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Projeto Redação integra as políticas de incentivo à leitura nas escolas da cidade


Dentro do Programa "Rio, uma cidade de leitores", da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME), encontra-se o Projeto Redação 2015, uma iniciativa da FOLHA DIRIGIDA, em parceria com escolas e redes de ensino, e que conta com o apoio institucional da Fundação Biblioteca Nacional. A SME realiza o projeto desde sua primeira edição, em 2001, como uma das várias estratégias utilizadas para mobilizar estudantes para a prática da leitura e da escrita.

Para a coordenadora do Programa "Rio, uma cidade leitores", Simone Monteiro, o balanço do Projeto Redação é sempre positivo, pois mostra o quanto a iniciativa já está incorporada às ações das políticas públicas. "Ele faz parte da nossa política de formação de leitores. Além do acesso aos livros, proporcionamos possibilidades como esta que o concurso oferece: de os leitores produzirem suas próprias histórias."

Segundo a educadora, a participação das escolas reflete a expectativa organizada em torno do Projeto, na espera da divulgação dos calendários, e na vontade de docentes e estudantes participarem. "Há uma mobilização que se constitui ao longo dos anos. Isso só pode ocorrer porque há uma continuidade da ação", diz Simone Monteiro, que, nesta entrevista, também fala sobre o tema do Projeto em 2015, que foi "Valores Olímpicos", como ele foi abordado nas escolas e aborda também outras iniciativas de incentivo à escrita e à leitura na rede municipal.

FOLHA DIRIGIDA - Qual o balanço que você faz da participação das escolas da rede municipal no Projeto Redação?
SIMONE MONTEIRO - Nós temos uma balanço positivo da ação, que tem muito tempo na rede e entrou no calendário das escolas. Elas já esperam a época de divulgação do regulamento. Isso mostra que o Projeto Redação foi incorporado na prática escolar, porque ele faz parte da nossa política de formação de leitores. Além do acesso aos livros, proporcionamos possibilidades como esta que o concurso oferece: de os leitores produzirem suas próprias histórias e narrativas. E o Projeto tem essa contribuição para a ação da política pública.

Como foi a participação das escolas municipais no Projeto?
A participação é refletida na expectativa já organizada, na espera das datas, dos cronogramas, tanto na etapa da Secretaria quanto na etapa geral do concurso que envolve as outras instituições. Professores e alunos de um modo geral são participantes. Eles já têm compreensão e vontade de participar. Há uma mobilização que se constitui ao longos dos anos, com persistência. Isso só pode ocorrer, nós só conseguimos identificar esse resultado porque há continuidade da ação. Ela torna-se parte do trabalho. Não é algo que o aluno faz para concorrer e ganhar um prêmio. Faz parte do processo de formação dos estudantes de cada escola.

Quais segmentos puderam participar? Como foram feitas as abordagens em cada uma das séries?
São duas formas de participação que mobilizam os alunos em torno de um tema: a primeira é dentro da etapa do concurso, com o segundo segmento que participa com as redações. No processo da Secretaria, o primeiro fica com os desenhos. Se ele for selecionado, ilustra a capa da nossa coletânea. De uns tempos para cá, conseguimos nos organizar para sempre realizar as produções das redações, através de acervos sobre os temas propostos. O professor faz o trabalho com o aluno não somente a respeito do conteúdo do tema, mas, também referente à escrita. A produção é feita sempre no ano anterior a publicação.

Qual a importância de se trabalhar o tema das Olimpíadas junto aos estudantes da rede, no ano que antecede à competição?
Apesar de traduzirem grandes eventos, entendemos que os temas não se esgotam neles mesmos. Isso aconteceu quando festejamos a Copa do Mundo, onde os alunos já vivenciavam uma ambiência com a temática bem antes. Nós problematizamos, discutimos e quando a Copa chegou, os alunos tinham conteúdo de várias ordens e áreas do conhecimento. No ano seguinte, celebramos os 450 anos do Rio de Janeiro. Realizamos uma mobilização acerca das histórias do cotidiano da cidade e as crianças fizeram um recorte. Para o concurso da Folha Dirigida, escolhemos o presente que cada criança, jovem, daria para o Rio. Tudo foi trabalhado ao longo do ano, com calma e no mês de março, lançamos a coletânea. Neste último ano, mais do que o esporte, trabalhamos na educação a ênfase dos valores olímpicos, como a resistência, perseverança, cooperação, o saber perder, ganhar, o respeito ao próximo. Falar do esporte em si não é a única vertente possível de abordar. A ideia é preparar os alunos para quando chegar uma grande data a ser comemorada, ele já estar familiarizado com o tema explorado. Todo o trabalho é refletido na redação, como se fosse o coroamento na formação desses estudantes.

