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Qualificação de mão de obra em alta no Estado do Rio


Celso Pansera reassumiu a presidência da Rede Faetec em janeiro deste ano, justamente em um momento no qual o país começa a realizar o primeiro megaevento da década: a Copa das Confederações. O desafio é grande principalmente para o Rio de Janeiro, que receberá a final do torneio e, poucos dias depois, será a cidade-sede da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2013.

Reconhecida nacionalmente como referência em qualificação, a rede está, segundo o seu presidente, preparada para formação de mão de obra para trabalhar nos eventos. Para Celso Pansera, as oportunidades vão surgir, mas é necessário que se busque a formação profissional, uma vez que o mercado está cada vez mais competivivo.

"O interessado não terá custo algum para estudar na rede. É necessário que uma pesquisa seja feita para que essa pessoa interessada em se qualificar encontre o caminho que será mais interessante para ela. A área de hotelaria e de construção civil são as que têm um  potencial de crescimento muito bom, mas existem outros lugares", disse.

Mesmo com a proximidade das competições e da JMJ, o presidente da Faetec acredita que ainda há tempo para buscar uma formação e ingressar ao mercado de trabalho. A maioria dos cursos não é de longa duração, o que possibilita que o estudante consiga aproveitar as vagas que estão abertas e as que aparecerão durante os eventos.

"Para a área de qualificação, os cursos são de poucas horas-aula, com duração de 10 até 20 semanas. Existe tempo suficiente. Para quem possui ensino médio, os cursos pós-médio são de um ano, um ano e meio. Existe possibilidade para a formação. Até mesmo para quem for tentar no ensino superior".

Celso Pansera ainda falou sobre uma questão que ainda gera dúvidas na cabeça dos jovens que estão saindo do ensino médio: tentar o ensino técnico ou a vaga no ensino superior? Outro ponto comentado pelo presidente foi o Pronatec, programa que distribuirá mais de dois milhões de vagas de ensino profissionalizante.

FOLHA DIRIGIDA - A Faetec terá um papel importante na criação de infraestrutura para os grandes eventos que o Rio de Janeiro vai sediar até o fim da década. Qual o cenário para quem busca qualificação na rede Faetec agora que os eventos se aproximam?
Celso Pansera - É importante que as pessoas busquem formação porque boas oportunidades vão surgir. A Faetec é reconhecida nacionalmente como referência em qualificação. Temos bons professores, estrutura, somos gratuitos, inclusive cedemos vale-transporte. O interessado não terá custo algum para estudar na rede. É necessário que uma pesquisa seja feita para que essa pessoa interessada em se qualificar encontre o caminho que será mais interessante para ela. A área de hotelaria e de construção civil são as que têm um  potencial de crescimento muito bom, mas existem outros lugares. A Faetec tem um compromisso, que é fazer de tudo para que quem deseja estudar e se qualificar tenha condições para isso. As nossas iniciativas são para isso. Nós oferecemos agora em janeiro 112 mil vagas para qualificação profissional, com 230 mil inscritos. Em maio, serão mais 70 mil vagas. Em agosto, mais 90 ou 100 mil vagas. Em outubro, mais 60 ou 70 mil vagas. Ano que vem, a rede repetirá isso. Quem tiver interesse, basta realizar a inscrição para concorrer à essas vagas. A questão é não desistir. Insistir sempre, porque a Faetec oferecerá muitas oportunidades. Ficar atento sempre é o que é importante. São cursos caros, como o curso de Caldeireiro, ou de Soldador, que custa de R$2 mil a R$5 mil, o curso de Garçom, de Cozinheiro, de Auxiliar de Restaurante, de Pedreiro, que não existia curso de qualificação até 2008, Ladrilheiro, Bombeiro Hidráulico, Eletricista Predial, Eletricista Industrial... são cursos diversos que a Faetec traz de maneira gratuita para a sociedade.

Os cursos da Faetec ajudam muitas pessoas a se recolocarem no mercado de trabalho. Com a proximidade das grandes competições, as chances ingressar ao mercado aumentam para quem está realizando cursos de qualificação ou o senhor acredita que não haverá tempo para a formação de profissionais para esses eventos?
Para a área de qualificação, os cursos são de poucas horas-aula, com duração de 10 até 20 semanas. Existe tempo suficiente. Para quem possui ensino médio, os cursos pós-médio são de um ano, um ano e meio. Tem tempo para a formação. Até mesmo para formação no ensino superior existe tempo para que o aluno se forme em um momento anterior às grandes competições, podendo aproveitar as oportunidades que serão abertas. Quem  está procurando se qualificar, se especializar, buscando mais conhecimento, estará sempre perto das vagas que vão surgir com esse novo momento do Rio de Janeiro. É preciso entender que a maioria das vagas são para quem possui qualificação. O PAC, por exemplo, tem 90% das suas vagas destinadas para quem possui qualificação. Não é ensino técnico ou
ensino superior. É para qualificação, que possui cursos de formação muito rápida. E nós temos muitos polos de ensino de qualificação. Para Solda, por exemplo, nós temos cursos na capital, em Duque de Caxias, em São João de Meriti, em Niterói, em breve teremos em São Gonçalo. É um curso quem dá boas perspectivas. Quem se forma ganha de R$2.500 a R$3 mil. E outros cursos, como Caldeireiro e cursos na Área da Construção Civil e Hospitalidade e Lazer. É preciso se informar e ficar atento às oportunidades.

