um jovem que sonhava em ser militar. Tive influência da família, pois meu pai era militar. Sempre gostei das atividades militares. A missão nobre da Força e o espírito de aventura, de servir, de defender e de participar dos exercícios têm grande apelo na escolha dos jovens. Hoje em dia, uma das maneiras do Exército se comunicar com a sociedade são as mídias sociais. Com isso, consigo perceber que há forte interesse dos jovens pelas nossas operações militares, por exercícios na selva, pelos comandos de forças especiais, como os para-quedistas, por exemplo. Na minha opinião, esses fatores são os que mais pesam na hora da opção pela carreira militar.

O que o senhor considera fundamental para que um jovem tenha sucesso quando ingressa na carreira militar?
Ele precisa se adequar, em primeiro lugar, as regras estabelecidas para a vida militar. Depois, se tiver determinação e vontade de aprender e desenvolver valores como lealdade e patriotismo, certamente terá sucesso e conquistará seu espaço.

O Exército desenvolve alguma ação social? Qual é a importância desse tipo de tipo de trabalho?
São momentos que nós utilizamos para aproximar o Exército da sociedade a qual ele serve. Então, em todas as oportunidades que temos em operações que realizamos por esse Brasil afora tentarmos desenvolver ações cívicas e sociais. Um exemplo é nossa força de pacificação no Complexo do Alemão. Por meio dessa iniciativa, buscamos levar até os lugares mais carentes um pouco de apoio na saúde, odontologia, emissão de documentos e outros serviços específicos, muitas vezes em parceria com instituições municipais, estaduais e federais. Dessa forma, essa população consegue sentir a presença do Estado. Fazemos isso com alguma regularidade. Todas as operações que participamos começam ou terminam com alguma atividade do tipo.

O que é o projeto “Soldado Cidadão”?
É um programa do Ministério da Defesa, em parceria com o Exército, Marinha e Aeronáutica. A ideia é criar condições para que o jovem que está na fase da prestação do serviço militar, ao voltar a sua vida no meio civil, tenha uma preparação técnica que o capacite a disputar uma vaga no mercado de trabalho com boas condições. Dessa maneira, via parceria das Forças com as organizações do Sistema S e algumas outras, são desenvolvidos uma série de cursos técnicos e profissionalizantes, como de mecânico, marceneiro e eletricista, que os deixem mais aptos para, ao término do serviço militar, conquistar um bom emprego, com remuneração digna.

Que mensagem o senhor gostaria de deixar para os jovens que, a cada ano, buscam ingressar na carreira militar?
Quem tem planos de um dia fazer parte das Forças Armadas deve entrar já sabendo qual é a nossa missão. É importante incorporar nosso lema de “braço forte, mão amiga”. Ainda em cima disso, queria deixar uma mensagem para todos os brasileiros. Nosso braço forte tem como objetivo defender a nação e a mão amiga está sempre pronta para proteger o cidadão brasileiro, em qualquer momento.

Por: Renata - [email protected]
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