Quais são os critérios utilizados para a escolha dos textos que integram o livro das escolas? E os do livro especial?
A coerência do texto é um critério importante, assim como a coesão textual, que diz respeito à estrutura propriamente da redação, os elementos e os recursos da língua empregados. Observamos também a criatividade, a originalidade na hora de preparar a redação, com a carga de uso de recursos semânticos, metáforas. Dependendo da natureza do texto, esses critérios têm um valor, uma relevância maior. Priorizamos a qualidade da produção e como ela reflete no trabalho feito pelo professor com o aluno.

A participação dos alunos é expressiva? Aumenta a cada ano?
Nós temos escolas em que professores e alunos participam de várias edições. Existem outros colégios em que os alunos participam pela primeira vez e tomam gosto, porque é uma rede grande e diversificada. A cada edição do concurso descobrimos potencialidades. De repente, um colégio que nunca participou revela textos belíssimos. Um professor de uma escola leva o concurso para outra também. A adesão é sempre expressiva. O nosso papel é atingir cada vez mais pessoas diferentes tocadas por essa experiência. A cerimônia de premiação é sempre bonita, a autoestima se eleva. Ser reconhecido é muito bom. Para nós, para além de tudo isso, tem o trabalho que é feito, a formação de um leitor, de um aluno que é capaz de escrever bem e comunicar as ideias por meio do texto escrito. Isso é o fato primordial da nossa experiência.

Como as aulas de Redação são abordadas nas escolas municipais de ensino?

Existe uma equipe de Língua Portuguesa que tem as diretrizes do trabalho para essa área, como os professores, que habitualmente desenvolvem esse processo no planejamento e em outros campos de atuação da disciplina. Possuímos também bibliotecários nas salas de leitura que desenvolvem ações, projetos de produção e leitura, porque quanto mais repertório de leitura o aluno tem, mais repertório terá para usar na produção escrita. Então, é um trabalho que se complementa, como o próprio projeto da Folha Dirigida, que demanda da escola uma organização para participar do concurso. O trabalho é contínuo.

Qual a importância do hábito da leitura e da escrita para os estudantes?
Falar da importância da leitura e da escrita é falar de uma coisa que parece óbvia para nós educadores, mas que é muito desafiadora ainda em termos de educação, e não só para o nosso país. A leitura é mais do que um hábito. É uma atividade em que se desenvolve um gosto por uma prática cultural. Tem a ver com prazer pela leitura em si, mas não esgota nisso. Às vezes, ler e escrever não é nada prazeroso. Como diz o poeta "Você luta com as palavras". É a busca pelo conhecimento, o prazer de ver novas histórias, e também de contar as próprias histórias. É fundamental que as pessoas possam se relacionar com o mundo a sua volta. A leitura e a escrita são duas faces de uma mesma moeda. Embora sejam campos distintos, colaboram uma com a outra. Eu diria que são fundamentais para o exercício da cidadania, sobretudo em uma sociedade letrada como a nossa.

Quais os principais projetos que a Secretaria Municipal de Educação também desenvolve no campo da leitura e da escrita?
A diversidade dá o tom do nosso desafio. Nós temos uma rede com mais de 1.400 escolas, mais de 650 mil alunos e mais de 40 mil professores, organizadas em 11 regiões da cidade. A rede de ensino no Rio de Janeiro já tem tradicionalmente um trabalho na área de formação de leitores e escritores. A escola do ensino fundamental abre portas. Se isso acontecer, ótimo. Porém, a nossa vocação não é formar o profissional, mas, abrir o mundo para que os alunos possam fazer suas escolhas. Nesse sentido, contamos com um programa chamado "Rio, uma cidade de leitores", que traduz toda a política pública nessa área, formada em quatro eixos.

Quais são os eixos?
O primeiro diz respeito ao acervo da escola, pois, para formar leitores, é preciso instrumentos de leitura, com diferentes gêneros literários. Tanto nós quanto as escolas recebemos verbas para uma gama de ações, como renovar, compor e comprar material de leitura. O segundo eixo está no campo da formação de mediadores de leitura. Não só os professores, mas, alunos e coordenadores pedagógicos são convidados a fazer os cursos que oferecemos para tratar disso: como fazer uma roda de leitura, como envolver a família na ação leitora da escola. O terceiro desenvolve os projetos e programas, entre eles, o da Folha Dirigida; o projeto Poesia na escola; a Maratona de Histórias, que ocorre no mês de outubro no dia do livro e da leitura, o Teatro das Letras; e o projeto de escrita dos alunos em homenagem a autores renomados da literatura brasileira, em parceria com a Academia Brasileira de Letras (ABL). A última linha foca na estrutura, no funcionamento das bibliotecas e salas de leitura nas escolas municipais. Nós vamos discutir a gestão do espaço, a organização, o acervo, o planejamento do trabalho. O projeto "Rio, uma cidade de leitores" incorpora essa linha de projetos.

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