Em quais áreas a tendência de abertura de vagas é maior?
Depende da área onde a pessoa está localizada. Na capital, a área de serviços vai receber muita gente com cursos de Telemarketing, Telecomunicações, da área de Hotéis e Restaurantes. Em Niterói, a área
de Indústria Naval será destaque, com um movimento de contratação intenso. Na Baixada Fluminense, a área de Logística, Metalurgia e Serviços. Na Serra, a Hotelaria crescerá. Em alguns lugares, o setor de Tecnologia também crescerá. No Sul Fluminense, região de Resende, Pinheiral, Barra Mansa, Volta Redonda, será a área com destaque para Metalurgia e Mecânica. Na região de Angra, Hotelaria. No Norte e Noroeste, setores ligados ao Pré-sal também vai crescer. Por isso que eu aconselho às pessoas a se informarem. Isso será fundamental, porque para cada geografia da cidade existirá uma oportunidade diferente. Tem que ficar atento à demanda que cada região terá. Isso pode ser descoberto   em qualquer pesquisa na internet. A Faetec sempre toma iniciativas com base nas carências de cada região que ela possuiu unidades.

Especificamente para os eventos dessa década no Rio de Janeiro, quais os cursos são oferecidos pela Faetec?

Temos muitas vagas para cursos de idiomas. As áreas são inglês, espanhol e francês. Oferecemos Informática, porque tudo nessa vida tem base na informática. Na área de Gastronomia e de Hotelaria também éxistirá um movimento intenso de contratação. Atualmente, a área de Construção Civil vem apresentando uma alta demanda porque o Rio de Janeiro está sendo reestruturado.

Muitos estudantes ficam em dúvida na hora de escolher o seu caminho profissional. Hoje, quais as vantagens de se seguir um curso técnico? É um caminho melhor que o ensino superior?

Eu sempre digo que a melhor escola é aquela que muda a vida. É preciso que o estudante veja qual o impacto que cada escolha poderá trazer para a sua vida. Existem famílias que têm condições de manter o filho, de dar a possibilidade de conseguir se formar no terceiro grau. O aluno sairá com uma bagagem grande. Mas a grande maioria das famílias brasileiras não possui essa possibilidade. Nesses casos, é melhor o aluno passar por um ensino médio integrado. Ele conseguirá ter um suporte para que, futuramente, ele possa ter a sua graduação. Hoje existe uma procura muito grande pelos cursos técnicos, muito maior que de anos atrás. O Brasil redescobriu o ensino técnico. Os estudos nos dizem que essa formação está presente em 6% do mercado de trabalho. Se, no Rio de Janeiro, nós temos 200 mil alunos entrando no ensino médio, nós temos que colocar algo em torno de 20 mil vagas de ensino técnico para abastecer nosso mercado. A Faetec oferece algo em torno de 12 mil vagas. Até o fim da gestão Sérgio Cabral, ofereceremos algo em torno de 15 mil vagas. Atualmente, na maioria dos casos, os pais que têm dúvidas quanto a escolha da carreira do filho, indicam  e aconselham o ensino técnico. Têm algumas pessoas que dizem que não há escola técnica perto da casa. Elas podem fazer o ensino médio regular e, após isso, fazer um curso de qualificação.

Uma das ações do governo federal na área de educação profissionalizante foi a criação do Pronatec. No Brasil inteiro são mais de dois milhões de vagas. Qual a sua opinião em relação ao Pronatec?

É uma boa iniciativa do governo. A Faetec conseguiu a sua inclusão. Algo muito interessante do programa é que, ao criá-lo, ele teve que regulamentar os cursos. Com isso, ele acabou criando uma regulamentação para as profissões, o que é um importante substrato dele. Ele elencou quase 500 qualificações e orientou, com a carga-horária mínima e máxima, qual a base de estudo que ela deve ter. Isso acaba criando uma nomenclatura e um orientador nacional para isso feito co base com a experiência que existe no mundo de trabalho. O Pronatec organizou as profissões e deu nomes para os profissionais formados. A Faetec já organizou 90% dos cursos em cima das bases do Pronatec. Os demais estados já estão fazendo isso, entre instituições privadas e públicas. Isso cria uma estrutura nacional, com a mesma terminologia, com a mesma carga-horária. Isso é um ganho secundário importantíssimo. O mais importante, logicamente, é o fato de ajudar a população de baixa renda e também aqueles que, muitas vezes, já nem pensavam na possibilidade de reingressar no mercado de trabalho.

A presidente Dilma Rousseff estuda abrir vagas do Pronatec para pessoas que participam do programa Bolsa Família. Como o senhor avalia essa possível medida?

Isso é muito bom. Nós já temos um acordo com a Secretaria de Estado de Assistência Social no qual a Faetec reserva sete mil vagas para alunos beneficiários do Bolsa Família. Nós já tínhamos uma tratativa anterior e esse ano nós colocamos isso em prática. É uma maneira de dar subsídios para uma camada mais carente da população e, ao mesmo tempo, resolver o problema da alta demanda de mão de obra técnica. A reserva de vagas para esses pessoas já existe na Faetec. Pode ser que nesse primeiro ano nós não consigamos preenchê-las, mas elas estarão lá, reservadas.

E qual a importância de se buscar cada vez mais qualificação?
A maior facilidade para arranjar um emprego é a principal vantagem de quem sempre se qualifica. Junto à isso, melhores salários. Como consequência, uma vida mais satisfatória e confortável. É um caminho que todos devem entender. Não é fácil, requer muito esforço, mas é algo realmente necessário. Buscar conhecimento nunca é desnecessário. Quem não estuda acaba sendo excluído do mercado de trabalho, infelizmente. A todo momento vemos novos polos de emprego sendo criados, mas é preciso sempre se qualificar mais ou, até mesmo, requalificar-se.

Por: Simone Cristina - [email protected]
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